Salinização de solos em cenário de aumento do nível do mar na Baixada de Jacarepaguá (Riode Janeiro, RJ): toxicidade para minhocas
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v15.5.p2260-2278Resumo
This work consists of the evaluation of potential toxicity levels to earthworms (Eisenia andrei) related to soil salinization in scenario of sea level rise in the Jacarepaguá coastal plain (RJ). The most vulnerable soil classes to salinization were identified with the support of geotechnologies, and two of them were selected to be salinized with sea water. Mortality and avoidance bioassays with E. andrei were applied to the soils. Soil characterization was performed to support the interpretation of bioassays data. To study toxic effects associated with the components of the sea salt, bioassays with NaCl and Na2SO4 were also executed. The salt dose that cause mortality (LC50) or avoidance responses (EC50) to 50% of the organisms were estimated through PriProbit analysis. Spodosols and Gleysols were identified as vulnerable soil classes. The Spodosol exhibited very sandy texture, while the Gleysol presented fine texture. The organic carbon content was 4.88% in the Gleysol, and 0.21% in Spodosol. Mortality bioassays with sea salt showed that Spodosol exhibited the highest toxicity level (LC50 = 2.9 g/kg), while avoidance responses were more effective in Gleysol (EC50 = 0.6 g/kg). The bioassays with NaCl indicated that this salt is the main factor of toxicity related to sea salt exposure (LC50 in Spodosol = 2.4 g/kg), while Na2SO4 had a secondary role in the toxicity. Finally, soil properties played a relevant role in the toxicity, especially sandy texture that tends to increase the bioavailability levels of salts.
Keywords: sea salt, Eisenia andrei, climate change.
Salinização de solos em cenário de aumento do nível do mar na Baixada de Jacarepaguá (Rio de Janeiro, RJ): toxicidade para minhocas
R E S U M O
Este trabalho consiste na avaliação dos efeitos tóxicos da salinização de solos sobre minhocas (Eisenia andrei), em cenário de aumento do nível do mar na planície de Jacarepaguá (RJ). Com apoio de geotecnologias, foram identificadas as classes pedológicas mais vulneráveis à salinização, sendo duas delas selecionadas para salinização com água do mar. Bioensaios de mortalidade e de fuga com E. andrei foram aplicados às amostras. Os solos foram caracterizados visando oferecer suporte à interpretação dos dados de bioensaios. Para estudar o efeito tóxico dos constituintes do sal marinho, bioensaios com NaCl e Na2SO4 foram executados. A dose de sal capaz de causar a morte (CL50) ou fuga (CE50) de 50% dos organismos foi estimada pela análise de PriProbit. Dentre os solos mais vulneráveis, destacam-se o Gleissolo e o Espodossolo. O Espodossolo exibiu predominância da fração areia, enquanto o Gleissolo apresentou textura fina. O teor de carbono orgânico das amostras foi de 4,88% no Gleissolo e 0,21% no Espodossolo. Os bioensaios de mortalidade com sal marinho indicaram que o Espodossolo exibiu a mais alta toxicidade (CL50 = 2,9 g/kg), enquanto as respostas de fuga foram maiores em Gleissolo (CE50 = 0,6 g/kg). Os bioensaios com NaCl indicam que este sal é o principal fator de toxicidade do sal marinho (CL50 em Espodossolo = 2,4 g/kg), enquanto o Na2SO4, embora tóxico aos organismos, tem papel secundário. Por fim, as propriedades dos solos exercem influência na toxicidade, especialmente a textura arenosa que tende a aumentar a biodisponibilidade dos sais.
Palavras-chave: Sal marinho, Eisenia andrei, mudança climática.
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