Prevalência de burnout em profissionais de enfermagem em unidades de terapia intensiva após Covid-19: revisão de escopo

Alex Becker1, Daniele Delacanal Lazzari2, Francine Carpes Ramos3, Nicasio Urinque Mendes4, Daniele Cristina Perin5, Danielle Martendal6, Dionatha da Luz7

1,2,3,4,5,6,7Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis (SC), Brasil.

Introdução

O estresse laboral, que emerge do contexto profissional da equipe de enfermagem em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), pode desencadear diversas patologias físicas e psicológicas, afetando de maneira negativa o trabalho, principalmente pelo fato de esses profissionais serem responsáveis pelo cuidado direto de pacientes graves.1

A exposição constante a estressores no ambiente de trabalho torna a enfermagem uma profissão com desafios físicos e emocionais significativos. Esses profissionais precisam prover cuidados, tomar decisões, trabalhar em equipe e gerenciar atividades, o que aumenta o estresse e impacta negativamente sua saúde física e mental.2

Descrita pela primeira vez na década de 1970, a síndrome de burnout (SB) é uma resposta prolongada a estressores emocionais e interpessoais crônicos no ambiente de trabalho, caracterizada por exaustão emocional, despersonalização e ineficácia profissional. O burnout insere a experiência individual de estresse em um contexto organizacional mais amplo, relacionado à maneira como as pessoas se conectam com seu trabalho, prejudicando o funcionamento pessoal e social.3

A SB representa uma crise global de saúde pública, impactando os profissionais de saúde com exaustão emocional, despersonalização e uma sensação de realização pessoal reduzida, o que provoca repercussões negativas tanto para os pacientes quanto para as organizações e os sistemas de saúde. 4 Antes da pandemia de covid-19, uma meta-análise que analisou 96 estudos já indicava uma prevalência global de SB entre enfermeiros de 30%, apontando um aumento gradual nos últimos dez anos e alertando para a tendência crescente da condição nos anos subsequentes.5

Com a pandemia de Covid-19, o ambiente laboral dos profissionais de saúde foi diretamente afetado, devido a mudanças necessárias, principalmente no ambiente intensivo, para o atendimento no contexto pandêmico.

Uma revisão sistemática com metanálise, cujo objetivo foi analisar a relação entre a SB e a satisfação no trabalho entre profissionais de UTI, concluiu que condições severas em uma UTI, combinadas com más condições de trabalho, aumentam o estresse e reduzem a satisfação. Isso torna essencial que enfermeiros, supervisores e gerentes estejam cientes do estado emocional dos profissionais para prevenir o burnout, que pode causar erros na assistência e prejudicar pacientes, uma obrigação preocupantemente negligenciada durante a pandemia de Covid-19.6

A rotina dos profissionais de enfermagem que atuam em UTIs requer habilidades específicas, preparo e capacidade de gestão. Contudo, desafios como a falta de recursos, apoio inadequado e sobrecarga de trabalho, combinados com os impactos prolongados da Covid-19, aumentam significativamente a vulnerabilidade dessa categoria à SB.7

Os impactos na saúde dos profissionais de enfermagem, que já eram preocupantes, tornaram-se ainda mais evidentes no contexto pós-pandêmico, devido à fragilidade do sistema de saúde, ao isolamento social, às longas jornadas de trabalho, ao risco de contaminação e ao esgotamento físico e mental decorrentes da prática profissional. Esses fatores resultam em questões éticas complexas e no sofrimento dos profissionais, elevando os casos de doenças e fatalidades.8,9

Um estudo transversal conduzido na China após a pandemia de Covid-19 mostrou que o burnout entre enfermeiros foi influenciado por diversos fatores, como gênero, frequência de turnos noturnos, qualificações acadêmicas e histórico de infecção viral. Esses dados são essenciais para a formulação de intervenções que protejam o bem-estar desses profissionais no período pós-pandêmico. Entretanto, apesar do aumento significativo do burnout durante a pandemia, sua prevalência e fatores associados no contexto pós-pandêmico ainda não são completamente compreendidos.10

As instituições de saúde precisam identificar e implementar políticas institucionais que reduzam a exaustão emocional dos profissionais e promovam o capital social. Também é crucial adotar programas institucionais específicos, como intervenções, treinamentos e avaliações, para os profissionais de saúde que atuaram durante a pandemia de Covid-19.11

Para avançar no conhecimento sobre o burnout após a pandemia de Covid-19, é fundamental que as pesquisas futuras priorizem o uso de dados empíricos sobre o comportamento dos profissionais de enfermagem, como taxas de absenteísmo e rotatividade, além de autorrelatos. Dessa forma, torna-se relevante investigar a SB na enfermagem após a pandemia, visando ao desenvolvimento de soluções baseadas em evidências e mudanças no ambiente de trabalho.

Do exposto, a presente revisão objetiva mapear as evidências disponíveis na literatura sobre a prevalência da síndrome de burnout em profissionais de enfermagem que atuam em UTIs adultas durante e após a pandemia de Covid-19.

Método

Trata-se de uma revisão de escopo desenvolvida de acordo com as recomendações do Joanna Briggs Institute (JBI)12, tendo seu protocolo de pesquisa registrado na Open Science Framework, sob identificação: DOI 10.17605/OSF.IO/YACPS.13

Para a elaboração da questão de pesquisa, foi empregado o mnemônico PCC (População, Conceito e Contexto), em que: População corresponde aos profissionais de enfermagem que atuam em UTI adulto, Conceito relaciona-se à SB e Contexto condiz com as UTIs adulto, com o propósito de fornecer orientações para identificar potenciais lacunas no conhecimento, elucidar conceitos essenciais, mensurar aspectos de interesse e esclarecer as práticas e evidências associadas a um tópico específico.14 Assim, a questão norteadora desta revisão foi: quais são as evidências disponíveis na literatura sobre a prevalência da síndrome de burnout em profissionais de enfermagem que atuam em UTI adulto no período pós-pandemia de Covid-19?

Foram incluídas pesquisas que abordaram a SB em profissionais de enfermagem no âmbito da terapia intensiva adulto, abrangendo diversos tipos de publicações, tais como artigos, teses, dissertações e documentos oficiais. Excluíram-se publicações duplicadas, revisões, editoriais, ensaios teóricos, opiniões de especialistas e resumos de eventos.

A busca e a identificação de estudos relevantes foram realizadas por meio da utilização de termos-chave, descritores e palavras equivalentes nas áreas das ciências da saúde. Foram utilizados os descritores e seus sinônimos em português, indexados nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): Burnout, Síndrome do esgotamento; Enfermagem; Unidades de Terapia Intensiva; Esgotamento Profissional. E em inglês, indexados no MeSH (Medical Subject Headings): Burnout, Burnout Syndrome; Nursing; Intensive Care Units; Burnout, Professional, sendo aplicados os operadores booleanos OR entre palavras do mesmo grupo e AND entre conjuntos de palavras diferentes. 

A busca nas bases de dados foi realizada em julho de 2023, em qualquer idioma, utilizando-se as estratégias dispostas no protocolo de revisão de escopo registrado na plataforma Open Science Framework13 , nas seguintes bases de dados: EMBASE (Elsevier), Cochrane Library, Academic Search Premier - ASP (EBSCO), Scopus (Elsevier), Web of Science (Clarivate Analytics), SciELO, ProQuest Dissertations & Theses Global (PQDT Global), Catálogo de Teses e Dissertações (CAPES), Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS); Medical Literature Analysis and Retrieval System (MEDLINE) via Pubmed; e Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL) via EBSCO.

A coleta de dados foi personalizada para atender a cada base de dados utilizada, e foi utilizado o software Rayyan Web.15 Os dados que não puderam ser adicionados ao Rayyan foram organizados em planilha de Excel. Dois revisores realizaram uma avaliação cega, analisando separadamente os títulos e resumos dos estudos identificados por meio do Rayyan Web, e, na ocorrência de divergências entre os revisores, um terceiro revisor foi consultado.

A primeira etapa de seleção envolveu a análise dos títulos e resumos dos artigos. Após essa etapa, os artigos foram submetidos à análise de elegibilidade para inclusão do texto completo. A lista de verificação do Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR16 orientou os pesquisadores em todas as etapas da seleção dos artigos que foram utilizados nesta revisão de escopo. Para reduzir as chances de vieses, a análise de dados foi conduzida por dois revisores independentes, utilizando o software Zotero.

Para assegurar o cumprimento das recomendações da JBI e garantir a qualidade das informações, a extração dos dados foi realizada com base nos seguintes critérios: dados de publicação (título, ano e país); características metodológicas (tipo de estudo e participantes); objetivos do estudo; principais resultados e, por fim, desafios e limitações.

Resultados

A estratégia de busca resultou na localização de 6.336 publicações nas bases de dados eletrônicas previamente identificadas. A maior quantidade foi encontrada na base de dados Scopus, totalizando 1.366 publicações, seguida pelas bases de dados PUBMED/MEDLINE com 948 publicações, Web of Science com 911 publicações, LILACS com 896 publicações, Embase com 856 publicações, BDENF com 752 publicações, ProQuest com 383 publicações, SciELO com 103 publicações, CINAHL com 68 publicações, Cochrane Library com 63 publicações e BDTD com 61 publicações.

Dos 6.336 trabalhos localizados nas bases de dados previamente identificadas, 6.212 foram inseridos no Rayyan Web. Foram encontrados 61 documentos na base de dados BDTD que não puderam ser adicionados ao Rayyan Web devido a incompatibilidades, sendo inseridos em uma tabela do Excel. As 63 publicações encontradas na base de dados Cochrane Library não foram catalogadas, pois não foi possível acessar a base durante o período de seleção, já que a plataforma ficou inacessível por meio do portal da CAPES.

Após análise, 2.926 publicações foram excluídas por duplicidade, permanecendo 3.295 resumos de artigos para análise no Rayyan Web, e 55 foram organizados em tabelas utilizando o software Excel, versão 16.69, do pacote Office 365 da Microsoft, totalizando 3.347 trabalhos. Deste total, 34 foram avaliados na íntegra para determinar se atendiam aos critérios de inclusão (Figura 1). Após leitura na íntegra, realizada de forma independente por dois revisores, chegou-se ao consenso e ao número final de 17 estudos incluídos na revisão de escopo.

Figura 1 - Fluxograma PRISMA da revisão de escopo. Florianópolis (SC), Brasil, 2024.

Os estudos incluídos nesta revisão de escopo estão identificados do número 17 ao número 33, seguindo a sequência numérica de citações desde a introdução. O Quadro 1 mostra a caracterização dos estudos selecionados de acordo com o título, tipo de material, ano, país, número de participantes e tipo de estudo. Quanto ao ano de publicação, predominou o ano de 2022, com oito (47%) publicações. Dos 17 estudos selecionados, apenas um (5,9%) foi uma dissertação de mestrado. Todos os estudos selecionados foram do tipo survey, realizados via questionários ou entrevistas. Segundo a análise de distribuição geográfica, o maior número de publicações ocorreu no Brasil (n=4), representando 24% da amostra, seguido pela Arábia Saudita (n=2), Bélgica (n=2) e China (n=2), somando 12% cada. Cuba, Espanha, Estados Unidos da América, Grécia, Irã, Portugal e Turquia tiveram um estudo (6%) selecionado por país.

Com relação ao número de participantes, oito (47%) estudos apresentaram a participação de menos de 100 profissionais, sendo um com 20 enfermeiros. Entre 100 e 500 participantes, foram sete (41%) estudos. Acima de 500 participantes, foram registradas duas (12%) publicações, sendo a maior amostra composta por 2.321 enfermeiros. Apesar de a população dos estudos compreender enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, a maioria dos profissionais selecionados foi de enfermeiros, com 3.256 participantes (92,2%), seguidos por técnicos de enfermagem com 267 (7,6%) e oito auxiliares de enfermagem (0,2%).

Quadro 1 - Caracterização dos estudos de acordo com título, tipo de material, ano, país, número de participantes e tipo de estudo. Florianópolis (SC), Brasil, 2024.

 

            Título

     Tipo

  Ano

     País

Participantes

  Tipo de      estudo

17

Burnout in nurses of an intensive care unit during covid-19: a pilot study in Portugal

Artigo

2023

Portugal

29 enfermeiros

Survey

18

Spiritual Well-being and burnout among saudi nurses in intensive care units

Artigo

2023

Arábia Saudita

226 enfermeiros

Survey

19

Association of burnout and intention-to-leave the profession with work environment: a nationwide cross-sectional study among Belgian Intensive care nurses after two years of pandemic

Artigo

2022

Bélgica

2321 enfermeiros

Survey

20

Does perceived organizational support moderates the relationships between work frustration and burnout among intensive care unit nurses? A cross-sectional survey

Artigo

2023

China

479 enfermeiros

Survey

 

 

 

 

21

Bullying and burnout in critical care nurses: a cross-sectional descriptive study

Artigo

2023

Irã

184 enfermeiros

Survey

22

Levels of burnout and exposure to ethical conflict and assessment of the practice environment in nursing professionals of intensive care

Artigo

2023

Espanha

39 enfermeiros e oito auxiliares de enfermagem

Survey

23

Investigating burn-out contributors and mitigators among intensive care unit nurses during covid-19: a focus group interview study

Artigo

2022

EUA

20 enfermeiros

Grupo focal

e

Survey

 

24

Burnout syndrome  among nurses working  in critical care units at a government hospital, Saudi Arabia

Artigo

2022

Arábia Saudita

90 enfermeiros

Survey

25

Associations between perceived overqualification, transformational leadership and burnout in nurses from intensive care units: a multicentre survey

Artigo

2022

China

321 enfermeiros

Survey

26

Nursing errors in intensive care unit and their association with burnout, anxiety, insomnia and working environment: a cross-sectional study

Artigo

2022

Grécia

90 enfermeiros

Survey

27

Burnout syndrome in nursing professionals in covid -19 intensive care

Artigo

2022

Brasil

157 (75 enfermeiros e 82 técnicos)

Survey

28

Burnout levels and care behaviors in intensive care nurses: a cross-sectional, multicentre study

Artigo

2022

Turquia

460 enfermeiros

Survey

29

Burnout e resiliência em profissionais de enfermagem de terapia intensiva frente à covid-19: estudo multicêntrico

Artigo

2022

Brasil

153 (69 enfermeiros e 84 técnicos)

Survey

 

30

Prevalence of burnout risk and factors associated with burnout risk among ICU nurses during the covid-19 outbreak in french speaking Belgium.

Artigo

2021

Bélgica

1135 enfermeiros

Survey

 

31

Síndrome de burnout en enfermería intensiva y su influencia en la seguridad del paciente

Artigo

2021

Cuba

32 enfermeiros

Survey

32

Predictors of burnout syndrome in nursing technicians in an intensive care unit during the covid-19 pandemic

Artigo

2021

Brasil

94 técnicos de enfermagem

Survey

33

Prevalência e fatores associados à síndrome de burnout em profissionais de enfermagem de uma unidade de terapia intensiva de um hospital geral na cidade de Caicó/RN

Dissertação

2020

Brasil

32 (25 técnicos e 7 enfermeiros)

Survey

Conforme o Quadro 2, houve disparidades consideráveis na prevalência de burnout observadas entre os profissionais de enfermagem em função da pandemia de Covid-19. Os resultados indicaram que os enfermeiros de UTI com alta frustração no trabalho e baixo apoio organizacional percebido apresentaram maior risco para burnout.17,19-21,29,32 

Dentre as principais limitações relatadas pelos autores, encontram-se o tamanho reduzido das amostras17,18,20,22-24,31,33, a natureza transversal do método de pesquisa18,20,21,27-31,33, as informações auto relatadas18-21,26,28,32 e as pesquisas realizadas em apenas um centro hospitalar.22-24 A partir dos resultados dos estudos selecionados, foram organizadas três categorias: 

Prevalência de burnout na equipe de enfermagem e seus fatores potenciais relacionadas à Covid-19

A porcentagem de profissionais com pontuação total alta de burnout variou de 83,3% a 9,4%.26,33 No entanto, alguns estudos não definiram percentualmente o número de profissionais com burnout, relatando apenas os níveis de exaustão emocional, despersonalização e realização pessoal.18,20,23,25,28

Dentre as três dimensões do burnout, verificou-se que a exaustão emocional e a diminuição da realização pessoal foram as que obtiveram as pontuações mais elevadas. Os valores foram bem variados, com resultados elevados de exaustão emocional entre 75% e 28,7%.23,27

Características sociodemográficas

Na caracterização sociodemográfica e profissional, a média de idade dos participantes situou-se entre 28,1 e 42 anos.28,33 A variável tempo de experiência, com profissionais com menos de 5 anos de experiência em UTI, apresentou valores diversos, entre 68,2% e 21,9%.24,31

O tempo médio de experiência em UTI variou de 11 a 4,1 anos.19,28 Os estudos mostraram que, em quatro ocasiões, os profissionais de UTI pesquisados indicaram maior probabilidade de relatar altos níveis de burnout quando tinham menor experiência profissional.20,21,29,33

Quatro estudos identificaram que a prevalência da SB aumenta com o avançar da idade.22,27,31,32 Constatou-se a predominância do sexo feminino em 100% dos estudos, variando entre 73,9% e 100% das amostras.18,22 Com relação ao estado civil, a porcentagem de participantes casados ou com companheiro foi majoritária, com valores entre 81 e 34,1%.25,28

Fatores Ocupacionais

Hospitais com ambientes de trabalho de melhor qualidade, mesmo no contexto pandemia, apresentam menores índices de burnout e menor intenção de abandono do emprego ou da profissão, quando comparados a hospitais com ambientes de trabalho menos favoráveis.19,20,22,25,27,28,30-33 A elevada carga de trabalho foi considerada um fator fundamental e de grande impacto para o esgotamento dos profissionais.19-21,23,24,29-33

Conflitos éticos também foram motivo de frustração no ambiente de trabalho, incluindo casos de bullying, associados à falta de apoio institucional percebido, demonstrando a necessidade de estratégias organizacionais para moderar a relação entre frustração no trabalho e burnout.17,20-22,28

Quadro 2 - Caracterização dos estudos por objetivo, resultados e desafios e limitações, Florianópolis (SC), Brasil, 2024.

  Num.

        Objetivo

       Resultados

      Desafios e limitações

17

Avaliar burnout em enfermeiros de unidades de cuidados intensivos e descrever a relação entre as dimensões do burnout e variáveis ​​sociodemográficas e profissionais

Indicou prevalência de 41,3% de burnout, especialmente nas dimensões de Exaustão Emocional e Realização Pessoal. A pandemia da Covid-19 aumentou a pressão sobre os profissionais de saúde, destacando a necessidade de estratégias organizacionais

-Tamanho reduzido da amostra

-Restrições éticas na disponibilidade dos dados

-Falta de comparação com períodos anteriores

-Ausência de avaliação de alguns fatores influentes, tais como o suporte organizacional.

18

Relacionar os níveis de burnout e o bem-estar espiritual de enfermeiros sauditas de unidades de terapia intensiva

 

Os enfermeiros obtiveram boa pontuação de bem-estar espiritual e uma pontuação na escala de burnout de Maslach acima da média. Burnout e bem-estar espiritual foram correlacionados negativamente e significativamente.

-Estudo observacional

-Tamanho da amostra

-Limitação na generalização dos resultados para além da Arábia Saudita e hospitais específicos

-Variáveis não consideradas na análise

-Possíveis vieses de resposta nos questionários autoadministrados

-Falta de dados longitudinais para acompanhar mudanças ao longo do tempo.

19

Descrever a prevalência de risco de burnout e intenção de deixar o emprego e a profissão de enfermagem entre enfermeiros de UTI e analisar as relações entre essas variáveis ​​e o ambiente de trabalho após dois anos de pandemia de Covid-19

O risco geral de burnout por hospital foi de 17,6%, com 71,6% das enfermeiras de UTI na Bélgica apresentando alto risco em pelo menos uma subdimensão do burnout. Cerca de 42,9% das enfermeiras de UTI manifestaram a intenção de deixar o emprego, enquanto 23,8% consideraram deixar a profissão.

-Interpretação das relações limitada

-Resultados autorrelatados requerem exploração adicional com medidas mais objetivas

20

Investigar a relação entre frustração no trabalho e esgotamento entre enfermeiros de UTI e examinar o efeito moderador do apoio organizacional percebido em seu relacionamento

 

 

A pontuação total de burnout foi de 55.79 ± 17.20 e a pontuação total de frustração no trabalho foi de 7.44 ± 1.86. Houve correlação positiva entre burnout e frustração no trabalho e correlação negativa entre burnout e apoio organizacional percebido.

-Estudo transversal

-Tamanho da amostra pequeno

-Inferência causal entre as variáveis do estudo

-Generalização dos resultados limitada

-Adotou-se uma medida de único item para capturar a frustração no trabalho

-Resultados autorrelatados podem estar sujeitos a viés de informação.

21

Avaliar a incidência e associação entre assédio moral no local de trabalho e esgotamento ocupacional entre enfermeiros em unidades de cuidados intensivos no Irã

 

 

70% dos enfermeiros que trabalham em unidades de cuidados críticos no Irã sofrem de níveis moderados ou altos de síndrome de burnout (62% apresentaram exaustão emocional moderada, 59.8% tiveram despersonalização moderada e 46.2% tiveram um senso de realização pessoal moderado).

75.5% enfrentaram bullying no local de trabalho.

-Desenho transversal impede a conclusão de causalidade

-Autorrelato, pois as respostas podem ser influenciadas pelo estado mental e pela tendência social desejável

-Preenchimento dos questionários no local de trabalho

-Presença do pesquisador pode ter afetado as respostas dos participantes.

22

Analisar a relação entre os níveis de burnout, a exposição a conflitos éticos e a percepção do ambiente de prática entre si e com variáveis ​​sociodemográficas dos diferentes profissionais de enfermagem intensivistas

31,10% dos profissionais de enfermagem apresentaram sinais de burnout, 14,89% consideraram que trabalham em ambiente desfavorável e 87,23% apresentaram índice médio-alto de exposição a conflitos éticos.

O nível de escolaridade e a categoria profissional influenciaram o nível de burnout, em que os auxiliares de enfermagem apresentaram níveis mais elevados deste.

-Único centro

-Amostra pequena e por conveniência

-Características da população estudada não permitem a extrapolação dos dados, pois não se enquadram na distribuição normal (nenhum enfermeiro da amostra era do sexo masculino e a percepção de homens e mulheres pode ser diferente em alguns aspectos.

23

Investigar o efeito da pandemia de Covid-19 nas experiências de esgotamento dos enfermeiros da UCI e na identificação de abordagens práticas para a mitigação do esgotamento.

Dos 20 participantes, 75% exibiram alta exaustão emocional, 60% relataram despersonalização moderada a alta e apenas 25% relataram alta realização pessoal no trabalho.

-Resultados qualitativos atingiram saturação

-Amostra limitada a enfermeiros de duas UTIs Covid-19

-Tamanho pequeno da amostra

- Resultados quantitativos sobre burnout e transtorno de estresse pós-traumático podem não ser generalizáveis.

24

Avaliar a prevalência da síndrome de burnout entre enfermeiros de unidades de cuidados intensivos do Hospital King Fahad, na região de Madinah, Arábia Saudita

O nível de exaustão ocupacional foi moderado; alto nível de despersonalização/perda de empatia e uma avaliação mais baixa do senso de realização pessoal.

 

-Tamanho da amostra limitado

-Estudo realizado em apenas um hospital.

25

Explorar se a sobrequalificação percebida aumenta o risco de esgotamento e se a liderança transformacional modera negativamente esta relação

O burnout foi positivamente associado à superqualificação percebida e negativamente associado à liderança transformacional.

-Desenho do estudo não permite inferir relações causais entre superqualificação percebida, liderança transformacional e burnout

-Generalização dos resultados limitada.

26

Registrar a frequência de vários erros de enfermagem, incluindo a verificação de dados do paciente, preparação e administração de medicamentos e medidas de controle de infecção.

83,3% dos participantes (n =75) apresentaram alto risco de burnout. Os erros mais frequentes estavam relacionados à preparação e administração de medicamentos. 43,3% dos enfermeiros relataram estar "sempre/muito frequentemente" distraídos durante a preparação de um medicamento, 90% afirmaram administrar medicamentos em horários não programados pelo menos "metade das vezes".

-Autorrelatos e nenhuma outra medida “contável” de erros de enfermagem foi utilizada

-Número limitado de perguntas para aumentar a taxa de resposta

-Fatores que podem estar relacionados aos erros de notificação não foram extensivamente investigados

27

Investigar a SB e fatores associados em profissionais de enfermagem nas unidades de terapia intensiva (UTI) durante a pandemia de Covid-19

A prevalência da SB foi de 45,2%, com alguns profissionais em mais de um fator da síndrome: exaustão emocional (28,7%), despersonalização (3,8%) e baixa realização profissional (24,8%).

-Estudo transversal não permite uma análise de causa e efeito.

28

Examinar a relação entre os níveis de burnout e comportamentos de cuidado em enfermeiros de terapia intensiva na Turquia, e os fatores que afetam essa relação.

 

Alto nível de exaustão emocional (73,9%) e despersonalização (52,2%), e médio nível de realização pessoal (40%).

-Possível viés de seleção

-Autorrelatos

-Fatores relevantes, como depressão, ansiedade e carga de trabalho percebida, não foram analisados.

-As análises realizadas foram univariadas, o que pode limitar a interpretação dos dados devido à possibilidade de sobreposição entre as variáveis.

29

Analisar a relação entre as dimensões do burnout e da resiliência no trabalho de profissionais de enfermagem intensivistas durante a pandemia de Covid-19, em quatro hospitais do Sul do Brasil

 

 

Em relação ao burnout, 11,1% (n=17) dos trabalhadores apresentaram a síndrome.

A resiliência no trabalho apresenta correlação inversa com a exaustão emocional e a despersonalização e correlação direta com a realização profissional.

A variável com maior influência na rede de correlações foi a percepção do impacto da pandemia na saúde mental.

-Desenho transversal não permite o acompanhamento dos indivíduos para verificação dos impactos da pandemia na saúde mental

-Pesquisas que avaliam a resiliência no trabalho com o instrumento utilizado também são escassas

-Apenas trabalhadores saudáveis ​​foram incluídos no estudo

30

Avaliar a prevalência do risco de burnout e identificar fatores de risco entre enfermeiros de UTI durante a pandemia de Covid-19

 

 

A prevalência global de risco de burnout foi de 68%. Um total de 29% dos enfermeiros da UTI apresentava risco de despersonalização, 31% de redução da realização pessoal e 38% de exaustão emocional.

 

-Potencial viés de seleção.

-Prevalência de enfermeiros em risco de burnout durante a crise da Covid-19 possivelmente superestimada.

-Devido à falta de informações longitudinais, não se pode provar uma relação causal entre o aumento da prevalência do risco de burnout e a pandemia

31

Identificar a magnitude do esgotamento físico nos profissionais de enfermagem intensiva para adultos e sua influência na segurança do paciente

O esgotamento físico foi encontrado em 75,0% dos profissionais, sendo que 56,2% deles apresentaram níveis elevados, com uma prevalência do sexo feminino (84,3%).

-Estudo transversal 

-Tamanho reduzido da amostra.

32

Avaliar a prevalência e a existência de fatores preditores da síndrome de burnout em técnicos de enfermagem que atuam em unidade de terapia intensiva (UTI) durante a pandemia

Observou-se prevalência da síndrome em 25,5% da amostra analisada.

As variáveis que, após análise múltipla, se mostraram como preditores associados à maior prevalência de síndrome de burnout foram: idade > 36 anos, realizar hora extra, considerar a carga horária de trabalho rígida e ser etilista.

-Itens das perguntas do instrumento de coleta de dados, podem ter sido mal compreendidas ou respondidas distorcidamente, uma vez que a coleta foi baseada em questionários autoaplicáveis

-O MBI-HSS não tem poder diagnóstico.

33

Verificar a prevalência da síndrome de burnout em profissionais de Enfermagem, bem como, investigar associações com variáveis demográficas, ocupacionais, psicossociais e de saúde

Segundo os critérios para o diagnóstico do burnout, 03 (9,4%) profissionais estavam acometidos pela doença e 29 (90,6%) profissionais não acometidos. A média/mediana da burnout foi significativamente maior nos profissionais que possuíam nível superior ou mais e que não utilizam medicações com frequência

-Estudo transversal

-Tamanho reduzido da amostra

 

 

Discussão

A prevalência de burnout em profissionais de enfermagem relacionada à pandemia, segundo esta revisão de escopo, foi considerada de moderada a alta, o que pode ser um fator precipitante para sintomas elevados e persistentes relacionados à saúde mental desses profissionais. Durante epidemias e pandemias, os sintomas de saúde mental podem, às vezes, durar mais que a situação epidemiológica.33 A prevalência de burnout, fadiga por compaixão, estresse traumático secundário e trauma indireto em profissionais de saúde de UTI permanece um tema emergente mesmo após o fim da pandemia.

O esgotamento entre profissionais de enfermagem em UTI é um sério desafio, impactando tanto o bem-estar da equipe quanto o atendimento ao paciente. O ambiente de alto estresse e a carga de trabalho exigente contribuem significativamente para esse problema. A exaustão emocional tende a ser prevalente entre enfermeiros mais jovens, com menos experiência, e naqueles que trabalham em ambientes de alto estresse. A despersonalização está associada ao suporte insuficiente e à alta rotatividade de pacientes. Além disso, fatores como gênero e turnos de trabalho também impactam significativamente os níveis de burnout, indicando a necessidade de intervenções personalizadas.18-21

O esgotamento de profissionais da enfermagem é um fenômeno prevalente na área da saúde, e esta revisão indica que esses profissionais, atualmente, ainda apresentam altos níveis de esgotamento.18 A SB é uma preocupação concreta na enfermagem em UTI durante e após a pandemia de Covid-19, embora diferenças substanciais entre grupos possam ser observadas, dependendo dos contextos locais e temporais.26

Os resultados desta revisão são consistentes com pesquisas sobre o tema, mostrando que características individuais, tais como sexo, idade, estado civil e estágio profissional, contribuem para o estresse ocupacional, burnout e depressão durante e após a Covid-19.34 Deste modo, torna-se imperativo investigar estratégias de enfrentamento da saúde mental aplicáveis aos profissionais de enfermagem que atuam em terapia intensiva, uma vez que esses profissionais desempenham funções de alto impacto psicossocial.

A falta de experiência, as novas e complexas realidades laborais, tanto em nível técnico quanto relacional, e a distância ou o isolamento da família (que ajuda a lidar com o estresse laboral) podem explicar, em parte, por que os enfermeiros mais jovens relataram níveis mais elevados de burnout.35

No contexto da faixa etária, em linhas gerais, enfermeiros mais avançados em idade tendem a apresentar menos casos de despersonalização, porém uma sensação reduzida de realização pessoal. Por outro lado, enfermeiros entre 25 e 40 anos demonstram maior inclinação para considerar deixar seus empregos e a profissão de enfermagem, em comparação com aqueles com menos de 25 anos.36

A prevalência de ansiedade e depressão entre profissionais de enfermagem tem se mostrado um aspecto alarmante, especialmente no contexto da pandemia de Covid-19. Uma meta-análise realizada durante a pandemia identificou uma prevalência combinada de 22,1% para ansiedade e 21,7% para depressão entre profissionais de saúde. Ademais, uma revisão sistemática com meta-análise, conduzida nos primeiros onze meses da pandemia, apontou uma prevalência de 29% para ansiedade e 22% para depressão, especificamente entre enfermeiros.37,38

Um estudo realizado com 189 profissionais de enfermagem brasileiros observou maior prevalência de sintomas de ansiedade e depressão, especialmente entre o público feminino, com idade mediana de 40 anos, corroborando com os dados desta revisão.39 Em uma revisão cujo objetivo foi descrever a extensão do trauma psicológico e do sofrimento moral em profissionais de saúde que trabalharam em UTI durante a pandemia de Covid-19, apontou-se que profissionais de enfermagem do sexo feminino têm maior probabilidade de desenvolver sintomas de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), esgotamento, ansiedade e depressão, além de identificar a idade mais jovem como um fator de risco para transtornos mentais, mesmo havendo resultados divergentes sobre a influência da experiência profissional anterior.40

Considerando que a enfermagem é constituída majoritariamente por mulheres, que muitas vezes são expostas à dupla jornada de trabalho, e que os profissionais de enfermagem, por conta da baixa remuneração, estão sujeitos a múltiplos vínculos empregatícios e, consequentemente, a longas jornadas de trabalho, considera-se que possa haver maior vulnerabilidade ao adoecimento desses profissionais.41,42

Dada a variedade de elementos que podem contribuir para o fenômeno do burnout durante e após a pandemia de Covid-19, usar o conhecimento prévio sobre o esgotamento dos profissionais de enfermagem em UTI no contexto pandêmico é crucial para melhorar a capacidade de direcionar de forma mais eficaz o suporte a esses profissionais. Percebe-se a necessidade de padronização em relação às dimensões e pontos de corte utilizados, que incluem fatores sociodemográficos, psicossociais, características do trabalho e hábitos de vida que podem estar associados ao burnout em enfermeiros que atuam em UTI.43

Um estudo com a participação de 498 enfermeiros, que objetivou descrever as experiências de enfermeiros de UTI durante a pandemia de Covid-19 nos Estados Unidos, analisou relatos de estresse relacionado à falta de tratamento baseado em evidências, prognóstico ruim do paciente, ausência da família na UTI, apoio inadequado da liderança e sentimento de injustiça dentro da equipe de saúde, gerando uma sobrecarga sem precedentes durante a pandemia.44

Encontrar conexões entre a Covid-19 e o esgotamento dos enfermeiros pode inspirar o desenvolvimento de novas abordagens para combater o esgotamento entre aqueles que cuidam dos pacientes mais gravemente afetados durante crises futuras.45 Fenômenos como a SB, importantes manifestações do estresse laboral, requerem a análise da nova configuração que assumiram após a pandemia de Covid-19, tornando ainda mais relevante o desenvolvimento de estudos dedicados às estratégias de intervenção voltadas para o apoio psicológico e emocional dos profissionais de enfermagem.

As abordagens para mitigar o burnout precisam ser diversificadas para atender às necessidades de todos os profissionais de enfermagem que trabalham em unidades de cuidados intensivos. Contudo, alguns fatores de risco, tais como gênero, idade e experiência, podem ser difíceis de serem modificados, enquanto outros fatores associados ao burnout podem ser cuidadosamente abordados por meio de intervenções multimodais baseadas em evidências.45

O avanço global da Covid-19 impõe desafios substanciais para gestores públicos e profissionais de saúde, incluindo enfermeiros, destacando as fragilidades dos serviços de saúde e o sofrimento dos profissionais em um contexto de trabalho precário, com crescente falta de proteção e aumento da incidência de adoecimento.8 Com uma percepção melhorada a respeito do tema, as instituições de saúde poderão criar estratégias a fim de reduzir as consequências negativas no contexto da assistência ao paciente por funcionários cujo trabalho os levou a desenvolver burnout.46

Esta revisão apresenta como limitação a preponderância de estudos transversais, o que impossibilitou aos autores estabelecer relações causais, restringindo, assim, a interpretação dos resultados à observação das associações entre fatores individuais e a manifestação do burnout nos profissionais avaliados.

Conclusão

Esta revisão de escopo mapeou as evidências sobre a prevalência da SB em profissionais de enfermagem que atuaram em UTI adulto durante e após a pandemia de Covid-19. Foram apresentados dados sobre a importância de programas institucionais voltados para o manejo e a prevenção do burnout em equipes de enfermagem que atuam em ambientes complexos e estressantes. Há uma necessidade imediata de abordar o problema, cujos impactos ainda permanecem em estudo, tanto com medidas administrativas, como o aumento de pessoal, quanto com intervenções psicológicas.

Ao enfatizar a importância do reconhecimento desse fenômeno e de seus impactos no desempenho dos profissionais, bem como sua relação com as dinâmicas interpessoais e de trabalho, espera-se que estratégias organizacionais sejam desenvolvidas e implementadas para mitigar os danos à equipe de enfermagem, tanto no contexto da Covid-19 quanto em possíveis futuras pandemias.

Contribuições dos autores

Concepção do estudo:  Alex Becker, Daniele Delacanal Lazzari, Francine Carpes Ramos e Nicasio Urinque Mendes. Coleta de dados: Alez Becker, Daniele Delacanal Lazzari, Francine Carpes Ramos e Nicasio Urinque Mendes. Análise estatística: Alex Becker, Daniele Delacanal Lazzari, Francine Carpes Ramos e Nicasio Urinque Mendes. Redação do manuscrito: Alex Becker, Daniele Delacanal Lazzari, Francine Carpes Ramos e Nicasio Urinque Mendes. Revisão crítica do manuscrito: Daniele Cristina Perin, Danielle Martendal e Dionatha da Luz. Aprovação da versão final do texto: Alex Becker, Daniele Delacanal Lazzari, Francine Carpes Ramos e Nicasio Urinque Mendes.

Conflito de interesse

Os autores declaram que não há conflitos de interesse.

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Correspondência

Alex Becker

E-mail: alcker@gmail.com

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