Colonialidade e fronteiras do conhecimento
Resumo
Desde sua fundação, em 2011, a revista REALIS vem promovendo sistematicamente os estudos anti-utilitaristas e pós-coloniais, contribuindo para ampliar a crítica teórica sobre o capitalismo e a modernidade nas fronteiras e para desvendar as saídas oferecidas pelas reações anticoloniais. O desenvolvimento do debate tem demonstrado a importância de se organizar uma crítica geral da questão colonial e da crise da globalização a partir de diversas perspectivas que apontem tanto para as tarefas teóricas de descolonização do poder, do saber e do ser nas esferas regionais (de América Latina, de África e de Ásia), favorecendo o desenvolvimento do debate entre Sul-Norte e Sul-Sul nas fronteiras do conhecimento. O desafio de avançar na organização de uma crítica teórica nas fronteiras da modernidade ocidental é complexo porque envolve elementos psicológicos, antropológicos e sociológicos diversos e ligados diretamente aos contextos históricos e culturais específicos de cada sociedade ou região. Trata-se não somente do desafio de reconhecer a diversidade de contextos de produção das realidades sociais, mas de entender onde e como as experiências culturais e intelectuais dialogam e se influenciam mutuamente na busca de saberes globalizados que podem ser regionalmente localizados. A questão é complexa e envolve desafios epistemológicos que precisam ser encarados pelas redes transnacionais de pesquisadores. Um desses desafios está relacionado com a importância de que a crítica pós-colonial se desloque de uma visão cientificista limitada das ciências sociais que valoriza o método de controle para compreender e explicar a realidade, para incluir uma outra perspectiva mais fenomenológica na qual se valoriza o conjunto de saberes práticos envolvendo comunidades humanas que construíram suas culturas na vivência direta dos desafios da natureza biológica e cultural. Este é um debate importante que tenciona o debate acadêmico e que tem de ser enfrentado, pois é inadiável saber quando vamos citar o antropólogo francês Lévi-Strauss ou o indígena brasileiro Airton Krenak na produção de um artigo dito científico.
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