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A comunidade senegalesa de Florianópolis

Janaina Santos de Macedo

Resumo


Sinopse:

A comunidade senegalesa de Florianópolis, inserida no contexto migratório desta última década, vem construindo múltiplas performances e narrativas, na busca por visibilidade e reconhecimento dos seus direitos. Assim em 19 de novembro de 2016 foi realizada a festa Magal de Touba que acontece simultaneamente em todo lugar do mundo em que a comunidade diaspórica do Senegal esteja. Nesta celebração, realizada há mais de cem anos, comemora-se o retorno do líder pacifista muçulmano Ahmadou Bamba, após sua prisão e exílio pelas autoridades coloniais francesas que temiam sua influência. Para a festa os senegaleses convidaram imigrantes e refugiados de outras origens étnicas, como egípcios, haitianos, portugueses e brasileiros, que puderam presenciar um casamento interétnico, entre um senegalês e uma brasileira. Enquanto muitos preparavam a refeição, alguns rezavam o alcorão, sempre com música sagrada ao fundo. A festa, que celebra o perdão, inclusive aos colonialistas e a toda exploração praticada, concidentemente aconteceu um dia antes do Dia Nacional da Consciência Negra, que homenageia Zumbi dos Palmares e a resistência negra, do passado e do presente. Além da festa em si e de toda a fartura de dádivas, é impactante perceber os múltiplos registros e compartilhamentos de imagens com a diáspora senegalesa ao redor do mundo, contribuindo com a construção de um singular campo social, compreendido como espaço simbólico de trocas e pertencimentos que extrapola fronteiras e distâncias. Vestida com roupas típicas, a comunidade local, composta majoritariamente por homens, aproveita a ocasião para dar visibilidade a seus modos de fazer e pensar, possibilitando aos participantes um espaço de troca. Depois de migrarem para o Brasil e trabalharem por anos em empregos formais, principalmente na indústria de alimentos que utiliza o abate halal, os senegaleses percebem no comércio informal uma forma mais atrativa para trabalhar e enviar suas remessas aos familiares. Cotidianamente, estão presentes nas ruas de Florianópolis, vendendo roupas, calçados ou eletrônicos, formando redes de informações, brincadeiras e afetos. Entre uma venda e outra conversam entre si em Wolof, com passantes ou compradores em português, compram sanduíches de vendedores portugueses ou brasileiros com cestas cheias de quitutes ou trocam notas altas com outros senegaleses ou com vendedores equatorianos e peruanos. A repressão policial é intensa e ostensiva e a cada sirene ou policial que passa, todos rapidamente trocam informações – “olha a chuva!” - sobre a necessidade de recolher tudo do chão. Como um passe de mágica enrolam as lonas com os produtos e guardam-nas em mochilas, reúnem-se em uma esquina próxima e esperam. Quando os guardas desaparecem, rapidamente retornam ao local. A cada meia hora os guardas voltam, e algumas vezes permanecem. Os senegaleses então, recolhem novamente suas mercadorias e caminham até alguma outra rua para novamente estender suas lonas para voltar a vender. Sua performance, constantemente reencenada, demonstra que não se incomodam de ter que trocar de lugar, de se deslocar, sempre evitando confrontos com a polícia ou com alguns passantes que pisam propositalmente em suas mercadorias. Colocam-se em fluxo constante, contornando barreiras e fronteiras. Através da observação etnográfica, pode-se perceber que a migração é isso afinal, como eles mesmos dizem: se em um local não está bom, é perigoso, vai-se para outro lugar. Os passantes, pedestres locais, em sua maioria, desviam seus passos para não pisar as roupas estendidas no chão, mas não há como não ver que estão ali: sua presença transforma a paisagem e o caminho. Os senegaleses com suas lonas de mercadorias transformam-se assim em uma metáfora da migração, colocando-se no caminho dos que passam, sem medo de atravessar fronteiras e confrontar a ordem hegemônica, performando novas narrativas, compartilhando-as e criando novas paisagens sociais.

sinopsis:

La comunidad senegalesa de Florianópolis, insertada en el contexto migratorio de la última década ha sido la construcción de múltiples interpretaciones y narrativas en la búsqueda de visibilidad y reconocimiento de sus derechos. Así el 19 de noviembre de 2016 se celebró la fiesta Magal de Touba que se lleva a cabo de forma simultánea en todas partes del mundo donde la comunidad diaspórica de Senegal se encuentra. En esta celebración, que existe hace más de cien años, se marca el regreso del líder pacifista musulmano Ahmadou Bamba, después de su detención y exilio por las autoridades coloniales francesas que temían su influencia. Para la fiesta los senegaleses invitaran inmigrantes y refugiados de otras orígenes étnicas, como egipcios, haitianos, portuguéses y brasileños, que pudieram ver un matrimonio interétnico entre un senegalés y una brasileña. Mientras que muchos estaban preparando la comida, algunos rezaban el Corán, siempre con la música sacra en el fondo. La fiesta, en el qual se celebra el perdón, incluyendo a los colonialistas y toda la exploración practicada, casualmente se realiza un día antes del Día de la Conciencia Negra Nacional, que rinde homenaje a Zumbi y la resistencia negra, pasada y presente. Además del propio evento y toda la riqueza de los dones, es sorprendente darse cuenta de los múltiples registros y comparte con imágenes de la diáspora senegalesa en todo el mundo, contribuyendo a la construcción de un campo social único, entendido como un espacio simbólico de los intercambios y afiliaciones que va más allá de las fronteras y las distancias. Vestida con trajes tradicionales, la comunidad local, compuesta principalmente por hombres, aprovecha la oportunidad para dar visibilidad a sus formas de hacer y de pensar, lo que permite a los participantes un espacio de intercambio. Después de migrar a Brasil y han trabajado durante años en empleos formales, principalmente en la industria alimentaria que utiliza masacre halal, los senegaleses perciben el comercio informal como una manera más atractiva para trabajar y enviar sus remesas a los familiares. Todos los días, están presentes en las calles de Florianópolis, la venta de ropa, zapatos o electrónicos y forman redes de información, jugar y afecto. Entre una venta y otra hablan entre si en wolof, con los transeúntes o compradores en portugués, compran bocadillos de proveedores portugueses o brasileños con las cestas llenas de manjares cambian notas altas con otros vendedores senegaleses, ecuatorianos y peruanos. La represión policial es intensa y abierta y cada sirena de la policía que pasa, sigue un intercambio de información de forma rápida - "parece la lluvia!" - sobre la necesidad de recoger toda la mercancía. Con una envoltura mágica recogen las almohadillas con los productos y ponerlos en las mochilas, se reúnen en una esquina cercana y esperan. Cuando los guardias desaparecen rápidamente volven al sitio. A cada media hora los guardias regresan, ya veces se quedan. Los senegaléses, de nuevo recogen sus bienes y van a alguna otra calle donde otra vez extienden sus lienzos para volver a vender. Su performance, constantemente recreada, muestra que no les importa tener que cambiar de lugar, siempre evitando enfrentamientos con la policía o algunos transeúntes. Colocan a si mismos en un flujo constante, sin pasar por las barreras y fronteras. A través de la observación etnográfica, se puede ver que la migración, como ellos mismos dicen, és cuando en un lugar no es bueno, es peligroso, deben ir a otro lugar. Los transeúntes, peatones locales, en su mayoría desvían sus pasos pára no pisar la ropa extendida en el suelo, pero no hay manera de no ver que están ahí: su presencia transforma la paisaje. Los senegaleses con sus lonas de mercancías se convierten en una metáfora de la migración, sin miedo de traspasar fronteras y hacer frente a la orden hegemónica, la realización de nuevas narrativas, compartirlas y crear nuevas paisajes sociales.

Palabras clave:

Migração, diáspora, Comunidade senegalesa, performance

Key-words:

migración, diáspora, comunidad senegalesa, performance

Ficha técnica:

Autora:Janaina Santos de Macedo

Fotografias: Janaina Santos

Direção, Edição de Imagem e Texto: Janaina Santos

Ficha técnica:

Autora:Janaina Santos

Fotografía:Janaina Santos

Dirección:Janaina Santos


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