O Povo da Jurema

Autores

  • Rene de Melo Nascimento Universidade Federal de Pernambuco

Palavras-chave:

Religião, Jurema, Afro-indigena, Antropologia Visual

Resumo

O Kipupa malunguinho é um evento religioso voltado aos Juremeiros, a integrantes das diversas matrizes da religião afro-brasileira, bem como é aberto para os simpatizantes dessas religiões. O evento possui como principal propósito, o papel de comemorar, valorizar e preservar o ritual da Jurema, no qual se apresenta em sua composição a participação de uma diversidade de terreiros, com seus representantes de todo o país. Dessa reunião de grupos e pessoas é possível perceber o papel do ritual, que permite a reafirmação cultural dos participantes, ao passo que relembram de seus ancestrais, que foram perseguidos no Brasil e em Pernambuco e que sofreram inúmeras formas de repressão. Este modelo de organização assume, portanto, um papel de resistência ainda hoje, para rememorar a vida dos seus antepassados através do culto às entidades da mata.

O ritual que é visualizado na chegada ao espaço, pelos pais e mães de santo com seus filhos, a cada canto, oração e oferenda, demonstra a forte mestiçagem religiosa e seus cunhos afro-indígenas. Tal constatação se torna tão presente nos “pontos” quanto no discurso de todos ali presentes.

Nesse contexto Malunguinho é o principal personagem do ritual. É ele, que abre os caminhos para todas as outras entidades, é ele, que é lembrado pelas suas histórias e sua atuação no Quilombo do Catucá, transmitida nas falas dos próprios Juremeiros. Nas toadas o som cantado “Malunguinho na Mata é Rei”, revela sua relevância de saudação durante o culto. Sua história, contada pelos negros e transmitida a gerações, faz menção a sua decisiva atuação em defesa dos negros fugidos na época do império, que lidou a criação do chamado Quilombo do Catucá, localizado em Abreu e Lima, Pernambuco1. Algumas histórias contadas pelos negros, apontam que Malunguinho percorria desde a mata de Beberibe, até a mata de Goiânia, sempre embreando-se na mata e utilizando-se da magia para fugir dos seus principais inimigos, as tropas imperiais e as milícias que eram formadas para capturar os negros aquilombados.

Por fim faço votos que esse meu breve estudo sirva mais que uma contribuição, mas principalmente para estímulos a muitas pesquisas, produções e debates sobre o tema, sinalizando que tal período em que vivemos em relação a cultura indígena e afro-brasileira, se faz fundamental para a documentação da história cultural brasileira, isto é, estamos falando de um momento singular para um trabalho de investigação antropológico e histórico para entendermos melhor a nossa cultura somado as representações coletivas em que as constituem.

Rica experiência antropológica sobre tudo do que foi observado, vivido e aprendido com esse grupo de tamanha importância para a cultura pernambucana, principalmente pela tradição que está sendo construída pelo KIPUPA. Tradição essa que será representado por uma narrativa de imagens estáticas, em comemoração aos dez anos do KIPUPA Malunguinho.

 

Ficha técnica:

Autor: Rene de Melo Nascimento

Fotografias: Rene de Melo Nascimento

Direção, Edição de Imagem e Texto: Rene de Melo Nascimento

 

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Publicado

2024-02-08

Edição

Seção

Ensaios Fotográfico