O uso de dados de temperatura e precipitação de MERRA2 para compreender a dinâmica ecológica do A. aegypti no município de Chapecó/SC - 2007 a 2017 (The use of MERRA2 temperature and precipitation data to understand the ecological dynamics of A. aegypti in the municipality of Chapecó / SC - 2007 to 2017)
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v12.4.p1385-1398Palavras-chave:
Aedes aegypti, Temperatura, Precipitação, MERRA2Resumo
O mosquito Aedes aegypti transmite dengue, febre do zika vírus, febre chikungunya e febre amarela. Em Santa Catarina, ocorrências dessas doenças foram registradas nos últimos anos, assim como o aumento dos focos de A. aegypti, principalmente num padrão específico de sazonalidade. Estudos que busquem identificar a ecologia do mosquito em função da diversidade climática no Brasil são fundamentais para melhoria de políticas públicas e para o controle de focos nos municípios. Conduziu-se este trabalho, com o objetivo de avaliar a relação existente entre ocorrência de focos de A. aegypti e variabilidade dos elementos climáticos temperatura e precipitação, no município de Chapecó, durante os anos de 2007 a 2017. Os dados climatológicos foram obtidos pela reanálise MERRA2 (Modern-Era Retrospective analysis for Research and Applications) da NASA (National Aeronautics and Space Administration). Os dados dos focos do mosquito foram obtidos da Divisão de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE). Os resultados obtidos mostram, para o município de Chapecó, uma relação direta entre a elevação (redução) da temperatura e o aumento (diminuição) dos focos registrados. Também foi identificada uma influência da elevação da temperatura na ocorrência e registro dessa espécie, ao longo dos anos. Com relação à distribuição da precipitação, sugere-se que a chuva bem distribuída no mês que antecede o registro do foco, influencia no desenvolvimento do vetor. Entende-se que as variações climáticas contribuem para o aumento de focos, todavia, as condições socioeconômicas da população e a ação antrópica devem ser contempladas na investigação das influências na proliferação do vetor.
A B S T R A C T
The mosquito Aedes aegypti is the transmitting agent of dengue fever, zika virus and chikungunya fever. In Santa Catarina, occurrences of these diseases have been recorded in recent years, as well as the increase of A. aegypti outbreaks, mainly in a specific pattern of seasonality. Studies that seek to identify mosquito ecology as a function of climatic diversity in Brazil are fundamental for the improvement of public policies and for control of outbreaks in municipalities. The objective of this study was to evaluate the relationship between occurrence of A. aegypti outbreaks and variability of temperature and precipitation elements in Chapecó between 2007 to 2017. The climatological data were obtained by MERRA2 from NASA. Outbreaks data were obtained from the Epidemiological Surveillance Director. The results show, for Chapecó, a direct relation between flotation of the foci with a cycle marked by the high temperatures and the intermittent precipitation. The favorable temperature range for vector development is between minimum average temperature of 14.8 °C to 19.2 °C and maximum average temperature of 25.5 °C at 29.1 °C. An influence of temperature elevation on the occurrence and record of this species was also identified over the years. Regarding the distribution of precipitation, it is suggested that the precipitation up to 5 mm in the month preceding the focus record influences the development of the vector. Climatic variations contribute to the increase of outbreaks, however, the socioeconomic conditions of the population and anthropic action should be considered.
Keywords: Mosquito, climate, reanalysis data.
Downloads
Referências
Albuquerque, C., 2012. Aedes: o que você precisa. In: Oliveira, W. (Coord.). Dengue: os avanços e as novas descobertas sobre a doença. Revista de Manguinhos [Online] 24. Disponível: https://agencia.fiocruz.br/sites/agencia.fiocruz.br/files/revistaManguinhos/RevistadeManguinhos24.pdf. Acesso: 01 nov. 2018.
BBC NEWS. British Broadcasting Corporation, 2018. O que pode detonar uma epidemia urbana de febre amarela? Disponível: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-42976321 Acesso: 24 nov. 2018.
De Castro, M. B., Costa, R. C., 2018. Aspectos climáticos e socioespaciais da dengue em Manaus, AM (Climatic and socioespatial aspects in the development of dengue in Manaus, AM). Revista Brasileira de Geografia Física-ISSN: 1984-2295, 11(1), [Online] 001-015. Disponível: https://periodicos.ufpe.br/revistas/rbgfe/article/view/234135 . Acesso: 01 nov. 2018.
Busato, M. A.; Corralo, V. S. S.; Guarda, C.; Zulian, V.; Lutinski, J. A.; Bordin, S. M. S., 2014. Evolução da infestação por Aedes Aegypti (Diptera: Culicidae) nos Municípios do Oeste do Estado de Santa Catarina. Rev. Saúde Públ. Santa Cat., Florianópolis [Online] v. 7, n. 2, p. 107-118, maio/ago. 2014. Disponível: http://revista.saude.sc.gov.br/index.php/inicio/article/view/247/263 Acesso: mar. 2019.
Da Silva, E. B., Nóbrega, P. R. C, 2012. Dengue: reflexões sobre a incidência da doença no município de Palmares, Pernambuco no pós-enchente (2010, 2011). JMPHC| Journal of Management and Primary Health Care| ISSN 2179-6750, 3(2), [Online] 106-113. Disponível: http://www.jmphc.com.br/jmphc/article/view/147 . Acesso: 04 nov. 2018.
DIVE. Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina, 2019a. Boletim Epidemiológico n° 07/2019 Vigilância entomológica do Aedes aegypti e situação epidemiológica de dengue, febre de Chikungunya e Zika vírus em Santa Catarina. Santa Catarina. Disponível: http://www.dive.sc.gov.br/conteudos/boletim2019/Bolet07Dengue/BoletimN07DengueChikungunyaeZikaSE11.pdf Acesso: mar. 2019.
DIVE. Divisão de Vigilância Epidemiológica, 2019b. Boletim epidemiológico n. 25/2018. Disponível: http://www.dive.sc.gov.br/index.php/arquivo-noticias/802-boletim-epidemiologico-n-25-2018-vigilancia-entomologica-do-aedes-aegypti-e-situacao-epidemiologica-de-dengue-febre-de-chikungunya-e-zika-virus-em-santa-catarina-atualizado-em-29-12-2018-se-52-2018. Acesso: jun. 2019.
DIVE. Diretoria de Vigilância Epidemiológica, 2018a. Dengue: Orientações técnicas para pessoal de campo. Santa Catarina: Florianópolis.
DIVE. Divisão de Vigilância Epidemiológica, 2018b. Dados atualizados sobre o número de focos e casos notificados no estado. Disponível: Acesso: jun. 2018.
Facco, J., Fujita, C., Berto, J. L., 2014. Agroindustrialização e urbanização de Chapecó-SC–Brasil (1950–2010): uma visão sobre os impactos e conflitos urbanos e ambientais. REDES: Revista do Desenvolvimento Regional, [Online] 19(1), 187-215. Disponível: http://online.unisc.br/seer/index.php/redes/article/viewFile/2481/3319. Acesso: jan. 2019.
Ferreira, H. H., Lopes, E. R. N., de Souza, J. C., de Sousa, J. A. P., Lourenço, R. W., 2017. Avaliação espacial da dengue na área urbana de Itu-São Paulo. Revista do Departamento de Geografia, [Online] 33, 106-116. Disponível: http://www.revistas.usp.br/rdg/article/view/128515/133310 Acesso: 05 out. 2018.
Gelaro, R. et al., 2017. The modern-era retrospective analysis for research and applications, version 2 (MERRA-2). Journal of Climate, [Online] v. 30, n. 14, p. 5419-5454. Disponível: https://journals.ametsoc.org/doi/10.1175/JCLI-D-16-0758.1 Acesso: 09 out. 2018.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2018. Cidades. Disponível: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/sc/chapeco/panorama Acesso: dez. 2018.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2019. Disponível em: https://downloads.ibge.gov.br/index.htm Acesso: dez. 2018.
Lima, R. C., Moreira, E. B. M., Nóbrega, R. S., 2016. A influência climática sobre a epidemia dengue na cidade do Recife por sistema de informações geográficas. Revista Brasileira de Geografia Física [online] 09. Disponível: https://periodicos.ufpe.br/revistas/rbgfe/article/view/232944/26915 Acesso: 01 nov. 2018.
Lima, S. F. S., Barrozo, L. V., Mataveli, G. A. V., 2018. Temperatura da superfície e precipitação que influenciam na incidência do Aedes aegypti em São Paulo. Revista do Departamento de Geografia [Online] Vol. Especial. Disponível:http://www.journals.usp.br/rdg/article/view/145697/147234 Acesso: 06 nov. 2018.
Magalhães, G. B., Zanella, M. E. E., 2013. Comportamento espacial da dengue e sua relação com o clima na região metropolitana de Fortaleza. Revista Brasileira de Climatologia, [Online] 12(1). Disponível: https://revistas.ufpr.br/revistaabclima/article/view/32180 Acesso: 04 nov. 2018.
Merêncio, I.; Tasca, F. A.; Vieira, C. A. O., 2018. Indicadores socioambientais de focos do Aedes aegypti no extremo sul de Santa Catarina. Acta Brasiliensis [Online] 2(2):53-57, 2018. Disponível: https://doi.org/10.22571/2526-433887 Acesso: mar. 2019.
Motter, C., Ribeiro Filho, V., 2017. A formação do espaço urbano de Chapecó-SC: uma análise espaço-temporal. Revista Espaço e Geografia, 20(1). 201 - 225, 2017. Disponível: http://www.lsie.unb.br/espacoegeografia/index.php/espacoegeografia/article/view/468/286 . Acesso em junho de 2019.
NASA. National Aeronautics and Space Administration, 2018. Global Modeling and Assimilation Office. Modern-Era Retrospective analysis for Research and Applications, Version 2. Disponível:https://gmao.gsfc.nasa.gov/reanalysis/MERRA-2/ Acesso: nov. 2018.
Penna, B. R., 2018. Impacto dos aerossóis na reanálise Merra-Z. São José dos Campos: INPE, 2018. sid.inpe.br/mtc-m21c/2018/05.02.18.16-TDI. Disponível: http://urlib.net/8JMKD3MGP3W34R/3R35M4H Acesso: nov. 2018.
Salvi, F. I.; Lutinski, J. A.; Busato, M. A., 2018. Flutuação populacional de Aedes aegypti (Diptera: Culidae) e medidas de controle no município de Chapecó. Revista NBC [Online] 8, nº 16. Disponível: https://www.metodista.br/revistas/revistas-izabela/index.php/bio/article/view/1745/1000 Acesso: dez. 2018.
Salvi, F. I., 2018. Fatores ambientais associados à ocorrência de Aedes aegypti (Diptera: Culicidae) no município de Chapecó (SC). UNOCHAPECÓ, 2018. Disponível: http://konrad.unochapeco.edu.br/pergamum/biblioteca/index.php?codAcervo=212496 Acesso: mar. 2019.
Silva, C. P., 2017. Aspectos epidemiológicos da infestação por Aedes aegypti (Diptera:Culicidae) nos municípios de Florianópolis, São José, Biguaçu e Palhoça e comparação com a situação do estado de Santa Catarina. UFSC, 2017. Disponível: https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/182045 Acesso: mar. 2019.
Silva, J. S.; Mariano, Z. de F.; Scopel, I. 2008. A influência do clima urbano na proliferação do mosquito Aedes aegypti em Jataí (GO), na perspectiva da Geografia Médica. Revista Brasileira de Geografia Médica e da Saúde 3, Disponível: http://www.seer.ufu.br/index.php/hygeia/article/view/16883 Acesso: 12 nov. 2018.
Sperandio, T. M., Pitton, S. E. C., 2004. As chuvas e a dengue em Piracicaba-SP: uma abordagem geográfica. Simpósio Brasileiro de Climatologia Geográfica, 6, 219.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2019 Cleusa Matiola, Eduardo Augusto Werneck Ribeiro, Mário Fracisco Leal de Quadro, Juliana Loch, Laura Fátima Corrêa

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam na Revista Brasileira de Geografia Física concordam com os seguintes termos:
Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (exemplo: depositar em repositório institucional ou publicar como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm permissão para disponibilizar seu trabalho online antes ou durante o processo editorial, em redes sociais acadêmicas, repositórios digitais ou servidores de preprints. Após a publicação na Revista Brasileira de Geografia Física, os autores se comprometem a atualizar as versões preprint ou pós-print do autor, nas plataformas onde foram originalmente disponibilizadas, informando o link para a versão final publicada e outras informações relevantes, com o reconhecimento da autoria e da publicação inicial nesta revista.
Qualquer usuário tem direito de:
Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
Adaptar — remixar, transformar e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.






