Idioma
Promoção do envelhecimento ativo pelo cuidador familiar à pessoa idosa com Doença de Alzheimer em unidades de saúde da família
Samara Cristina Guimarães de Azevedo1,
Maria Edielly da Silva Rodrigues2,
Luciane Almeida Casarin3
1-3Universidade Federal de Rondonópolis. Mato Grosso (MT), Brasil.
Introdução
O final do século XX foi caracterizado por um rápido processo de envelhecimento populacional, tornando-se uma das transformações sociais mais significativas dos últimos anos. Sabe-se que esse processo ocorre de diferentes maneiras, a depender das características biológicas, genéticas, dos fatores psicossociais e ambientais, e que estes podem determinar que as pessoas envelheçam de maneira saudável ou acompanhadas de doenças crônicas, como, por exemplo, as demências, dentre elas, a Doença de Alzheimer (DA).
A Organização Mundial da Saúde evidencia que, em tempos atuais, aproximadamente 55 milhões de pessoas vivem com algum tipo de demência em todo o mundo, estimando que esse número aumentará para 139 milhões em 2050.1 Dados do Ministério da Saúde indicam que em torno de 1,2 milhões de pessoas idosas convivem em condição crônica por DA no Brasil e 100 mil novos casos são diagnosticados por ano.2
A DA é a condição crônica demencial mais comum e prevalente em pessoas acima dos 60 anos. É caracterizada como uma doença degenerativa, lenta, progressiva, irreversível, resultando na perda de células cerebrais, comprometendo a integridade física, mental, social e autonomia, gerando situações estressoras e impactos que interferem no bem-estar da pessoa idosa que vive com a doença.3 Tal condição pode requerer o apoio de um cuidador, geralmente um membro familiar, o qual assume as responsabilidades relacionadas às necessidades de vida e cuidado.
Nesse sentido, a interação entre a Estratégia de Saúde da Família (ESF) e os cuidadores de pessoas que vivem com DA é fundamental. Essa abordagem não somente busca promover a saúde e prevenir doenças, mas também considera a qualidade de vida do binômio pessoa idosa-cuidador familiar diante dos desafios significativos na assistência, com destaque ao papel da enfermagem que considere as dimensões físicas, emocionais e sociais do cuidado.4
Ao considerar as dimensões sociais do cuidado para além da rotina assistencial, os cuidadores familiares precisam desenvolver práticas para a promoção do envelhecimento ativo e a integração do convívio da pessoa idosa que convive com a DA. Esta, embora seja uma condição de progressiva dependência, há possibilidades de serem estimuladas a envelhecerem de forma plena e participativa.
Essa promoção deve ser uma responsabilidade compartilhada entre os cuidadores familiares, a equipe de saúde e a sociedade. A política de envelhecimento ativo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), ressalta que o envelhecer ativo não é apenas uma questão individual, mas um processo que deve ser facilitado pelas políticas públicas e iniciativas sociais, para desenvolver ações e programas de inclusão social da população idosa com o objetivo centrado na inserção, integração e participação efetiva na sociedade, estimulando a autonomia, prevenção de agravos, promoção, proteção, recuperação e reabilitação da saúde.5
A estrutura política do envelhecimento ativo, conforme preconizado pela OMS5, abrange quatro pilares: participação, aprendizagem ao longo da vida, saúde e segurança. Os cuidadores familiares, a partir da interação com a ESF, desempenham um papel vital na implementação desses pilares, ao incentivar a participação da pessoa idosa em atividades sociais e cognitivas, promovendo a aprendizagem contínua e garantindo um ambiente seguro e saudável.
A participação ativa em grupos comunitários, atividades recreativas e programas de educação para a saúde são exemplos de como os cuidadores podem facilitar o envelhecimento ativo. A interação social e o suporte emocional são determinantes para o bem-estar da pessoa idosa que convive com a DA.6 É necessário, pois, priorizar atividades não farmacológicas, destacando-se os jogos de memória, palavras-cruzadas, quebra-cabeça, leitura de livros, musicoterapia, estimulação de lembranças por meio de diálogos e fotografias, práticas de exercícios físicos, atividades manuais e dentre outros.7
Em suma, a promoção do envelhecimento ativo para pessoas idosas com DA requer uma abordagem multidisciplinar que envolva cuidadores familiares, profissionais de saúde e políticas públicas.
Do exposto, objetiva-se analisar as práticas de promoção do envelhecimento ativo desenvolvidas pelo cuidador familiar à pessoa idosa que convive com a DA.
Método
Trata-se de um estudo de campo, descritivo, exploratório e de abordagem qualitativa. Tendo em vista que a pesquisa qualitativa considera os níveis mais profundos das relações sociais, operacionalizando-os por meio dos aspectos subjetivos,8 neste estudo, busca-se compreender o fenômeno ― as práticas de promoção do envelhecimento ativo que os cuidadores familiares desenvolvem às pessoas idosas que vivem com a demência do tipo Alzheimer ― visto que, o fenômeno, em questão, vincula-se com a subjetividade e experiência de vida dos cuidadores que prestam este cuidado.
A pesquisa foi realizada nas áreas de abrangência de doze unidades de Estratégia de Saúde da Família (ESF) do município de Rondonópolis, terceira maior cidade do estado, localizada na região Sudeste de Mato Grosso, a 210 km da capital Cuiabá, e ocupa uma área territorial de 4.824,020 km². Estima-se cerca de 244.911 habitantes residindo no município.9
O município de Rondonópolis possui 65 unidades de saúde em funcionamento, sendo 62 na área urbana e três na zona rural. Deste total, dispõem-se de 58 equipes de ESF10, organizadas e distribuídas por distritos.
O sorteio dos distritos e equipes de ESF ocorreu por meio do aplicativo AppSorteos® e procedeu-se da seguinte maneira: a partir do app listaram-se os sete distritos conforme são divididos pelas supervisoras responsáveis. A partir do distrito sorteado, em segundo momento, listaram-se as equipes de ESF que o compõem, a fim de realizar um novo sorteio. Definido o distrito e a primeira equipe, as pesquisadoras se direcionaram até a unidade para contactar a enfermeira responsável e obter, por meio dela, acesso ao cuidador indicado, conforme critérios de inclusão pré-estabelecidos. Caso a equipe de ESF não dispusesse desse cuidador, procedia-se ao sorteio da próxima equipe de ESF. Essa sequência foi realizada até atingir todas as ESF do distrito sorteado. Não tendo atingido a redundância, seguia-se ao sorteio de um novo distrito e suas respectivas equipes de ESF, assim sucessivamente.
Desse modo, obtiveram-se os seguintes distritos e equipes de ESF para a coleta de dados: distrito 5, seis equipes; distrito 2, quatro equipes; e distrito quatro, duas equipes, compondo um total de 12 unidades.
Participaram cuidadores familiares responsáveis principais pelo cuidado à pessoa idosa que convive com a DA, distribuídos na área de abrangência das 58 unidades de ESF no município de Rondonópolis-MT. Em vista disso, fizeram parte do estudo 12 cuidadores familiares que atenderam aos seguintes critérios de inclusão: idade acima de 18 anos, que realizam o cuidado à pessoa idosa há pelo menos seis meses, responsáveis principais pelo cuidado, e que desenvolvessem o cuidado de maneira informal (sem remuneração). Foram excluídos aqueles em que, após três tentativas de contato pelas pesquisadoras, não houve sucesso para o agendamento e gravação da entrevista.
A escolha dos participantes ocorreu por conveniência, mediante indicação dos profissionais enfermeiros inseridos nas equipes de ESF. O número de cuidadores foi determinado a partir da técnica de saturação de dados, isto é, até o ponto em que se atingiu a redundância nas entrevistas.
A coleta de dados, realizada no período de junho a agosto/2023, por meio de entrevista semiestruturada, ocorreu em domicílio para melhor compreensão das experiências de cuidado e das práticas para a promoção do envelhecimento ativo desenvolvidas pelos cuidadores familiares às pessoas idosas que convivem com a DA, a partir das seguintes questões disparadoras: fale sobre a rotina de cuidado que você desenvolve junto à pessoa idosa com DA. Nessa rotina, quais são as atividades que você oferece à pessoa idosa que estão relacionadas com o bem-estar físico e a vida social?
As entrevistas, gravadas em aparelho celular do tipo smartphone e, posteriormente, transcritas na íntegra, ocorreram em horário agendado e definido pelo cuidador familiar. Os pesquisadores foram acompanhados até o domicílio do cuidador/pessoa idosa por um agente comunitário de saúde, a fim de garantir a segurança das famílias para a participação no estudo.
Para garantir o sigilo das informações e o anonimato dos cuidadores participantes, as entrevistas foram identificadas pela letra maiúscula “C” (representa a letra inicial de cuidador) seguida de número ordinal em ordem crescente de um a 12 (C1, C2, C3… C12).
Para a organização e análise dos dados, utilizou-se a técnica de análise de conteúdo de Bardin8, de acordo com as seguintes etapas: organização da análise, codificação, categorização, tratamento dos resultados, inferência e interpretação dos resultados.8
A partir da leitura exaustiva das entrevistas, identificaram-se e codificaram-se os achados por unidades de significado. Na análise, emergiram-se três eixos temáticos: 1. Envelhecimento Ativo: promoção das práticas de saúde e segurança a partir da rotina de cuidado desenvolvida pelo cuidador familiar, 2. Práticas de saúde e segurança como promoção do envelhecimento ativo para a independência funcional, 3. Participação social e a aprendizagem ao longo da vida como prática de promoção do envelhecimento ativo.
A pesquisa, realizada de acordo com os preceitos éticos e legais vigentes determinados na Resolução 466 de 12 de dezembro de 2012, do Conselho Nacional de Saúde (CNS)11, é originária da proposta do Programa Viver – Envelhecimento Ativo e Saudável da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa (SNDPI) - Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), e parte da pesquisa matricial intitulada “VIVER: Envelhecimento Ativo e Saudável”, estreitamente relacionada ao eixo da saúde, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Rondonópolis, sob CAAE 36636220.5.0000.8088.
Resultados
Participaram do estudo 12 cuidadores familiares de pessoas idosas que convivem com a DA com idade igual ou superior a 18 anos, de ambos os sexos. Verificou-se maior número de cuidadores do sexo feminino (83,3%). Em relação ao grau de parentesco, 5 (41,7%) eram cônjuges, 4 (33,3%) filhos e 3 (25%) noras. Em relação à faixa etária, 8 (66,7%) possuíam até 59 anos e quatro acima dos 60 anos.
Quanto ao estado civil, 7 cuidadores (58,3%) eram casados (as), 2 (16,8%) união estável, 1 (8,3%) solteiro (a), 1 (8,3%) viúvo (a) e 1 (8,3%) separado judicialmente. Em relação ao grau de instrução, 7 (58,3%) tinham ensino fundamental incompleto; 3 (25%) ensino médio incompleto; 1 (8,3%) ensino médio completo e 1 (8,3%) ensino superior completo. Todos os entrevistados referiram que não exerciam atividades de remuneração e não contavam com nenhum benefício do governo ou instituição.
Envelhecimento Ativo: promoção das práticas de saúde e segurança a partir da rotina de cuidado desenvolvida pelo cuidador familiar
No cotidiano do cuidado à pessoa idosa em condição crônica por Alzheimer, os cuidadores realizam ações de autocuidado como práticas promotoras do envelhecimento ativo com base nas necessidades humanas básicas apoiadas no pilar da saúde, como apoio para pentear e lavar os cabelos, trocas de fraldas, auxílio no banho e com as vestimentas nos períodos nos quais a pessoa idosa apresenta sinais de perda de memória. Além disso, os cuidadores familiares promovem o banho de sol pelas manhãs, proporcionando bem-estar relacionado à autoimagem, tais como depilação e cuidados com as unhas, cabelos e sobrancelhas.
Tem dia que ela está mais esquecida daí ela não faz nada sozinha. Quando ela está assim eu ajudo a lavar um cabelo [...] dar um banho, fazer alguma higiene [...] então é esse cuidado como cortar e pintar unha pra ela, levar ela na depiladora para cuidar da sobrancelha, das axilas [...]. (C1)
De manhã cedo ela acorda, toma o banho, escova os dentes [...] ela vai pro sol de cadeira de roda [...] faz a unha. (C5)
Ele tem o cabeleireiro dele [...] vem aqui, corta o cabelo, faz a barba[...]. (C11)
A rotina de cuidados desenvolvida pelo cuidador familiar relacionada à promoção da saúde para o envelhecimento ativo também se refere ao auxílio e realização de cuidados que consideram a capacidade para o desempenho funcional da pessoa cuidada. Tais ações estão relacionadas às tarefas como: administração, organização e aprazamentos de medicamentos, preparo, manuseio e oferta das refeições e manutenção da ingesta hídrica.
Então de manhã cedo eu acordo, nós damos medicação [...] da pressão, do Alzheimer, calmante. Ela toma um cafezinho, aí vai dormir [...] Acorda, almoça, toma o remédio da diabete e o cálcio [...] ela não sabe qual medicação, qual os remédios que toma, tem que entregar tudo na mão dela [...]. (C1)
De manhã na primeira hora que ela levanta é tomada a medicação, que é pra diabete e pra pressão alta [...] umas nove horas ela come uma frutinha, alguma coisa e aí onze horas é o almoço, logo depois vem com a medicação do diabete novamente [...] Ela janta por volta das 7 horas. (C4)
A gente organiza a medicação [...] compra e já deixa tudo marcado pra ela tomar. (C5)
Eu sempre estou procurando se ele quer alguma coisa [...] a água, eu pergunto também direto. Você quer água? Quero! Aí eu dou água direto na boca mesmo. (C11)
Vale destacar ainda, que a rotina de cuidado desenvolvida pelos cuidadores familiares, apoiada nos pilares de saúde e segurança como prática de promoção do envelhecimento ativo, envolve a execução das atividades instrumentais de vida diária (AIVD) por meio das tarefas domésticas como limpeza e organização do ambiente domiciliar, higienização e desinfecção dos pertences e espaços privativos, além do cuidado com as roupas de uso pessoal e de cama, considerando que, dentre os sinais clínicos da DA, incluem-se a perda do controle de esfíncteres e o declínio da capacidade de executar tarefas mais complexas, como manusear dinheiro, uso do aparelho celular, fazer compras e utilizar meios de transporte.
Eu que faço tudo. Desde a hora que ela levanta até a hora que ela deita. Sou eu que lavo, cozinho, dou banho. Ah, limpo a casa e passo roupa. Tudo sou eu [...] Coloco ela pra urinar sentada no vaso, porque ela fica o tempo todo de fralda [...] coloco ela pra fazer xixi, cocô, tudo no vaso. (C4)
Ela não está conseguindo mais segurar a questão do cocô e xixi. Já aconteceu de sujar a cama, não dá tempo de ir ao banheiro [...] às vezes saí e suja a casa, aí tem que limpar tudo [...] isso acontece duas ou três vezes por semana [...] aí eu cuido das roupas, do quarto, da cama. (C1)
Ela tem um celularzinho e uma agenda cheinha de contatos. Quando ela quer ligar para o filho dela, eu pego o telefone e ligo para conversarem [...] quando preciso sair eu chamo táxi ou a minha filha [...] tomamos o café e saímos cedinho, recebemos nossas aposentadorias, faço nossas comprinhas. (C2)
Práticas de saúde e segurança como promoção do envelhecimento ativo para a independência funcional
Dentre as atividades de promoção do envelhecimento ativo voltadas aos pilares de saúde e segurança, os cuidadores familiares promovem o estímulo à independência funcional para a realização de atividades da vida diária (AVD), tais como capacidade para as tarefas básicas de autocuidado que incluem tomar banho, vestir-se, escovar os dentes, alimentar-se, andar e transferir da cama para a cadeira de rodas.
Quando ela está consciente eu deixo ela tomar banho sozinha [...] procuro sempre estimular ela a tomar banho sozinha, entendeu? (C1)
Às vezes ela esquece que está comendo, fica olhando para o prato [...] tenho que lembrar, eu falo pra ela: pega a colher, você tem que comer!!! Aí ela lembra: ah… é a colher, aí ela vai comer a comida [...] procuro sempre estimular ela a dar uns passinhos quando transfiro ela da cama para cadeira de rodas ou da cadeira para o vaso sanitário [...] hoje em dia não precisamos pegar ela, ela mesma levanta e senta sozinha, eu só seguro e ajudo para se movimentar. (C4)
Quando é umas 10 horas, ela acorda já toma a medicação dela sozinha, toma o banho, escova os dentes [...] sempre procuramos estimular a independência dela para o autocuidado. (C5)
Eu e meus irmãos sempre priorizamos a independência dela para fazer as coisas, como tomar banho, vestir roupa, porque a memória dela ainda não está tão apagada. (C10)
Considerando as AIVD, a depender da fase da DA em que a pessoa idosa se encontra, assim como a partir de cuidados com a segurança e riscos ou danos à saúde, é possível que o cuidador familiar promova o incentivo à realização de tarefas domésticas como: manutenção da área externa (varrer quintal), limpeza do domicílio, higienização de roupas e utensílios domésticos, tarefas estas complexas e necessárias, de modo à promoção do viver independente e autônomo em sua própria residência.
Quando ela está bem, ela pega a vassoura e varre o quintal, arruma a cama, limpa a casa e lava todas as roupas sujas. (C2)
Nós a deixamos fazer algumas atividades domésticas como lavar vasilhas, varrer o terreiro e limpar a casa. Às vezes, ela quer lavar roupa, só que nós não deixamos, porque a máquina ela não sabe mexer [...] com fogão, nós também não deixamos porque é perigoso, às vezes ela esquece a “boca” ligada. (C10)
As práticas de promoção do envelhecimento ativo desenvolvidas pelo cuidador familiar à pessoa idosa com DA também estão relacionadas ao incentivo aos hábitos de vida saudáveis por meio da execução de atividades físicas junto à academia popular disponibilizada no bairro e realização de caminhada.
Quando é de tardezinha minha sogra (pessoa idosa com DA) e minha mãe realizam a caminhada [...] por volta das quatro horas da tarde [...] elas caminham aqui pelo bairro. (C1)
Aí tem hora que ela fala, vamos dar uma saidinha? [...] Aí nós vamos tardezinha, passamos naqueles aparelhos de academia que fica na praça, nós exercitamos um pouco e em seguida voltamos para casa. (C2)
Participação social e a aprendizagem ao longo da vida como prática de promoção do envelhecimento ativo
As práticas promovidas pelo cuidador familiar para o envelhecimento ativo da pessoa idosa que convive com DA são desenvolvidas a partir dos pilares da promoção da participação social da aprendizagem ao longo da vida, expressados pelo fortalecimento do vínculo afetivo, convivência intergeracional e encontros com a família, em especial, aos finais de semana.
[...] os netos gostam muito dela [...] ela brinca muito com as crianças, joga bola com os meninos [...] eles gostam de assistir televisão perto dela. (C1)
Eu fico com ela a semana inteira e aos finais de semana ela fica com os outros filhos [...] a gente leva na sexta à noite e vai buscar no domingo à noite [...] sábado e domingo são os dias reservados para ela interagir com os filhos. (C4)
Os netos sempre vêm tomar café com ela, no dia de sábado [...]. (C5)
A nossa família se reúne todos os finais de semana [...] fazemos almoço em família, algumas brincadeiras dentro de casa mesmo, só a família! (C7)
A gente sempre faz alguma coisinha com as filhas, netas e genros nos finais de semana. (C9)
Dentre as práticas de promoção do envelhecimento ativo à pessoa idosa com DA pelo cuidador, destacam-se: a participação social por meio do apoio familiar e da vizinhança, a religiosidade e momentos de espiritualidade por meio da participação em cultos, missas, campanhas religiosas, eventos festivos na igreja, rezas no ambiente domiciliar, visitas da comunidade da igreja e participação em programas religiosos por meio de canais de comunicação (televisão).
Na igreja ela gosta de ir às quintas e aos domingos [...] quando na igreja tem campanha, almoço e festinha ela vai também. (C1)
A gente vai às vezes na missa aos domingos que acontece aqui no bairro [...] a gente vai à noite, ela participa da missa e faz as orações [...] antes de deitar e ao levantar nós rezamos juntas e agradecemos a Deus. (C4)
O pessoal da igreja vem ver ela [...] trazem comunhão e fazem terços pra ela também[...] a comunidade da igreja sempre tá aqui visitando [...]. (C5)
Passa o dia assistindo televisão […] acaba uma missa e põe em outra [...] A vizinha também participa da igreja e convida a minha mãe a participar [...] quando tem missa aqui na redondeza, minha filha leva. (C6)
Quando a gente pode vai à igreja[...] a cada 15 dias a comunidade religiosa vêm aqui em casa para o fazer culto. (C7)
Ela gosta dos hinos evangélicos. (C10)
Ele é católico [...] uma vez ao mês o padre vem aqui em casa […] ele sempre pede pra gente fazer terços, tudo que pede a gente faz! [...] É tão bonito quando fazemos os terços porque no outro dia, ele fica sentado na cadeira de rodas lembrando e fazendo gestos do sinal da cruz. (C11)
As ações de promoção para o envelhecimento ativo também estão relacionadas à disponibilização de atividades de entretenimento por meio do aparelho das tecnologias de informação e comunicação (TIC), como: TV e rádio, acompanhamento assíduo de programação jornalística local, programas religiosos, esportivos (futebol) e filmes, favorecendo a inclusão intergeracional e participação social entre a pessoa idosa que convive com DA e familiares, além de acesso às informações e redução do isolamento social.
No horário do almoço ela gosta de assistir o jornal e a noite também por volta das seis horas. (C1)
Ele sempre gostou da televisão [...] gosta de assistir a jogos de futebol e filmes [...] assiste não sei quantas vezes o mesmo filme, mas que ele gosta. (C3)
Ela assiste com a gente quando estamos ali na frente da televisão [...] ou o neném está assistindo um desenho de tubarão ou de DJ aí ela fica ali também e ela interage com ele. (C4)
Assiste televisão! Ele manda ligar! Mas assiste o dia todo, dorme e acorda e assiste de novo [...] ele gosta de rádio, deixamos ligado durante o dia e a noite para escutar toda a programação e distrair com o rádio. (C8)
As práticas promotoras do envelhecimento ativo para a pessoa idosa com DA incluem a aprendizagem ao longo da vida por meio da inserção de atividades que contribuem para a estimulação da cognição, interatividade e melhoria da qualidade de vida. Desse modo, os cuidadores familiares adotam práticas sociais que auxiliam as pessoas idosas a se manterem ativas e vivas de acordo com sua afinidade, dentre elas: a vivência com a música, especialmente o ritmo sertanejo, prática de costura, cuidado com as plantas, realização de atividades plásticas, (re) memórias com fotografias e o uso de jogos.
Música, sempre gostou e gosta até hoje [...] temos uma caixinha de som aqui em casa [...] aí nos momentos que ele está acordado, ele liga (risos). (C9)
As meninas colocam músicas sertanejas [...] Ele tocava, né! A gente ouviu ele tocar [...] estimulamos ele colocando o violão em seu colo. (C12)
Ela gosta de costurar, entendeu? [...] gosta de fazer tapete na máquina de costura [...] Todos os tapetes da casa foram confeccionados por ela. (C4)
Ela levanta cedo e de imediato ao invés de sentar e tomar café, ela vai mexer com as plantas dela lá[...] gasta água até, aí que ela vem tomar café (risos). (C6)
Ela desenha no período da manhã [...] compramos um livro pra ela pintar, ajuda ela ocupar a mente um pouco. (C5)
Temos o hábito de mostrar o álbum de fotografia [...] pode falar o nome de qualquer filho, que ele não sabe quem é, para ele é estranho! Mas eu gosto de mostrar. (C12)
Aqui temos um dominozinho [...] aí tem vezes que ela gosta de jogar, nós pegamos ele e jogamos lá fora. (C2)
As atividades de lazer promovidas pelo cuidador familiar à pessoa idosa que convive com a DA compreendem: passeios esporádicos em praças, casa de familiares, parques verdes, shopping, feiras, locais comerciais, viagens e pescarias, visando promover a participação social como prática de promoção do envelhecimento ativo e contribuindo para o fortalecimento de laços afetivos e o bem-estar físico e mental.
De vez em quando fazemos passeios ao ar livre [...] eu e meu esposo sempre procuramos passear com ela e as crianças aos finais de semana [...] vamos no horto fazer caminhada, em feiras e nas pracinhas da cidade [...] uma ou duas vezes no mês a gente vai no shopping para estar tendo uma vida social também que ela gosta. (C1)
Procuramos promover ambientes e coisas diferentes [...] colocamos ela com todo cuidado dentro do carro e levamos na cadeira de rodas em todos os lugares [...]A gente leva na praça, mercado, farmácia, e também vai na casa de uma irmã para fazer visita. (C4)
Levamos ele para pescar no rancho ele gosta muito [...] Todos os finais de anos planejamos e organizamos viagem juntos para Curitiba na casa da minha filha. (C9)
Outrossim, como prática de promoção do envelhecimento ativo para a participação social, o cuidador familiar promove a independência financeira da pessoa idosa que vive com DA por meio da realização de serviços informais, como coleta de materiais recicláveis desenvolvidas durante as práticas de atividades físicas. Tal ação visa complementar a renda financeira da família, provendo assim à pessoa idosa que convive com DA a vivência para um envelhecimento ativo, autônomo e proporcionando sentimento de pertencimento e satisfação em contribuir com as despesas da família.
Durante as caminhadas nas ruas, minha sogra (pessoa idosa com DA) e minha mãe também gostam de catar latinha. A gente já deixa, é uma forma delas passarem o tempo e ocupar a mente [...] meu esposo vai e vende pra elas [...] é um extra que elas fazem, que ajuda a contribuir com as despesas e comprar alguma coisa para elas. (C1)
Discussão
A rotina de cuidado desenvolvida pelos cuidadores familiares à pessoa idosa em condição crônica por DA no contexto domiciliar neste estudo foi composta por tarefas voltadas à promoção da saúde e segurança como pilares para o envelhecimento ativo. A higiene e conforto foram relacionados ao auxílio na realização de tarefas básicas do cotidiano, como banho, troca de fraldas, vestir-se, pentear o cabelo e cortar as unhas. Normalmente, na DA o apoio para o autocuidado passa a ser realizado durante a segunda fase da doença, na qual ocorre a progressão do declínio cognitivo, denotando a dificuldade na mobilidade, necessitando de assistência e a realização de tarefas para o autocuidado à pessoa idosa.12
A necessidade de apoio para as ações de autocuidado, a depender dos sinais clínicos que a pessoa idosa apresenta diante das diferentes fases da DA, deve considerar inicialmente que a doença compromete a memória e na fase intermediária apresenta sintomas já acentuados, tais como: a dificuldade de execução de atividades rotineiras, relacionados ao declínio cognitivo e a incapacidade funcional. Por conseguinte, à medida que a doença vai evoluindo, a dependência da pessoa idosa aumenta progressivamente até que se torne totalmente dependente de cuidado.13
Diante das demandas e tarefas que envolvem a rotina de cuidados à pessoa idosa com DA, é de fundamental importância que o cuidador familiar valorize não só o conforto, mas também o autocuidado e a autoestima, favorecendo o bem-estar da pessoa idosa. O cuidado requer muito envolvimento e responsabilidade afetiva, demanda atenção, ocupação e preocupação.14
Percebe-se que os cuidadores familiares se envolvem de maneira intensa nas ações relacionadas ao autocuidado já que estas não podem mais serem executadas pelas pessoas idosas, em virtude da característica progressiva e degenerativa da DA, associada à acelerada perda cognitiva e da memória, assumindo então, tarefas básicas e cotidianas. Além disso, têm se preocupado com atividades voltadas para o bem-estar da pessoa cuidada.
Compreendendo o processo que envolve a rotina de cuidado à pessoa idosa com DA, este estudo apresenta dados sobre as práticas de promoção do envelhecimento ativo desenvolvidas pelos cuidadores familiares que corroboram outro estudo recente15. Apontam o desenvolvimento de estratégias relacionadas à manutenção do tratamento medicamentoso e contribuindo para o retardo da progressão da doença.
Além disso, a manutenção da alimentação e hidratação é de fundamental importância para evitar o aparecimento de doenças, desnutrição, bem como fornecer aportes adequados de nutrientes, prevenindo o aparecimento de complicações. Cuidados voltados à saúde alimentar, como definição de horários, quantidade, consistência das refeições e a oferta frequente de líquidos para manter um bom estado hídrico, nutricional e qualidade de vida da pessoa idosa que convive com DA, devem, rigorosamente, ser seguidos e ofertados pelos cuidadores familiares.16
Os cuidadores familiares têm assumido um papel importante na rotina diária de cuidado à saúde das pessoas idosas que vivem com a DA que por diversas vezes excedem seu conhecimento para atuação, com destaque à responsabilização pela administração de medicamentos e acompanhamento da efetividade do uso destes fármacos. Nesse sentido, o profissional de enfermagem a partir de práticas educativas em saúde e orientações sobre interações medicamentosas, aprazamentos e outros cuidados relativos ao uso de polifarmácia, podem ser essenciais na disponibilização de estratégias diretivas para potencializar o cuidado desenvolvido pelo cuidador.
O avanço da DA evolui para a perda das habilidades cognitivas e da função motora, declínio progressivo da capacidade funcional e perda gradual da autonomia, contribuindo para a diminuição da independência para a realização das AIVD. Consequentemente, prejudica a qualidade de vida da pessoa idosa e requer a supervisão integral do cuidador.17
Nessa perspectiva o apoio do cuidador familiar é imprescindível na vida da pessoa idosa, especialmente para os que necessitam de cuidados para realização de suas atividades cotidianas relacionadas à saúde e segurança, tais como serviços domésticos, limpeza do domicílio, higienização de roupas de uso pessoal, cama e pertences.18
Quanto às práticas de promoção de saúde e segurança para o envelhecimento ativo e considerando as limitações e consequências relacionadas à perda cognitiva progressiva e o declínio funcional, os cuidadores familiares procuram adotar estratégias que auxiliem na manutenção e preservação da independência funcional e autonomia para as atividades básicas e instrumentais de vida diária.19
Intervenções promovidas pelos cuidadores familiares são essenciais para a redução da dependência funcional para as AVD e AIVD e contribuem para que a pessoa idosa desenvolva suas habilidades de autocuidado com autonomia e independência, aprimorando aspectos cognitivos e superação das limitações.20
Assim como nos resultados desta pesquisa, um estudo evidenciou a relevância da prática de atividade física desenvolvida pela pessoa idosa em condição crônica por DA, de forma a melhorar a cognição e memória e fortalecer a capacidade funcional, percepção e coordenação motora. Dessa forma, a prática regular de atividade física é considerada como tratamento não farmacológico, de fácil acesso e com repercussão positiva diante da progressão da doença, uma importante aliada para promoção da saúde como prática de envelhecimento ativo e qualidade de vida da pessoa idosa com DA.21
Embora neste estudo os cuidadores familiares responsáveis principais pelos cuidados prestados às pessoas idosas em condição crônica por DA não tenham relatado em seus discursos a expressiva participação de apoio formal para a realização das ações promotoras para o envelhecimento ativo, nota-se que eles têm buscado efetivamente proporcionar aos seus familiares diversas ações que promovam qualidade de vida, dentre elas, aquelas voltadas para a melhora do condicionamento físico, vida social e manutenção da capacidade funcional para AVD e AIVD.
Nesse sentido, ressalta-se a importância inegável do apoio social formal por meio dos serviços de saúde e sociais, efetivando as diretrizes descritas nos dispositivos legais de amparo à população idosa no Brasil. Cabe em especial à enfermagem a promoção da independência funcional das pessoas idosas por meio da aplicabilidade de instrumentos de avaliação da capacidade funcional, subsidiando a prática assistencial, em especial, na atenção primária à saúde. A avaliação funcional é uma ação de cuidado promotora para o envelhecer saudável e ativo, assim como, preditiva para a identificação de pessoas idosas em condição de vulnerabilidade física e social.
Ao considerar as profundas alterações no cotidiano e na dinâmica de vida causadas pela DA, o apoio social informal pela família foi expresso de maneira robusta neste estudo, por meio da participação social e da aprendizagem ao longo da vida como prática de promoção do envelhecimento ativo à pessoa idosa. Nesse sentido, a criação de vínculos e conexões entre a pessoa idosa e a família é considerada de extrema importância para a qualidade de vida e fortalecimento das relações no contexto familiar. Isto contribui para a superação das dificuldades e barreiras que surgem durante a progressão da doença, assim como para a organização estrutural familiar e prestação de cuidados adequados.22
Neste estudo, os cuidadores familiares responsáveis principais pelo cuidado às pessoas idosas que vivem com a DA apresentaram-se como protagonistas ante a promoção das práticas de participação social para o envelhecimento ativo. O apoio familiar tem se destacado como pilar de sustentação das necessidades cotidianas e psicoemocionais da população idosa, contribuindo também para a criação de laços afetivos intergeracionais, promovendo o bem-estar e a inclusão da pessoa idosa com DA na dinâmica familiar.
Considera-se que a religiosidade no contexto do enfrentamento da doença crônica pode ser uma maneira de fortalecer as relações entre o cuidador, a pessoa idosa e a comunidade. A esse respeito, os cuidadores familiares adotaram o método coping religioso/espiritual na rotina de cuidado diário da pessoa idosa que convive com DA por meio da prática de devoção, acompanhamento de programações religiosas e a frequência assídua em cultos, atividades estas que propiciam a prática e renovação da fé. Tais estratégias contribuem positivamente para a promoção do enfrentamento da doença e para a melhora no bem-estar emocional e espiritual.23
Ainda, neste estudo, o apoio da comunidade religiosa se apresenta como papel central na manutenção do bem-estar psicológico, espiritual, emocional e social da pessoa idosa. Promove a melhoria da qualidade de vida, autonomia, fortalecimento da espiritualidade, em especial, para o enfrentamento de condições de saúde de evolução progressiva e irreversível como a DA.
Outra maneira encontrada pelos cuidadores familiares para a promoção do envelhecimento ativo às pessoas idosas que convivem com a DA foi a inserção das TIC em seus cotidianos. A implantação de TIC como TV digital, rádio, telenovelas e noticiários são as principais alternativas adotadas pelos cuidadores familiares para propiciar ligação ao mundo exterior, limitando o sentimento de exclusão social. A inserção dos aparelhos de telecomunicações e programações de emissoras contribuem para o desenvolvimento da habilidade audiovisual, comunicação, atenção e memória, proporcionando aproximação do contato social da pessoa idosa com DA.24
Práticas sociais contributivas para a promoção do estado cognitivo e interatividade da pessoa idosa que vive com a DA em observância às suas afinidades de entretenimento foram outro destaque neste estudo. Destacam-se os benefícios da participação social na promoção do envelhecimento ativo e os efeitos da utilização da música como terapia complementar no tratamento de pessoas idosas em condição de DA visando a estimulação cognitiva, despertando sentimentos e emoções, estímulo ao convívio social e redução dos sintomas depressivos e de ansiedade.25
A qualidade de vida e o processo de envelhecimento da pessoa idosa com DA estão interligados a um conjunto de fatores tais como bem-estar físico, mental, social e lazer. Nesse interim, a prática de lazer, evidenciada nesta pesquisa, constitui um forte aliado para o enfrentamento da progressão DA melhoria das condições de saúde, comportamentais e inclusão social.26
Também foi observado que os cuidadores familiares desenvolvem atividades sociais e de lazer visando inserir a pessoa idosa com DA no meio social de forma ativa, autônoma e independente. A utilização dessa estratégia influencia positivamente na qualidade de vida e na inclusão social da pessoa idosa com DA, proporcionando, assim, a estimulação da cognição, o resgate de memórias, as interações socioafetivas, a melhoria do humor e da ansiedade e a manutenção do vínculo social.27
Para além dessas evidências, e na perspectiva da promoção da autonomia da pessoa idosa com DA, nesta pesquisa evidenciou-se como prática inovadora para o incentivo à independência financeira, a atividade de coleta de materiais recicláveis com possibilidade de complementação de renda financeira.
É importante ressaltar que os cuidadores têm desenvolvido práticas sociais de entretenimento e de lazer para a promoção da autonomia das pessoas idosas em seu contexto de vida por meio de atividades cotidianas e utilizando-se dos recursos disponíveis a partir das suas possibilidades sociais e financeiras, destacando apenas o apoio informal de outros membros da família, da vizinhança ou da comunidade religiosa, sem qualquer evidência do apoio da sociedade e do Estado, distanciando-se da efetivação das políticas públicas vigentes.
Diante do exposto, pode-se inferir que a partir do vigente processo de envelhecimento populacional no Brasil e em referência à CF/88, que assegura pelo Estado Democrático o exercício dos direitos sociais e individuais, dentre eles, os das pessoas idosas, ainda constata-se uma lacuna na efetivação das garantias de participação em atividades sociais e de promoção da autonomia por meio da sociedade e do Estado, ficando a cargo estritamente das famílias a responsabilização das práticas sociais que promovem o desenvolvimento de suas potencialidades para o envelhecimento saudável e ativo.
À enfermagem cabe o despertar para a qualidade dos cuidados prestados à pessoa idosa que convive com a DA e seus familiares por meio do atendimento individualizado e centrado no usuário a partir da execução das ações assistenciais no cenário da Atenção Primária à Saúde. A implementação das proposições políticas na prática de cuidado pode ser evidenciada por meio das consultas de enfermagem e orientações educativas em saúde com o intuito de instrumentalizar essa população de seus direitos.
A limitação do estudo refere-se à impossibilidade de generalização dos dados, dado o método qualitativo.
Conclusão
Ao analisar as práticas de promoção do envelhecimento ativo desenvolvidas pelo cuidador familiar à pessoa idosa que convive com DA, evidenciou-se a relação entre os quatro pilares da política de envelhecimento ativo: saúde, segurança, aprendizado ao longo da vida e participação, propiciando práticas integradas voltadas ao bem-estar da população idosa.
A promoção da saúde se apresentou como eixo central do envelhecimento ativo, com práticas de cuidado desenvolvidas pelos cuidadores familiares a partir da promoção do bem-estar físico, mental e social, além da autonomia e independência funcional das pessoas idosas que convivem com a DA. A segurança referiu-se aos ambientes que protegem os idosos contra riscos econômicos, físicos e sociais, enfatizando sistemas de proteção social e acesso a serviços públicos, fundamentais para promover envelhecimento ativo, com destaque para a manutenção e apoio das atividades instrumentais da vida diária.
O aprendizado ao longo da vida, ou seja, contínuo, apresentou-se como um pilar de estímulo à plasticidade cognitiva e social das pessoas idosas, considerando o apoio formal dos profissionais de saúde, em especial, enfermeiros, na promoção do envelhecimento ativo por meio da indicação de possibilidades educativas em saúde, aprendizagem de novas habilidades, autoconfiança e a integração social. Além disso, o uso de tecnologias de informação e comunicação com vistas à inclusão digital e à autonomia. Já a participação social englobou a integração das pessoas idosas que vivem com DA na sociedade, valorizando sua experiência e voz ativa, reduzindo o isolamento social.
Acredita-se que os resultados deste estudo possam auxiliar outras famílias e cuidadores no processo de cuidado à pessoa idosa com DA, despertando possibilidades para o envelhecimento ativo a partir dos recursos disponíveis. Além disso, o estudo pode contribuir para potencializar melhorias na prática assistencial entre os profissionais da enfermagem e saúde, evidenciando a necessidade de desenvolvimento de ações e programas de inclusão social da população idosa que convive com a DA, com destaque também para o papel da sociedade e do Estado, a fim de proporcionar práticas promotoras para o envelhecimento ativo.
Contribuições dos autores
Concepção do estudo: Samara Cristina Guimarães de Azevedo, Maria Edielly da Silva Rodrigues, Luciane Almeida Casarin. Coleta de dados: Samara Cristina Guimarães de Azevedo, Maria Edielly da Silva Rodrigues, Luciane Almeida Casarin. Análise e interpretação dos dados: Samara Cristina Guimarães de Azevedo, Maria Edielly da Silva Rodrigues, Luciane Almeida Casarin. Redação do manuscrito: Samara Cristina Guimarães de Azevedo, Maria Edielly da Silva Rodrigues, Luciane Almeida Casarin. Revisão crítica do manuscrito: Samara Cristina Guimarães de Azevedo, Maria Edielly da Silva Rodrigues, Luciane Almeida Casarin. Aprovação da versão final do texto: Samara Cristina Guimarães de Azevedo, Maria Edielly da Silva Rodrigues, Luciane Almeida Casarin.
Conflito de interesse
Os autores declararam não haver conflito de interesse.
Financiamento
Os autores declararam que não houve financiamento.
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Autor Correspondente
Nome: Samara Cristina Guimarães de Azevedo
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