Curso de atualização em desenvolvimento docente para a Educação Interprofissional em Saúde: percepção dos cursistas

Andrezza Karine Araújo de Medeiros Pereira1,  Claudia Fell Amado2,  Cristiane Spadacio3, Andrea Ribeiro da Costa4,  Marcelo Viana da Costa5

1Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Natal (RN), Brasil. 2Universidade Federal da Bahia. Salvador (BA), Brasil. 3Universidade de São Paulo. São Paulo (SP), Brasil. 4 Universidade Federal do Paraná. Curitiba (PR), Brasil. 5 Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal (RN), Brasil.

Introdução

Nas últimas décadas, tem-se observado, em âmbito internacional, a defesa de que o trabalho interprofissional constitui um dos pilares centrais para o fortalecimento dos sistemas de saúde centrados nas pessoas e orientados para melhores desfechos em saúde. Esse movimento vem acompanhado do reconhecimento da Educação Interprofissional (EIP) como uma abordagem educacional capaz de sustentar mudanças nas práticas de ensino e, por conseguinte, nas formas de atuação profissional no campo da saúde. Nesse cenário, o desenvolvimento docente para a EIP se apresenta não apenas como necessidade formativa, mas como uma ação estratégica para provocar deslocamentos epistemológicos e éticos nos modos de ensinar, aprender e atuar em saúde.1-2

A literatura internacional e nacional tem sinalizado que a formação de facilitadores da EIP é um processo complexo e multifacetado, exigindo esforços para a construção de competências pedagógicas, comunicacionais, político-institucionais e afetivo-relacionais. Ao mesmo tempo, requer uma compreensão aprofundada dos fundamentos teórico- conceituais e metodológicos da interprofissionalidade, dos referenciais críticos de ensino-aprendizagem e das tensões que emergem das relações entre as profissões nas práticas formativas.3-4 Outros elementos também são estruturantes nesse processo, como a elaboração de propostas pedagógicas centradas na aprendizagem colaborativa; a escolha de métodos avaliativos coerentes com os objetivos da formação; o fortalecimento de lideranças educacionais; e a criação de espaços simulados ou reais de prática interprofissional que fomentem a vivência da colaboração e do cuidado compartilhado.5

Nessa mesma direção, o desenvolvimento docente assume um papel estratégico, por referir-se a um conjunto articulado de ações voltadas ao aperfeiçoamento das práticas educativas de professores, gestores, líderes e pesquisadores, contribuindo para a qualificação dos processos formativos e dos arranjos do trabalho em saúde. Quando orientado pelos pressupostos da EIP, esse processo não apenas favorece a construção de competências colaborativas, mas também possibilita a problematização crítica das barreiras institucionais, organizacionais e relacionais que limitam o aprendizado interprofissional, ao mesmo tempo em que propõe caminhos para superá-las, incorporando perspectivas teóricas comprometidas com a equidade e a integralidade do cuidado.5-6

Docentes preparados para atuar nesses moldes são peças-chave na mediação de ambientes de aprendizagem que acolham a diversidade, desafiem os estereótipos e promovam o reconhecimento recíproco entre as profissões.7-9 Estratégias presenciais, como oficinas e grupos reflexivos, possuem reconhecido potencial para promover o intercâmbio de experiências e saberes. No entanto, abordagens on-line também têm sido valorizadas por sua capacidade de ampliar o acesso, diversificar os formatos de aprendizagem e garantir a continuidade dos processos formativos.4-6,8

No contexto brasileiro, a incorporação da EIP tem avançado por meio de políticas públicas e normativas específicas, a exemplo da Resolução nº 569/2017 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que estabelece diretrizes gerais a serem contempladas nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) dos cursos da área da saúde.10 O Plano de Ação Nacional para a Implementação da EIP (2017–2018) e o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde – PET-Saúde Interprofissionalidade (2019–2021) também se destacam como marcos institucionais que expressam o compromisso com a formação para o trabalho interprofissional e colaborativo, em consonância com as recomendações da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial de Saúde (OMS).11-12

No escopo dessas ações, foi concebido o Curso de Atualização em Desenvolvimento Docente para a Educação Interprofissional (CADDEIP), ofertado aos coordenadores, docentes e preceptores dos projetos PET-Saúde Interprofissionalidade. O curso teve como objetivo apoiar a incorporação crítica e situada dos princípios da EIP nas práticas educativas e nos serviços, promovendo espaços de reflexão, educação permanente e produção de conhecimento sobre a interprofissionalidade. Com formato remoto, duração inicial de seis meses e mediação por tutoria, o curso envolveu 293 participantes de 120 projetos PET-Saúde Interprofissionalidade.

O CADDEIP se constituiu, portanto, como uma das principais estratégias de apoio ao desenvolvimento docente no contexto da EIP no Brasil, articulando-se ao acompanhamento dos projetos e à produção de evidências científicas sobre os efeitos da interprofissionalidade na formação e no trabalho em saúde. Ao reconhecer a centralidade do desenvolvimento docente para o avanço da EIP no país, reafirma-se a premissa de que não há transformação sustentável da formação sem transformação dos sujeitos que ensinam.

Sob essa ótica, esta pesquisa foi orientada pela seguinte pergunta: quais as potencialidades, fragilidades e sugestões emergiram do curso de desenvolvimento docente com foco na Educação Interprofissional, ofertado a participantes dos projetos PET-Saúde Interprofissionalidade, a partir do olhar de seus participantes? Nesse sentido, objetiva-se  analisar as contribuições para a formação docente, os fatores que influenciaram a experiência formativa e o processo de aprendizagem do CADDEIP, a partir da avaliação respondida pelos cursistas.

Método

Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem quantitativa e qualitativa, realizado com base em dados coletados por meio de um formulário de avaliação on-line. Foram analisados 241 formulários de avaliação, respondidos individualmente pelos cursistas ao final do CADDEIP.

O curso foi hospedado no Campus Virtual de Saúde Pública (CVSP), Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) da Organização Pan-americana de Saúde/Organização Mundial de Saúde (OPAS/OMS), sendo destinado aos participantes (coordenadores e coordenadoras de projetos, docentes, preceptores e preceptoras) do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) / Interprofissionalidade.

O PET-Saúde/Interprofissionalidade foi uma estratégia do Ministério da Saúde (MS), por meio do Departamento de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (DEGES), lançada pelo Edital nº 10/201812, para promover a formação interprofissional no âmbito da graduação em saúde, por meio de práticas colaborativas entre estudantes, tutores e preceptores inseridos nos serviços do SUS, afirmando-se a intencionalidade política e educacional de induzir mudanças estruturais na formação em saúde.

A estrutura do curso ofertado foi planejada para favorecer a aprendizagem compartilhada e em rede no processo de adoção da EIP na formação e no trabalho em saúde, a partir de quatro unidades temáticas (Figura 1).

 

Figura 1:  - Estrutura do Curso de Atualização em Desenvolvimento Docente para a EIP. Natal (RN), Brasil, 2020.

Os cursistas foram divididos em 12 grupos, com uma média de 25 participantes, acompanhados por um tutor em cada grupo. A carga horária total do curso foi de 120 horas. É importante salientar que, desde o início, o curso foi desenhado para ser ofertado na modalidade de EAD, com a utilização de plataformas de Tecnologias da Informação e Comunicação em Saúde (TICS). Contextualmente, a pandemia da Covid-19 impôs uma aceleração no uso das TICS, evidenciando desafios e possibilidades para a formação em saúde.13

Cada unidade do CADDEIP propôs leituras, sugestões de atividades coletivas, um repositório de textos e a elaboração de testes como forma de avaliação cognitiva ao final de cada unidade. As atividades coletivas mostraram-se como forças motrizes da aprendizagem interprofissional, colaborativa e em rede. Nas duas primeiras unidades foram propostas atividades ao final de cada aula, o que se mostrou desafiador, especialmente no contexto da pandemia. Nas unidades três e quatro, as atividades foram propostas ao final de todas as aulas no formato de “atividade integradora”.

Para todas as unidades foram propostos fóruns de discussão na plataforma de ensino virtual, oportunizando aos cursistas o esclarecimento de dúvidas e a troca de experiências e conhecimentos. Também foram realizados webinários síncronos ao longo do curso, com o intuito de ampliar a discussão proposta nas atividades, trazendo convidados que são referências nos conteúdos dos diferentes temas. Os temas trabalhados nos webinários foram: "Cuidado interprofissional em saúde no século XXI", "Formação de professores para EIP" e "PET-Interprofissionalidade e as Tecnologias da Informação e Comunicação e "Educação interprofissional e currículo: desafios e caminhos possíveis". 

Os cursistas e as atividades de cada grupo foram acompanhados e avaliados pelos tutores ao longo de toda a trajetória educativa, com feedbacks apreciativos e formativos, bem como por meio de trabalhos ao final de cada ciclo de aprendizagem. Como atividade final, os cursistas foram estimulados a preencher um formulário de avaliação sobre os aspectos centrais do curso e a apresentar pontos fortes, fragilidades e sugestões para futuras iniciativas de desenvolvimento docente para a EIP no Brasil. 

Ao final, foi aplicado aos cursistas um formulário de avaliação composto por seis questões de múltipla escolha, organizadas em escala do tipo Likert (concordo totalmente, concordo, indeciso, discordo, discordo totalmente), com foco nos seguintes aspectos: (1) se os conteúdos trabalhados contribuíram para a qualificação das práticas docentes em saúde; (2) se os materiais didáticos utilizados, como leituras, vídeos, estudos de caso e apresentações em PowerPoint, foram úteis e adequados à compreensão dos temas; (3) se as atividades propostas (tarefas, questionários, fóruns, intervenções, entre outras) foram interessantes e contribuíram para o processo de aprendizagem; (4) se as aulas virtuais e seus recursos foram claros, acessíveis e facilitadores da aprendizagem; (5) se o curso proporcionou oportunidades de troca de conhecimentos e experiências entre os participantes; e (6) quais plataformas foram utilizadas para essa interação.

Além dessas questões, o formulário incluía três perguntas abertas, que convidavam os participantes a relatarem: (a) as principais dificuldades enfrentadas durante o curso; (b) os aspectos positivos do formato adotado; e (c) sugestões para futuras iniciativas de desenvolvimento docente voltadas à EIP no Brasil. Também foi disponibilizado um espaço adicional para outras observações que os cursistas desejassem registrar.

Todos os participantes do CADDEIP (N = 293) foram convidados, no período, a preencher o formulário de avaliação on-line, hospedado na plataforma virtual do curso. Um total de 241 cursistas preencheram a avaliação do curso (taxa de resposta = 82,25%), resultando em uma amostra por conveniência.

Dois pesquisadores, de forma independente, realizaram uma leitura cuidadosa e repetida dos formulários, iniciando por uma leitura exploratória geral até chegarem à etapa de extração dos dados. Nessa fase, guiados pelas perguntas do próprio formulário de avaliação, identificaram os principais tópicos abordados nas respostas e registraram a frequência com que cada um deles apareceu. As informações extraídas foram organizadas em uma planilha do Microsoft Excel, a fim de facilitar a sistematização e a análise dos dados. Em seguida, os pesquisadores codificaram os dados, buscando elementos relevantes para a análise e a elaborando de uma matriz individual com os temas identificados, a qual foi discutida e analisada na etapa seguinte. 

As respostas das questões fechadas foram analisadas e sistematizadas quantitativamente, por meio de estatística descritiva e expressas em gráficos. Os discursos produzidos nas questões abertas foram analisados qualitativamente, a partir da Análise de Conteúdo14, e alguns trechos foram selecionados para compor os resultados, alinhados com o objetivo do trabalho. 

Os consensos e dissensos foram discutidos pelos pesquisadores, e os dados foram organizados em categorias a partir dos tópicos da estrutura de codificação (formulários de avaliação). Os registros das questões abertas foram apresentados sem correções gramaticais e, para assegurar o anonimato, foram codificados com letra “C” de cursista, seguido de números entre 300 e 541, aleatoriamente adicionados.

A pesquisa foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), sob o Parecer nº 4.498.726/2021, e respeitou todos os princípios éticos estabelecidos para pesquisas envolvendo seres humanos.

Resultados

A análise dos dados permitiu a sua organização em duas categorias temáticas, construídas com base nos principais tópicos abordados no formulário de avaliação preenchido pelos cursistas: (1) aspectos metodológicos e organizacionais do curso; e (2) dificuldades, facilidades e sugestões. Em cada categoria, buscou-se mensurar e evidenciar os aspectos avaliados pelos cursistas, refletindo sobre as fortalezas e as dificuldades vivenciadas no processo de realização do curso.

Aspectos metodológicos e organizacionais do curso

De modo geral, quase todos os respondentes da avaliação (99%) relataram que os conteúdos ofertados possibilitaram a qualificação de suas práticas docentes, demonstrando a contribuição do curso de desenvolvimento docente para facilitar a EIP nos cursos de graduação da área da saúde.

Quanto à utilidade dos materiais de leitura, vídeos, estudos de caso e arquivos em PowerPoint disponibilizados na plataforma virtual de aprendizagem, praticamente todos os participantes (90,2%) concordaram que os recursos sugeridos foram capazes de subsidiar a compreensão dos conteúdos abordados e relacionados à interprofissionalidade na educação e no trabalho em saúde, contribuindo para a facilitação da aprendizagem. Com relação às atividades relacionadas a tarefas, questionários, fóruns e propostas de intervenção utilizadas, 90% dos cursistas as perceberam como interessantes e úteis para mediar a aprendizagem ativa dos participantes.

No que se refere às aulas virtuais e os recursos utilizados, a maioria dos participantes (84,7%) afirmou que os recursos desenvolvidos no ambiente virtual foram acessíveis e bem estruturados para facilitar o processo de aprendizagem. Quanto à possibilidade de interação com outros participantes do curso, mediada pelo AVA, a avaliação permitiu afirmar que houve interação, viabilizada por meio de trocas de conhecimentos e experiências com outros participantes, de acordo com 85,1% dos cursistas.

Os cursistas utilizaram diversas plataformas para interagir entre si, sendo o fórum de discussão o mais utilizado, seguido pelas redes sociais. A dificuldade de interação presencial foi potencializada pelo contexto de distanciamento social decorrente da pandemia da COVID-19.

Dificuldades, facilidades e sugestões

O curso foi ofertado durante a pandemia da COVID-19, com o desafio de assegurar a aprendizagem interprofissional compartilhada e em rede, mesmo diante das restrições às atividades presenciais, o que, por si só, já se configurava um desafio. Ao se considerar essa realidade, os cursistas foram indagados sobre as maiores dificuldades para o cumprimento das atividades do curso. Muitos participantes estavam envolvidos na linha de frente do enfrentamento à pandemia e, por isso um total de 73,44% (n=177) relatou como dificuldade o tempo limitado para a realização das atividades, 7,47% (n=18) apontaram dificuldades com as funcionalidades da plataforma virtual de aprendizagem e, 5,81% (n=14) relataram dificuldades no acesso à Internet.

Ademais, no formulário também foi disponibilizado um espaço para a descrição de outras dificuldades: o alinhamento dos horários com as atividades dos demais participantes dos projetos PET-Saúde/Interprofissionalidade; o aprofundamento das leituras e discussões, prejudicado em decorrência da pandemia; e a complexidade de algumas atividades que exigiam maior autonomia dos participantes para o aprofundamento. Os trechos abaixo revelam esses aspectos:

Não poderia deixar de mencionar a pandemia como algo que dificultou o processo de multiplicação do aprendizado, dificultou a interação dentro do meu projeto. Fizemos todas as tarefas de forma coletiva, porém, penso que, no presencial, seria mais proveitoso. (C335)

As tarefas, exigiam conhecimento de tecnologias da comunicação e informação, o que dificultou a execução de algumas tarefas. A complexidade das tarefas também dificultou. A questão de fazer as atividades em conjunto, neste momento de pandemia, também foi um fator complicador. (C301)

 

Em relação às vantagens do formato do curso, o formulário possibilitou a escolha de mais de uma opção. Um percentual de 86,72% (n=209) dos respondentes assinalaram a autonomia e a liberdade nos horários, característica importante das ofertas educacionais on-line, 73,03% (n=176) escolheram o acesso a diversas fontes de informações, o que pode ser atribuído à variedade de textos e materiais disponíveis na biblioteca do curso; e 29,46% (n=71) destacaram o intercâmbio com colegas de outras regiões do país como uma das vantagens do curso. Outros aspectos foram mencionados para além das opções sugeridas, tais como: a reflexão crítica sobre a própria prática docente; a reflexão sobre as atividades desenvolvidas pelos projetos PET-Saúde Interprofissionalidade; os ajustes no cronograma do curso e nas atividades em razão das dificuldades impostas pela pandemia; a qualificação e a disponibilidade dos tutores diante das dúvidas e necessidades de aprendizagem dos cursistas; bem como o conhecimento e a discussão sobre as novas metodologias ativas aplicáveis ao ambiente virtual.

O curso proporcionou conhecimento, reflexão e me deu bases sólidas para continuar na multiplicação desses ensinamentos. Verdadeiramente, me sinto capacitada para desenvolver a formação em educação interprofissional. Trabalhar com as competências colaborativas na formação em saúde me fortaleceu para elaborar estratégias no contexto da reorientação da formação e do trabalho em saúde. (C303)

Faremos uso dos recursos e conhecimentos construídos. Já, estamos elaborando ideias para um projeto institucional de continuidade do PET Saúde Interprofissionalidade. (C340)

 

Por fim, os participantes do curso foram encorajados a apresentar as sugestões para futuras propostas de desenvolvimento docente com foco na EIP. Importantes aspectos foram mencionados, tais como: a disponibilização de vídeos com aulas síncronas, e não apenas de material para leitura, visando à ampliação da compreensão dos conteúdos; a realização de encontros ao final de cada unidade de aprendizagem voltados à síntese e à reflexão sobre os conceitos e as discussões relacionadas à relação à prática docente; a realização de oficinas, cursos e grupos de estudos com temas relacionados às metodologias de pesquisas científicas com que se refere à avaliação da EIP;  a ampliação dos encontros síncronos para intensificar a interação e a compreensão dos temas abordados; a certificação de outros participantes do PET-Saúde Interprofissionalidade que participaram da elaboração das atividades; e a ampliação das ferramentas de interação do AVA.

Acredito que a existência de mais alguns encontros síncronos poderiam facilitar ainda mais o desenvolvimento das atividades e o aprendizado de uma maneira geral, pois, às vezes, o material das aulas deixava algumas dúvidas que poderiam ser prontamente esclarecidas num debate, por exemplo. (C386)

Sugiro que, nas próximas edições, sejam feitas aulas gravadas abordando os temas dos slides, ou uma apostila de apoio além dos slides, pois, algumas vezes, foi difícil localizar corretamente a referência citada. (C491)

Este curso foi importante para ampliar e aprofundar conhecimentos sobre a EIP, por isso, considero importante manter sua oferta, dando oportunidade para outros profissionais ingressarem no curso. Isso, certamente, ajudará a aumentar a rede de defensores e implementadores da EIP nos cursos de formação em saúde. (C539)

Discussão

A experiência formativa analisada evidencia que cursos de desenvolvimento docente on-line, estruturados com metodologias participativas e apoiados por tutores comprometidos com a temática, têm potencial para fortalecer a educação interprofissional em saúde, ao promover a reflexão crítica sobre o trabalho em saúde e sobre a prática pedagógica.15 Esse achado dialoga com estudos que apontaram que ações formativas bem construídas podem gerar efeitos que se estendem para além da qualificação individual, alcançando a transformação das práticas educativas em distintos contextos institucionais.16-17

Essas mudanças tornam-se ainda mais relevantes quando se considera que a sustentabilidade das transformações nos níveis macro (políticas e financiamento), meso (currículos, metodologias e apoio institucional) e micro (relações interprofissionais e dinâmicas de poder) depende da existência de um corpo docente preparado para mediar tais processos com competência técnica, sensibilidade e capacidade crítica. Na ausência desse preparo, iniciativas de EIP tendem a se restringir a ações fragmentadas ou simbólicas, com baixo potencial para produzir impactos duradouros na formação e na organização do trabalho em saúde.7,11

Outro ponto relevante diz respeito à valorização da diversidade metodológica e avaliativa. Estratégias variadas de ensino-aprendizagem ampliam as oportunidades de engajamento e favorecem a integração de diferentes estilos de aprendizagem.18 No caso do CADDEIP, a interação entre os profissionais de distintas áreas, universidades e serviços de saúde reforça a potência das formações interprofissionais na criação de ambientes colaborativos que simulam as dinâmicas reais do trabalho em saúde. Essa característica responde a uma demanda recorrente na literatura por iniciativas que promovam práticas educativas contextualizadas e interprofissionais.18-19

O caráter replicável do curso sugere que experiências semelhantes podem ser incorporadas em diferentes cenários de ensino e trabalho em saúde, ampliando a sustentabilidade das práticas interprofissionais. Nesse sentido, iniciativas como o CADDEIP se alinham a agendas internacionais que defendem a educação interprofissional como eixo estratégico para a qualificação do cuidado e para a integração dos sistemas de saúde.20

Embora programas de desenvolvimento docente sejam fundamentais para experiências de EIP bem-sucedidas, os formatos adotados são diversos, e ainda não há evidências suficientes que indiquem qual seria o modelo mais eficaz.20-22 No entanto, independentemente do formato, duração e cenário, essas iniciativas devem fornecer subsídios teórico-conceituais e metodológicos que possam potencializar experiências de aprendizagem interprofissional como premissa para o desenvolvimento de competências colaborativas. A abordagem de temáticas centrais do processo de ensino-aprendizagem como teorias educacionais, metodologias de ensino, avaliação da aprendizagem e as devidas adaptações para a aprendizagem interprofissional, compartilhada e colaborativa constitui um dos desafios da EIP e pode ser discutida nas iniciativas de desenvolvimento docente para a EIP.21

Apesar da divulgação de experiências de desenvolvimento docente para EIP em periódicos internacionais, a literatura chama a atenção para a necessidade de evidências mais consistentes que possam orientar essas iniciativas ao redor do mundo, bem como evidenciar seus efeitos. Essa fragilidade evidencia a necessidade de se estabelecer uma intencionalidade formativa explicitamente ancorada em referenciais teórico-conceituais sólidos, como os que fundamentam a interprofissionalidade, a aprendizagem significativa e a integração ensino-serviço-comunidade. A ausência desse alinhamento compromete não apenas a coerência interna dos programas de formação docente em EIP, mas também a possibilidade de gerar transformações duradouras na cultura institucional e nos modos de atuação profissional.22-23

Programas analisados no Chile e no Reino Unido demonstraram efetividade ao se apoiarem em quatro pilares: diversidade profissional, igualitarismo, aprendizagem combinada/on-line e estratégias de aprendizagem ativa.15 Os resultados indicaram impactos positivos, independentemente do contexto geográfico. As principais lições aprendidas - ensino inclusivo entre profissões, clima de aprendizagem adaptável e estímulo ao trabalho colaborativo entre pares - reforçam que formar educadores em ambientes interprofissionais é essencial para romper com os silos profissionais e consolidar práticas de ensino alinhadas às demandas do cuidado em equipe. Essas experiências, assim como o CADDEIP, demonstraram que programas de desenvolvimento docente voltados à EIP devem ser desenhados para refletir os princípios da colaboração interprofissional em saúde.

Na proposta desenvolvida no Brasil, algumas inovações merecem ser destacadas: um curso com duração de nove meses, ofertado na modalidade on-line, mediado por tutoria e implementado em meio à pandemia da COVID-19. Esses desafios impuseram a necessidade permanente de reflexão sobre todo o processo formativo. O foco principal do curso foi estimular a interação como princípio da aprendizagem, formando líderes capazes de multiplicar a discussão para um número maior de pessoas. Nesse sentido, as unidades de aprendizagem eram abertas semanalmente, não permitindo que os cursistas começassem a aula seguinte em tempos distintos dos colegas. Essa escolha foi justificada pela necessidade de criar uma cultura de colaboração, evitando que os participantes tentassem avançar no curso sob uma perspectiva individual.

A oportunidade de troca de experiências e conhecimentos em torno da temática da interprofissionalidade, potencializada pelo CADDEIP, é um aspecto também evidenciado por um estudo24 que avaliou um programa de desenvolvimento para EIP com duração de um ano, envolvendo participantes de diferentes instituições e mesclando encontros presenciais e virtuais. Os achados, assim como os encontrados no CADDEIP, indicaram que participantes descreveram impactos positivos da oferta educacional na ampliação de uma rede em torno da EIP, possibilitando trocas e construindo capacidade institucional a partir do desenvolvimento de novos relacionamentos e colaborações dentro e fora de suas instituições de origem.

Os fóruns de discussão, utilizados em diferentes momentos do curso, favoreceram a interação e a troca de conhecimentos e experiências entre os participantes, bem como a criação de ambientes virtuais de aprendizagem seguros, que se mostraram uma estratégia eficaz para o compartilhamento de boas práticas, desafios e barreiras enfrentadas nas iniciativas de EIP, contribuindo para o engajamento e a aprendizagem coletiva. Ademais, ao longo do CADDEIP, os tutores acompanharam os cursistas de forma contínua, oferecendo feedbacks apreciativos e formativos que valorizavam os avanços e estimulavam a aprendizagem interativa. Nesse sentido, o desempenho ativo da tutoria em cursos de desenvolvimento docente para EIP é decisivo, pois o feedback qualificado favorece a reflexão crítica, fortalece a compreensão dos marcos teórico-metodológicos da EIP e contribui para a sustentabilidade das ações, incluindo a constituição de redes de apoio para a implementação de planos de EIP.6,20

A incorporação de estratégias metodológicas com potencial para promover momentos de reflexão é fundamental em programas de desenvolvimento docente voltados à EIP, dada a necessidade de que os participantes revisitem criticamente tanto os papéis profissionais, próprios e de outras categorias, quanto sua atuação como docentes e/ou preceptores.24 No CADDEIP, a criação de espaços de reflexão entre pares destacou-se enquanto potencialidade. A autorreflexão crítica sobre a prática docente e a análise das atividades interprofissionais desenvolvidas nos projetos PET-Saúde Interprofissionalidade constituíram elementos centrais do processo formativo, favorecendo que os participantes se percebessem mais preparados para desenvolver novas iniciativas de EIP e para redirecionar, quando necessário, os caminhos percorridos nos projetos PET-Saúde Interprofissionalidade.20

A participação dos preceptores no curso também foi um aspecto de destaque, tendo em vista o protagonismo que eles assumem na formação de trabalhadores e trabalhadoras para o SUS e no movimento de mudanças no trabalho em saúde induzidos pelo PET-Saúde. Qualificá-los nos fundamentos teóricos e metodológicos da EIP representa um avanço no sentido de aproximar a formação do trabalho em saúde, apresentando potencial para refletir sobre as possibilidades de implementação de atividades práticas e estágios curriculares interprofissionais, bem como para induzir mudanças no processo de trabalho na atenção primária à saúde que favoreçam o trabalho interprofissional colaborativo e a atenção centrada nos usuários.24-25

Apesar do potencial transformador das ações formativas, preceptores ainda enfrentam obstáculos que restringem seu desenvolvimento profissional e pedagógico. A limitação de tempo, por exemplo, dificulta a participação regular em atividades de capacitação. Nesse contexto, torna-se fundamental reconhecer e compreender a tensão entre a necessidade de inovação pedagógica e as restrições práticas do cotidiano profissional. Para que o desenvolvimento docente seja efetivo, é necessário que políticas e programas formativos sejam concebidos com sensibilidade às condições dos educadores, promovendo ambientes de aprendizagem mais inclusivos, sustentáveis e alinhados às demandas atuais da educação na saúde.26   

No contexto do CADDEIP, dificuldades foram enfrentadas e estavam ligadas aos diferentes contextos dos participantes, ao envolvimento de alguns na linha de frente da COVID-19, o que sobrecarregou suas rotinas diárias e limitou o tempo disponível, à incompatibilidade de horários para as atividades coletivas e as dificuldades no acesso e no uso das tecnologias de informação e comunicação. Tais dificuldades exigiram frequentes mudanças no cronograma do curso. Essa estratégia foi fundamental para estimular a aprendizagem interprofissional e colaborativa e a formação de líderes nesta temática, com competências para avançar em estratégias semelhantes nas instituições de ensino em que estão inseridos. Esses achados corroboram com um estudo que descreveu lições aprendidas na vivência de uma experiência de desenvolvimento docente para EIP, no qual os conflitos de horários entre os participantes e a dificuldade para concluir as atividades no tempo estipulado, também demandaram a concessão de tempo adicional ou mudanças de planos, podendo tais ajustes serem benéficos para os participantes.27

Em relação à limitação do estudo, tem-se o formulário como única fonte de dados. A realização de entrevistas ou de grupos focais poderia aportar mais elementos para dimensionar os aspectos explorados neste estudo. Outra limitação refere-se ao fato de não terem sido planejadas nem utilizadas estratégias de avaliação capazes de mensurar o impacto do CADDEIP sobre os conhecimentos, as habilidades e as atitudes dos participantes, bem como sobre possíveis mudanças na prática organizacional dos programas de EIP das instituições em que os participantes estavam inseridos. Além disso, o fato de os participantes já estarem engajados no PET-Saúde pode tê-los levado a se mostrarem mais inclinados a avaliar positivamente as ações do CADDEIP. Ademais, sugere-se que estudos de avaliação dos impactos dessas iniciativas educacionais no desenvolvimento docente sejam realizados de forma longitudinal.

Conclusão

O formato on-line do curso, aliado à mediação qualificada de tutores, revelou-se uma estratégia com potencial para favorecer o desenvolvimento docente em um contexto fortemente marcado pelo isolamento social decorrente da pandemia da COVID-19. Essa abordagem não apenas respondeu às exigências do momento emergencial, como também constituiu uma experiência potente e replicável para futuras situações de crise sanitária que exijam distanciamento físico. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, o modelo remoto mostrou-se ainda mais relevante ao possibilitar a participação equitativa de docentes e trabalhadores das cinco regiões do país, superando não apenas as barreiras geográficas, mas também os desafios logísticos relacionados à incompatibilidade de agendas e de cronogramas institucionais.

A disponibilidade de financiamento foi um fator determinante para a viabilidade operacional necessária à implementação do curso, permitindo, entre outros aspectos, a contratação de tutores responsáveis pela mediação das atividades virtuais em pequenos grupos de aprendizagem e a hospedagem da plataforma no Campus Virtual de Saúde Pública (CVSP) da OPAS/OMS. A qualificação desses tutores, com expertise consolidada em EIP e experiência prévia na facilitação de grupos, aliada à definição clara de objetivos, resultados de aprendizagem e ao uso de metodologias centradas na interação e no protagonismo dos participantes, configurou-se como um elemento central para o êxito da iniciativa.

As limitações do curso estiveram vinculadas aos desafios impostos pela pandemia, que exigiram sucessivos ajustes no cronograma e a ampliação dos prazos para a realização das atividades. Nesse cenário, os cursos autoinstrucionais apresentaram-se como alternativas complementares promissoras, especialmente quando articulados a momentos de discussão presencial ou síncrona. Diante da impossibilidade de encontros presenciais, a tutoria emergiu como a principal estratégia para fomentar a interação entre os participantes, contribuindo para a construção coletiva do conhecimento e para a manutenção do engajamento ao longo do processo formativo.

No que se refere a uma agenda de pesquisa futura relacionada ao desenvolvimento docente no país, sugere-se que sejam utilizadas estratégias de avaliação da aprendizagem e da aplicabilidade dos conteúdos trabalhados nos cursos, bem como que sejam realizados estudos que avaliem as mudanças de comportamento e nos processos de trabalho decorrentes da participação nas atividades de desenvolvimento docente. A inclusão, nessa agenda de pesquisa, dos aspectos institucionais envolvidos nas mudanças e dos resultados alcançados na prática docente também se faz necessário. O acompanhamento longitudinal permitirá avaliar o impacto real dessas ações nas mudanças das práticas docentes para o avanço da educação interprofissional.  

Além disso, sugere-se que novos estudos possam ser conduzidos com o objetivo de mapear as iniciativas de EIP que foram desencadeadas ou fortalecidas nas instituições de Ensino Superior a partir da oferta do CADDEIP. Também se recomenda a investigação da presença da interprofissionalidade como eixo estruturante dos programas de desenvolvimento docente atualmente em vigor no país, de modo a compreender seu grau de institucionalização e o potencial de sustentabilidade no âmbito da formação em saúde.

Por fim, reafirma-se neste estudo que o conhecimento sobre a percepção dos participantes pode não apenas fornecer subsídios para o aprimoramento contínuo de ações formativas voltadas ao desenvolvimento docente, mas também induzir a formulação de diretrizes para futuras iniciativas. Ao compreender, a partir do olhar dos participantes, os elementos pedagógicos, institucionais e relacionais que potencializam ou limitam a formação para o trabalho interprofissional, este estudo contribui para o fortalecimento da interprofissionalidade como eixo estruturante para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), em consonância com os princípios da integralidade, da equidade e da democratização dos saberes.

Contribuições dos autores

Concepção do estudo: Andrezza Karine Araújo de Medeiros Pereira, Claudia Fell Amado, Cristiane Spadacio, Andrea Ribeiro da Costa, Marcelo Viana da Costa. Coleta de dados: Andrezza Karine Araújo de Medeiros Pereira. Análise e interpretação dos dados: Andrezza Karine Araújo de Medeiros Pereira, Claudia Fell Amado, Cristiane Spadacio, Andrea Ribeiro da Costa, Marcelo Viana da Costa. Redação do manuscrito: Andrezza Karine Araújo de Medeiros Pereira, Claudia Fell Amado, Cristiane Spadacio, Andrea Ribeiro da Costa, Marcelo Viana da Costa. Revisão crítica do manuscrito: Andrezza Karine Araújo de Medeiros Pereira, Claudia Fell Amado, Cristiane Spadacio, Andrea Ribeiro da Costa, Marcelo Viana da Costa. Aprovação da versão final do texto: Andrezza Karine Araújo de Medeiros Pereira, Claudia Fell Amado, Cristiane Spadacio, Andrea Ribeiro da Costa, Marcelo Viana da Costa.

Conflito de interesse

Os autores declararam que não há conflito de interesse. 

Financiamento

Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e Organização Mundial de Saúde (OMS) / Américas por meio da Carta-Acordo SCON2018-00510. 

Agradecimentos

OPAS/OMS Américas, que financiou a realização do curso de desenvolvimento docente para EIP e a construção de evidências científicas sobre as implicações dos projetos aprovados no Edital do PET-Saúde/Interprofissionalidade no desenvolvimento de competências colaborativas e na indução de mudanças na formação e no trabalho em saúde. Ministério da Saúde do Brasil pelo apoio à realização do curso e pela autorização de acesso aos formulários de avaliação dos cursistas.

Referências

1. Costa MV, Silva JAM, Regis CG, Peduzzi M. Educação Interprofissional no Brasil: desafios e agenda para o futuro. In: Dias MSA, Vasconcelos MIO, organizadores. Interprofissionalidade e colaboratividade na formação e no cuidado no campo da atenção primária à saúde. Sobral: Edições UVA; 2021. p. 35–58.

2. Pan American Health Organization. Interprofessional health teams for integrated care. Washington (DC): Pan American Health Organization; 2025. Available from: https://iris.paho.org/handle/10665.2/66952

3. Christianson TM, Bainbridge L, Halupa C. A pilot study on interprofessional education: how prepared are faculty to teach? Prof Dev Educ. 2018 [cited 2024 Mar 19];45(4):659-69. DOI: https://doi.org/10.1080/19415257.2018.1474490

4. McCabe C, Patel KD, Fletcher S, Winters N, Sheaf G, Varley J, et al. Online interprofessional education related to chronic illness for health professionals: a scoping review. J Interprof Care. 2021 [cited 2024 Sept 10];35(3):444-453. Available from: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32323605/

5. Steinert Y. Learning together to teach together: Interprofessional education and faculty development.  J Interprof Care. 2005 [cited 2024 Sept 10];19(Suppl 1)1:60-75.  DOI: https://doi.org/10.1080/13561820500081778

6. Wong PS, Chen YS, Saw PS. Influencing factors and processes of interprofessional professional education (IPE) implementation. Med Teach. 2021 [cited 2024 Sept 10] Jul;43(sup1):S39-S45. DOI: https://doi.org/10.1080/0142159X.2019.1672864

7. Pereira AK, Lucena EE, Silva JA, Vilar MJ, Costa MV. Bases teórico-conceituais e metodológicas para adoção da educação interprofissional: uma análise a partir do PET-Saúde Interprofissionalidade. Med (Ribeirao Preto). 2025 [cited 2025 Dec 10];57(2). DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.rmrp.2024.225683

8. Steinert Y, Mann K, Anderson B, Barnett BM, Centeno A, Naismith L, et al. A systematic review of faculty development initiatives designed to enhance teaching effectiveness: A 10-year update: BEME Guide No. 40. Med Teach. 2016 [cited 2024 Dec 10];38(8):769-86. DOI: https://doi.org/10.1080/0142159X.2016.1181851

9. Schlicker A, Nitsche J, Ehlers J. Special challenge interprofessional education – how should lecturers be trained? Front Educ. 2023 [cited 2024 Feb 03];8. DOI: https://doi.org/10.3389/feduc.2023.1260820

10. Conselho Nacional de Saúde (BR). Resolução nº 569, de 8 de dezembro de 2017. Aprova o Parecer Técnico nº 300/2017. Diário Oficial da União [Internet]. 2018 [cited 2023 Apr 10]. Available from: https://www.conass.org.br/wp-content/uploads/2018/02/anexo_CI_46_18.pdf

11. Freire Filho JR, Fernandes MN, Gilbert JH. The development of interprofessional education and collaborative practice in Latin America and the Caribbean: preliminary observations.  J Interprof Care. 2023 Jan-Feb [cited 2024 Apr 10];37(1):168-172. DOI: 10.1080/13561820.2022.2041572

12. Ministério da Saúde (BR). Edital nº 10, de 23 de julho de 2018: seleção para o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde PET-Saúde/Interprofissionalidade 2018/2019. Diário Oficial da União, Brasília (DF) [Internet]. 2018 [cited 2023 Apr 10]. Available from: https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/38934359/do3-2018-08-30-edital-n-10-de-23-de-julho-2018-selecao-para-o-programa-de-educacao-pelo-trabalho-para-a-saude-pet-saude-interprofissionalidade-2018-2019-38934180

13. Lobo Coelho A, De Araujo Morais I, Vieira da Silva Rosa W. A utilização de tecnologias da informação em saúde para o enfrentamento da pandemia do Covid-19 no Brasil. Cad. Ibero Am. Direito Sanit. 2020 [cited 2024 Apr 23];9(3):183-99. DOI: https://doi.org/10.17566/ciads.v9i3.709

14. Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2009.

15. Orsini C, Rodrigues V, Tricio J. Implementation and lessons learned from 2 online interprofessional faculty development programs for improving educational practice in the health professions in Chile and the United Kingdom from 2018 to 2021.  J Educ Eval Health Prof. 2021[cited 2024 Apr 23];18:21. DOI: https://doi.org/10.3352/jeehp.2021.18.21

16. van Diggele C, Roberts C, Burgess A, Mellis C. Interprofessional education: tips for design and implementation. BMC Med Educ. 2020 [cited 2024 Apr 23];20(S2). DOI: https://doi.org/10.1186/s12909-020-02286-z

17. Evans S, Perry E. An exploration of perceptions of online asynchronous and synchronous interprofessional education facilitation strategies. J Interprof Care. 2023 Nov [cited 2024 Apr 23] 2;37(6):1010-1017. DOI: https://doi.org/10.1080/13561820.2023.2213718

18. Gonçalves AC, Ferreira ED, Cotta RM. PET-Saúde: contribuições para implementação da EIP e o desenvolvimento de competências colaborativas. Rev Bras Educ Medica. 2023 [cited 2024 Mar 19];47(4):e116. DOI: https://doi.org/10.1590/1981-5271v47.4-2023-0031

19. Liao TH, Rindfleisch JA, Howard KP, Castellani M, Noyes SG. Advancing a new model of collaborative practice: a decade of Whole Health interprofessional education across Veterans Health Administration. BMC Med Educ. 2024 [cited 2025 Mar 12];24(1). DOI:https://doi.org/10.1186/s12909-024-05945-7

20. Watkins KD. Faculty development to support interprofessional education in healthcare professions: A realist synthesis.  J Interprof Care. 2016 Nov [cited 2024 Mar 19];30(6):695-701. DOI: https://doi.org/10.1080/13561820.2016.1209466

21. Silva GTR, Silva EAL, Silva RMO, Batista SHS. Training of teachers in the Health field from the perspective of interprofessional education. Rev Bras Enferm. 2022 [cited 2024 Mar 19];75(4):e20201369. DOI: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2020-1369

22. Newman M, Reeves S, Fletcher S. Critical Analysis of Evidence About the Impacts of Faculty Development in Systematic Reviews. J Contin Educ Prof. 2018 [cited 2025 Mar 12];38(2):137-44. DOI: https://doi.org/10.1097/ceh.0000000000000200

23. Ogata MN, Silva JA, Peduzzi M, Costa MV, Fortuna CM, Feliciano AB. Interfaces entre a educação permanente e a educação interprofissional em saúde. Rev Esc Enferm USP. 2021 [cited 2024 Mar 19];55. DOI: https://doi.org/10.1590/s1980-220x2020018903733

24. Abu-Rish Blakeney E, Owen JA, Ottis E, Brashers V, Summerside N, Haizlip J, et al. Measuring the impact of the national Train-the-Trainer Interprofessional Team Development Program (T3-ITDP) on the implementation of interprofessional education and interprofessional collaborative practice. J Interprof Educ Amp Pract. 2021 [cited 2024 Apr 23];24:100442. DOI: https://doi.org/10.1016/j.xjep.2021.100442

25. Pinho RCX, Costa JAB da. Formação docente para educação interprofissional em saúde (EIP) da teoria a prática no âmbito SUS. Saúde e meio ambient.: rev. interdisciplin. 2020 [cited 2024 Apr 23]; 9(Supl.1):61-2. DOI: https://doi.org/10.24302/sma.v9isupl.1.3419

26. Iqbal S, Ali A. Education and professional development: opportunities and challenges for in-service teachers: a review. Gomal Univ J Res. 2024 [cited 2025 Jan 20];40:117–33. DOI: https://doi.org/10.51380/gujr-40-01-10

27. Shrader S, Mauldin M, Hammad S, Mitcham M, Blue A. Developing a comprehensive faculty development program to promote interprofessional education, practice and research at a free-standing academic health science center. J Interprof Care. 2015 Mar [cited 2024 Apr 23];29(2):165-7. DOI: https://doi.org/10.3109/13561820.2014.940417

Autor Correspondente

Andrezza Karine Araújo de Medeiros Pereira

E-mail: andrezza_kam@hotmail.com

Direitos autorais dos autores, 2026. Esta obra está licenciada sob Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional. Texto da licença: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt_BR