Entre sons, ruídos e silêncios
DOI:
https://doi.org/10.51359/2526-3781.2025.268499Palavras-chave:
Antropologia Visual, Antropologia sensorial, Antropologia urbana, Experimentação visual e sonora, Acessibilidade Auditiva, DireitosResumo
Sinopse
Curta documentário etnográfico com experimentações visuais e sonoras, partindo de etnografias da percepção e de rua, ancoradas na antropologia sensorial e compartilhada. Propõe uma abordagem que busca apresentar percepções de mundo e de acessibilidade auditiva, a partir da perspectiva do interlocutor, que é oralizado, não-sinalizante e que tem uma dupla condição quanto à perda auditiva: grave (considerado surdo e auto identificado como pessoa com deficiência unilateral) e média (no qual usa aparelho). O personagem faz parte de um grupo de mais de 1,5 bilhão de pessoas em nível global, que experimentavam em 2023 algum grau de perda auditiva, conforme a Organização Mundial da Saúde. Esse contexto da acessibilidade auditiva e de reflexão sobre um ethos da acessibilidade pautado no respeito à diversidade corporal (Contracartilha de Acessibilidade, ABA-ANPOCS, 2020) é o pano de fundo do documentário que se coloca no exercício de acompanhar o personagem por trajetos pela cidade gera atravessamentos com sua trajetória de vida, suas reflexões sobre direitos e seus agenciamentos sobre o viver com autonomia. Lançamos o convite ao público para sentir e tentar se aproximar do cotidiano, das estratégias e de suas experiências corporificadas. A narrativa privilegia: a confusão sonora, a ideia de ter e não ter som (com e sem imagens); os ruídos da cidade exacerbados e sobrepostos às falas; o close-up facial (replicando a leitura labial usada como estratégia de comunicação) e a redução sonora ao bloquear tal leitura; momento de não sincronia entre imagem e som (exemplificando o delay da captação de estímulo sonoro do aparelho auditivo), entre outros. Propositalmente o vídeo está sendo disponibilizado em duas versões, a primeira sem acessibilidade direta (mas com a possibilidade de ativar legendas close caption ocultas em língua portuguesa no próprio canal do youtube). Já na segunda versão estão presentes diretamente no vídeo as legendas descritivas Legendagem para Surdos e Ensurdecidos (LSE) e a janela de interpretação com a Tradutora e Intérprete de Língua de Sinais (TILS). Tal produção é resultante da disciplina da Antropologia Visual do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social/UFRGS, ministrada pela professora Fabiene Gama (2024). A experiência de criação foi desafiadora tanto quanto o fazer audiovisual quanto à reflexividade despertada na autora, que revisitou suas práticas e seus 25 anos de casamento com o interlocutor. O vídeo participou de eventos como, a programação Imagem e Som do 48º Encontro da ANPOCS (Associação Nacional de Pós-Graduação em Pesquisa em Ciências Sociais, Unicamp, 2024); do XIII VISUALIDADES _ LABOME/Universidade Estadual Vale do Acaraú (2025); do 7º Festival e Mostra de Audiovisual do NUPEPA/ImaRgens- Universidade de São Paulo/LAPS e Universidade de Lisboa/ICNOVA (2024), concorrendo como divulgação científica e etnografias, sendo finalista pelo júri especial nas categorias melhor: filme, roteiro e narrativa, técnica de som, edição/finalização e debates nas humanidades e do Festival Internacional de Cinema Respira (Brasil, 2025), ficando entre os semifinalistas. Está selecionado para o CINE NAVISUAL _ Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2025-2026).
Referências
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