Experiências emocionais e estilos de enfrentamento de brasileiros no Canadá durante a pandemia de Covid-19 ao enfrentar situações estressantes com sua família e amigos no Canadá e no Brasil

Margareth Santos Zanchetta1Idevania Geraldina Costa2Stephanie Pedrotti Lucchese3Mavi Galante Mancera Molinari Blotta4Clarissa Moura de Paula5Talita Maciel6Marcelo Medeiros7, Rosana Barbosa8, Walterlânia Silva Santos9Kelly Graziani Giacchero Vedana10, Vanessa Fracazzo11, Kênia Lara Silva12, Maria Odete Pereira13

1,4,5,6Toronto Metropolitan University. Toronto (ON), Canadá.

2Lakehead University, Thunder Bay (ON), Canadá.

3McMaster University. Hamilton (ON), Canadá.

7Universidade Federal de Goiás. Goiânia (GO), Brasil.

8Saint Mary’s University. Halifax (NS), Canadá.

9Universidade de Brasília. Ceilândia (DF), Brasil.

10Universidade de São Paulo. Ribeirão Preto (SP), Brasil.

11Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná. Irati (PR), Brasil.

12,13Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte (BH), Brasil.

Introdução

A imigração para o Canadá aumentou significativamente nos últimos anos, com mais de 235.000 imigrantes chegando ao Canadá a cada ano desde 2000.1 A partir da década de 1980, a imigração brasileira para o Canadá também aumentou consideravelmente.2 Havia 5.295 imigrantes brasileiros vivendo no Canadá antes de 1991; 15.120 em 2006 e 36.830 em 2016.2 O reassentamento em outro país é um grande desafio para a saúde mental, pois envolve integração social, lutas contra a discriminação, bem como dificuldades em mobilizar os talentos de uma pessoa e realizar seus sonhos profissionais.3 Também existem desafios relacionados à adaptação às normas culturais, práticas religiosas e redes de apoio/social. O suporte social é um importante fator de proteção contra problemas de saúde mental4 e há evidências clínicas que mostram que pode levar a resultados psicológicos positivos, como aumento da autoestima, resiliência e autoeficácia.5,6

No Canadá, uma pesquisa documentou que 82,1% dos participantes relataram que a conexão social com amigos e familiares foi uma estratégia fundamental de enfrentamento durante a pandemia da COVID-19,7 destacando a importância de desenvolver maneiras de envolver amigos e familiares remotamente para prevenir a disseminação do vírus e promover o bem-estar da saúde mental. Durante a pandemia, imigrantes recentes relataram saúde mental regular ou comprometida em relação à pandemia em comparação com os canadenses.8 É necessária pesquisa para examinar as experiências emocionais da pandemia nas comunidades imigrantes no Canadá, tendo em vista que, com o aumento da imigração brasileira, explorar as experiências psicológicas durante a pandemia neste grupo cultural é importante para melhor entendê-lo e atender suas necessidades de saúde. Não havia literatura científica explorando o impacto da saúde emocional dos imigrantes brasileiros no Canadá, muito menos estudos que avaliassem o impacto emocional da pandemia nessa população. Além disso, nenhum estudo específico foi identificado na literatura internacional com foco em imigrantes brasileiros, refugiados, imigrantes indocumentados, indivíduos apátridas ou mesmo aqueles que não conseguiram sair de um país estrangeiro durante a fase emergencial da pandemia.

Marco conceitual

Nossa pesquisa foi guiada por um marco conceitual original que fez perguntas aos participantes projetadas para estimular uma ampla gama de respostas, além de apoiar a análise e interpretação dos dados. O marco foi inspirado pelo Modelo Transacional de Estresse e Enfrentamento (TMSC) de Lazarus e Folkman.9 O TMSC, sendo um modelo teórico, considera o enfrentamento como esforços cognitivos e comportamentais para adaptação a situações específicas avaliadas como estressantes por um indivíduo, com situações estressantes classificadas como aquelas que envolvem dano/perda, ameaça ou desafio. O TMSC busca capturar a resposta emocional ou "estilo" que é evocado durante uma situação estressante. Estilos "focados na emoção" podem incluir estratégias de evitamento, minimização, distanciamento, atenção seletiva, comparações positivas e obter valores positivos a partir de eventos negativos, que podem ser adaptativos ou mal adaptativos. Outra estratégia de enfrentamento é a "focada no problema", que envolve uma busca ativa para resolver situações estressantes. Mais recentemente, Folkman10,11 propôs um estilo de enfrentamento "focado no significado" cujos tipos são encontrar benefícios, lembrar benefícios, processos de objetivos adaptativos e estabelecer prioridades. Seja qual for a estratégia de enfrentamento, o indivíduo tenta redesenhar o significado, a prioridade e o valor. O foco são as crenças e os valores pessoais que permitem que uma pessoa mantenha sua motivação e sustente suas estratégias de enfrentamento durante uma situação estressante.11 O marco guiou a busca e a identificação de uma tendência em relação às estratégias de enfrentamento, mas não permitiu uma análise aprofundada devido à superficialidade das respostas coletadas.

Figura 1 - Marco Conceptual. Toronto (ON), Canadá, 2021.

Pergunta de pesquisa

Qual foi a experiência emocional dos brasileiros vivendo no Canadá durante a pandemia da COVID-19?

Objetivo

Identificar as experiências emocionais dos brasileiros no Canadá durante a pandemia da COVID-19 e as estratégias de enfrentamento que adotaram diante de situações estressantes para si mesmos, suas famílias e seus amigos, tanto no Canadá quanto no Brasil.

Método

Esta pesquisa foi revisada e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Toronto Metropolitan University: REB #2021-194-1; Lakehead University: Número do Arquivo Romeo: 1468750; e pelo Comitê de Ética em Pesquisa da St. Mary’s University: 21-111, todas localizadas no Canadá. Todos os participantes forneceram consentimento informado explícito online. O desenho da pesquisa foi um questionário online modificado que foi criado a partir de uma perspectiva qualitativa12 com o objetivo de reformular estratégias metodológicas para tornar o recrutamento e a coleta de dados viáveis em ambientes desconhecidos e especialmente de difícil acesso.13 O questionário foi utilizado como parte de um desenho misto com métodos convergentes.14 O desenho possui uma abordagem de fase única com a coleta combinada de dados quantitativos e a coleta de evidências qualitativas, mas com análises separadas de ambas as evidências para uma comparação posterior de ambos os conjuntos de resultados. O questionário da pesquisa aplicou a experiência de pesquisadores qualificados em pesquisa qualitativa e quantitativa.

Participantes

Brasileiros que vivem no Canadá compuseram a amostra de conveniência.15 Os critérios de inclusão foram: (a) 18 anos ou mais; (b) nascido no Brasil ou de descendência brasileira; (c) vivendo no Canadá durante a pandemia da COVID-19; (d) acesso à internet; e (e) disposição para fornecer o consentimento implícito para a pesquisa online e/ou para entrevistas individuais por telefone-online. Os critérios de exclusão foram: (a) menores de 18 anos na época da pesquisa; (b) não vivendo no Canadá durante a pandemia da COVID-19; e (c) se estiver no Canadá, mas sem um parente vivendo no Brasil durante a pandemia da COVID-19. A amostragem por critérios, que é uma forma de amostragem de conveniência, foi utilizada para recrutar e selecionar participantes que vivenciaram o fenômeno de interesse. Uma variedade de estratégias foi utilizada para o recrutamento, como: (a) vídeo informativo (https://www.youtube.com/watch?v=pio7-UgQNhQ); (b) amostragem em bola de neve; e (c) postagens de anúncios em mídias sociais e realização de apresentações online facilitadas por apoiadores comunitários.

Coleta de Dados

A coleta de dados ocorreu de julho a outubro de 2021, após a ampla disseminação de um vídeo de recrutamento e anúncio entre redes profissionais e sociais brasileiras no Canadá.

Medidas

O questionário original não tinha a intenção de servir como uma ferramenta de inventário de enfrentamento; não foi projetado para que as respostas permitissem a categorização de estratégias de enfrentamento. O uso do modelo teórico nos inspirou a criar as opções de resposta como possibilidades de ações e comportamentos contextualizados, social e legalmente, e aceitáveis para o que foi vivido na sociedade canadense na época da coleta de dados. Apenas um questionário criado, testado e validado por especialistas em psicologia permitiria a alocação de respostas em categorias de enfrentamento.

O questionário continha 26 perguntas fechadas e, entre elas, cinco com "outro" como uma opção de resposta, permitindo respostas narrativas curtas, e uma pergunta aberta. O questionário estava disponível em inglês, português e francês, e foi elaborado para a parte descritiva exploratória da pesquisa. Os conteúdos das principais seções incluíam dados demográficos básicos (gênero, sexo, idade, província de residência), tempo vivendo no Canadá, identidade como profissional de saúde ou estudante em ciências da saúde, número de pessoas que vivem na casa, barreiras e fatores que impediram a viagem ao Brasil (por exemplo, visto de estudante, visto de trabalho, etc.), frequência com que os participantes mantiveram contato com familiares e amigos no Brasil e no Canadá, e as necessidades de saúde dessas pessoas no Brasil durante a pandemia da COVID-19. O questionário explorou os impactos da pandemia nas emoções pessoais, em membros da família, conhecidos ou amigos que sofreram algum problema grave de saúde, hospitalização ou morte devido à pandemia no Brasil, busca de ajuda para lidar com as emoções causadas pela pandemia, busca de ajuda em rede social brasileira no Canadá, maneiras de lidar com as emoções, autopercepção da saúde geral, acesso a serviços de saúde emocional em português, prática de socialização, abordagem para enfrentamento da pandemia, preocupações relacionadas a parentes no Brasil e estratégias para monitorar eventos familiares no Brasil. O tipo de escala usada para medir os itens do instrumento foi: categórica, contínua e de classificação.

A validade do questionário não foi estabelecida, representando ameaças à validade de construto. A equipe utilizou duas estratégias específicas para garantir a validade de conteúdo, contando com eles mesmos como especialistas naturais em relação ao fenômeno em investigação. O desenvolvimento das perguntas e alternativas de resposta foi feito em duas etapas: (a) copesquisadores brasileiros (n=7) que estavam vivendo no Canadá elaboraram perguntas com base em suas próprias experiências de separação geográfica de parentes brasileiros que vivem no Brasil, e (b) copesquisadores  brasileiros (n=8) que estavam vivendo no Brasil ajudaram a desenvolver perguntas que expressavam a singularidade das situações vividas durante a pandemia da COVID-19. A limitação temporal é a principal ameaça à validade externa, pois os resultados não podem ser generalizados para situações passadas ou futuras.14 As histórias dos participantes podem ser listadas como uma ameaça à validade interna, pois suas experiências podem comprometer a capacidade do pesquisador de fazer inferências corretas sobre a população a partir dos dados.

A primeira autora (uma docente de Enfermagem da diáspora brasileira fluente em português, inglês e francês) supervisionou a tradução dos questionários pelos copesquisadores bilíngues (francês/português e inglês/português) e os revisou para garantir a adequação semântica. Todos os questionários foram revisados e editados para acomodar falantes nativos usando uma linguagem simples e clara, permitindo alta compreensão pelos potenciais participantes. A decisão de apresentar múltiplas alternativas de resposta para um questionário online segue as tendências atuais da pesquisa online13 dentro da perspectiva da saúde global. O questionário online foi utilizado porque era a única maneira viável de alcançar participantes em regiões geográficas distantes sem depender dos serviços postais do governo, que estavam altamente interrompidos durante o período de coleta de dados. Além disso, essa escolha metodológica também se deve à conhecida maior taxa de resposta dos questionários online em comparação com outras formas de entrega, evitando, assim, o viés de não resposta.16,17

Análise

Não houve análise inferencial porque esta pesquisa foi descritiva e não formulou hipóteses inferenciais, portanto, nenhum teste inferencial foi realizado. Os dados sociodemográficos e as respostas a perguntas de múltipla escolha foram compilados e organizados em tabelas e gráficos como estatísticas descritivas14 pela plataforma Opinio. Esta análise estatística teve como objetivo descrever e sintetizar dados sobre um aspecto particular ou características do conjunto de dados,18 como aqueles inerentes ao novo fenômeno de reações emocionais à experiência psicológica da pandemia da COVID-19 e suas variáveis significativas desconhecidas.

Resultados

A experiência vivida dos brasileiros no Canadá foi única no que diz respeito à segurança, liberdade e abordagens de autocuidado (por exemplo, acesso a álcool e drogas para uso pessoal) e inclusão social (por exemplo, oferta de serviços de saúde sem a comprovação de condição migratória), uma vez que todos os indivíduos no país tinham acesso aos serviços de saúde e à proteção à saúde. Esse contexto criou uma sensação de segurança e proteção que foi identificada entre os participantes.

Esta seção descreve os resultados como frequência absoluta e relativa como as respostas de 387 participantes em português (n=293), inglês (n=91) e francês (n=3). As Tabelas 1 a 5 compilam os resultados pelo idioma preferido dos participantes. A Tabela 1 exibe o alcance demográfico geral dos participantes. Os participantes residiam em 8 das 10 províncias canadenses, conforme a seguinte distribuição: Ontário (n=178; 46%), Manitoba (n=72; 17%), Québec (n=64; 16%), Alberta (n=19; 5%), New Brunswick (n=13; 3%), British Columbia (n=13; 3%), Nova Escócia (n=8; 2%) e Saskatchewan (n=6; 1,5%). Quando questionados sobre a possibilidade de viajar para o Brasil, 166 participantes (43%) informaram que o visto de estudante, trabalho ou turismo válido não era aplicável à sua situação no Canadá, mas 231 participantes (57%) não tinham restrições de visto para viajar ao Brasil a partir de março de 2020, pois tal condição era inaplicável à sua condição de imigração. O estado de saúde geral dos participantes foi expresso como "indo bem" (n=253; 65%) quando perguntados sobre o quanto a pandemia da COVID-19 havia impactado suas emoções. Por outro lado, 95 participantes (39%) responderam "um pouco" à mesma pergunta, e 43 participantes (11%) "muito", o que explicou a resposta de 242 participantes (62,5%) que relataram que não haviam buscado ajuda para lidar com suas emoções.

Tabela 1 - Sociodemográfico (por idioma das respostas*; n = 387). Toronto (ON),Canadá, 2021.

Variável

Inglês

(n=91; 23%)

Português

(n=293; 76%)

Francês

(n=3, 1%)

Sexo

 

 

 

Mulher

69 (76%)

221 (75%)

3 (100%)

Homem

22 (24%)

60 (24%)

-

Intersexo

-

1 (0.3%)

-

Tempo vivendo no Canada

 

 

 

Menos que 18 meses

3 (3%)

15 (5%)

-

19 meses – menos que 2 anos

4 (4%)

20 (7%)

-

2–5 anos

42 (46%)

132 (45%)

1 (33%)

6–10 anos

19 (21%)

57 (19%)

-

11–15 anos

9 (10%)

23 (7%)

1 (33%)

16–20 anos

2 (2%)

15 (5%)

-

+ 20 anos

12 (13%)

20 (7%)

1 (33%)

Composição do lar

 

 

 

Vivo sozinho

7 (8%)

20 (0.7%)

-

Eu e 1 pessoa

35 (38%)

124 (42%)

1 (33%)

Eu e 2 pessoas 

23 (25%)

51 (17%)

-

Eu e 3 pessoas 

20 (22%)

63 (21.5%)

-

Eu e 4 pessoas 

3 (3%)

20 (7%)

2 (67%)

Eu e 5 pessoas 

3 (3%)

6 (2%)

-

Profissional da saúde

 

 

 

Não

80 (88%)

246 (84%)

2 (67%)

Sim

10 (11%)

37 (13%)

1 (33%)

Estudante em ciências da saúde

 

 

 

Não

88 (97%)

275 (94%)

3 (100%)

Sim

3 (3%)

9 (3%)

-

Os dados sociodemográficos indicaram que a maioria dos participantes eram mulheres (n=293; 76%), vivendo no Canadá entre 2 a 5 anos (n=175; 45%), cujas famílias são compostas por duas pessoas (n=160; 41%), sendo que a maioria dos participantes não era profissional de saúde nem estudante em ciências da saúde. Nos três grupos de participantes, houve casos graves de infecção da COVID-19 entre conhecidos (n=203; 52%), parentes próximos (n=178; 46%), conhecidos próximos (n=163; 42%), e outros indivíduos que os participantes conheciam casualmente por meio de sua própria rede social (n=124; 32%). A indisponibilidade de serviços de saúde em português para lidar com questões emocionais e expressar necessidades de maneira confortável foi observada por 282 participantes (73%). A prática semanal de contato social (por exemplo, chamadas telefônicas, WhatsApp, etc.) foi uma estratégia relevante para gerenciar o impacto do distanciamento geográfico e físico, como apresentado na Tabela 2.

Tabela 2 - Contato com a família e redes sociais durante a pandemia de COVID-19 (por idioma das respostas*; n = 387). Toronto (ON), Canadá, 2021.

Variável

Inglês

(n=91; 23%)

Português (n=293; 76%)

Francês (n=3; 1%)

Contato com amigos/colegas/conhecidos  brasileiros no Canadá

 

 

 

Diariamente

27 (30%)

86 (29%)

-

Semanalmente

33 (36%)

116 (40%)

1 (33%)

A cada 2 semanas

7 (8%)

18 (6%)

-

Mensalmente

2 (2%)

8 (3%)

1 (33%)

Sempre que preciso

13 (14%)

28 (9.5%)

-

Raramente

7 (8%)

27 (9%)

1 (33%)

Contato com amigos/colegas/conhecidos brasileiros no Brasil

 

 

 

Diariamente

27 (27.5%)

-

1 (33%)

Semanalmente

34 (37%)

95 (32%)

2 (67%)

A cada 2 semanas

8 (9%)

-

-

Mensalmente

8 (9%)

80 (27%)

-

Sempre que preciso

11 (12%)

-

-

Raramente

3 (3%)

-

-

Contato com familiares vivendo no Brasil

 

 

 

Diariamente

40 (44%)

151 (51.5%)

2 (67%)

Semanalmente

36 (40%)

98 (33%)

1 (33%)

A cada 2 semanas

6 (7%)

10 (3%)

-

Mensalmente

1 (1%)

2 (0.7%)

-

Sempre que preciso

6 (7%)

17 (6%)

-

Raramente

2 (2%)

5 (2%)

-

Nota*: a frequência absoluta é menor do que o tamanho da subamostra devido à falta de respostas em alguns itens.

A Tabela 3 resume as respostas mais populares dos participantes relacionadas ao seu modo de vida autopercebido durante a pandemia da COVID-19. Ela mostra que a maioria dos participantes (n=202; 52%) se percebia mais protegida contra a pandemia da COVID-19 no Canadá, o que os fez se sentir positivos em relação ao seu modo de viver. Por outro lado, vários participantes relataram sentimentos de ansiedade e angústia relacionados à separação de suas famílias durante a pandemia (n=178; 46%), o que se manifestou em comer em excesso (n=174; 45%), realizar menos atividades físicas (n=140; 36%), sentir-se um pouco agitado, nervoso ou até mesmo ter palpitações, e sentir-se "paralisado", ou incapaz de trabalhar como antes ou até de realizar as atividades da vida diária (n=141; 36%). Entre as respostas "outras" relacionadas às mudanças no modo de viver afetadas pela pandemia, os participantes indicaram uma alta demanda por consultas de informações sobre a gestão da pandemia tanto no Brasil quanto no Canadá, além de relatos de que a vida de alguém permaneceu inalterada. No entanto, na maioria das vezes, os participantes indicaram sentimentos de angústia, tristeza, luto e muita ansiedade em relação ao futuro.

Tabela 3 - Situações que melhor descreveram o modo de viver autorreferido dos participantes durante a pandemia de COVID-19 (por idioma das respostas*; n = 387). Toronto (ON), Canadá, 2021.

Afirmação

 

Inglês**

(n=91; 23%)

Português** (n=293; 76%)

Francês **

(n=3; 1%)

Estou me sentindo bem por pensar que estou mais protegido(a) aqui no Canadá.

58 (64%)

142 (48.5%)

2 (67%)

Estou triste por estar separado da minha família nesse momento difícil.

49 (54%)

127 (43%)

2 (67%)

Alguns dias, sinto que tenho vontade de comer mais.

44 (48%)

130 (44%)

-

Tenho feito menos exercícios físicos devido a mais horas de trabalho em casa.

38 (42%)

101 (34.5%)

1 (33%)

Às vezes, eu sinto um pouco de agitação, palpitações ou nervosismo. 

34 (37%)

125 (43%)

1 (33%)

Às vezes, me sinto “paralisado”, não consigo fazer as coisas no dia a dia ou trabalhar como antes.

31 (34%)

110 (37.5%)

-

Nota: * a frequência absoluta é menor do que o tamanho do subamostra devido à falta de respostas em alguns itens; ** resultados de uma pergunta com 21 afirmações como opções de resposta. Os participantes forneceram mais de uma resposta para esta pergunta, o que ultrapassa 100%.

A Tabela 4 resume as respostas dos participantes sobre suas principais preocupações relacionadas a suas famílias no Brasil. A Tabela 5 resume as estratégias utilizadas para monitorar eventos familiares no Brasil e as estratégias de enfrentamento utilizadas com familiares, amigos e parentes. Entre os participantes que tinham contato frequente com suas famílias, alguns deles decidiram não preocupá-los excessivamente ou acompanhar situações no Brasil que causavam sofrimento, como violência comunitária e suas dificuldades de acesso à saúde devido ao isolamento social e à quarentena. Outros participantes relataram não ter tido falecimento na família ou de amigos próximos, o que não teve impacto emocional. Estudar sobre espiritualidade, praticar meditação, apreciar a simplicidade da vida, conversar com parentes e brincar/aproveitar o tempo com crianças foram estratégias adicionais de enfrentamento apresentadas pelos participantes.

Evidências indicam que as principais preocupações dos participantes estavam relacionadas à segurança de seus entes queridos que viviam no Brasil, devido ao alto risco de infecção, falta de autoproteção, além do acesso restrito aos serviços de saúde (por exemplo, vacinação, hospitalização, atendimento de emergência, internação em UTIs e atendimento ambulatorial). No Canadá, o uso comum de plataformas de comunicação e redes sociais, de certa forma, aliviou o impacto de situações estressantes. Além disso, a menor preocupação com a segurança pessoal foi decorrente da sensação de proteção no Canadá, apesar dos sentimentos contraditórios de insegurança devido à demissão de um emprego. Práticas de enfrentamento incluíram caminhadas, contato com a natureza, ciclismo, orações, bem como a reconexão com sua religião e espiritualidade.

Tabela 4 - Principais preocupações relacionadas à família no Brasil e situações que geraram mais preocupações desde o início da pandemia (por idioma das respostas*; n = 387). Toronto (ON), Canadá, 2021.

Afirmação 

Inglês

(n=91; 23%)

Português

(n=293; 76%)

Francês

(n=3; 1%)

Preocupações principais relacionadas a família**

 

 

 

Tenho medo que alguns de meus familiares que são do grupo de risco tenham a COVID-19.

67 (74%)

222 (79%)

2 (67%)

Tenho medo que algum familiar faleça e eu não possa me despedir.

65 (71%)

198 (70.5%)

-

Tenho medo que meus familiares não tenham acesso ao serviço de saúde, caso necessitem.

46 (50.5%)

123 (44%)

-

Me preocupo que meus familiares não estejam fazendo isolamento social e se cuidando de forma efetiva.

46 (50.5%)

136 (48%)

2 (67%)

Me preocupo com o bem-estar emocional dos meus familiares durante a pandemia.

40 (44%)

194 (69%)

-

Me preocupo porque meus familiares estão expostos ao vírus por não poderem trabalhar em casa, de maneira online.

34 (37%)

92 (33%)

2 (67%)

Situações causadoras de maiores preocupações***

 

 

 

Saber que tenho um familiar no Brasil que está no grupo de risco para COVID-19.

67 (77%)

131 (53%)

-

Saber que familiares no Brasil não podem tomar logo a vacina para COVID-19.

54 (62%)

149 (60%)

2 (67%)

Notas: *a frequência absoluta é menor do que o tamanho da subamostra devido à falta de respostas em alguns itens; **resultados de uma pergunta com 9 afirmações como opções de resposta; ***resultados de uma pergunta com 25 afirmações como opções de resposta. Os participantes forneceram mais de uma resposta para esta pergunta, o que ultrapassa 100%.

Em resumo, em termos de bem-estar emocional, os brasileiros no Canadá experimentaram uma alta sensação de segurança durante a pandemia da COVID-19, enquanto se preocupavam com seus parentes em risco no Brasil. Para lidar com essas preocupações, eles usaram estratégias de monitoramento de eventos familiares, principalmente por meio do uso de mídias sociais e plataformas de comunicação digital.

Tabela 5 - Formas de monitorar eventos familiares no Brasil e lidar com a hospitalização ou morte de familiares, amigos ou conhecidos devido à COVID-19 (por idioma das respostas*; n = 387). Toronto (ON), Canadá, 2021.

Afirmação

Inglês

(n=91; 23%)

Português

(n=293; 76%)

Francês

(n=3; 1%)

Estratégias usadas para monitorar eventos familiares**

 

 

 

Participo de um grupo da família que mantemos em plataforma de mídia social.

52 (58%)

204 (72%)

3 (100%)

Faço uma chamada de vídeo ao menos uma vez por semana.

47 (52%)

151 (53%)

1 (33%)

Leio sempre os comentários que meus familiares postam nas redes sociais.

40 (44%)

141 (50%)

1 (33%)

Faço uma chamada de vídeo sempre que tenho vontade.

40 (44%)

172 (61%)

-

Faço uma chamada de áudio sempre que tenho vontade.

31 (34%)

116 (41%)

2 (67%)

Estratégias de enfrentamento***

 

 

 

Assisto filmes ou seriados.

37 (45%)

128 (52%)

2 (67%)

Eu rezo.

35 (43%)

82 (33%)

2 (67%)

Tento sair para uma caminhada, correr, andar de bicicleta para arejar meus pensamentos.

28 (34%)

87 (35%)

-

Escuto música.

27 (33%)

78 (32%)

-

Preocupo-me em alguns momentos mas reconheço que essa situação é inevitável.

24 (26.3%)

84 (34%)

2 (67%)

Notas: *a frequência absoluta é menor do que o tamanho da subamostra devido à falta de respostas em alguns itens; **resultados de uma pergunta com 13 afirmações como opções de resposta; ***resultados de uma pergunta com 26 afirmações como opções de resposta. Os participantes forneceram mais de uma resposta para esta pergunta, o que ultrapassa 100%.

Discussão

Nosso estudo e questionário identificaram e detalharam muitos tipos de experiências emocionais relatadas por brasileiros vivendo no Canadá durante a pandemia da COVID-19. É importante ressaltar que pode ter havido um desequilíbrio entre os participantes em relação à língua de participação, mas eles estavam livres para escolher a língua de preferência para respondê-lo. Não houve intenção de comparar tipos de respostas pela língua utilizada.

Além disso, a análise dos resultados indicou que os sentimentos de preocupação, medo e compreensão das soluções potenciais para os problemas dos participantes estavam relacionados principalmente à vida cotidiana de suas famílias e de seus amigos no Brasil. No entanto, eles também demonstraram preocupação e um senso de segurança em relação a si mesmos, seus amigos e parentes no Canadá. Essas experiências parecem ter sido menos estressantes e relativamente gerenciáveis. Apesar dos resultados apresentados nas Tabelas 3–5, esses resultados não permitiram inferências sobre as estratégias de enfrentamento predominantes adotadas, por duas razões: primeiro, a classificação das estratégias de enfrentamento não era objetivo de pesquisa; segundo, era arriscado inferir respostas predominantes ao listá-las como estratégias de enfrentamento típicas sem o risco potencial de má identificação e má interpretação. Portanto, optamos por uma abordagem descritiva para apresentar as evidências.

Em março de 2020, diversas e as maiores cidades do Canadá – Toronto, Montréal e Vancouver – forneceram amplo acesso à saúde relacionada a cuidados relacionados à infecção da COVID-19 para responder às necessidades de minorias étnicas vulneráveis.19 Nossa pesquisa não perguntou aos participantes sobre sua condição oficial de imigração (por exemplo, refugiado, residência permanente, visto de trabalho ou estudo, visitante, indocumentado, etc.). Curiosamente, um estudo realizado na província de Ontário, que explorou o racismo e a discriminação durante a pandemia da COVID-19, revelou que aqueles que perceberam racismo e discriminação eram apenas 9% dos participantes que se autoidentificaram como “outros”, com grupos de identificação incluindo os latinos e, desses, 2,58% possuíam visto temporário/estudantil e 6% tinham condição oficial de imigração não identificada.20

A confiança em todas as diretrizes de saúde pública do governo entre os indivíduos que viviam no Canadá influenciou a autopercepção sobre a capacidade de se conformar às diretrizes e/ou ser capaz de mitigar a ameaça da infecção da COVID-19.21 Nossos resultados confirmaram essa autopercepção e atestam as experiências de medo e ansiedade sobre a infecção durante atividades cotidianas, apoiadas pelo contato com redes sociais próximas para obter as informações necessárias e apoio social material, incluindo apoio emocional de amigos e familiares que vivem no exterior.21 Nossa subamostra de homens foi de 21% e precisa ser comparada com outras evidências canadenses que mostraram que os indivíduos mais em risco de solidão severa durante a pandemia eram homens imigrantes com redes sociais pequenas.22

A exacerbação das vulnerabilidades sociais dos imigrantes foi examinada por revisões da literatura internacional, indicando impactos na saúde mental dos imigrantes, conforme expressos por sintomas de ansiedade e depressão.23 O suporte fornecido pela cultura e religião dos imigrantes para resolver questões de saúde complexas (principalmente para aqueles sem histórico de doenças psicológicas) foi analisada: ter estratégias de enfrentamento religiosas positivas ajudaram a gerenciar o estresse da COVID-19 e promover bem-estar mental e físico.24 Em outra revisão da literatura,25 explorou-se a confluência entre a infecção da COVID-19 e outras doenças não transmissíveis, mostrando o agravamento adicional das disparidades de saúde. Os autores desses estudos alertaram que o impacto sindêmico da pandemia da COVID-19 e da saúde mental sobre doenças crônicas subjacentes continua a ser apenas parcialmente compreendido.

As desigualdades no acesso aos serviços de saúde são agravadas para os imigrantes que podem rejeitar a busca por ajuda para seus problemas de saúde mental devido ao seu conhecimento parcial sobre onde/como realizar esse acesso. Um estudo que avaliou os efeitos da pandemia na saúde mental de imigrantes hispânicos/latinos na América do Norte relatou um aumento nos problemas de saúde mental entre eles. As razões incluíram a falta de conscientização adequada sobre os serviços e como acessá-los, fatores socioculturais, estigmas, restrições financeiras (ou seja, falta de seguro), condição migratória, discriminação e barreiras linguísticas.26

Nossos resultados mostraram que, além de buscar diretamente serviços de saúde, os participantes usaram uma variedade de estratégias de enfrentamento para gerenciar o estresse e a ansiedade durante a pandemia. Principalmente, os participantes adotaram atividades de autocuidado aumentando o tempo de tela, rezando, ouvindo música ou fazendo atividades físicas, o que corroborou evidências de outros estudos sobre o engajamento em atividades físicas ao ar livre e a manutenção de conexão virtual com a família como algo útil.27 Durante a pandemia, imigrantes latinos em áreas rurais nos EUA usaram estratégias de enfrentamento, como práticas religiosas e baseadas na fé e apoios sociais, conectando-se virtualmente ou por telefone com amigos e membros da família para apoiar sua saúde mental.28

A conectividade social para o enfrentamento, de acordo com um estudo de mídia sobre buscas no Google por preces, revelou a demanda intensificada por práticas religiosas durante os primeiros meses da pandemia da COVID-19.29 O interesse por preces, como foi capturado pelas buscas na Internet, estava relacionado a ter um objetivo religioso: ter uma estratégia de enfrentamento focada na emoção para lidar com a adversidade. Estudos internacionais identificaram que esse refúgio em práticas religiosas ocorreu globalmente em todos os níveis de renda, desigualdade e insegurança social, e em todas as principais religiões, exceto o budismo, indicando um aumento global na religiosidade.29 A religião ajuda na compreensão de questões existenciais, sentimentos, perdas e atua como um recurso terapêutico.30

Nossas evidências sobre a dependência das práticas religiosas para conforto e bem-estar corroboram os resultados brasileiros sobre a religião como uma medida de autocuidado e autoconhecimento. Práticas de culto regulares proporcionaram conforto emocional ao reduzir o estresse, a ansiedade e a depressão.31 Para indivíduos religiosos nos Estados Unidos da América e no Reino Unido, a ansiedade relacionada à COVID-19 fortaleceu suas crenças, enquanto para indivíduos não religiosos, tal ansiedade provocou um alto ceticismo e enfraqueceu a confiança e as crenças religiosas em geral.32 Orar e confiar no poder protetor da fé também foi observado entre os católicos durante a pandemia.33

Independentemente da novidade trazida pela evidência de como as experiências dos brasileiros vivendo no Canadá se alinharam com esses estudos recentes, nossa pesquisa possui importantes limitações metodológicas que restringem a generalização dos resultados: (1) a não validação do questionário representa ameaças à validade de constructo, o que também limitou nossa capacidade de realizar análises robustas ou significativas segundo o marco conceitual; (2) a representatividade indefinida da amostra devido ao desconhecimento do número total de brasileiros vivendo no Canadá durante os primeiros dezenove meses da pandemia da COVID-19; (3) a não aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa de questões intrusivas limitou uma exploração mais aprofundada. Seria esclarecedor aprender sobre estratégias individuais para superar obstáculos diários, de acordo com as circunstâncias específicas encontradas em contextos provinciais, culturais e sociais; e, (4) apesar da ampla divulgação de nosso projeto em diferentes meios de comunicação social e ambientes, não foi possível recrutar indivíduos representando diversidade de gênero, indivíduos enfermos ou aqueles sem acesso a computadores ou à internet devido a restrições de saúde pública causadas pela pandemia da COVID-19. Na totalidade, essas limitações comprometem a visão geral das fragilidades e forças psicológicas dessa população. Além disso, a natureza das pesquisas anônimas torna inviável validar a interpretação dos resultados com alguns participantes. Essas descobertas ajudam a preencher a lacuna de conhecimento sobre como uma minoria etnocultural composta por indivíduos inseridos em um contexto de proteção em uma sociedade anfitriã lidou com o impacto emocional da pandemia da COVID-19 em suas vidas. Os resultados também contribuem para a literatura que alerta sobre a necessidade, pós-pandemia, de se redesenhar os serviços de saúde para responder às particularidades das minorias etnolinguísticas e fornecer apoio social e psicológico durante uma crise de saúde e ao longo da vida de uma pessoa.

As implicações teóricas relacionadas ao uso do TMSC incluem uma melhor compreensão das experiências emocionais e das estratégias de enfrentamento por imigrantes, refugiados e indivíduos apátridas e indocumentados em emergências semelhantes. Ainda, as implicações teóricas relacionadas ao uso do TMSC podem aprimorar o TMSC como uma estrutura significativa e culturalmente sensível para analisar outras crises humanitárias em diversas sociedades anfitriãs.

 

Conclusão

Nossos resultados responderam à pergunta de pesquisa exploratória sobre a natureza da experiência emocional geral dos brasileiros vivendo no Canadá durante a pandemia da COVID-19. Além disso, nossos resultados revelaram uma variedade de estratégias de enfrentamento incorporadas empregadas pelos participantes, cuja interpretação foi apoiada pelos conceitos e pressupostos teóricos do TMSC.

Os resultados corroboraram o consenso de que a pandemia da COVID-19 foi sem precedentes e imprevista, trazendo emoções desconfortáveis, como ansiedade, preocupação e medo, como respostas típicas a situações estressantes e incertas. Os participantes reconheceram suas experiências com esses tipos de emoções e relataram diversas estratégias adaptativas dependendo de suas abordagens à situação. Uma análise mais detalhada dessas estratégias de enfrentamento, baseada em entrevistas com 70 brasileiros vivendo no Canadá, é foco de outro manuscrito em desenvolvimento.

Esta pesquisa contribui para fortalecer os vínculos existentes na área de colaboração científica entre Canadá e Brasil, especialmente relacionados à saúde global, com o objetivo de entender a adaptação das populações minoritárias em uma sociedade anfitriã. Para os participantes, pode ser benéfico estarem cientes de sua contribuição inestimável para pesquisadores interessados na saúde dos brasileiros no Canadá, ajudando-os a compreender as experiências emocionais relacionadas à pandemia da COVID-19 entre eles e como as estratégias de prevenção para reduzir a propagação do vírus impactaram suas estratégias de enfrentamento para lidar com a separação de parentes, tanto no Brasil quanto no Canadá. Como membros de uma minoria étnico-cultural, os brasileiros no Canadá devem ser incluídos em futuras iniciativas de promoção da saúde, reconhecendo sua situação como minoria linguística, seu alto senso de pertencimento e resistência emocional.

Acesso a Dados

Os conjuntos de dados utilizados e/ou analisados durante a pesquisa atual não estão disponíveis devido a restrições de consentimento informado.

Contribuições dos autores

Concepção do estudo: Margareth Santos Zanchetta, Idevania Geraldina Costa, Stephanie Pedrotti Lucchese, Marcelo Medeiros, Rosana Barbosa, Walterlânia Silva Santos, Kelly Graziani Giacchero Vedana, Vanessa Fracazzo, Kênia Lara Silva, Maria Odete Pereira. Coleta de dados: Margareth Santos Zanchetta, Vanessa Fracazzo. Análise e interpretação dos dados: Margareth Santos Zanchetta, Idevania Geraldina Costa, Stephanie Pedrotti Lucchese, Marcelo Medeiros, Talita Maciel, Walterlânia Silva Santos, Kelly Graziani Giacchero Vedana, Vanessa Fracazzo, Kênia Lara Silva. Redação do manuscrito: Margareth Santos Zanchetta, Idevania Geraldina Costa, Stephanie Pedrotti Lucchese, Marcelo Medeiros, Talita Maciel, Rosana Barbosa, Walterlânia Silva Santos, Kelly Graziani Giacchero Vedana, Vanessa Fracazzo, Kênia Lara Silva, Maria Odete Pereira. Revisão crítica do manuscrito: Margareth Santos Zanchetta, Stephanie Pedrotti Lucchese, Marcelo Medeiros, Talita Maciel, Rosana Barbosa, Walterlânia Silva Santos, Kelly Graziani Giacchero Vedana, Vanessa Fracazzo, Kênia Lara Silva, Maria Odete Pereira. Aprovação da versão final do texto: Margareth Santos Zanchetta, Stephanie Pedrotti Lucchese, Marcelo Medeiros, Walterlânia Silva Santos.

Conflito de interesse

Os autores declararam que não há conflito de interesse.  

Financiamento

Mitacs Globalink Research Award (Canadá)

 Agradecimentos

Os autores agradecem os grupos comunitários brasileiros localizados no Canadá por sua assistência na recrutamento; o Consulado Geral do Brasil localizado em Toronto; o Conselho de Cidadania de Ontário, Montréal e Winnipeg; a Câmara de Comércio Brasil-Canadá; o Jornal de Toronto; Sra. Mara Moura; assim como os muitos recrutadores voluntários não identificados. Também desejamos agradecer aos participantes por sua cooperação e apoio entusiástico que tornaram a pesquisa possível.

Referências

  1. Statistics Canada. 150 years of immigration in Canada [Internet]. 2016 [cited 2022 Dec 12]. Available from: https://www150.statcan.gc.ca/n1/pub/11-630-x/11-630-x2016006-eng.htm
  1. Statistics Canada. Immigration and ethnocultural diversity: key results from the 2016 census [Internet]. 2017. [cited 2021 May 13]. Available from: https://www150.statcan.gc.ca/n1/daily-quotidien/171025/dq171025b-eng.pdf
  1. Jarvis GE, Kirmayer LJ. Global migration: moral, political and mental health challenges. Transcult Psychiatry [Internet]. 2023 [cited 2023 May 29];60(1):5–12. DOI: https://doi.org/10.1177/13634615231162282
  1. Brooks SK, Webster RK, Smith LE, Woodland L, Wessely S. Greenberg N, et al. The psychological impact of quarantine and how to reduce it: rapid review of evidence [Internet]. Lancet. 2020 [cited 2025 Mar 12];395(10227):912-920. DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(20)30460-8
  1. Boursier V, Gioia F, Musetti A, Schimmenti A. Facing loneliness and anxiety during the covid-19 isolation: the role of excessive social media use in a sample of Italian adults [Internet]. Front Psychiatry. 2020 [cited 2023 June 10];11(586222):1-10. DOI: https://doi.org/3389/fpsyt.2020.586222
  1. Paykani T, Zimet GD, Esmaeili R, Khajedaluee AR, Khajedaluee M. Perceived social support and compliance with stay-at-home orders during the covid-19 outbreak: evidence from Iran [Internet]. BMC Public Health. 2020 [cited 2023 May 29];20(1650):1-9. DOI: https://doi.org/1186/s12889-020-09759-2
  1. Centre for Addiction and Mental Health. Covid-19 national survey dashboard [Internet]. 2020 [cited 2021 May 13]. Available from: https://www.camh.ca/en/camh-news-and-stories/covid-19-pandemic-adversely-affecting-mental-health-of-women-and-people-with-children
  1. Statistics Canada. Mental health status of Canadian immigrants during the COVID-19 pandemic [Internet]. 2020 [cited 2021 May 13]. Available from: https://www150.statcan.gc.ca/n1/pub/45-28-0001/2020001/article/00050-eng.htm

9.     Lazarus RS, Folkman S. Stress, appraisal, and coping. New York (NY): Springer. 1984.

  1. Folkman S. The case for positive emotions in the stress process. Anxiety Stress Coping [Internet]. 2008 [cited 2023 May 29];21(1):3–14. DOI: https://doi.org/10.1080/10615800701740457
  2. Folkman S. Stress, coping, and hope [Internet]. Psychooncology. 2010 [cited 2023 Apr 25];19(9):901-8. DOI: https://doi.org/10.1002/pon.1836
  1. Braun V, Clarke V, Boulton E, Davey L, McEvoy E. The online survey as a qualitative research tool [Internet]. Int J Soc Res Methodol. 2020 [cited 2023 May 29];24(6):641-654. DOI: https://doi.org/10.1080/13645579.2020.1805550 
  1. Zanchetta MS, Metersky K, Medeiros M, Santos WS, Mésenge C., Lessa, MI. Conducting international online surveys: trials, tribulations, and suggestions for success [Internet]. NTQR. 2022 [cited 2023 Oct 10];10:e-514. DOI: https://doi.org/10.36367/ntqr.10.2022.e514
  1. Creswell JW, Creswell JD. Research design: qualitative, quantitative, and mixed methods approaches. 6th Thousand Oaks (CA): Sage Publications. 2022.
  1. Grove S, Burns N, Gray JR. The practice of nursing research: appraisal, synthesis and generation of evidence. 7th ed. St. Louis (MI): Elsevier Saunders. 2013.
  1. Palinkas LA, Horwitz SM, Green CA, Wisdom JP, Duan N, Kimberlay H. Purposeful sampling for qualitative data collection and analysis in mixed method implementation research [Internet]. Adm Policy Ment Health. 2015 [cited 2023 Jun 1];42:533-544. DOI: https://doi.org/10.1007/s10488-013-0528-y
  1. Smith AB, King M, Butow P, Olver I. A comparison of data quality and practicality of online versus postal questionnaires in a sample of testicular cancer survivors [Internet]. Psychooncology. 2013 [cited 2023 Jun 1];22(1):233-7. DOI: https://doi.org/10.1002/pon.2052
  1. Kleinbaum DG, Kupper LL, Muller KE. Applied regression analysis and other multivariable methods. 2nd ed. Boston (MA): PWS-Kent. 1988.
  1. Paquet M, Benoit N, Atak I, Joy M, Hudson G, Shields J. Sanctuary cities and COVID-19: the case of Canada. In: Triandafyllidou A, editor. Migration and pandemics: spaces of solidarity and spaces of exception [Internet]. Cham (CH): Springer Nature; 2022 [cited 2023 Dec 12]. p. 85-104. DOI: https://doi.org/10.1007/978-3-030-81210-2
  1. Fahim C, Cooper J, Theivendrampillai S, Pham B, Straus SE. Exploring Canadian perceptions and experiences of stigma during the COVID-19 pandemic [Internet]. Front Public Health. 2023 [cited 2023 Dec 20];11:1068268. DOI: https://doi.org/10.3389/fpubh.2023.1068268
  1. Leung D, Lee C, Wang AH, Guruge S. Immigrants’ and refugees’ experiences of access to health and social services during the COVID-19 pandemic in Toronto, Canada [Internet]. J Health Serv Res Policy. 2023 [cited 2023 Dec 2];28(1):34–41. DOI: https://doi.org/10.1177/13558196221109148
  1. Lin S. The “loneliness epidemic”, intersecting risk factors and relations to mental health help-seeking: a population-based study during COVID-19 lockdown in Canada [Internet]. J Affect Disord. 2023 [cited 2023 Dec 20];320:7–17. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jad.2022.08.131
  2. Camara C, Surkan PJ, Van Der Waerden J, Tortelli A, Downes N, Vuillermoz C, et al. COVID-19-related mental health difficulties among marginalised populations: a literature review [Internet]. Glob Ment Health (Camb). 2023 [cited 2023 Dec 20];10:e2. DOI: https://doi.org/10.1017/gmh.2022.56
  1. Sisti LG, Buonsenso D, Moscato U, Costanzo G, Malorni W. The role of religions in the COVID-19 pandemic: a narrative review [Internet]. Int J Environ Res Public Health. 2023 [cited 2023 Dec 20];20(3):691. DOI: https://doi.org/10.3390/ijerph20031691
  1. Saqi K, Qureshi AS, Butt ZA. COVID-19, mental health, and chronic illnesses: a syndemic perspective [Internet]. Int J Environ Res Public Health. 2023 [cited 2023 Dec 12];20:3262. DOI: https://doi.org/10.3390/ijerph20043262
  1. Ormiston CK, Chiangong J, Williams F. The COVID-19 pandemic and hispanic/latina/o immigrant mental health: why more needs to be done [Internet]. Health Equity. 2023 [cited 2023 Dec 12];7(1):3-8. DOI: https://doi.org/10.1089/heq.2022.0041
  1. Badon SE, Croen LA, Ferrara A, Ames JL. Hedderson MM, Young-Wolff KC. et al. Coping strategies for COVID-19 pandemic-related stress and mental health during pregnancy [Internet]. J Affect Disord. 2022 [cited 2023 Jun 12];309:309-13. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jad.2022.04.146
  1. Goldman-Mellor S, Plancarte V, Perez-Lua F, Payán DD, Young MET. Mental health among rural Latino immigrants during the COVID-19 pandemic [Internet]. SSM Ment Health. 2023 [cited 2023 Dec 12];3:100177. DOI: https://doi.org/10.1016/j.ssmmh.2022.100177
  1. Bentzen JS. In crisis, we pray: religiosity and the COVID-19 pandemic [Internet]. J Econ Behav Organ. 2021 [cited 2022 Dec 15];192:541-583. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jebo.2021.10.014
  1. Mónico L. Religião, espiritualidade e saúde: funções, convivências e implicações [Internet]. HORIZONTE - Revista de Estudos de Teologia e Ciências da Religião. 2021 [cited 2022 Dec 12];19(60):951-977. DOI: https://doi.org/5752/P.2175-5841.2021v19n60p951
  1. Martins AM, Soares, AKS, Arruda GO, Baptista JC. Association between religion, mental health and social distancing during the COVID-19 pandemic [Internet]. Psico-USF. 2023 [cited 2023 Dec 12];28(1):79-90. DOI: https://doi.org/1590/1413-82712023280107
  1. Rigoli F. The link between COVID-19, anxiety, and religious beliefs in the United States and the United Kingdom [Internet]. J Relig Health. 2021 [cited 2022 Dec 12];60(4):2196-2208. DOI: https://doi.org/10.1007/s10943-021-01296-5
  1. Kowalczyk O, Roszkowski K, Montane X, Pawliszak W, Tylkowski B, Bajek A. Religion and faith perception in a pandemic of COVID-19 [Internet]. J Relig Health. 2020 [cited 2022 Dec 18];59:2671-7. DOI: https://doi.org/10.1007/s10943-020-01088-3

Correspondência:

Margareth Santos Zanchetta

E-mail: mzanchet@torontomu.ca

Direitos autorais dos autores, 2025. Esta obra está licenciada sob Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional. Texto da licença: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt-br