A presença da China na África: uma proposta interpretativa entre a Economia Política Internacional e a Análise de Política Externa
DOI:
https://doi.org/10.51359/2179-7501.2021.252149Palavras-chave:
China, África, economia política internacional, análise de política externa, petróleoResumo
O presente trabalho tem o objetivo de investigar a crescente presença da República Popular da China na África por meio de um instrumental que busca amalgamar os campos da Economia Política Internacional (EPI) e da Análise de Política Externa (APE). As duas subdisciplinas se desenvolveram, em grande medida, a partir dos anos 1960 e 1970. Enquanto a EPI lança luz para as complexas interações entre Estados e mercados, a APE tem o compromisso de desvendar as idiossincrasias dos processos decisórios, abrindo a “caixa-preta” e questionando esquemas teóricos baseados na concepção do Estado como uma bola de bilhar. Sendo assim, este artigo tenciona descortinar o lugar da África dentro da geoestratégia chinesa no sistema interestatal capitalista e os atores de política externa envolvidos nesse processo. Para tanto, analisamos as particularidades da chamada "diplomacia do petróleo" através de breves estudos de caso sobre o envolvimento chinês em Angola e no Sudão.Referências
ALLISON, Graham T. (1969). Conceptual Models and the Cuban Missile Crisis. The American Political Science Review, Volume 63, Issue 3.
ALVES, Ana C. (2011). China’s Oil Diplomacy: comparing Chinese economic statecraft in Angola and Brazil. Tese de Doutorado – The London School of Economics and Political Science.
ALVES, Ana C. (2013). China’s win-win cooperation: unpacking the impact of infrastructure-for-resources deals in Africa. South African Journal of International Relations, v. 20, Issue 2.
ANGOP. (2018). Angola pede novo financiamento à China. Disponível em: http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/politica/2018/9/41/Angola-pede-novo-financiamento-China,32d87de2-442e-4abd-a7c8-217c00dd4098.html. Acesso em: 20/07/2020.
BEGU, Liviu Stelian; VASILESCU, Maria Denisa; STANILA, Larisa; CLODNITCHI, Roxana. (2018). China-Angola Investment Model. Sustainability 10, 2936.
BRAUTIGAM, Deborah. (2009). The Dragon’s Gift: the real story of China in Africa. Oxford: Oxford University Press.
BRAUTIGAM, Deborah. (2010). China, Africa and the International Aid Architecture. African Development Bank, Working paper, 38p.
BRESLIN, Shaun. (2007). Beyond the disciplinary heartlands: studying China’s international political economy. In David Zweig & Zhimin Chen (eds.). China's Reforms and International Political Economy. London/New York: Routledge.
CINTRA, Marcos Antonio Macedo; SILVA FILHO, Edison Benedito da; PINTO, Eduardo Costa (orgs.). (2015). China em Transformação Dimensões Econômicas e Geopolíticas do Desenvolvimento. Rio de Janeiro: Ipea.
CORKIN, Lucy. (2010). A Economia Política Internacional da China para Angola e os caminhos da transição sistêmica. Século XXI, v. 1, n. 1.
DOWNS, Erica S. (2004). The Chinese Energy Security Debate. The China Quarterly, No. 177, pp. 21-41.
DUROSELLE, Jean-Baptiste. (2002). Todo Império Perecerá. Brasília: IPRI – Ed. UnB.
DUROVIC, Luka. (2016). Resource curse and China’s infrastructure for resources model: case study of Angola. Journal of China and International Relations, Vol. 4, No. 1.
EBERLING, George G. (2017). China's Bilateral Relations With Its Principal Oil Suppliers. London: Lexington.
FIORI, José Luís. (2007). O poder global e a nova geopolítica das nações. São Paulo: Boitempo Editorial.
FOSTER, Vivien; BUTTERFIELD, William; CHEN, Chuan; PUSHAK, Nataliya. (2009). Building Bridges: China’s Growing Role as Infrastructure Financier for Sub-Saharan Africa. The World Bank, 172p.
FRIEDEN, Jeffry; MARTIN, Lisa. (2003). International Political Economy: Global and Domestic Interactions. In Ira Katznelson & Helen Milner (eds.). Political Science: The State of the Discipline. New York: W.W. Norton.
GILPIN, Robert. (1987). The Political Economy of International Relations. Princeton: Princeton University Press.
HALLAND, Havard; BEARDSWORTH, John; LAND, Bryan; SCHMIDT, James. (2014). Resource Financed Infrastructure. The World Bank, Part 2, p. 11-50.
HARTOR, Tim; Klein, Michael. (2005). Aid and the Resource Curse. Public Policy for the Private Sector. The World Bank Group. No 291.
HUDSON, Valerie. (2016) The history and evolution of foreign policy analysis. In Steve Smith, Amelie Hadfield & Tim Dunne (Orgs.). Foreign Policy: Theories, Actors, Cases. 3rd edition. Oxford: Oxford University Press.
INTERNATIONAL CRISIS GROUP. (2009). China's Growing Role in UN Peacekeeping. Asia Report Nº 166.
INTERNATIONAL ENERGY AGENCY (IEA). (2014). Update on Overseas Investments by China’s National Oil Companies: Achievements and Challenges since 2011. Report by: JIANG Julie; DING, Chen. Paris: OECD/IEA.
INTERNATIONAL ENERGY AGENCY (IEA). World Energy Outlook. (2012). International Energy Agency. Vários anos.
JAKOBSON, Linda; KNOX, Dean. (2010). New Foreign Policy Actors in China. SIPRI Policy Paper No. 26.
JAKOBSON, Linda; ZHA, Daojiong. (2006). China and the Worldwide Search for Oil Security. Asia-Pacific Review, Volume 13, Issue 2.
KIALA, Carine. (2010). China-Angola aid relations: strategic cooperation for development. South African Journal of International Affairs, Volume 17, Issue 3.
KONIJN, Peter. (2014). Chinese Resources-For-Infrastructure (R4I) Swaps: An Escape from the Resource Curse? Occcasional Paper 201. SAIIA, South Africa. 32p.
LAMPTON, David. (2001). The Making of Chinese Foreign and Security Policy in the Era of Reform, 1978-2000. Stanford: Stanford University Press.
LANDRY, David G. (2018). The risks and rewards of Resource-for-Infrastructure deals: lessons from the Congo’s Sicomines Agreement. China-Africa Research Initiative, Policy Brief, n. 22, p. 1-4.
LIOU, Chih-shian. (2009). Bureaucratic Politics and Overseas Investment by Chinese State-Owned Oil Companies: Illusory Champions. Asian Survey, Vol. 49, No. 4, pp. 670-690.
LOPES, Bárbara. (2014). China’s Oil Diplomacy in Africa. Dissertação de Mestrado em Relações Internacionais, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.
MEDEIROS, Carlos Aguiar de. (2013). Padrões de Investimento, Mudança Institucional e Transformação Estrutural na Economia Chinesa. In Padrões de Desenvolvimento Econômico (1950-2008): América Latina, Ásia e Rússia. Volume 2. Brasília: Centro de Gestão e Estudos Estratégicos.
MONTENEGRO, Renan Holanda; ALVES, João Ricardo Cumarú Silva. (2016). China e África além da economia: qual o impacto do FOCAC na arena multilateral (1971-2014)?. Conjuntura Internacional, v. 13, n. 3.
MONTENEGRO, Renan Holanda. (2019). Os Determinantes Materiais da Participação da China em Operações de Paz na África: o Caso do Sudão do Sul. Tese de Doutorado em Ciência Política – Programa de Pós-Graduação em Ciência Política, Universidade de Federal de Pernambuco.
NAGER, A. Bailey. (2013). The Curse of Windfall Income: How Foreign Aid and Natural Resource Dependence Constrains Growth. Dissertação de Mestrado – Washington University.
O GLOBO. (2013). Angola, independência e guerra civil após quatro séculos de domínio português. Disponível em https://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/angola-independencia-guerra-civil-apos-quatro-seculos-de-dominio-portugues-10110726. Acesso em 03/06/2020.
OLIVEIRA, Mariana S. de; PAIVA, Jaqueline K. de; CARVALHO, Carlos E.; SOUZA, Ana T. M. de. (2010). Diplomacia econômica da China: o caso de Angola. Revista Econômica Ensaios, ed. 26, n. 2.
PATEY, Luke. (2014). The New Kings of Crude: China, India, and the Global Struggle for Oil in Sudan and South Sudan. London: C. Hurst & Co.
PAUTASSO, Diego. (2010). A Economia Política Internacional da China para Angola e os caminhos da transição sistêmica. Século XXI, v. 1, n. 1.
ROSENAU, James N. (1966). Pre-Theories and Theories of Foreign Policy. In: R. Barry Farrell (ed.). Approaches to Comparative and International Politics. Evanston: Northwestern University Press.
SALOMÓN, Mónica; PINHEIRO, Letícia. (2013). Análise de Política Externa e Política Externa Brasileira: trajetória, desafios e possibilidades de um campo de estudos. Revista Brasileira de Política Internacional, 56 (1): 40-59.
SNYDER, Richard C.; BRUCK, H. W.; SAPIN, Burton. (1954). Decision-Making as an Approach to the Study of International Politics. Princeton: Princeton University Press.
SPROUT, Harold; SPROUT, Margaret. (1956). Man–Milieu Relationship Hypotheses in the Context of International Politics. Princeton: Princeton University Press.
SPROUT, Harold; SPROUT, Margaret.. (1957). Environmental Factors in the Study of International Politics. Journal of Conflict Resolution, v. 1.
STRANGE, Susan. (1970). International Economics and International Relations: A Case of Mutual Neglect. International Affairs, Vol. 46, No. 2.
STRANGE, Susan. (1988). States and Markets. London: Pinter.
STRANGE, Susan. (1992). States, Firms and Diplomacy. International Affairs, 68, 1, pp. 1-15.
TAKAHASI, Raysa Kie. (2012). A ação chinesa em Angola. Conjuntura Internacional.
VADELL, Javier. (2018). A Expansão Econômica e Geopolítica da China no Século XXI. Belo Horizonte: Editora PUC-Minas.
VENN, Fiona. (1986). Oil Diplomacy in the Twentieth Century. Series The Making of the 20th century. Ed. Palgrave, 1st ed.
XAVIER, Nathaly. (2011). A política externa chinesa e a recepção dos africanos: o contraste entre Zâmbia e Angola. Dissertação de Mestrado em Ciência Política – Programa de Pós-Graduação em Ciência Política, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2021 Revista de Estudos AntiUtilitaristas e PosColoniais

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
A revista se reserva o direito de efetuar, nos originais, alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com o intuito de manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores;
As opiniões emitidas pelos autores são de sua exclusiva responsabilidade
Os direitos autores para artigos publicadoss nesta são dos autores, com direitos de primeira publicação para a REALIS. Todos o contéudo da revista, com exceção de caos especificamente declarados, é licenciado sob licença Creative Commons CC Atribuição Não Comercial 4.0 Internacional. Devido à política de acesso aberto da Revista, todos os artigos são gratuitos e livres para uso, com atribuição apropriada, para fins educacionais e não-comerciais.