Saúdam a Virgem de Nazaré. Faixas e as representações populares de Maria nos trajetos do Círio de Belém
DOI :
https://doi.org/10.51359/2526-3781.2023.260312Mots-clés :
Festa religiosa, Festa popular, Catolicismo popular, Virgem Maria, Camiño, Estética religiosaRésumé
“Virgem de Nazaré, rogai por nós”; “Os moradores do Residencial (X), saúdam a Virgem de Nazaré”; “Dai-nos a benção bondosa, Nossa Senhora de Nazaré”; “A família/ o condomínio/ os católicos do residencial, saúdam a Virgem de Nazaré” são algumas das variações escritas em faixas, banners e cartazes que homenageiam a passagem da imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré no Círio, fazem parte do festejo que é patrimônio nacional imaterial e ocorre todo ano na cidade de Belém do Pará, Brasil. A ideia para a realização deste ensaio surgiu nos idos do primeiro semestre do ano 2023. Os registros foram retirados por mim como um transeunte em Samsung Galaxy A02 (SM-A022M) enquanto pagava uma promessa, 3 dias antes do Círio e estenderam-se uma semana após o término da festa. Foram lócus a Avenida Almirante Barroso, Augusto Montenegro, Presidente Vargas, Avenida Nazaré e BR-316 e ruas adjacentes, as quais percorri a pé, estes logradouros são eixos centrais da cidade, os quais a imagem peregrina visita.
Nesta cerimônia religiosa inúmeros bairros são visitados pela imagem peregrina e milhões de romeiros almejam estar mais próximo da Virgem de Nazaré, já que no imaginário paraense a mãe de Jesus confunde-se com a própria imagem de “Nazica”, acompanham assim a sua peregrinação que se dá em carros oficiais. Os romeiros seguem a imagem a pé, de bicicleta, em motoromarias, romarias rodoviárias e Círio Fluvial, até chegar a procissão do dia 08 de outubro.
A imagem foi encontrada em outubro de 1700 pelo caboclo Plácido José de Souza, caçador e agricultor que possuía uma porção de terra na Estrada do Maranhão (atual Bairro de Nazaré) e o Círio ocorre desde 1790, a imagem atravessa a cidade de Belém e sabendo do trajeto é tradição popular ornamentar as frentes de condomínios, comércios, ruas e mandar confeccionar faixas que “Saúdam a Virgem de Nazaré” como a padroeira dos paraenses. Esta tradição transcende as faixas em demonstrações lidas/faladas, compreendendo ampla decoração principalmente na frente de condomínios e expressões artísticas com balões, fitas coloridas que representam os promesseiros, totens, grafite e pinturas nas casas, fachadas, muros e ruas por onde as procissões passam para receberem a santa como quem agrada um bom visitante. Muito mais que decoração são formas de gratidão à Maria, um dos símbolos mais venerados pelo catolicismo popular, assevera-se que tal ritualização das vias da cidade corrobora para a ambiência de turistas e nativos e o espaço secular torna-se espaço para a representação do sagrado. São homenagens que demonstram a força do catolicismo belenense e a expectativa dos fiéis e até mesmo católicos não praticantes com a passagem em frente de suas casas, momento para reunir-se com a família e comunidade, são pessoas que decoram as vias pelo apego ao sagrado e agradecimento das famílias e empresas pelas graças alcançadas.
Demarcar as proximidades da residência aponta para um Rito de passagem, transição, algo que Maués muito bem aborda em relação ao almoço do Círio no artigo “Almoço do Círio: um banquete sacrificial em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré” de 2016. Aqui percebe-se outra transição em relação às proximidades com o fim do ano, ratificando a expressão conhecida na capital de que “o Círio é o Natal dos paraenses”. Este ritual de passagem com tais homenagens que geralmente são retiradas até o Recírio (geralmente dia 24 de outubro), engaja as pequenas comunidades católicas residentes nas vias por onde Nazica passa, e após a retirada destas expressões e reestabelecimento do espaço secular o saber dos populares bem afirma aos belenenses que o fim do ano está chegando – marcando uma transição entre épocas do ano na cidade.
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