Caderneta de saúde como instrumento de avaliação multidimensional da pessoa idosa institucionalizada

Gregório Cavalcante Silveira1Aimêe Leitão Cruz2Luiza Gomes Ferreira3Rafaela Beatriz Nóbrega Mota Eulálio4Nayara Kalila dos Santos Bezerra5Paulo Sérgio da Silva6Raquel Voges Caldart7, Fátima Helena do Espírito Santo7

1,2,3,4,5,7Universidade Federal de Roraima. Boa Vista (RR), Brasil.

6Universidade Federal de Lavras. Lavras (MG), Brasil.

6Universidade Federal Fluminense. Niterói (RJ), Brasil.

Introdução

A atenção à saúde da pessoa idosa tem como principal finalidade preservar um bom estado de saúde, permitindo que o indivíduo alcance um alto potencial de vida ativa, com suporte de uma rede familiar e social. Para isso, é necessário que os serviços de saúde sejam capazes de responder adequadamente às suas necessidades, não apenas em termos de prevenção e controle de doenças, mas também na promoção do envelhecimento ativo e saudável, visando maior autonomia e bem-estar.1-2

Apesar de ser um processo natural, envelhecer impacta as condições de saúde, tornando a pessoa idosa propensa à fragilidade. Esta faixa etária apresenta necessidades específicas decorrentes do processo de envelhecimento, seja ele natural ou patológico, o que pode interferir na funcionalidade e aumentar a demanda por cuidados sociais e de saúde.1,3-4

Isso se torna cada vez mais evidente à medida que o cenário demográfico nacional vem sendo caracterizado pelo crescente envelhecimento populacional. Em 2022, a população idosa com 60 anos ou mais de idade chegou a 15,8% da população, representando um aumento de 56,0% em relação a 2010, quando era de 10,8%.5

Neste contexto, políticas públicas foram implantadas ao longo das últimas décadas com o objetivo de garantir atenção integral a esses indivíduos e estimular o envelhecimento ativo e saudável.6 Destaca-se ainda que o envelhecimento populacional passou a ser um tema central nas discussões acerca dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente no que se refere ao ODS-3, que visa garantir uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.7

Assim sendo, estratégias voltadas para a preservação da capacidade funcional da pessoa idosa são necessárias, visto que limitações físicas, cognitivas e sociais são evitáveis ao longo do processo de envelhecimento, além da necessidade de implementar ações para reduzir hospitalizações e aumentar habilidades das pessoas idosas para o autocuidado.8

Neste conjunto de estratégias, tem-se a Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa (CSPI), instrumento que auxilia na identificação das particularidades, vulnerabilidades e fragilidades próprias do processo de envelhecimento. A CSPI auxilia ainda na promoção de ações específicas para proporcionar à pessoa idosa o atendimento integral, contribuindo para a melhora da sua qualidade de vida.9-10

A utilização da CSPI é um importante instrumento que permite a avaliação ampla do indivíduo, aprimorando a assistência e trazendo benefícios na promoção à saúde. Ademais, quando utilizada conforme preconizado pelo Ministério da Saúde, promove melhorias em relação aos serviços de saúde à pessoa idosa.9-10 A CSPI é uma ferramenta que apoia a avaliação multidimensional na atenção integral à pessoa idosa, pois integra informações importantes sobre mobilidade, cognição, estado emocional, rede de apoio, condições socioeconômicas e funcionalidade, orienta intervenções mais precisas e personalizadas, favorece a autonomia, a prevenção de incapacidades e promove a qualidade de vida. Sendo assim, sua aplicação é recomendada nos diferentes níveis de atenção à saúde e serviços que atendem ao idoso, incluindo as Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI).

Neste aspecto, cabe destacar que as ILPI são espaços com caráter residencial, destinados ao domicílio coletivo de pessoas com 60 anos ou mais de idade, com ou sem suporte familiar, em condição de liberdade, dignidade e cidadania. Devem ainda constituir um local que promova a atenção integral à saúde, assegurando medidas voltadas para a promoção, prevenção e proteção das pessoas idosas. Para tanto, essas instituições devem contar com profissionais de saúde vinculados à sua equipe de trabalho.11

Considerando a presença do enfermeiro nas ILPI e as especificidades dos idosos institucionalizados, ressalta-se a importância de uma avaliação sistematizada e contínua da pessoa idosa para direcionar ações de prevenção de danos, promoção da saúde e controle das possíveis complicações.4 Sendo assim, a utilização da CSPI é um importante instrumento que pode contribuir para tal avaliação nestes espaços.

É importante destacar também que a região norte do Brasil apresenta o menor percentual de idosos (15,8%) em comparação com as regiões Sul e Sudeste, que têm 17,8% cada. Roraima é o estado mais jovem do país, com 7,9% de idosos.5 Por conseguinte, o número de pesquisas que abordam a temática, em geral, está concentrado nas grandes regiões metropolitanas. Com isso, observa-se uma escassez de estudos acerca da utilização da CSPI, ainda mais quando se trata de pessoas idosas institucionalizadas, o que limita a compreensão sobre a sua utilização no cuidado e na gestão da saúde desses indivíduos.

Portanto, a realização de ações que busquem identificar as características dos idosos institucionalizados em nível local é fundamental para orientar o cuidado oferecido a essa população. Nesse contexto, a utilização da CSPI, um documento consolidado em âmbito nacional, foi a ferramenta escolhida para analisar as condições de saúde de idosos residentes em uma ILPI localizada no norte do Brasil.

Considerando os benefícios que a caderneta pode proporcionar para o acompanhamento a longo prazo da saúde da pessoa idosa, propôs-se, por meio de um projeto de pesquisa articulado a um projeto de extensão de um curso de graduação em Enfermagem, implantar seu uso em uma ILPI.

Dessa forma, busca-se dar visibilidade a essa ferramenta e contribuir para a formação de futuros profissionais capacitados em sua utilização, uma vez que a caderneta considera não apenas aspectos biomédicos, mas também fatores físicos, psicológicos, sociais e funcionais, permitindo identificar precocemente fragilidades e orientar intervenções individualizadas, promovendo autonomia, prevenção de incapacidades e um envelhecimento saudável.1,10 Além disso, a utilização da CSPI auxilia o enfermeiro no raciocínio clínico e na elaboração de planos de cuidado centrados na pessoa idosa, contribuindo para a melhoria da funcionalidade, independência e qualidade de vida.

O objetivo deste estudo é descrever as características sociodemográficas e as condições clínicas e funcionais de idosos a partir da implantação da caderneta de saúde da pessoa idosa em uma instituição de longa permanência.

 Método

Estudo quantitativo, observacional e descritivo, guiado pela ferramenta Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology (STROBE), desenvolvido em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos na cidade de Boa Vista, Roraima. A instituição tem capacidade para abrigar aproximadamente 40 idosos em situação de vulnerabilidade social e conta com uma equipe multidisciplinar de saúde, a qual é composta por enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, dentre outros profissionais.

A população do estudo foi composta pelos idosos residentes na instituição durante o período de desenvolvimento da pesquisa, de agosto de 2022 a março de 2024. Foram incluídos idosos com 60 anos ou mais, de ambos os sexos. Foram excluídos aqueles que, por algum motivo, estiveram impossibilitados de participar do estudo, como em casos de internação hospitalar, isolamento ou outras situações que comprometessem sua participação.

A coleta dos dados foi realizada por acadêmicos do sexto e sétimo períodos do curso de graduação em enfermagem de uma universidade pública do estado de Roraima, os quais foram qualificados e instruídos pelo professor orientador. Os dados foram coletados a partir do preenchimento da CSPI, da aplicação do Índice de Katz e do Mini Exame do Estado Mental (MEEM), conforme descrito a seguir.

A CSPI contém informações sobre dados pessoais, avaliação da pessoa idosa, medicamentos e polifarmácia, diagnóstico e internações prévias, cirurgias realizadas, reações adversas ou alergias a medicamentos, dados antropométricos, protocolo de identificação do idoso vulnerável (VES-13), cognição e humor, avaliação ambiental, quedas, identificação da dor crônica, hábitos de vida, controle da pressão arterial e glicemia, calendário de vacinação, saúde bucal, agendamento de consultas e exames, entre outros.10

Cabe destacar que o VES-13 é um instrumento capaz de identificar o idoso vulnerável com base na idade, autopercepção da saúde, presença de limitações físicas e incapacidades. De fácil aplicabilidade, pode ser respondido pelos próprios profissionais de saúde, pela pessoa idosa ou pelos familiares/cuidadores, dispensando a observação direta do usuário. Baseia-se no registro das habilidades necessárias para a realização das tarefas do cotidiano e é utilizado para triagem e avaliação de idosos, permitindo identificar aqueles com maior risco de declínio funcional.10

O Índice de Katz foi utilizado para determinar a dependência dos idosos para a realização das atividades básicas de vida diária (AVD). Com base neste índice, os idosos foram classificados como independentes (independência nos seis itens avaliativos) e dependentes (dependência em pelo menos um dos seis itens avaliados) em seis atividades: banho, vestir, ir ao banheiro, continência, transferência e alimentação.1

O estado cognitivo dos idosos foi avaliado por meio da aplicação do MEEM. O teste tem uma pontuação total de 30 pontos e, para o estabelecimento do resultado, deve-se levar em consideração a escolaridade do idoso de acordo com as notas de corte sugeridas (analfabetos: 19 pontos; 1 a 3 anos de escolaridade: 23 pontos; 4 a 7 anos de escolaridade: 24 pontos; mais de 7 anos de escolaridade: 28 pontos).1

Optou-se por incluir o Índice de Katz e o MEEM no estudo por entender que esses instrumentos se adequam às especificidades da população idosa institucionalizada, que, em geral, apresenta condições de saúde mais frágeis quando comparada aos idosos que vivem na comunidade.

O preenchimento da caderneta e a aplicação do Índice de Katz e do MEEM foram realizados durante as consultas de enfermagem pelos acadêmicos sob supervisão de enfermeiro do serviço e professor orientador. As consultas foram realizadas individualmente com os idosos participantes do estudo, em local que proporcionasse privacidade e conforto. Para complementar os dados, foram consultados também os prontuários e prescrições médicas dos idosos residentes na ILPI.

Os dados coletados foram codificados e tabulados em planilhas do programa Microsoft Excel® e analisados por meio de estatística descritiva. Utilizaram-se medidas de tendência central e dispersão (média e desvio padrão) e frequência absoluta (n) e relativa (%).

Para a determinação do grau de dependência, utilizaram-se os resultados obtidos na aplicação do Índice de Katz e do MEEM, procedendo-se da seguinte forma: grau I: idosos independentes, mesmo que requeiram uso de equipamentos de autoajuda; grau II: idosos com dependência em até três atividades de autocuidado para a vida diária (alimentação, mobilidade, higiene); sem comprometimento cognitivo ou com alteração cognitiva controlada; e grau III: idosos com dependência que requeiram assistência em todas as atividades de autocuidado para a vida diária e/ou com comprometimento cognitivo.11

Cabe ressaltar que nem todos os dados presentes na CSPI foram coletados e avaliados neste estudo. A escolha por não incluir alguns itens se deu, principalmente, pela dificuldade na obtenção de registros completos e atualizados dessas informações na instituição, além da limitação de tempo e de recursos disponíveis para a coleta detalhada de todos os campos da caderneta. Optou-se, portanto, por concentrar a análise em dados sociodemográficos, condições clínicas, nível de vulnerabilidade e grau de dependência funcional, por serem aspectos fundamentais para a compreensão do perfil dos idosos institucionalizados e diretamente relacionados ao planejamento de cuidados individualizados e à promoção da atenção integral à saúde dessa população. Essa delimitação permitiu uma abordagem mais aprofundada e alinhada aos objetivos do estudo.

Esta pesquisa faz parte de um projeto maior, o qual foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade Federal de Roraima, sob parecer nº 5.541.017. Para atender aos aspectos éticos, o projeto foi previamente apresentado à instituição onde seria realizado, obtendo-se sua anuência. Aos idosos com condições cognitivas para consentir sobre sua participação, foi apresentado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). No caso dos idosos com comprometimento cognitivo que os impedisse de consentir, o TCLE foi apresentado ao responsável legal pelo idoso na instituição. Os custos desta pesquisa foram financiados pelos próprios autores.

 Resultados

Foram analisados os dados referentes à caderneta de saúde de 52 idosos que residiam na ILPI durante o desenvolvimento do estudo. Destaca-se que 92,3% (n=48) eram homens. A média de idade foi de 75,9 (±9,2) anos, variando de 60 a 95 anos. O tempo médio de institucionalização foi de 3,1 (±3,9) anos, com variação de 9 dias a 18 anos. A maioria dos idosos era brasileira (92,3%; n=48) e solteira (76,9%; n=40), com baixa escolaridade, sendo 19,2% (n=10) não alfabetizados e 71,2% (n=37) com ≤ 4 anos de estudo. Quanto à renda, apenas 30,8% (n=16) recebiam Benefício de Prestação Continuada (BPC), e 9,6% (n=5) eram aposentados. Ademais, 67,3% (n=35) não recebiam visitas ou não realizavam atividades externas, e 34,6% (n=18) não tinham filhos (tabela 1).

Tabela 1 - Distribuição dos idosos residentes em uma instituição de longa permanência, segundo características sociodemográficas. Boa Vista (RR), Brasil, 2024.

Variáveis

n (=52)

%

Sexo

 

 

Masculino

48

92,3

Feminino

4

7,7

Faixa etária

 

 

60-69 anos

12

23,1

70-79 anos

23

44,2

80-89 anos

12

23,1

90 anos ou mais

5

9,6

Tempo de institucionalização

 

 

< 1 ano

10

19,2

1 a 5 anos

34

65,4

6 a 9 anos

4

7,7

≥ 10 anos

4

7,7

Nacionalidade

 

 

Brasileiro

48

92,3

Outras nacionalidades

4

7,7

Situação conjugal

 

 

Solteiro

40

76,9

Separado/Divorciado

5

9,6

Casado

2

3,8

Não soube responder/Sem informação

5

9,6

Escolaridade

 

 

Nenhuma

10

19,2

1 a 4 anos

37

71,2

4 a 7 anos

0

0,0

8 anos ou mais

0

0,0

Não soube responder/Sem informação

5

9,6

Renda

 

 

Sem renda

31

59,6

Benefício de Prestação Continuada (BPC)

16

30,8

Aposentadoria

5

9,6

Recebe visitas ou faz alguma atividade

 

 

Não

35

67,3

Sim

7

13,5

Não soube responder/Sem informação

10

19,2

Tem filhos

 

 

Não

18

34,6

Sim

11

21,2

Não soube responder/Sem informação

23

44,2

Média de idade em anos (±DP)

75,9 (±9,2)

Média do tempo de institucionalização (±DP)

3,1 (±3,9)

Todos os idosos (100,0%; n=52) tinham diagnóstico médico de pelo menos uma doença crônica, perfazendo uma média de 2,3 (±1,5) doenças por idoso. Dentre as mais prevalentes, destacam-se as doenças do aparelho cardiovascular, tendo a hipertensão arterial como a doença mais frequente (76,9%; n=40), seguida das doenças do sistema nervoso, em especial as sequelas de AVC (36,6%; n=18), e das doenças nutricionais, endócrinas e metabólicas, com destaque para o diabetes mellitus tipo II, com 21,2% (n=11). Os transtornos mentais e comportamentais foram identificados em 17,9% (n=9) dos idosos.

A média do número de medicamentos utilizados por idoso foi de 9,1 (±4,6), e observou-se que 78,8% (n=41) desses idosos faziam uso de polifarmácia (tabela 2). Entre os participantes do estudo, 80,8% (n=42) apresentavam algum tipo de deficiência (tabela 2), sendo a deficiência cognitiva/intelectual a mais prevalente. Outras variáveis analisadas foram o relato de dor crônica e o histórico de quedas, observados em 26,9% (n=14) e em 15,4% (n=8) dos idosos, respectivamente.

Quanto ao protocolo de identificação do idoso vulnerável (VES-13) presente na CSPI, identificou-se que 94,2% (n=49) dos idosos se enquadram no critério de atenção/ação por apresentarem um escore ≥ 3 pontos. A pontuação média dos idosos no VES-13 foi de 7,2 (±2,1) pontos (tabela 2).

Tabela 2 - Distribuição dos idosos residentes em uma instituição de longa permanência, segundo características clínicas. Boa Vista (RR), Brasil, 2024.

Variáveis

n (=52)

%

Presença de doenças crônicas

 

 

Sim

52

100,0

Não

0

0,0

Uso de medicamentos

 

 

Sim

52

100,0

Não

0

0,0

Presença de polifarmácia

 

 

Sim

41

78,8

Não

11

21,2

Presença de deficiência

 

 

Sim

42

80,8

Não

10

19,2

Relato de dor crônica

 

 

Sim

14

26,9

Não

38

73,1

Quedas nos últimos 6 meses

 

 

Sim

8

15,4

Não

44

84,6

Pontuação na VES-13

 

 

0-2 pontos

3

5,8

≥ 3 pontos

49

94,2

Média de doenças crônicas (±DP)

2,3 (±1,5)

Média de medicamentos (±DP)

9,1 (±4,6)

Média de pontos na VES-13 (±DP)

7,2 (±2,1)

A condição cognitiva dos idosos foi avaliada e, quanto a este aspecto, observou-se um elevado percentual de idosos que não tinham condições de realizar o teste de avaliação cognitiva em decorrência de comprometimento cognitivo (38,5%; n=20). Dentre aqueles que apresentavam condições de responder ao teste de avaliação (MEEM), 48,1% (n=25) tiveram resultado sugestivo de déficit cognitivo (tabela 3).

A mobilidade dos idosos também foi observada, identificando-se que 34,6% (n=18) deambulavam sem auxílio e 9,6% (n=5) deambulavam com auxílio de bengala e/ou andador, 28,8% (n=15) eram acamados e 26,9% (n=14) eram cadeirantes.

Para fins de determinação do grau de dependência, aplicou-se o Índice de Katz. Com base nesta avaliação, observou-se um elevado grau de dependência entre os idosos, dentre os quais 57,7% (n=30) apresentaram dependência total ou parcial para quatro ou mais AVD (Katz E, F e G). As atividades “banho” e “vestir” foram as que apresentaram maior percentual de dependência, com 71,2% (n=37) cada, seguida da atividade “continência” com 57,7% (n=30), e “ir ao banheiro” e “transferência”, representando 51,9% (n=27) cada. A atividade “alimentação” foi a única que obteve maior percentual de independência (75,0%; n=39).

A determinação do grau de dependência, que leva em consideração a dependência dos idosos para atividades de autocuidado e comprometimento cognitivo11, demonstrou um elevado percentual (73,1%; n=38) de idosos com grau de dependência III, o que corresponde aos idosos que necessitam de assistência para quatro ou mais atividades de vida diária e/ou apresentam comprometimento cognitivo (tabela 3).

Por fim, calcularam-se os resultados referentes à pontuação na avaliação da vulnerabilidade (VES-13). Neste aspecto, 94,2% (n=49) dos idosos obtiveram um escore ≥ 3 pontos, caracterizando um resultado que requer atenção/ação. Esse resultado aponta um elevado percentual de idosos com diagnóstico gerontogeriátrico compatível com fragilidade ou em processo de fragilização.

Tabela 3 - Distribuição dos idosos residentes em uma instituição de longa permanência, segundo condições cognitivas (MEEM), vulnerabilidade (VES-13), mobilidade e grau de dependência. Boa Vista (RR), Brasil, 2024.

Variável

N

%

Média (±DP)

Mediana

Mínimo-Máximo

MEEM

 

 

 

 

 

Sugestivo de alteração cognitiva

25

48,0

9,64 (±5,25)

8

2-18

Não sugestivo de alteração cognitiva

7

13,5

21,14 (±2,03)

20

20-25

Não aplicável*

20

38,5

*

*

*

Mobilidade

 

 

 

 

 

Deambula com/sem auxílio

23

44,2

-

-

-

Acamado/confinado cama/cadeira

15

28,8

-

-

-

Cadeirante

14

26,9

-

-

-

Grau de dependência

 

 

 

 

 

Grau I

4

7,7

-

-

-

Grau II

10

19,3

-

-

-

Grau III

38

73,1

-

-

-

VES-13

 

 

 

 

 

Atenção/Ação

49

94,2

7,6 (±1,5)

7

4-11

Acompanhamento de rotina

3

5,8

1,5 (±1,1)

2

0-2

*Idosos com comprometimento cognitivo e sem condições de responderem ao MEEM.

Discussão

Ao longo das últimas décadas, tem-se observado um aumento da institucionalização de pessoas idosas. Esse fato se deve ao envelhecimento populacional e ao perfil social e de saúde desses indivíduos, atrelado às mudanças na configuração e na dinâmica familiar, na condição socioeconômica e na incapacidade da família em prover cuidados à pessoa idosa, em especial àqueles mais longevos e frágeis.12

Assim, as ILPI passam a ser uma alternativa quando o idoso necessita de cuidados, suprindo a falta de suporte familiar, social e de saúde. Estes espaços contam com a atuação de profissionais de saúde e da assistência social, os quais atendem às demandas oriundas destas pessoas. Para tanto, ao reconhecer a pessoa idosa institucionalizada como parte de um grupo vulnerável e específico, é fundamental identificar suas demandas de cuidados.4

Nesta perspectiva, a CSPI passa a ser uma ferramenta útil que contribui na determinação do diagnóstico gerontogeriátrico, auxilia na tomada de decisão e pode guiar o processo de cuidado, além de colaborar na determinação do perfil de saúde e permitir a comunicação entre os diferentes níveis de atenção e serviços que a pessoa idosa utiliza.9

Com base na análise das informações contidas na CSPI, destaca-se, primeiramente, o elevado percentual de homens idosos (92,3%) em relação às mulheres. É bastante consolidado na literatura a maior prevalência de mulheres idosas, inclusive nas ILPI. Este fato está relacionado com o fenômeno conhecido como "feminização da velhice”, resultante da transição demográfica, no qual o número de mulheres idosas se sobressai.3,8,13

Isso se deve à maior expectativa de vida das mulheres e à maior probabilidade de uma mulher residir em uma ILPI pelo fato de, por serem mais velhas, serem mais frágeis, além de uma posição desfavorecida nos arranjos familiares, considerando que os homens têm maiores chances de serem cuidados por seus cônjuges e permanecerem mais tempo em casa com a família.3,13 No entanto, o predomínio do sexo masculino aqui observado pode ser explicado pela onda migratória de homens que vieram para Roraima para trabalhar no garimpo no período compreendido entre as décadas de 1970 a 1990. Esses, em sua maioria, vinham em busca de melhores condições de vida e, geralmente desacompanhados, sem familiares.14

Quanto às variáveis socioeconômicas, observou-se um elevado percentual de idosos com baixa escolaridade e baixa renda. No Brasil, os idosos com baixa renda possuem a menor escolaridade e representam a maior proporção de analfabetos no país. Estimativas apontam que 18% das pessoas com 60 anos ou mais são analfabetas e que grande parte das políticas públicas está voltada para a alfabetização de jovens e adultos. Destaca-se ainda que indivíduos com maior nível educacional em geral apresentam um letramento maior em saúde quando comparados a indivíduos com menos anos de estudo.15

Neste aspecto, o letramento em saúde, definido como o grau em que os indivíduos têm a capacidade de encontrar, entender e usar informações e serviços para tomar decisões e ações relacionadas à sua própria saúde e para os outros, é um dos mais importantes determinantes sociais da saúde. Os fatores relacionados ao letramento em saúde são multidimensionais, pois envolvem o indivíduo e suas habilidades para leitura e escrita, bem como as organizações relacionadas à saúde, uma vez que estas têm como responsabilidade disseminar informações compreensíveis e eliminar as iniquidades em saúde.16

O baixo letramento em saúde pode resultar em diversos problemas, como pior autopercepção da saúde, maior utilização dos serviços de saúde, manejo inadequado de doenças crônicas, menor engajamento em ações preventivas, déficit de autocuidado e aumento da morbimortalidade. Isso é especialmente preocupante entre os idosos, cujas dificuldades funcionais, socioeconômicas e de saúde tornam o cuidado mais complexo. Portanto, é crucial reconhecer essa questão além da escolaridade, para que o cuidado seja efetivo e gere melhores resultados.17

Ainda dentro das informações pessoais presentes na CSPI, têm-se aquelas relacionadas à situação sociofamiliar. Considerando este aspecto, este estudo revelou um elevado percentual de idosos solteiros (76,9%) e de idosos que não recebem visitas e/ou não saem da instituição para visitar parentes ou amigos ou realizar alguma atividade de lazer fora da ILPI (67,3%). Isso revela um isolamento social, uma vez que o principal vínculo desses idosos se dá, em geral, com os profissionais que atuam na instituição e participam apenas de atividades desenvolvidas no âmbito da ILPI.

As ILPI constituem-se residências que atendem às necessidades dos seus moradores, permitindo uma vida com cidadania e dignidade. No entanto, de modo geral, a institucionalização do idoso apresenta-se como fator de risco para o rompimento de vínculos afetivos e sociais. Isso pode provocar sentimentos de medo, tensão, tristeza, angústia e insegurança. Diante disto, a manutenção de vínculos afetivos e sociais se torna fundamental no equilíbrio emocional da pessoa idosa.18

Na ausência de vínculo familiar, cabe à equipe de enfermagem prestar a maioria dos cuidados diretos aos idosos nas ILPI.19 Colocando isso em um contexto em que a maior parte desses idosos não possui vínculos familiares e sociais e baixa escolaridade para lidar com as questões de saúde, a caderneta surge como um aliado destes idosos e dos profissionais, na propagação e compartilhamento de informações detalhadas e atualizadas sobre sua condição atual de saúde.

No que se refere às condições de saúde-doença, no item “avaliação da pessoa idosa” presente na CSPI, observou-se que 100% dos idosos apresentavam pelo menos uma doença crônica, com destaque para hipertensão arterial, diabetes mellitus e sequelas de AVC. As doenças crônicas caracterizam-se como um conjunto de desvios da saúde com múltiplas causas e fatores de risco, longos períodos de latência e curso prolongado, e podem resultar em incapacidades funcionais. Em idosos dependentes, estão associadas à perda da funcionalidade e são a principal causa de disfuncionalidade na maioria dos países sul-americanos, incluindo o Brasil. A disfuncionalidade se refere a deficiências, limitação de atividades ou restrição na participação comunitária e social.20

A multimorbidade, frequentemente observada na população idosa, está relacionada com a terapia medicamentosa. Neste aspecto, observou-se que todos os idosos deste estudo faziam uso de algum medicamento e 78,8% se enquadraram nos critérios de polifarmácia, definida como o uso rotineiro de cinco ou mais medicamentos. Estudo prévio, realizado na mesma instituição, evidenciou que 72,0% dos idosos tiveram mais de 10 medicamentos diferentes prescritos, 24,0% entre 5 e 10, e apenas 4,0% dos idosos tiveram menos de 5 medicamentos diferentes prescritos durante o período avaliado, sendo a média de 14,0 ± 5,8 medicamentos por idoso.21

O uso de muitos fármacos simultaneamente, sem controle efetivo e permanente, constitui um fator de risco no sentido de propiciar efeitos adversos ou interações medicamentosas. A polifarmácia em idosos pode ainda estar relacionada a piores desfechos de saúde física e mental, aumento da hospitalização e da mortalidade. Vale destacar também que a polifarmácia (≥5 medicamentos) aumenta o risco de morte em 1,28 vezes, e a hiperpolifarmácia (≥10 medicamentos) aumenta o risco de morte em 1,44 vezes, além de simular síndromes geriátricas, pois aumenta o risco de incontinência urinária, quedas, demência e diabetes na população idosa.20 Diante disso, a avaliação minuciosa e o acompanhamento da terapia farmacológica da pessoa idosa é fundamental quando se pretende proporcionar qualidade de vida a esta população, e a CSPI passa a ser uma ferramenta que contribui neste acompanhamento.

A caderneta também conta com um instrumento (VES-13) que identifica a vulnerabilidade à saúde das pessoas idosas com base na idade, na autopercepção da saúde, nas limitações físicas e nas incapacidades. Este instrumento auxilia na detecção de idosos que apresentam risco excessivo de declínio funcional e mortalidade em um período de 2 anos, além de detectar baixa qualidade de vida entre idosos no contexto da Atenção Primária à Saúde e estimar o risco de mortalidade a longo prazo.10,22

Destaca-se que o VES-13 é rotineiramente utilizado no âmbito da atenção primária à saúde; neste contexto, este protocolo é capaz de rastrear idosos com expectativa de vida limitada, definida como risco de mortalidade ≥50% em 10 anos.23 Para idosos com escores no VES-13 ≥ 2, recomenda-se avaliação multidimensional para investigar as causas e intervir, atuando na prevenção e/ou reversão do declínio funcional.24

A aplicação do VES-13 em idosos institucionalizados revelou que 94,2% deles apresentavam vulnerabilidade à saúde (VES-13 ≥3). Considerando que o perfil desses idosos, em geral, é caracterizado pela fragilidade quando comparados com idosos que vivem na comunidade, a aplicação da VES-13 no âmbito da institucionalização propicia uma melhor classificação da suscetibilidade desse idoso aos diversos riscos e problemas relacionados à saúde, facilitando a elaboração de um plano de cuidados desde sua admissão na instituição. Contudo, é essencial realizar avaliações adicionais e encaminhamentos para avaliação gerontogeriátrica e, assim, subsidiar o planejamento de cuidados e serviços voltados para a população idosa.23

Para fins de determinação do grau de dependência, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde11, procedeu-se com a avaliação da condição cognitiva (MEEM) e da dependência para realização das AVD (Índice de Katz). Nestes aspectos, os resultados apontaram para um elevado percentual de idosos com comprometimento cognitivo (86,5%).

Elevada prevalência, correspondendo a 69,0%25 e 79,1%26 de comprometimento cognitivo com base no MEEM também foi observada em outros estudos realizados com idosos institucionalizados. Esses achados podem ser reflexo da falta de orientação espacial, temporal e de atividades físicas e lúdicas que proporcionem a estimulação cognitiva de pessoas idosas residentes em ILPI. Ademais, idosos com possível comprometimento cognitivo pode apresentar um elevado grau de dependência total associado, aumentando a demanda para a equipe profissional.25,26

A aplicação do Índice de Katz revelou elevado percentual de dependência total ou parcial em quatro ou mais AVD, com ênfase nas atividades de "banho" e "vestir", ambas com 71,2%. Essa dependência entre os idosos institucionalizados também foi observada em um estudo sobre diagnósticos de enfermagem, que destacou o déficit no autocuidado para banho (75,8%) e déficit no autocuidado para vestir-se (68,1%) como os diagnósticos mais frequentes.4

A elevada prevalência de dependência é frequentemente observada em idosos residentes em ILPI. Essas instituições são consideradas fatores limitantes para a independência e, neste ambiente, é importante encorajar os idosos, estimulando o autocuidado e a manutenção e/ou reabilitação da capacidade funcional, independência e autonomia durante o maior período possível, através de atividades físicas e cognitivas.26

A avaliação do grau de dependência demonstrou que 73,1% apresentavam grau III e 19,3% grau II. A elevada dependência para atividades de autocuidado também foi observada em outros estudos com idosos institucionalizados, os quais obtiveram percentuais que variaram de 65,8% a 71,7%.3,27

A avaliação do grau de dependência em idosos institucionalizados é crucial para orientar o planejamento e a implementação de ações adequadas. Além da dependência, é fundamental avaliar as atividades de vida diária, pois elas refletem a participação social e a qualidade de vida no envelhecimento. Mudanças nessas atividades muitas vezes não são percebidas sem uma avaliação funcional específica, destacando a importância de identificar precocemente alterações no desempenho. Assim, a equipe multiprofissional deve observar atentamente as limitações dos idosos e planejar cuidados específicos que promovam a reabilitação, visando permitir que desenvolvam suas atividades diárias com o máximo de autonomia e independência, facilitando a adaptação ao ambiente das ILPI.3

A preocupação com a institucionalização e as condições sociais e de saúde dos idosos surge em um contexto que demanda parâmetros adequados de cuidado e proteção. Nacionalmente, há crescente preocupação sobre como os idosos são tratados nesses ambientes, incluindo dificuldades de acesso à saúde, condições de higiene precárias, ambientes inadequados e maus-tratos.28

O processo de institucionalização de uma pessoa idosa é difícil e delicado, em especial para idosos que apresentam vulnerabilidade social e perda da rede de apoio. Ao residir em uma ILPI, é preciso seguir normas institucionais, rotinas de cuidado e atividades diárias e, muitas vezes, perder o convívio e relações sociais que havia antes da institucionalização.29

Nesse contexto, a caderneta se destaca como uma ferramenta importante para a avaliação clínica e funcional da pessoa idosa, inclusive daquela institucionalizada, servindo como base para a tomada de decisões, planejamento e execução de cuidados especializados e continuados nas ILPI. A aplicação da caderneta permite que os idosos recebam um cuidado humanizado, orientado por um diagnóstico gerontogeriátrico obtido a partir de uma avaliação completa e minuciosa, orientada pela CSPI. Para isso, é essencial que as instituições tenham acesso aos serviços de uma equipe multiprofissional qualificada para utilizar de forma eficiente o material disponível.30

Sobre o presente estudo, é importante mencionar suas limitações, dentre as quais destaca-se o fato de os dados não serem generalizáveis, uma vez que a amostra não foi selecionada de forma a representar a população idosa em sua totalidade. Dessa forma, os resultados podem não refletir as características de outras populações de idosos, o que limita a possibilidade de extrapolação para diferentes contextos. Outra limitação refere-se à natureza acadêmica do estudo, considerando que a implementação da CSPI ocorreu no âmbito de um projeto de extensão, necessitando da sensibilização da equipe multiprofissional da instituição para sua continuidade. Além disso, a limitação em coletar todos os itens presentes na CSPI permitiu apenas um recorte das condições sociais e de saúde dos idosos participantes. No entanto, a aplicação da CSPI nesse contexto possibilitou a reflexão sobre a necessidade de possíveis adaptações do instrumento à realidade das instituições de longa permanência.

Sabe-se que a aplicação da caderneta no âmbito da ILPI é essencial para garantir um cuidado integral e contínuo, permitindo o registro e o monitoramento sistemático das condições de saúde dos idosos residentes. No entanto, sua efetividade depende diretamente da conscientização e do engajamento dos profissionais de saúde. Quando bem compreendida e utilizada pela equipe multiprofissional, a caderneta se torna uma importante ferramenta para orientar decisões clínicas, planejar intervenções individualizadas e promover a qualidade de vida dos idosos institucionalizados.

 Conclusão

Observou-se um predomínio de homens, média de idade de 75,9 anos, baixa escolaridade, solteiros e um tempo médio de institucionalização de 3,1 anos. A maioria dos residentes possui baixa renda, não recebe visitas, apresenta multimorbidades, faz uso de polifarmácia, apresenta elevados escores na VES-13, além de déficit cognitivo, dependência para atividades básicas de vida diária e grau de dependência III, caracterizando um perfil de fragilidade.

A realização da avaliação multidimensional da pessoa idosa institucionalizada é fundamental desde o momento de sua admissão na instituição, e a caderneta pode direcionar essa avaliação, permitindo comparações de resultados e promovendo a reabilitação e recuperação da saúde do idoso. No entanto, em decorrência das características desses idosos, a complementação dos dados da CSPI a partir da utilização de outros instrumentos de avaliação pode ser necessária no contexto das ILPI.

Apesar das limitações do estudo, de natureza acadêmica e restrito ao levantamento de alguns itens da caderneta, os dados analisados são fundamentais para o planejamento de cuidados centrado na pessoa idosa, baseado no conhecimento do perfil desses idosos institucionalizados e, assim, garantir um envelhecimento digno e com qualidade de vida.

Faz-se necessário a realização de mais estudos nesta área, especialmente em contextos em que o envelhecimento populacional ainda não é tão expressivo, permitindo a proposição de estratégias de acompanhamento que considerem as características e condições clínicas e sociais dos idosos, bem como pesquisas que verifiquem o conhecimento dos profissionais de saúde das ILPI acerca da importância da utilização da caderneta de saúde da pessoa idosa nestes espaços.

Este estudo traz contribuições acerca da aplicação da caderneta no contexto de uma ILPI, abordando aspectos relacionados à sua viabilidade, utilidade e limitações nesse ambiente específico. Ao identificar quais campos da caderneta são mais aplicáveis e quais demandam adaptações à realidade institucional, a pesquisa propõe reflexões importantes para a adequação de instrumentos de avaliação às necessidades de populações mais vulneráveis e com maior grau de dependência. Além disso, ao destacar os dados sociodemográficos, clínicos e funcionais coletados por meio da caderneta, o estudo reforça seu potencial como ferramenta de apoio à avaliação multidimensional, à construção de planos de cuidado individualizados e à qualificação da atenção à saúde da pessoa idosa institucionalizada, contribuindo diretamente para o fortalecimento da enfermagem gerontogeriátrica.

Contribuições dos autores

Concepção do estudo: Gregório Cavalcante Silveira, Aimêe Leitão Cruz, Luiza Gomes Ferreira, Rafaela Beatriz Nóbrega Mota Eulálio, Nayara Kalila dos Santos Bezerra, Paulo Sérgio da Silva, Raquel Voges Caldart, Fátima Helena do Espírito Santo.  Coleta de dados: Gregório Cavalcante Silveira, Aimêe Leitão Cruz, Luiza Gomes Ferreira, Rafaela Beatriz Nóbrega Mota Eulálio. Análise e interpretação dos dados: Gregório Cavalcante Silveira, Aimêe Leitão Cruz, Luiza Gomes Ferreira, Rafaela Beatriz Nóbrega Mota Eulálio. Redação do manuscrito: Gregório Cavalcante Silveira, Aimêe Leitão Cruz, Luiza Gomes Ferreira, Rafaela Beatriz Nóbrega Mota Eulálio, Raquel Voges Caldart. Revisão crítica do manuscrito: Nayara Kalila dos Santos Bezerra, Paulo Sérgio da Silva, Raquel Voges Caldart, Fátima Helena do Espírito Santo. Aprovação da versão final do texto: Nayara Kalila dos Santos Bezerra, Paulo Sérgio da Silva, Raquel Voges Caldart, Fátima Helena do Espírito Santo.

 Conflito de interesses

Os autores declararam que não há conflito de interesse.  

 Financiamento

Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PIBIC/CNPq) e da Universidade Federal de Roraima (PIBIC/UFRR). 

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Correspondência:

Nayara Kalila dos Santos Bezerra

E-mail: nayara.kalila@gmail.com

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