Idioma
Educação e estratégias em saúde sobre a prevenção contra o HIV junto aos adolescentes nas escolas
JL Breviglieri, JA Majczak, GCF Leal, Rafaela Pereira R, BrandãoML.
INTRODUÇÃO
Segundo o Ministério da Saúde, o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) é um retrovírus classificado na subfamília dos Lentiviridae, sendo uma infecção sexualmente transmissível que ocorre principalmente pela relação sexual desprotegida.1 Já a Acquired Immunodeficiency Syndrome (AIDS), que em português quer dizer Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, é uma doença causada pela infecção do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) que ataca o sistema imunológico responsável por defender o nosso organismo de novas doenças. Esse vírus ataca os linfócitos T CD4+, tornando-se capaz de alterar o DNA dessa célula e fazer cópias de si mesmo, multiplicando-se várias vezes consecutivas. Com essa alta demanda, o vírus rompe os linfócitos e busca novos para continuar a infecção.1
Ao analisar a vulnerabilidade geral da população, percebemos que a transmissão sexual está entre as mais conhecidas formas de contágio entre os adultos de 1980 até os dias atuais, segundo o sistema de informações de agravos de notificações SINAN.2,3
As estatísticas globais da UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS) apontam que havia 37,7 milhões de pessoas em todo o mundo vivendo com HIV em dados de 2020, sendo 36 milhões adultos e 1,7 milhões crianças (0-14 anos). Ainda naquele ano, 680 mil pessoas foram a óbito com doenças relacionadas à Acquired Immunodeficiency Syndrome (AIDS), e cerca de 79,3 milhões de pessoas foram infectadas pelo vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) desde o início da epidemia.4
Além das estatísticas mostradas acima, dados do Ministério da Saúde apontam que no Brasil, entre os jovens de 15 a 24 anos, as notificações da Acquired Immunodeficiency Syndrome (AIDS) subiram cerca de 41% no sexo masculino e 30,2% no sexo feminino nos últimos 11 anos. Todavia, nos últimos anos, as infecções pelo vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) crescem mais entre os jovens do que nos adultos, reforçando assim a necessidade de os profissionais de saúde, em relevância a enfermagem, estarem capacitados a expandir seus conhecimentos e gerar informações úteis a seus pacientes.5
A adolescência é definida como um período crítico em que os jovens estão em constante busca pela própria identidade, um período de transição entre a infância e a vida adulta.6,7 Todos esses aspectos acabam influenciando na maior vulnerabilidade em se ter uma gravidez precoce, no uso de drogas lícitas ou ilícitas, e nas Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como o vírus da Imunodeficiência Humana (HIV).7
Os jovens acabam se tornando então a população que mais preocupa os profissionais de saúde por serem uma população difícil de se promover educação voltada ao tema sexualidade e por acharem que são invulneráveis. Nesse contexto, é muito importante que os enfermeiros que trabalham nos programas da Estratégia da Saúde da Família (ESF) e no Programa Saúde na Escola (PSE) reconheçam suas funções para fortalecer as ações e orientações educativas sobre prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) junto aos adolescentes.6
A educação na escola é um determinante na promoção e proteção da saúde das crianças e adolescentes, fazendo-se necessário trabalhar essas intervenções no período escolar devido ao crescimento físico e psicológico dos jovens. A educação em saúde é um processo que trabalha o pensar do indivíduo em sua forma individual, ou seja, em seu próprio processo de saúde-doença, ou de forma coletiva.8
Além disso, há falta de profissionais educadores da saúde do adolescente. Conforme o Decreto-Lei nº 12.852 de 5 de agosto de 2013, são consideradas jovens as pessoas com idade entre 15 (quinze) e 29 (vinte e nove) anos,9 que poderiam ser educados dentro das escolas com o auxílio de uma equipe de multiprofissionais para tirar as dúvidas e passar orientações adequadas a eles e seus responsáveis, promovendo assim um atendimento eficiente e de acesso seguro.
O tema escolhido justifica-se pela observação de que os profissionais de saúde, em específico os enfermeiros, não têm boas estratégias para orientar os adolescentes sobre os cuidados na educação e saúde sexual para a prevenção do HIV/AIDS que tanto cresce entre eles. Além de serem um público considerado de difícil acesso nas unidades de saúde, os adolescentes sofrem com tabus, preconceitos, dificuldades na sociedade e no meio familiar, além de enfrentarem dificuldades individuais de caráter psicológico, mental e sexual, marcadas pela própria adolescência.10
Somam-se a esses fatores os números de gravidez precoce indesejada e das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) como o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), que só aumentam entre os jovens adolescentes. Faz-se necessário, assim, que os profissionais deem mais atenção a esse público, estabelecendo melhores estratégias de educação em saúde, orientando e fazendo-os entender os processos marcados pela adolescência para que se tornem adultos saudáveis e bem instruídos sobre a segurança na vida sexual atual e futura.11
OBJETIVO
Analisar as estratégias para a prevenção de HIV/AIDS que a enfermagem utiliza com os adolescentes na escola.
MÉTODO
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, buscando identificar uma compreensão mais abrangente de um determinado tema.12 Esse método de pesquisa tem por finalidade reunir e sintetizar resultados de pesquisas sobre um tema de maneira organizada e sistemática, contribuindo para o aprofundamento no tema investigado e apoiando futuras pesquisas. A revisão integrativa requer a formulação de um problema, a pesquisa de literatura, a avaliação crítica de um conjunto de dados, a análise de dados, e a apresentação de todos esses resultados.13,14
Para realizar as etapas da metodologia do texto, foram feitas as seguintes análises: identificação do problema (foi definido claramente o propósito da revisão); busca na literatura (com auxílio de palavras-chaves, bases de dados, e aplicação de critérios definidores para a seleção dos artigos); avalição e análise dos dados obtidos.
Na primeira etapa, construiu-se a questão norteadora por meio da estratégia PICOT,15 apresentando-se a população: adolescentes nas escolas; intervenção: atuação da enfermagem nas escolas para prevenção do HIV/AIDS; grupo de comparação: comparado à atuação da enfermagem sobre prevenção de HIV/AIDS com públicos adultos fora da escola; resultado (outcome): promover mais qualidade de vida, saúde e atenção para o público adolescente com relação aos cuidados com ISTs, especificadamente HIV/AIDS; tipo de estudo: estudo de revisão integrativa qualitativa da literatura.
A busca pelos estudos ocorreu no período de março a novembro do ano de 2022. Os critérios de inclusão dos artigos foram: artigos com texto completo relacionados à temática; em língua portuguesa; período de publicação nos últimos 5 anos; anexados nas bases de dados da Biblioteca Virtual da Saúde (BVS) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Os critérios de exclusão dos artigos foram: artigos duplicados; artigos não disponíveis eletronicamente; artigos de revisão integrativa da literatura; e artigos que não atendessem aos critérios de inclusão mencionados anteriormente.
Para realizar a busca nas bases de dados citadas, foram utilizadas combinações de palavras-chaves consideradas como descritores no DeCS (Descritores em Ciência de Saúde), a saber: enfermagem (nursing); adolescente (adolescent); HIV; infecções sexualmente transmissíveis (sexually transmitted diseases); ensino fundamental e médio (primary and secondary education); diversas combinações com o booleano AND.
Os estudos identificados foram agrupados e os duplicados, removidos. Realizou-se a leitura dos títulos e resumos para incluir ou não os estudos na revisão, aplicando-se os critérios de elegibilidade.
Após leitura do texto completo dos estudos selecionados, aplicaram-se os critérios de inclusão, processo realizado por dois revisores independentes. Os estudos de texto completo que não atenderam aos critérios de inclusão foram excluídos.
Os resultados do processo de identificação, seleção e inclusão foram descritos integralmente e apresentados em um diagrama de fluxo do PRISMA.16
RESULTADOS
Nessas buscas, com uma soma total incluindo todas as estratégias usadas, foram inicialmente identificados 1.095 artigos científicos na base de dados de BVS e 294 artigos científicos na CAPES (Quadro 1).
Quadro 1. Estratégias de busca para a seleção dos estudos. Curitiba, Paraná (PR), Brasil, 2024.


Dos 1.389 estudos, 96 duplicados foram removidos, resultando em 1.293. Após a leitura dos títulos e resumos, 1.205 foram excluídos por não atenderem aos critérios de elegibilidade, totalizando 88 estudos. Assim, dos 88 estudos lidos na íntegra, 74 foram excluídos por não atenderem aos critérios de inclusão.
Foram incluídas nesta revisão 14 publicações, sendo tipos de estudos em sua maioria descritivos com abordagem qualitativa, demonstrados de acordo com o fluxograma PRISMA16 representado na Figura 1.

Figura 1. Fluxograma de capacitação, seleção, e inclusão de estudos, elaborado a partir da recomendação do PRISMA. Curitiba, Paraná (PR), Brasil, 2024.
O mapeamento dos 14 estudos incluídos nesta revisão sobre as estratégias e o papel do enfermeiro na prevenção do HIV/AIDS junto aos adolescentes na escola apontou que 11 (78,37%) estudos eram da Biblioteca Virtual da Saúde (BVS) e 3 (21,42%) eram da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Dentre as revistas vinculadas, 1 (7,14%) era da revista de pesquisa “Cuidado é Fundamental Online”, 1 (7,14%) era do “Portal de Revistas Cientificas Online”, enquanto que as 12 (85,78%) restantes eram de revistas da área de saúde, sendo que 6 (50%) pertenciam à revista de enfermagem “UFPE on line/Reuol”, 1 (8,33%) era da “Online Brazilian Journal of Nursing (OBJN)”, 1 (8,33%) da revista “Escola Anna Nery”, 1 (8,33%) da “Revista de Enfermagem da UFRJ”, e 3 (25%) da “Revista Brasileira de Enfermagem Reben”.
Fazendo uma análise dos anos de cada artigo, vê-se que 4 (28,57%) são publicações do ano de 2020, 5 (35,72%) são do ano de 2017, 2 (14,28%) são do ano de 2019, 1 (7,14%) é do ano de 2018, 1 (7,14%) é do ano 2021, e 1 (7,14%) é do ano de 2022.
Com relação à região desses 14 estudos, 13 (92,86%) são nacionais, ou seja, das regiões brasileiras, e 1 (7,14%) é internacional. Dentre os 13 nacionais, 1 (7,69%) é do Pará, 1 (7,69%) do Maranhão, 4 (30,77%) do Ceará, 2 (15,38%) do Rio de Janeiro, 1 (7,69%) do Amazonas, 1 (7,69%) de Pernambuco (da cidade de Recife), enquanto 2 (15,38%) não tinham localização específica. Dos internacionais, o único artigo era de Portugal.
Entre o total de 71 autores presentes nos 14 artigos deste estudo, 64 (90,14%) eram enfermeiros, 1 (1,41%) era farmacêutico, e 6 (8,45%) estavam descritos como acadêmicos de enfermagem.
Dentre os tipos de estudo estabelecidos, 6 (22,22%) tinham métodos descritivos, 8 (29,62%) tinham métodos qualitativos, 2 (7,40%) usavam o método quantitativo, 1 (3,70%) era estudo observacional, 2 (7,40%) eram relatos de experiência, 3 (11,11%) eram de estilo pesquisa-ação, 3 (11,11%) eram estudos exploratórios, e 2 (7,40%) usavam o método de estudo transversal.
A partir da análise do conteúdo desses artigos, foram encontradas 4 categorias temáticas que podem responder à questão norteadora deste estudo, a saber: 1) realizar estratégias de cuidado de forma integral do adolescente que tem HIV/AIDS; 2) promover a educação continuada dos profissionais de saúde com foco no atendimento ao adolescente; 3) promover ações educativas de prevenção de ISTs e HIV dentro das escolas; 4) incluir como estratégia a educação sexual na formação dos professores nas escolas.
A primeira categoria (realizar estratégias de cuidado de forma integral do adolescente que tem HIV/AIDS) mostra que ao longo dos anos houve um aumento significativo no diagnóstico de HIV/AIDS, principalmente entre os adolescentes.4,5 Isso ajuda a entender a gravidade e a importância de se aplicar uma orientação mais qualificada com esse público, cuidando deles de forma integral por meio da estratégia de realizar buscas ativas dentro ou fora das escolas, trazendo ênfase no acolhimento contínuo dos jovens adolescentes já acometidos pelo HIV; para aqueles que já iniciaram a vida sexual ativa, ajudá-los a se prevenir de gravidezes indesejadas.17-19
Promover a educação continuada junto aos profissionais de saúde com foco no atendimento ao adolescente demonstra que uma estratégia de rotina com tais profissionais precisa ser realizada,6,19 já que é muito raro ver um adolescente entrando em uma unidade básica de saúde, e a falta de profissionais qualificados nessa área é volumosa. Por isso, é importante saber abordar esse adolescente para que ele se sinta seguro, permitindo ensiná-lo sobre um autocuidado eficiente mediante as ISTs, bem como sobre fatores emocionais, mentais e relacionados a seu ambiente social. Além disso, uma boa estratégia para abordar esse adolescente é ampliar a realização de campanhas governamentais sobre HIV/AIDS, trazendo ênfase à importância de o tema ser compartilhado nas escolas com auxílio da Internet, já que a maioria dos jovens estão conectados a ela.8,19-25
A próxima categoria - promover ações educativas de prevenção de ISTs e HIV dentro das escolas – é, segundo os autores, uma das mais complicadas a serem executadas, já que muitos deles mostram que, por conta de tabus familiares e religiosos, ao se tentar educar os adolescentes nessa temática, pode-se passar a impressão de que os profissionais de saúde estariam influenciando os jovens a iniciarem uma vida sexual precoce.8,18,26-27 Mesmo com as diversas divergências, seria muito eficiente ter como estratégia a inclusão de enfermeiros na atuação em seu ambiente cotidiano, na escola, capacitando-os e fazendo-os criar raciocínios críticos, educacionais e lógicos sobre o tema sexualidade, já que é nesse ambiente onde os primeiros contatos e vínculos com outras pessoas que também são consideradas vulneráveis surgem.8,17-18,28-29 Algumas abordagens da equipe de enfermagem do Programa Saúde na Escola (PSE) já existem; porém, as questões de orientações sexuais sempre são barradas pela direção da escola ou por ordens superiores, o que atrapalha na estratégia dos enfermeiros de promover ações educativas adequadas.23,30
Por fim, a última categoria fica descrita por incluir como estratégia a educação sexual na formação dos professores nas escolas. Esse tema é relevante já que os adolescentes nas escolas aprendem sobre contracepção e prevenção de ISTs, HIV/AIDS. Dessa forma, muitos jovens podem pedir ajuda a seus professores quando estão com problemas de saúde sexual, pois os veem como fonte de informação segura. Quando os professores não sabem como lidar com a situação ou não podem ajudar, acabam por atrapalhar o desenvolvimento do autocuidado daquele aluno, deixando-o mais vulnerável. Por essa razão, este estudo sugere uma boa estratégia de unificar a saúde e a escola, incluindo um profissional de saúde dentro do meio acadêmico para auxiliar o professor nas orientações corretas ao adolescente.18
DISCUSSÃO
Das 4 categorias identificados na análise temática da literatura selecionada, 3 relacionam-se diretamente com as falas de Costa et al.,26 segundo as quais os adolescentes são o público que mais preocupa os profissionais de saúde, confirmando ainda mais a importância de que os enfermeiros precisam aprimorar suas habilidades de abordagem a esses jovens e promover nas escolas uma educação mais relevante sobre a sexualidade.26 Considera-se também que o adolescente é um público escasso nas unidades de saúde e de difícil acesso, tornando-os mais vulneráveis em relação às outras comunidades.31
Sabemos que a enfermagem é uma das principais profissões da área da saúde que tem um envolvimento direto e indireto com todos os tipos de público da sociedade, sejam bebês, crianças, adolescentes, adultos homens e mulheres, gestantes e idosos. O papel principal do enfermeiro nesse contexto é a educação em saúde, pois é onde ele estabelece orientações adequadas, estratégias de cuidado e prevenção, e promoção do cuidado. Hoje existem diversas formas de o enfermeiro atuar, seja dentro das unidades básicas de saúde como na Estratégia Saúde da Família (ESF), em hospitais, clínicas, ou no ambiente de atendimento domiciliar.31
O aproveitamento do já existente Programa Saúde na Escola24-25 facilitaria a atuação desses profissionais em manter um contato mais direto com os adolescentes, com a temática de se promover educação continuada sobre uso correto de preservativos e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis sendo constantemente abordada e não deixada de lado. Isso seria uma excelente estratégia que manteria um maior controle de doenças que tanto crescem entre os adolescentes.8
Com o uso da campanha entitulada “PARTIUTESTE” para o tratamento de HIV, uma outra estratégia seria de dar mais enfoque para o público adolescente, que mal conhece a existência desses programas. Com essa disponibilidade aberta, seria mais uma facilidade para eles acessarem as unidades básicas de saúde e procurarem ajuda corretamente.22-25,38
Outra estratégia para alcançar o público jovem é de que os profissionais poderiam atuar dentro das escolas, já que os índices apontados pelo próprio Ministério da Saúde dizem que os jovens de 15 a 24 anos vêm mostrando um aumento significativo do acometimento do HIV em suas vidas, trazendo assim um alerta para que a enfermagem amplie seus conhecimentos e gere informações mais úteis e eficazes a essa assistência.32
Além disso, a educação é uma evolução que demanda tempo e dedicação, e deve ser ininterrupta, sendo necessário um planejamento efetivo desde cedo. O cuidado torna-se um fator fundamental de ser exercido nas escolas, sendo esse um espaço propício para a construção de ações educativas em saúde.32
O fato de os adolescentes sentirem vergonha, dificuldade de se expressar, ou até mesmo pela desinformação sobre a possibilidade de ir até uma unidade básica para receber orientações faz com que os enfermeiros tenham como opção a ida até eles em seu ambiente de educação. O ambiente escolar é onde os conhecimentos, o crescimento intelectual, as habilidades de criação, o raciocínio e o caráter são formados, além também de ser um espaço onde se iniciam os primeiros contatos e vínculos entre as pessoas, como amizades, namoros e possivelmente uma primeira exposição à vida sexual.33
Conforme apontado também por Monteiro et al.,33 as práticas educativas em saúde ainda são fortes aliadas para educar os jovens sobre uma gama de assuntos, incluindo HIV/AIDS. Essas ações educativas são uma boa estratégia quando conduzidas através de oficinas e metodologias com atividades mais lúdicas e ativas, focando no esclarecimento da temática, nas formas de transmissão e prevenção das doenças. Da mesma forma, a tecnologia se torna uma forte candidata para se ter sucesso na disseminação do conhecimento, já que é uma ferramenta muito utilizada pela grande maioria dos jovens.20
As atividades na escola para adolescentes podem fornecer um contexto apropriado no qual os enfermeiros podem aumentar sua visibilidade como fontes de informações e serviços amigáveis para os jovens tirarem suas dúvidas.34
Todavia, por conta do entendimento de um alerta vermelho, os profissionais de saúde encontram diversas barreiras à sua atuação dentro e fora das escolas. Como exemplo, temos a proibição da temática sexualidade dentro das escolas, fatores externos envolvendo a política do governo, custos, tabus familiares e religiosos, a desvalorização profissional, a sobrecarga de trabalho, e o desamparo dos profissionais com relação a essa temática, além de fatores intrínsecos envolvendo o próprio adolescente com sua baixa confiança, e a comunicação paciente-profissional.35
As dificuldades relacionadas à discriminação e à estigmatização pela doença podem significar também grandes barreiras para os profissionais conseguirem atuar, resultando em uma fragilidade na concisão de saúde daquele indivíduo na hora do atendimento.35
Um lado positivo é que os adolescentes reconhecem que as enfermeiras que atuam na escola são uma boa fonte de informação em relação à saúde, a infecções sexualmente transmissíveis, e a gravidezes indesejadas. No entanto, fornecer prevenção (preservativos) e ensinar as habilidades técnicas necessárias para reduzir o comportamento sexual de alto risco podem exigir uma mudança nas percepções sociais e políticas.30
Ao abordar essa questão, não podemos esquecer que os adolescentes sempre acabam se referindo aos professores como fonte mais importante de informação. Apenas 8,2% das meninas e meninos entrevistados em um estudo identificaram um enfermeiro ou médico como fonte mais importante de informação sobre prevenção de ISTs, HIV/AIDS.30,36
Os dados acima se comprovam nas falas,36 onde foi relatado que os inquiridos que viram os enfermeiros como pessoas a quem podem se dirigir com uma pergunta sobre questões de promoção em saúde sexual têm oito vezes mais probabilidade de se sentirem confiantes na sua capacidade de usar preservativos corretamente do que os inquiridos que recorreram somente a professores e responsáveis. Com base nisso, a educação dos professores por um agente da saúde sobre os cuidados de prevenção, métodos contraceptivos, e os riscos de se contrair HIV/AIDS e outras ISTs torna-se essencial.36
Ao comparar os dados de um estudo de relato de experiência com os adolescentes sobre o tema sexualidade dentro das escolas em quatro escolas distintas, o autor revela em sua conclusão que trabalhar aspectos relacionados ao HIV/AIDS, tendo como foco os jovens estudantes, deve ser algo constante devido aos altos riscos de vulnerabilidade e déficit de informações desse grupo. Assim, a educação em saúde revela-se uma ferramenta essencial para o compartilhamento do conhecimento científico, impactando o cotidiano dessa população.37
Em outra fala desse mesmo estudo, o autor diz que as ações educativas realizadas acerca do tema sexualidade devem ser feitas no ambiente escolar, pois acredita-se que esse ambiente pode tornar o indivíduo mais vulnerável por conta da mudança de comportamento durante esta fase de transição.37
O autor deixa explicito que nas quatro escolas houve participação ativa dos alunos em todas as atividades realizadas, dentre elas perguntas a respeito do tema sexualidade e ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), Círculo de Cultura com tema da utilização correta do preservativo masculino para prevenção de ISTs e gravidez indesejada, e a apresentação de vídeos oficiais do Ministério da Saúde sobre uso correto do preservativo masculino. Em todas as classes surgiram dúvidas e questionamentos acerca do tema HIV/AIDS, principalmente sobre seus sintomas. Nesse contexto, vemos a importância de um profissional de saúde atuando dentro do ambiente escolar para elucidar todas essas dúvidas de forma constante e correta. Pode-se observar um déficit acerca do conhecimento sobre o HIV. Ao desenvolver as ações realizadas pelo grupo, fica claro que a educação em saúde sexual dentro da escola é um método estratégico fundamental para o compartilhamento de saberes, pois proporciona oportunidades para os alunos do Ensino Médio das escolas públicas ampliarem e compartilharem seus conhecimentos científicos na área de saúde.37,38
Por fim, uma das limitações deste estudo foi encontrar um maior número de publicações que citassem especificamente estratégias que permitissem a atuação do enfermeiro para a prevenção de HIV/AIDS junto aos adolescentes dentro das escolas. Outra limitação para essa mesma temática foi encontrar publicações atualizadas dos últimos 5 anos, incluindo estudos no idioma português, pois a maioria são estudos em língua estrangeira, mais frequentemente em inglês. Entretanto, os estudos que contemplam esta revisão integrativa ressaltaram que, apesar dos desafios, as ações educativas e as estratégias citadas sobre a atuação do enfermeiro na saúde sexual dos adolescentes apresentam impactos significativos para diminuir o agravo do HIV/AIDS na população jovem, considerada vulnerável a essa situação.
CONCLUSÃO
Percebeu-se por meio deste estudo que a melhor estratégia de disseminar o conhecimento adequado entre os jovens é aplicar a educação em saúde sexual no ambiente escolar através de um enfermeiro que esteja inserido nesse ambiente. A escola é o local mais fácil para os profissionais de saúde se envolverem diretamente com os jovens; além disso, é onde eles entram na fase da puberdade e geralmente têm seus primeiros relacionamentos afetivos, sendo um local propício para a troca de saberes e experiências seguras de autocuidado.
Segundo os achados, as intervenções das ações educativas têm impactos positivos se implementadas entre os jovens em ambiente escolar. Além de utilizar campanhas educativas já existentes, há o auxílio da tecnologia, usando como principal estratégia nesse quesito a adaptação dessas campanhas para a linguagem dos jovens, permitindo um maior diálogo e comunicação continuada entre eles. A troca de saberes e experiências saudáveis contribui para diversas mudanças de atitude e de comportamento frente ao HIV e à AIDS.
Nesse contexto, as estratégias citadas acima contribuem para que os profissionais consigam ser vistos como uma fonte de informação segura para tirar as dúvidas, lidar com tabus e preconceitos que a maioria não consegue dentro de casa, diminuindo assim o aparecimento de novos casos de HIV/AIDS em adolescentes e seus impactos negativos tanto no momento presente quanto em um futuro próximo.
É de suma importância que, além deste trabalho, sejam desenvolvidos mais estudos para o desenvolvimento cientifico voltados para a importância da atuação do enfermeiro na proteção dos adolescentes frente ao HIV/AIDS nas escolas, com ênfase nos riscos que eles correm de contrair o vírus ao não se protegerem de forma ideal quando têm relações sexuais com seus parceiros. Considera-se o cuidado em enfermagem e suas estratégias com os adolescentes como o principal meio para as orientações, reforço das ações, e comunicação aberta com esse público-alvo, promovendo o compartilhamento de conhecimento e autocuidado adequado. Mediante a frequência de novos estudos, os preconceitos da sociedade também podem ser quebrados com a ajuda de novas políticas públicas em que órgãos superiores passem a apoiar a prática de os enfermeiros estarem mais inseridos no meio acadêmico.
Dentre as implicações práticas deste estudo, fica explicito que se os enfermeiros conseguissem atuar dentro das escolas e se as campanhas educativas sobre esse tema fossem mais direcionados ao grupo adolescente, sem a presença de barreiras que as próprias escolas colocam ao falar sobre essa temática, certamente os números de adolescentes portadores de HIV diminuiriam, pois os jovens teriam um espaço e fonte segura para falar sobre sua saúde sexual, tirar dúvidas a respeito do tema e receber orientações adequadas sobre como se prevenir de ISTs sem sofrer preconceitos que existem entre familiares e na sociedade. Além disso, o adolescente receberia todo suporte e encaminhamento profissional adequado de tratamento caso já tivesse sido acometido pela AIDS.
Outra implicação prática é de que se houvesse permissão para implantação e compartilhamento de campanhas governamentais auxiliadas pela Internet (vídeos, fotos, anúncios, publicações oficiais, e até mesmo campanhas junto a influenciadores seguidos pelos adolescentes) dentro das escolas com foco nos adolescentes entre 14 e 19 anos, abordando o tema de HIV/AIDS, a quantidade de ISTs diminuiria significativamente, já que todos os jovens estariam cientes de suas vulnerabilidades e consequências caso quisessem praticar atos sexuais de forma desprotegida.
Além disso, se o tema fosse mais divulgado de forma respeitosa e consciente, vários tabus seriam quebrados, como por exemplo os que regem que profissionais de saúde que abordam a educação sexual nas escolas estariam influenciando adolescentes a praticarem atividades sexuais precocemente. Não haveria esse tipo de tabu, já que ficaria explícito que os profissionais apenas enfatizam os cuidados e prevenções acerca do tema para que futuramente esses jovens se tornem adultos responsáveis e conscientes por seus atos.
Por fim, conclui-se que este estudo conseguiu responder ao objetivo da pesquisa e almeja mostrar para a população em geral a relevância que ações e estratégias educativas estabelecidas por profissionais de saúde, em específico os enfermeiros, podem propor para os adolescentes ao permitir que os primeiros atuem principalmente dentro do ambiente escolar, diminuindo assim o impacto do HIV/AIDS. Além de estimularem o uso de métodos contraceptivos adequados ao pensar em se relacionar, os enfermeiros podem despertar o entendimento da importância do conhecimento e dos perigos que podem ocorrer ao agir por impulso em suas vontades e curiosidades sobre a temática.
CONTRIBUIÇÕES
Todos os autores contribuíram para a realização deste artigo, coleta de dados, análise e/ou interpretação dos dados, e revisão crítica do manuscrito. Todos os autores estão de acordo e aprovaram a versão final deste manuscrito.
CONFLITOS DE INTERESSE
Nada a declarar.
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus por ter me dado forças, disposição e persistência para ter chegado até este momento presente. Agradeço à minha mãe e meu amor por terem me dado todo apoio do mundo. Por fim, sou grata à minha Prof.ª Orientadora Me. Jéssica Aparecida Majczak pela paciência e carinho, e à Instituição Unibrasil pela oportunidade.
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Correspondência:
Jéssica Louren Breviglieri
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