Além da Lua: a ficção científica como imaginação antropocêntrica ou holismo tecnológico
DOI:
https://doi.org/10.51359/2525-5223.2022.244744Palabras clave:
Ficção científica, Quadros de experiência, Imaginação antropocêntrica, Holismo tecnológico.Resumen
O artigo elabora uma análise fenomenológica das possibilidades de representação e projeção de futuros da humanidade e do planeta, nos filmes de ficção científica. A elaboração é motivada por percepções apreendidas da leitura de um texto de Paul Ricoeur (1969), datado pelo contexto das disputas hegemônicas por viagens espaciais à Lua, entre EUA e a antiga União Soviética. No texto, o autor elabora e antecipa elementos acerca das viagens interplanetárias, para apreender as lógicas recursivas pelas quais a civilização técnica se organiza e expande em torno da luta progressiva com a natureza, e os riscos gerados disso, agora projetados no cosmos. A expansão da produção técnica é aqui interpretada através de quadros de experiência humana condicionados por interações em contextos de densidade tecnológica. Já a análise dos filmes de ficção científica evidencia ora uma fonte de reflexões sobre o que determinada sociedade considera preocupante ou relevante, ora as possibilidades de representação real ou virtual do mundo, para criar imagens e paisagens que antecipam e situam problemáticas e riscos do futuro. Nas projeções dos filmes de ficção, essas preocupações e representações geram oscilações de uma imaginação antropocêntrica centrada na perpetuação humana com a crença em um holismo tecnológico.Citas
ABRAHÃO JR, Weber. 2018. “Blade Runner 1982: acreditavam os replicantes em suas reminiscências?” Fantástika, 451(1): 85-93. (https://issuu.com/fantastika451/docs/revista_fantastika_451__1_2018; acesso em 23/05/2019).
BECK, Ulrich. 1997. “A reinvenção da política: rumo a uma teoria da modernização reflexiva”. In: BECK, U., GIDDENS, A. & LASH, S. (eds.): Modernização reflexiva; política, tradição e estética na ordem social moderna, pp. 11-71. São Paulo: Ed. UNESP.
BRUNA, C. & BIENVENIDO, H. 2018. “Sociología y ci-fi: Repensando los procesos de cambio social desde la ciencia ficción”. Nudos. Sociología, teoría y didáctica de la literatura, 2(2):4-16.
COELHO, Teixeira. 2018. “Paisagem com risco existencial”. In FORSTER, E. M. (ed.): A máquina parou, pp. 63-101. São Paulo: Itaú Cultural/Iluminuras.
FORSTER, E. M. 2018. A máquina parou. São Paulo: Itaú Cultural/Iluminuras.
GOFFMAN, Erving. 2012. Os quadros da experiência social; uma perspectiva de análise. Petrópolis: Vozes.
KUHN, Thomas. 1983. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva.
KURZWEIL, Ray. 2018. A singularidade está próxima. Quando os humanos transcendem a biologia. São Paulo: Itaú Cultural/Iluminuras.
MARCUSE, Herbert. 1967. A ideologia da sociedade industrial. Rio de Janeiro: Zahar.
MENEZES, Paulo. 1999. “Blade Runner; entre o passado e o futuro”. Tempo Social, 11(1):137-156.
MERLEAU-PONTY, Maurice. 1994. Fenomenologia da percepção. São Paulo: Martins Fontes.
NERY, Olívia et al. 2015. “Caixas de memórias: a relação entre objetos, fotografias, memória e identidade ilustradas em cenas de ficção”. Ciências Sociais Unisinos, 51(1):42-51.
PIMENTEL, Layana. 2009. “Paz e Terra; o pensamento da esquerda cristã expresso nos debates da revista (1966 a 1969)”. Revista Brasileira de História das Religiões, 1(3):1-16. (http://www.dhi.uem.br/gtreligiao/pub.html; acesso em 14/08/2018).
POOLE, R. 2008. Earthrise: How Man First Saw the Earth. New Haven: Yale University Press.
POSTMAN, Neil. 1994. Tecnopólio; a rendição da cultura à tecnologia. São Paulo: Nobel.
RICOEUR, Paul. 1969. “A aventura técnica e o seu horizonte interplanetário”. Revista Paz e Terra, 8:27-38.
RODRIGUEZ, Francisco C. 2019. “Cuerpos híbridos y posthumanidad”. In RODRIGUEZ, F. & GONZÁLEZ, E. (eds.): Nuevas vertientes en teoría social. Problemas y propuestas de análisis, pp. 13-48. Guadalajara: Universidad de Guadalajara.
SIQUEIRA, L. 2015. Ecopolíticas: derivas do espaço sideral. Tese de Doutorado. São Paulo: PUC. (https://tede2.pucsp.br/handle/handle/3690; acesso em 20/03/2019).
SOUZA, J., CONSTANTINO, F. & FERREIRA, E. 2018. “Futuros presentes: a ficção distópica como reflexo do cotidiano”. Rizoma, 6(1):136-150. (https://online.unisc.br/seer/index.php/rizoma; acesso em 20/04/2019).
TONIOL, R. & STEIL, C. 2015. On the nature trail: converting the rural into the ecological through a state tourism policy. Hauppauge: Nova Science.
TOTARO, P. & NINNO, D. 2014. “The Concept of Algorithm as an Interpretative Key of Modern Rationality”. Theory, Culture & Society, 31(4):29-49.
TOTARO, Paolo. 2010. A cultura do cálculo e a desagregação social. Tese de Doutorado. São Leopoldo: UNISINOS. (http://www.repositorio.jesuita.org.br/bitstream/handle/UNISINOS/3545/cultura_calculo.pdf?sequence=1&isAllowed=y; acesso em 15/08/2018).
WILLIAMS, Raymond. 2011. Política do modernismo; contra os novos conformistas. São Paulo: Ed. UNESP.
WITTMANN, Isabel. 2018. “Blade Runner 2049: sobre corpos e gênero na distopia revisitada”.Fantástika, 451(1):67-73. (https://issuu.com/fantastika451/docs/revista_fantastika_451__1_2018; acesso em 23/05/2019).
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2022 José Rogério Lopes

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución-NoComercial-SinDerivadas 4.0.
Direitos Autorais para textos publicados na Revista ANTHROPOLÓGICAS são do autor, com direitos de primeira publicação para a revista.
Authors retain the copyright and full publishing rights without restrictions.