Idioma
Fatores de risco e cuidados de enfermagem para lesões de pele do recém-nascido na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal: revisão de escopo
Luciana Maria Varela de Queiroz1,
José Adailton da Silva2,
Marcela Paulino Moreira da Silva Queiroz3,
Neide Maria Palhano dos Santos4,
João Henrique Silva Corrêa5,
Douglas Fernandes dos Santos6,
Hertz Wilton de Castro Lins7
1,2,3,4,5,6,7Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal (RN), Brazil.
Introdução
No mundo, aproximadamente 350.000 Recém-Nascidos (RN) pré-termos morrem em decorrência de sepse e meningite, sendo que cerca de 50% desses óbitos ocorrem na primeira semana de vida, período em que a função de barreira da epiderme encontra-se mais comprometida. Esses índices são ainda mais elevados em países em desenvolvimento, onde a mortalidade pode atingir até 70%.1
No cenário nacional, alguns estudos demonstram que a incidência de lesões de pele em RN hospitalizados é de aproximadamente 40,4%, sendo a dermatite de fralda a lesão mais prevalente. Além dessa condição, observam-se, com frequência, lesões por pressão, relacionadas à imobilidade e ao uso de dispositivos; lesões associadas ao uso de adesivos; lesões decorrentes da exposição a substâncias químicas; e lesões térmicas, entre outras, que comprometem a integridade cutânea do RN.2-3
Esses achados podem ser explicados pelo fato de que cerca de 80% da morbidade e da mortalidade neonatal estão associadas a traumas ou a alterações da função normal da pele. A Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) configura-se como um ambiente complexo, marcado pelo uso de tecnologias avançadas e pela realização de múltiplos procedimentos, invasivos ou não. Tais intervenções representam estímulos estressores ao RN e podem interferir negativamente na integridade cutânea.4
Além disso, quanto maior o número de fatores agravantes associados ao risco de lesões cutâneas, mais prolongado poderá ser o tempo de internação, o que reforça a necessidade de cuidados intensivos, contínuos e qualificados por parte da Enfermagem. Tais lesões decorrem, em grande parte, da imaturidade funcional da pele do recém-nascido, frequentemente agravada pelo manejo inadequado durante a assistência.3
Dessa forma, a profilaxia das lesões cutâneas recai, de modo preponderante, sobre a equipe responsável pelo cuidado, especialmente a Enfermagem, que atua tanto nas atividades de gestão, supervisão e capacitação profissional quanto na prestação de cuidados diretos aos RN internados na UTIN.4-5 Nesse contexto, considerando que a maioria dos procedimentos realizados na UTIN é de responsabilidade da equipe de Enfermagem, a atuação dos profissionais de Enfermagem torna-se central e estratégica na avaliação, prevenção e tratamento das lesões cutâneas, em virtude de sua presença contínua desde a admissão até a alta.6 Diante dessa realidade, o grande desafio atual consiste em reintegra o RN à sociedade sem lesões cutâneas, contribuindo para a redução do tempo de internação e dos custos hospitalares.
Uma das metas internacionais do Programa Nacional de Segurança do Paciente, instituído em 2013, refere-se à prevenção de lesões, reforçando a importância da investigação dessa temática. Tal diretriz evidencia a necessidade de repensar a segurança do paciente na UTIN, com ênfase na redução de danos e na garantia da integridade cutânea.
Apesar da relevância do tema, observa-se uma lacuna significativa na produção científica, sobretudo por se tratar de uma população vulnerável. A literatura apresenta poucos estudos voltados especificamente ao cuidado com a pele do RN no contexto da UTIN, especialmente no que se refere às práticas de Enfermagem.7
Nesse contexto, torna-se oportuna a produção de evidências científicas que orientem a prevenção de lesões cutâneas e contribuam para a qualificação da prática da Enfermagem neonatal. Objetiva-se, portanto, identificar na literatura os principais fatores de risco e cuidados de Enfermagem relacionados à pele em RN na UTIN.
Método
Trata-se de uma revisão de escopo, conduzida conforme os princípios preconizados pelo método de Joanna Briggs Institute (JBI) e do checklist Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR).8-9 O protocolo desta revisão encontra-se registrado no Open Science Framework (OSF), sob o número DOI: 10.17605/OSF.IO/NWD2Y.
O estudo seguiu a estratégia metodológica composta por seis etapas: 1) identificação da questão de pesquisa; 2) identificação dos estudos relevantes; 3) seleção dos estudos; 4) extração dos dados; 5) organização, sumarização e apresentação dos resultados; e 6) apresentação dos resultados.8
Para o desenvolvimento da revisão, formulou-se a seguinte questão de pesquisa: quais fatores de risco e cuidados de Enfermagem são evidenciados na literatura para a prevenção e para a manutenção da pele do RN na UTIN? A formulação da questão norteadora foi estruturada conforme a estratégia PECO, considerando: P - População: RN na UTIN; E - Exposição: pele do RN; C - Comparação: não se aplica; R - Resultados: fatores de risco e cuidados de Enfermagem.
A revisão foi conduzida nas bases de dados: MEDLINE/PubMed, EMBASE, SCOPUS, Banco de Dados em Enfermagem (BDENF) e Biblioteca Scientific Eletronic Library Online (SciELO).
Para a busca nas bases de dados, utilizaram-se os descritores controlados do Banco de Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e Medical Subject Headings (MeSH), bem como palavras-chave e sinônimos: Newborn, Skin Injury, Nursing Care e Risk Factor. O Quadro 1 apresenta a sintaxe de construção, descritores/sinônimos e o operador booleano “OR” empregados na busca. Salienta-se que a busca foi conduzida nos meses de fevereiro e março de 2024.
Quadro 1 - Bases de dados e descritores utilizados nas bases de dados. Natal (RN), Brasil, 2024.
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Bases de pesquisa |
Descritores |
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Newborn |
Skin injury |
Nursing care |
Risk factor |
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MEDLINE/ PubMed |
“Infants, Newborn” OR “Newborn Infant” OR “Newborn Infants” OR Newborns OR Newborn OR Neonate OR Neonates OR “Newborn Intensive Care Unit” OR “Neonatal Intensive Care Unit” OR “Newborn Intensive Care Units” (NICU) OR “Neonatal ICU” OR “Newborn ICU” |
“Injury skin” OR “skin tear” OR “Degloving Injury” OR “Injuries, Degloving” OR “Injury, Degloving” OR “pressure injury” OR “medical adhesive skin injury” OR “diaper dermatitis”
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“Care, Nursing” OR “Management, Nursing Care” OR “Nursing Care Managemen” OR “Factor, Risk” OR “Risk Factor” OR “Health Correlates” OR “Skin Care”
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“Risk, factor” OR Factor, Risk” OR “Factors, Risk” OR Risk, factors” |
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EMBASE |
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SCOPUS |
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BDENF |
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SciELO |
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Estabeleceu-se a inclusão de estudos que versaram sobre a temática dos fatores de risco e dos cuidados de Enfermagem para a prevenção e para a manutenção da pele do RN na UTIN. Ressalta-se que não houve restrição quanto ao idioma e ao período de publicação e que os participantes dos estudos elegíveis foram os RN classificados como: pré-termo, a termo, pós-termo, baixo peso ao nascer, muito baixo peso, extremo baixo peso, peso adequado e macrossômico.
Os resultados encontrados foram extraídos e organizados em uma planilha de dados no software Microsoft Excel. Para a análise, seleção e exclusão dos estudos utilizou-se o software Rayyan,10 contendo dados como título do artigo, ano de publicação, país, idioma, objetivos, desenho do estudo, população, amostra, cenário e nível de evidência. Excluíram-se artigos duplicados, que não atenderam à questão de pesquisa, resumos e anais de congresso, notas, relatórios, resenhas, cartas e revisões. A seleção dos artigos foi realizada por meio de leitura criteriosa dos títulos e resumos, a fim de verificar a elegibilidade dos estudos para a seleção final, conforme os critérios supracitados.
Os 11 estudos elegíveis foram recuperados na íntegra e avaliados por dois pesquisadores. Salienta-se que as divergências foram discutidas para alcançar consenso.
A análise dos dados foi realizada por meio de quadros e de discussão narrativa, a partir da leitura extensiva dos achados dos artigos selecionados.
Resultados
A busca inicial nas bases de dados, realizada com os descritores e com a aplicação dos critérios de inclusão previamente mencionados, resultou em um total de 573 artigos elegíveis nas seguintes bases: MEDLINE/PubMed, EMBASE, Scopus, Banco de Dados em Enfermagem (BDENF) e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Os 573 artigos identificados nessa etapa estão apresentados na Figura 1.

Figura 1 - Fluxograma dos artigos selecionados. Natal (RN), Brasil, 2024.
O Quadro 2 descreve a caracterização dos estudos quanto ao nome do artigo, autor, ano de publicação, tipo de estudo, fatores de risco e cuidados de Enfermagem.
Quadro 2 - Caracterização dos estudos selecionados na revisão de escopo. Natal (RN), Brasil, 2024.
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Título |
Autor/Ano |
Tipo de estudo |
Fatores de risco |
Cuidados de Enfermagem |
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Atuação da enfermeira na prevenção de lesão de pele do recém-nascido.11 |
Rolim et al., 2009. |
Exploratório descritivo. |
▪ Fixação de eletrodos.
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▪ Uso de protetores ou barreiras para fixação dos eletrodos, sondas e cateteres. ▪ Limpeza e secagem da pele antes da aplicação dos adesivos de fixação. ▪ Uso de filme transparente e hidrocoloide. ▪ Assepsia da pele com algodão e álcool a 70%. Evitar solução citotóxica. ▪ Avaliação sistemática da pele. ▪ Retirada dos eletrodos com água destilada e óleo mineral. ▪ Uso compressas de gaze e adesivo microporoso para envolver o local da coleta de gasometria. ▪ Mudança de decúbito a cada duas a três horas, de acordo com o bebê. ▪ Uso de fita adesiva microporosa em quantidade mínima e sem compressão para a fixação do curativo. ▪ Uso de fita adesiva microporosa e hipoalergênica para a fixação de tubo oro traqueal e cateter nasal. |
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Global variation in skin injures and skincare practices in extremely preterm infants.12 |
Jani et al., 2023.
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Estudo analítico. |
▪ Fraldas. ▪ Medical Adhesive-Related Skin Injury (MARSI). ▪ Pressão. ▪ Abrasão ▪ Infecção. ▪ Aplicação de emoliente nas bases com petrolato. ▪ Uso de fitas plásticas perfuradas. ▪ Avaliação com menos de 4 horas. |
▪ Uso de emoliente a base de petrolato. ▪ Diretrizes de cuidados com a pele. ▪ Uso de removedores de fita adesiva. ▪ Avaliação da pele, pelo menos, a cada quatro horas. ▪ Rodízio dos dispositivos. ▪ Uso de ferramenta local de avaliação da pele. ▪ Uso de clorexidina aquosa a base de iodo e álcool e antisséptico para sepsia da pele. ▪ Mudança de decúbito. ▪ Uso de filme transparente ou hidrocoloide. ▪ Uso de removedores para fitas. ▪ Uso de gaze molhada para remover fitas. ▪ Vigilância da cultura das lesões. |
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Hospital-acquired skin lesions in the neonatal intensive care unit: a retrospective analysis of temporal trends and quality improvement strategies.13 |
Fassino et al., 2023. |
Estudo retrospectivo. |
▪ Uso de Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas por Via Nasal (nCPAP). ▪ Uso de Cânula Nasal de Alto Fluxo Aquecida e Umidificada (HHFNC). ▪ Sexo. ▪ Idade gestacional. ▪ Peso do nascimento. |
▪ Programa educacional e de melhoria de qualidade. ▪ Uso de curativo de barreira nasal. ▪ Alternância de Interface nCPAP com HHFNC. ▪ Uso de HHFNC como alternativa para ventilação não invasiva. |
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Iatrogenic skin injury in the neonatal Intensive Care Unit.14 |
Sardesai et al., 2011. |
Estudo prospectivo. |
▪ Parto a vácuo. ▪ Monitorização com cabos de luz infravermelha e eletrodos. ▪ Fototerapia. ▪ Uso de aquecedores de água. ▪ Uso de álcool, clorexidina, iodo e iodopovidona. ▪ Uso de adesivos. ▪ Uso de drogas vasoativas, parenteral, cálcio e lipídios por via venosa. ▪ Coleta de sangue e teste do pezinho. ▪ Uso de Continuous Positive Airway Pressure (CPAP). |
▪ Realização de rodízio na monitorização. ▪ Realização de limpeza da pele após uso de álcool, clorexidina, iodo e iodopovidona. ▪ Retirada de adesivos com uso de óleos. ▪ Uso de material adequado para a coleta de sangue. ▪ Uso de prongas maleáveis, de tamanho adequado. ▪ Realização de rodízio da máscara com a pronga e fixação adequada. |
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Intervenciones de enfermería en neonatos con presión positiva continua.15 |
Reza et al., 2018. |
Estudo de coorte transversal. |
▪ Prematuridade. ▪ Baixo peso. ▪ Termorregulação ineficaz. ▪ Pele frágil. ▪ Desconforto respiratório ▪ Restrição do crescimento intrauterino. ▪ Pneumonia. ▪ Uso de CPAP. |
▪ Manejo do CPAP. ▪ Uso de Cavilon. ▪ Realização de mudança de decúbito. |
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Medical adhesives in the nicu.16 |
Lund, 2014.
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Estudo exploratório. |
▪ MARSI. |
▪ Uso de fitas adesivas adequadas: micropore, de papel, de silicone, hidrogel, hidrocoloide. ▪ Uso de produtos de barreira cutânea. ▪ Uso de filme transparente/barreira. ▪ Não utilização de produtos com álcool. ▪ Uso de removedores de adesivos. |
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Nasal injury with continuous positive airway pressure: need for “privileging” nursing staff.17 |
Naha et al., 2019. |
Estudo observacional. |
▪ Uso de CPAP. |
▪ Equipe treinada para manejo adequado. |
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Survey of neonatal nurses' practices and beliefs in relation to skin health.18 |
Liversedge et al., 2018. |
Estudo transversal. |
▪ CPAP. ▪ Acesso periférico. ▪ Uso de cânulas. ▪ Esparadrapo. ▪ Oxímetro de pulso. |
▪ Treinamento. ▪ Manuseio mínimo. ▪ Realização da avaliação da pele de maneira e intervalo de tempo adequados. ▪ Individualização dos cuidados. ▪ Manuseio adequado de dispositivos médicos. ▪ Uso de barreiras de proteção. ▪ Trabalho em equipe. ▪ Comunicação efetiva. |
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Nasal prongs: risks, injuries incidence and preventive approaches associated with their use in newborns.19 |
Ribeiro et al., 2020.
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Estudo observacional. |
▪ Uso do CPAP com pronga. |
▪ Escolha do tamanho adequado da pronga. ▪ Escolha do tamanho adequado da touca. ▪ Fixação adequada do circuito à touca. ▪ Lubrificação da pronga com água bidestilada ou soro fisiológico 0,9% antes da inserção. ▪ Uso de hidrocoloide e velcro para fixar a pronga. ▪ Realização de inserções do circuito sempre em dois profissionais. ▪ Monitoramento do posicionamento durante o uso da pronga - 2 mm de distância do septo sem tração das traqueias. ▪ Monitoramento constante. ▪ Manutenção de temperatura adequada durante a umidificação. ▪ Realização de massagem na columela nasal a cada três horas. ▪ Realização de treinamentos constantes e conscientização da equipe. |
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Lesão de septo nasal em neonatos pré-termo no uso de prongas nasais.20 |
Fátima et al., 2014. |
Estudo analítico e prospectivo, do tipo coorte de intervenção terapêutica aberta. |
▪ CPAP. ▪ Peso. ▪ Idade gestacional. ▪ Tempo de uso do CPAP. |
▪ Monitoramento. ▪ Uso de gel silicone. ▪ Cumprimento do protocolo. |
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Neonatal intensive care practices and the influence on skin condition.21 |
Visscher et al., 2013. |
Revisão retrospectiva. |
▪ Contato com as fezes. ▪ Tipo de dieta. ▪ Estado clínico. ▪ Diagnóstico. |
▪ Uso de barreiras tópicas. ▪ Troca frequente de fraldas. |
Após a análise dos artigos, conclui-se que os fatores de risco mais encontrados nos artigos foram: uso de dispositivos médicos, 811,13-15,17-20; MARSI, 5;11-12,14,16,18 idade gestacional, 3;13,15,20 peso, 3;13,15,20 e tempo de internação, 1 (Figura 2).20

Figura 2 - Representação dos fatores de risco mais frequentes nos artigos selecionados. Natal (RN), Brasil, 2024.
Quanto aos cuidados de Enfermagem destacaram-se: treinamentos para a equipe, 8;12-15,17-20 utilização de filme transparente ou hidrocolóide, 711-13,16,19-21; uso de produto de barreira cutânea, 6;11-12,15-16,18,21 avaliação sistemática da pele, 5;11-12,18-20 removedores de adesivos, 4;11-12,14,16 rodízio de dispositivos, 3;12-14 mudança de decúbito, 3;11-12,15 e controle de infecções com clorexidina e álcool, 3 (Figura 3).11-12,14

Figura 3 - Representação dos cuidados de Enfermagem mais frequentes nos artigos selecionados. Natal (RN), Brasil, 2024.
Discussão
Observou-se que os dispositivos médicos se configuram como um dos principais fatores de risco para o surgimento de lesões cutâneas em RN internados em UTIN. Entre esses dispositivos, destacam-se o oxímetro de pulso e a Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas - Continuous Positive Airway Pressure (CPAP), frequentemente associados ao desenvolvimento dessas lesões.11,13–15,17–20 Embora sejam indispensáveis para o suporte e para o monitoramento clínico dos RN, o uso prolongado ou inadequado desses equipamentos pode comprometer a integridade da pele.22
Corrobora-se com esses achados, um estudo transversal realizado na China identificou que aproximadamente 37,15% das crianças internadas em UTI apresentaram lesões cutâneas relacionadas aos dispositivos médicos. As lesões mais prevalentes foram o descolamento e a laceração da pele, com maior acometimento da região facial, frequentemente associado ao uso de fitas adesivas para a fixação do tubo de intubação traqueal. Esses resultados estão em consonância com os dados identificados nesta revisão.23
No que se refere especificamente ao uso de adesivos médicos, há evidências de que a descamação da pele é a lesão cutânea mais comum em RN. Esse tipo de agravo pode piorar o quadro clínico, prolongar o tempo de internação hospitalar e comprometer aspectos essenciais, como a alimentação e o desenvolvimento adequado do bebê.24
Entretanto, além dos dispositivos médicos, outros fatores também contribuem significativamente para o risco de lesões cutâneas. Um estudo realizado em uma UTIN de um hospital público de alta complexidade em Fortaleza identificou fatores relacionados principalmente aos aspectos mecânicos e físicos, como a manipulação frequente pela equipe de saúde, os processos de higiene e a exposição à umidade, os quais podem causar irritação e fragilidade da pele dos RN.24
Nesse contexto, as variações nos fatores de risco identificadas entre os estudos podem estar relacionadas à gravidade clínica dos pacientes internados na UTIN. RN críticos apresentam maior predisposição ao desenvolvimento de MARSI devido à instabilidade hemodinâmica, ao uso de drogas vasoativas e às alterações nos sistemas imunológico, circulatório e respiratório, condições que comprometem a estrutura e a função da pele. Esse risco é potencializado pelas características inerentes à pele neonatal, que é mais fina, frágil e imatura.25
Diante desse cenário, os resultados evidenciaram a importância do monitoramento contínuo e da implementação de medidas preventivas durante o uso de dispositivos médicos. No cuidado ao RN, torna-se fundamental a identificação precoce e o manejo adequado dos fatores de risco, com vistas à preservação da integridade cutânea e à redução de danos. Nesse processo, o papel da equipe de Enfermagem destaca-se como essencial.26
Esses profissionais desempenham um papel crucial na prevenção, manutenção e reestruturação da pele dos RN, que constituem uma demanda significativa nas UTIN. A particularidade da assistência de Enfermagem em unidades neonatais requer profissionais altamente capacitados para identificar os problemas de forma ágil e realizar as intervenções necessárias para evitar lesões de pele.26 Essa evidência científica foi verificada pela maioria dos autores dos estudos desta revisão, os quais apontaram o treinamento dos profissionais como um cuidado de Enfermagem essencial para a manutenção da integridade da pele dos RN. A literatura aponta que o desempenho de enfermeiros de UTIN em relação aos cuidados com a pele neonatal varia de moderado a insatisfatório, além de revelar uma significativa disparidade nos padrões assistenciais adotados. Tal cenário evidencia a ausência de padronização das intervenções de Enfermagem, que muitas vezes se baseiam predominantemente na experiência individual dos profissionais.27
Manter a integridade da pele do RN é um importante indicador da qualidade do cuidado de Enfermagem, uma vez que ajuda a prevenir lesões cutâneas, diminui as taxas de infecção e outras complicações graves, além de reduzir os efeitos negativos no neurodesenvolvimento.28
Em síntese, o cuidado com a pele do RN demanda atenção contínua, delicadeza, utilização de produtos adequados, equipe capacitada e investimentos em treinamento e atualização profissional, especialmente no que se refere ao uso de novas tecnologias. O fortalecimento dessas estratégias é fundamental para assegurar uma assistência qualificada, promovendo o conforto, a segurança e o desenvolvimento saudável do RN.28
A despeito do exposto, os resultados obtidos sinalizam a necessidade de elaboração de cuidados preventivos específicos para esse grupo, o que pode levar à melhoria do atendimento, ao fornecimento de subsídios para o planejamento da assistência de Enfermagem e ao fortalecimento das estratégias de prevenção.
Por se tratar de uma revisão de escopo, este estudo apresenta limitações inerentes ao método, especialmente relacionadas à inclusão de estudos com ampla heterogeneidade metodológica quanto aos delineamentos, populações, contextos e desfechos. Essa variabilidade inviabilizou a comparação direta dos resultados e a realização de análises mais aprofundadas. Adicionalmente, identificou-se um número reduzido de estudos sobre a temática, o que pode estar associado às particularidades éticas e operacionais envolvidas em pesquisas com RN, população considerada vulnerável. Ainda assim, os achados permitem mapear o conhecimento disponível e evidenciar lacunas relevantes, reforçando a necessidade de futuras investigações com metodologias mais padronizadas e robustas.
Conclusão
O uso de dispositivos médicos, o baixo peso ao nascer, a idade gestacional reduzida, as lesões cutâneas associadas a adesivos médicos (MARSI), o sexo e o tempo prolongado de internação foram os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento de lesões de pele em RN internados na UTIN.
No que se refere aos cuidados de Enfermagem descritos na literatura, destacam-se estratégias fundamentais para a prevenção e para a manutenção da integridade da pele do RN na UTIN, tais como o uso de filmes transparentes ou curativos de hidrocoloide, a avaliação sistemática da pele, a aplicação de produtos de barreira cutânea, o emprego de removedores de adesivos, a realização de treinamentos periódicos da equipe, o rodízio de dispositivos médicos, a mudança regular de decúbito e o controle rigoroso de infecções, com uso adequado de soluções antissépticas como clorexidina e álcool.
Os resultados desta revisão evidenciam a complexidade do cuidado neonatal e reforçam a necessidade de vigilância contínua da integridade cutânea, especialmente em RN prematuros. Além disso, destacam o papel central da Enfermagem na promoção da segurança do paciente e na prevenção de eventos adversos relacionados à pele.
As lesões cutâneas configuram-se como um problema potencial e recorrente nas UTIN, decorrente tanto da complexidade clínica dos RN quanto do tempo prolongado de hospitalização e da exposição aos múltiplos fatores de risco. Contudo, os achados demonstraram que a adoção de medidas preventivas, fundamentadas em evidências científicas, pode reduzir significativamente a ocorrência dessas lesões, reforçando a relevância da implementação de protocolos assistenciais e de uma atuação sistematizada da equipe de Enfermagem.
Por fim, este estudo fortalece o conhecimento em Enfermagem baseado em evidências e orienta as futuras investigações, especialmente voltadas para o desenvolvimento e para a validação de tecnologias assistenciais, protocolos clínicos e instrumentos de apoio à tomada de decisão, contribuindo para uma assistência mais segura, efetiva e humanizada ao neonato crítico.
Contribuições dos autores
Concepção do estudo: Luciana Maria Varela de Queiroz, José Adailton da Silva, Marcela Paulino Moreira da Silva Queiroz, Neide Maria Palhano dos Santos, João Henrique Silva Corrêa, Douglas Fernandes dos Santos, Hertz Wilton de Castro Lins. Coleta de dados: Luciana Maria Varela de Queiroz, José Adailton da Silva, Marcela Paulino Moreira da Silva Queiroz, Neide Maria Palhano dos Santos, João Henrique Silva Corrêa, Douglas Fernandes dos Santos, Hertz Wilton de Castro Lins. Análise e interpretação dos dados: Luciana Maria Varela de Queiroz, José Adailton da Silva, Marcela Paulino Moreira da Silva Queiroz, Neide Maria Palhano dos Santos, João Henrique Silva Corrêa, Douglas Fernandes dos Santos, Hertz Wilton de Castro Lins. Redação do manuscrito: Luciana Maria Varela de Queiroz, José Adailton da Silva, Marcela Paulino Moreira da Silva Queiroz, Neide Maria Palhano dos Santos, João Henrique Silva Corrêa, Douglas Fernandes dos Santos, Hertz Wilton de Castro Lins. Revisão crítica do manuscrito: Luciana Maria Varela de Queiroz, José Adailton da Silva, Marcela Paulino Moreira da Silva Queiroz, Neide Maria Palhano dos Santos, João Henrique Silva Corrêa, Douglas Fernandes dos Santos, Hertz Wilton de Castro Lins. Aprovação da versão final do texto: Luciana Maria Varela de Queiroz, José Adailton da Silva, Marcela Paulino Moreira da Silva Queiroz, Neide Maria Palhano dos Santos, João Henrique Silva Corrêa, Douglas Fernandes dos Santos, Hertz Wilton de Castro Lins.
Conflito de Interesse
Os autores declararam que não há conflito de interesse.
Referências
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Autor Correspondente
Luciana Maria Varela de Queiroz
E-mail: lucianavarela_@hotmail.com
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