Características socioeconômicas e de consumo de psicofármacos por população rural no agreste de Pernambuco

Autores

  • Alexsandro Carlos da Silva Siqueira Universidade de Pernambuco
  • Roberta Uchoa Universidade Federal de Pernambuco

Palavras-chave:

“Ansiolíticos”, “Antidepressivos”, “Atenção primária à saúde”, “População rural”, “Saúde mental”

Resumo

Objetivo: O presente trabalho tem por objetivo descrever o perfil socioeconômico e o padrão de consumo de antidepressivos e benzodiazepínicos por parte de uma população rural no agreste pernambucano. Método: Pesquisa transversal de natureza quantitativa e descritiva. A coleta dos dados foi realizada por meio de entrevista com os participantes e análise dos prontuários. Os dados foram digitados no programa Excel® 2016, analisados e apresentados por meio das frequências absoluta (n) e relativa (%). Resultados: O consumo de psicofármacos foi maior entre usuárias do sexo feminino (83%), casadas (60%), com 60 anos ou mais (53%), não alfabetizadas (53%) e com renda individual igual ou inferior a 1 salário mínimo (93%). Os psicofármacos mais consumidos foram o benzodiazepínico clonazepam (57%) e o antidepressivo clordiazepóxido com cloridrato de amitriptilina (20%). A maioria dos usuários consumia a medicação há cinco anos ou mais (60%), adquiria em farmácia particular (63%) e não sabia relatar o diagnóstico da doença (73%). Conclusão: O estudo indica a necessidade de controle da prescrição dos psicofármacos, melhoria do acesso ao tratamento e aos medicamentos, utilização de protocolos clínicos no âmbito da saúde mental, maior integração com a equipe multiprofissional e com a rede intersetorial, bem como a adoção de práticas alternativas e/ou complementares ao uso de psicofármacos.

Biografia do Autor

Alexsandro Carlos da Silva Siqueira, Universidade de Pernambuco

Graduado em Serviço Social pela Universidade Federal de Pernambuco (2017), com Especialização em Saúde da Família com ênfase nas Populações do Campo pela Universidade de Pernambuco (2020) e Especialização em Saúde Pública no Centro Universitário Maurício de Nassau (2022). Atuo como Assistente Social no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP) e no Hospital Agamenon Magalhães.

Roberta Uchoa, Universidade Federal de Pernambuco

Professora associada nível IV do Departamento de Serviço Social/UFPE, pesquisadora-líder do Grupo de Estudos sobre Álcool e outras Drogas - Gead, tutora de Serviço Social da Residência Multiprofissional em Saúde da Família do Campo (UPE) e membro do comitê executivo da Social Work Action Network Intenational (SWANi); possui Post-Doc in Mental Health Planning (Sangath Centre, 2009), PhD in Sociology of Addiction (University of London, 2001), Mestrado em Serviço Social (UFPE, 1995), Especialização em Saúde Pública (Nesc/Fiocruz, 1992) e Graduação em Serviço Social (UFPE, 1985); é autora dos livros "Social class, transition to adulthood and alcohol use" (2009) e "Curiosidades sobre a Índia: diários de sexta-feira" (2009) e organizadora dos livros "Saberes e práticas profissionais: A experiência do Centro Regional de Referência sobre Drogas de Pernambuco" (2015), "Integração ensino-serviço e política sobre drogas" (2013), "Estudos Universitários - Revista de Cultura da UFPE No 28 - Dossiê sobre drogas" (2011), "Sobre drogas e redução de danos: o cotidiano dos profissionais de saúde do Programa +Vida do Recife" (2011) e "Ensaios sobre as drogas: necessidades humanas e políticas públicas" (2010).

Referências

AUCHEWSKI L, ANDREATINI R, GALDURÓZ JC, LACERDA RB. Avaliação da orientação médica sobre os efeitos colaterais de benzodiazepínicos. Rev Bras Psiquiatr. 2004;26(1):24- 31. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462004000100008. PMid:15057836.

BEHRING E, BOSCHETTI I. Política social: Fundamentos e história. São Paulo: Cortez; 2011.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Saúde mental. Brasília; 2013.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Departamento de Apoio à Gestão Participativa. Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo e da Floresta. Brasília: Editora do Ministério da Saúde; 2013.

DIEESE: Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos. Pesquisa nacional da cesta básica de alimentos: salário mínimo nominal e necessário [Internet]. São Paulo; 2020 [citado em 2020 Jan 7]. Disponível em: https://www.dieese.org.br/analisecestabasica/salarioMinimo.html

DIMENSTEIN M, LIMA A, MACEDO JP. Integralidade em saúde mental: coordenação e continuidade de cuidados na Atenção

Primária. In: Paulon S, Nevez R, editores. Saúde mental na atenção básica: a territorialização do cuidado. Porto Alegre: Sulina; 2013.

FIORE M. Prazer e risco: uma discussão a respeito dos saberes médicos sobre o uso de “drogas”. In: Labate BC, Goulart SL, Fiore M, MacRae E, Carneiro H, editores. Drogas e cultura: novas perspectivas. Salvador: EDUFBA; 2008.

FRANÇA V, SILVA M, SILVA AL, SANTOS A, FRAZÃO I. Padrão de consumo de drogas entre comunitários portadores de transtornos mentais: um estudo epidemiológico. In: Castro A No, Perrelli JG, Guimarães FJ, Escobar JA, editores. Ensino, pesquisa e extensão na área de drogas: indissociabilidade na produção e na socialização do conhecimento. Recife: Editora UFPE; 2018. p. 131-54.

GOMES B. O consumo de benzodiazepínicos e antidepressivos por mulheres na Estratégia de Saúde da Família. Sobral [dissertação]. Sobral: Universidade Federal do Ceará; 2015.

IBGE: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Caruaru [Internet]. 2020 [citado em 2022 Nov 9]. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pe/caruaru/panorama

MEDEIROS J Fo, AZEVEDO D, PINTO T, SILVA G. Uso de psicofármacos na atenção primária à saúde. Rev Bras Promoç Saúde [Internet]. 2018 [citado em 2022 Maio 16];31(3):1-12. Disponível em: https://periodicos.unifor.br/RBPS/article/view/7670

NOIA A, SECOLI S, DUARTE Y, LEBRÃO M, LIEBER N. Fatores associados ao uso de psicotrópicos por idosos residentes no

Município de São Paulo. Rev Esc Enferm USP. 2012;46(spe):38-43. http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342012000700006.

NUNES B, BASTOS F. Efeitos colaterais atribuídos ao uso indevido e prolongado de benzodiazepínicos. Rev. Saúde em Ação. 2016;3(1):71-82.

OMS: Organización Mundial de la Salud. Plan de acción sobre salud mental 2013-2020. Ginebra: OMS; 2013.

PEIXOTO ML, BARROSO HC. Judicialização e seguridade social: restrição ou efetivação de direitos sociais? Rev Katálysis. 2019;22(1):90-9. http://dx.doi.org/10.1590/1982-02592019v22n1p90.

PÉRICO W, COSTA-ROSA A. Do terapêutico alienante ao analítico singularizante: contribuições da psicanálise de Freud e Lacan e do materialismo histórico à clínica da atenção psicossocial. ASEPHallus. 2015;10(19):16-42. http://dx.doi.org/10.17852/1809-709x.2019v10n19p16-42.

PINTO C, ROCHA B, PIRANI N. Indicadores sociais e desenvolvimento rural: um estudo sobre o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal Rural no Brasil. Boletim regional, urbano e ambiental. Brasília: Ipea; 2018.

RAIMUNDO VJ. Breves reflexões acerca das políticas sobre gênero, raça e etinia para a articulação da rede de atenção psicossocial. In: Escobar JA, Perrelli J, Frazão I, Uchôa R, editores. Saberes e práticas profissionais: a experiência do Centro Regional de Referência sobre Drogas em Pernambuco. Recife: Editora UFPE; 2015.

RAMOS T, BOKEHI L, OLIVEIRA E, GOMES M, BOKEHI J, CASTILHO S. Informação sobre benzodiazepínicos: o que a internet nos

oferece? Cien Saude Colet. 2020;25(11):4351-60. http://dx.doi.org/10.1590/1413-812320202511.09632019. PMid:33175044.

ROCHA A, BARRIOS N, ROLIM P, ZUCOLOTTO M. Sofro, logo me medico: a medicalização da vida como enfrentamento

do mal-estar. Rev Multidiscip Psicol [Internet]. 2019 [citado em 2022 Maio 19];13(46):392-404. Disponível em: https://idonline.emnuvens.com.br/id/article/view/1854/2903

UFPE: Universidade Federal de Pernambuco. Gead: Grupo de Estudos sobre Álcool e outras Drogas. Relatório da Pesquisa “Entre pedras e tiros: perfil dos usuários, drogas de preferência e aspectos do tratamento nos CAPsAD da cidade do Recife”. Recife: Gead/UFPE; 2012.

Downloads

Publicado

2023-04-26 — Atualizado em 2022-11-17

Versões

Edição

Seção

Artigos