Idioma
Fatores de risco para parto pré-termo: revisão sistemática da literatura
Cristina Maria de Jesus Serralha Castanho Pires1,
Cátia Sofia Andrade Teixeira2,
Maria Otília Brites Zangão3
1,2Unidade Local de Saúde Arco Ribeirinho. Hospital Nossa Senhora do Rosário. Serviço de Urgência Obstétrica e Ginecológica/Bloco de Partos. Barreiro, Portugal. 3Universidade de Évora. Comprehensive Health Research Centre (CHRC). Escola Superior de Enfermagem São João de Deus. Évora, Portugal.
Introdução
O parto pré-termo (PPT) definido como aquele que ocorre antes da 37ª semana de gestação1, representa um dos principais desafios da saúde materna e neonatal na escala global.
A incidência global do parto pré-termo varia significativamente entre regiões geográficas, oscilando entre 5% a 18% dos nascimentos, com maior prevalência em países de baixo e médio rendimento. Nos países desenvolvidos, a taxa situa-se entre 8-12%, enquanto em países em desenvolvimento pode alcançar 15-18%. Fatores socioeconómicos, como baixo nível educacional (inferior ao ensino secundário) e rendimento familiar insuficiente (inferior a dois salários mínimos), contribuem substancialmente para esta variação epidemiológica2.
A sua incidência significativa e o impacto adverso sobre a morbilidade e mortalidade neonatal tornam a sua prevenção uma prioridade. Configurando-se como um problema que transcende o âmbito biológico, com implicações económicas, sociais e emocionais profundas para as famílias e para os sistemas de saúde2.
Por se tratar de um fenômeno multifatorial, o parto pré-termo é influenciado por uma vasta gama de fatores, que incluem condições clínicas e obstétricas da grávida, aspetos sociodemográficos, fatores comportamentais, condições psicológicas e exposições ambientais3–5.
A identificação precoce e precisa desses fatores de risco é essencial para implementar intervenções direcionadas que possam prevenir ou retardar o parto pré-termo, minimizando, assim, os seus efeitos prejudiciais1. Nesse contexto, os cuidados pré-natais desempenham um papel central, ao proporcionarem um espaço de vigilância personalizada, orientação adequada e intervenção precoce6.
Entre os profissionais que compõem a equipa multidisciplinar de assistência pré-natal, o Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica (utilizamos ao longo do texto Enfermeiro Obstetra) desempenha uma função indispensável. Este profissional, ao aliar competências técnico-científicas à capacidade de estabelecer vínculos de confiança com as grávidas/famílias, encontra-se numa posição estratégica para identificar fatores preditivos de parto pré-termo7.
Através de avaliações contínuas e sistemáticas durante o acompanhamento pré-natal, o Enfermeiro Obstetra é capaz de reconhecer sinais de alerta, rastrear condições de risco e fornecer orientações direcionadas às grávidas e às famílias. Além disso, o Enfermeiro Obstetra contribui para o fortalecimento da educação para a saúde, promovendo um papel ativo da mulher na sua própria saúde e no desenvolvimento saudável do feto7.
No entanto, apesar da relevância da prática do Enfermeiro Obstetra, permanece uma lacuna na literatura quanto à sistematização dos fatores de risco de parto pré-termo baseada em evidência científica recente. A sistematização destes fatores é fundamental para melhorar a qualidade da assistência pré-natal e desenvolver protocolos clínicos mais eficazes.
Esta revisão sistemática da literatura tem como objetivo identificar na literatura científica os fatores de risco associados ao parto pré-termo.
Método
Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, seguindo as diretrizes metodológicas do protocolo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Review and Meta-Analyses).
A elaboração de uma revisão sistemática da literatura deve seguir um conjunto de etapas rigorosas, nomeadamente: (1) definição da questão de investigação; (2) elaboração do protocolo de investigação; (3) definição de critérios de inclusão e exclusão dos estudos; (4) desenvolvimento de uma estratégia de pesquisa em base de dados; (5) seleção dos estudos; (6) avaliação da qualidade dos estudos; (7) extração dos dados; (8) síntese dos dados e avaliação da qualidade da evidência; e (10) disseminação dos resultados entre a comunidade científica8.
O protocolo de revisão utilizado foi o PRISMA [Preferred Reporting Items for Systematic Review and Meta-Analyses]9 O protocolo foi registado na plataforma OSF https://doi.org/10.17605/OSF.IO/UGNXM
Questão de Investigação
Para a elaboração da presente revisão foi essencial a definição de uma questão de investigação. A questão de partida seguiu o acrónimo PICo: P (gravidezes); I (fatores de risco para parto pré-termo); Co (cuidados pré-natais), conforme o apresentado na tabela 1.
Na sequência da seleção do tema e, de forma a dar resposta ao objetivo desta revisão sistemática da literatura foi definida a seguinte questão de investigação: Quais os fatores de risco para parto pré-termo (I) em gravidezes (P) acompanhadas em cuidados pré-natais (Co)?
Tabela 1 - Critérios de formulação da questão PICo.
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PICo |
Elemento |
Descrição |
Aplicação |
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P I
Co |
População Fenómeno de interesse
Contexto |
Qual a população do estudo? Qual o fenômeno de interesse do estudo? Qual o contexto do estudo? |
Grávidas Fatores de risco para parto pré-termo Cuidados pré-natais |
Fonte: Adaptado de Vilelas8
Critérios de Elegibilidade
Na elaboração de uma revisão sistemática da literatura devem ser previamente estabelecidos rigorosos critérios de inclusão e exclusão, para que possam ser selecionados e incluídos os estudos mais relevantes à abordagem da temática em estudo8.
De forma a orientar a pesquisa e a seleção da literatura científica para esta revisão foram estabelecidos os seguintes critérios de inclusão: estudos publicados em artigos com texto completo disponível (acesso gratuito através das bases de dados institucionais); em idioma inglês, espanhol e português; estudos de metodologia quantitativa, com publicação no espaço temporal de 2014 a 2024.
Critérios de inclusão técnicos: estudos que investigaram fatores de risco, preditivos ou associados ao parto pré-termo em populações obstétricas; estudos primários (coorte, caso-controlo, ensaios clínicos, transversais); estudos com metodologia claramente descrita.
Critérios de exclusão (aplicados após inclusão inicial): estudos com dados incompletos ou metodologia inadequada; estudos com populações sobrepostas ou duplicadas; estudos centrados exclusivamente em intervenções terapêuticas pós-diagnóstico; estudos com populações exclusivamente neonatais; revisões narrativas e artigos de opinião; artigos duplicados (analisados apenas uma vez, selecionando a publicação mais completa).
Estratégia de Pesquisa nas Bases de Dados
Uma vez definida claramente a problemática de estudo e equacionada a questão de investigação, a etapa que se seguiu foi a pesquisa de estudos com recurso a bases de dados científicas como CINAHL (Cumulative Index of Nursing and Allied Health Literature), MEDLINE (Literatura Internacional em Ciências da Saúde e Biomédica), PMC (PubMed Central) e BVS (Biblioteca Virtual em Saúde). A referida pesquisa foi efetuada em dezembro de 2024, sendo aplicados os seguintes Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e termos indexados (MeSH) em língua inglesa, de acordo com a equação booleana: (midwives OR nurse midwives) AND (labor, premature OR obstetric labor, premature) AND (risck factors) AND (prenatal care). A estratégia de busca foi aplicada utilizando os descritores em combinação através dos operadores booleanos AND e OR (Tabela 2).
Tabela 2 - Estratégias de busca por base de dados.
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Base de Dados |
Estratégia de Busca |
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MEDLINE
CINAHL
PMC
BVS |
(MH "Labor, Premature" OR "preterm labor") AND (MH "Risk Factors" OR "predictive factors") AND (MH "Prenatal Care") (MH "Labor, Premature" OR "preterm labor") AND (MH "Risk Factors" OR "predictive factors") AND (MH "Prenatal Care") (preterm birth OR premature labor) AND (risk factors OR predictors) AND (prenatal care OR antenatal care) parto prematuro OR nascimento pré-termo) AND (fatores de risco OR preditores) AND (cuidado pré-natal) |
Processo de Seleção dos Estudos
O processo de identificação, triagem e seleção foi conduzido de forma independente por dois revisores, utilizando o software Rayyan® para gestão das referências e remoção de duplicados. Em casos de discordâncias, foi introduzido um terceiro revisor para resolução por consenso. A extração de dados foi realizada utilizando formulário padronizado, testado previamente, com dupla extração independente para 100% dos estudos incluídos.
Avaliação da Qualidade Metodológica
Para avaliar a qualidade metodológica dos artigos desta revisão foram adotadas as checklists do Joanna Briggs Institute (JBI), de acordo com cada tipo de estudo identificado10. Cada estudo foi avaliado através da resposta a uma série de questões com as opções “Sim”, “Não”, Pouco Claro” e “Não Aplicável”. Foram incluídos os estudos que cumprissem 75% ou mais dos critérios das respectivas grelhas11.
O nível de evidência foi classificado segundo os critérios do Oxford Centre for Evidence-Based Medicine12 categorizando os estudos de 1 (evidência mais forte) a 5 (evidência mais fraca).
Os dados foram sintetizados de forma narrativa devido à heterogeneidade metodológica dos estudos incluídos, que impossibilitou a realização de meta-análise. A síntese focou-se na identificação e categorização dos fatores de risco, considerando a consistência dos achados entre os estudos.
Figura 1 - Diagrama de Seleção de Estudos (PRISMA). Portugal, 2025.
Resultados
Foram identificados 272 estudos nas bases de dados. Após remoção dos duplicados (n=12) e aplicação dos critérios de elegibilidade, resultaram 31 estudos elegíveis. Posteriormente, após leitura integral e avaliação da qualidade metodológica (>75% dos critérios JBI), 21 estudos foram incluídos na análise final.
A amostra de estudos incluiu: 8 estudos de coorte (nível de evidência 2), 4 estudos transversais (nível de evidência 4), 3 estudos caso-controle (nível de evidência 3), 3 estudos observacionais (nível de evidência 4), 2 ensaios clínicos randomizados (nível de evidência 1), e 1 revisão sistemática com meta-análise (nível de evidência 1). Na tabela 3 apresentamos a síntese da avaliação da evidência e da qualidade metodológica.
Tabela 3 - Síntese da avaliação da evidência e qualidade metodológica.
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Tipo de Estudo |
N de Estudos |
Qualidade Média JBI (%) |
Nível de Evidência |
Principais Limitações Identificadas |
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Ensaios Clínicos Randomizados |
2 |
90% |
1 |
Tamanho amostral limitado |
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Estudos de Coorte |
8 |
81% |
2 |
Perdas de seguimento, viés de seleção |
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Estudos Caso-Controlo |
3 |
78% |
3 |
Viés de recordação, seleção de controlos |
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Estudos Transversais |
4 |
76% |
4 |
Impossibilidade de estabelecer causalidade |
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Estudos Observacionais |
3 |
79% |
4 |
Ausência de grupo controlo |
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Revisão Sistemática |
1 |
95% |
1 |
Heterogeneidade entre estudos |
Os estudos incluídos originaram-se de 12 países diferentes: Reino Unido (n=4), Países Baixos (n=3), Canadá (n=3), Etiópia (n=2), China (n=1), França (n=1), Irão (n=2), África do Sul (n=1), Tailândia (n=1), Somália (n=1), Brasil (n=1), e estudos multicêntricos (n=1). O tamanho amostral variou entre 40 participantes (estudo piloto) e 23.940 participantes (meta-análise).
Principais fatores de risco identificados consistentemente: alterações cervicais (comprimento <25mm) identificado em 8 estudos; história obstétrica prévia de prematuridade identificado em 12 estudos; complicações hipertensivas da gravidez identificado em 9 estudos; infecções urogenitais identificado em 7 estudos; fatores socioeconômicos adversos (baixo rendimento, ausência de suporte social) identificado em 11 estudos; início tardio da vigilância pré-natal identificado em 6 estudos; gravidez múltipla identificado em 5 estudos; e rupturas prematuras de membranas identificado em 8 estudos.
Para facultar uma melhor compreensão do leitor, o processo de recolha e seleção de estudos está representado através do fluxograma PRISMA (Figura 1). Todo o processo foi realizado por dois revisores independentes, nos casos em que ocorreram desacordos foi introduzido um terceiro revisor para desempatar o desacordo.
Fonte: Adaptação do modelo PRISMA 2020.
Figura 1 - Diagrama de Seleção de Estudos (PRISMA).
Extração dos Dados dos Estudos
A extração dos dados foi feita em formato tabela de forma sintética para se organizar a informação obtida e dar resposta à questão de investigação. Os dados foram extraídos de forma sistemática, incluindo: autores, país do estudo, desenho metodológico, objetivo, participantes, principais resultados e conclusões (conforme detalhado na Tabela 4).
Tabela 4 - Características dos Estudos Integrados na Revisão.
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Título/Autores/Ano/País |
Desenho do Estudo/Objetivo Principal |
Participantes/Amostra |
Resultados Principais |
Conclusões |
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The Association Between Unintended Pregnancy and Perinatal Outcomes in Low‐Risk Pregnancies. A Retrospective Registry Study in the Netherlands13 (2024, Paises Baixos)
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Desenho: Estudo de coorte retrospectivo Objetivo: Explorar a associação entre gestações não planejadas e os resultados perinatais em gravidezes de baixo risco. |
n = 9.803 Grávidas com gestação de baixo risco e gravidez não planeada Critérios: Gravidezes únicas, baixo risco, dados completos no registo |
A gravidez não planeada pode aumentar os riscos para a mãe e o RN, enfatizam a importância de fornecer suporte adequado às mulheres que enfrentam uma gravidez não planeada. |
Este estudo conclui que as gravidezes não planeadas, especialmente aquelas que terminam em nascimento, estão associadas a maiores riscos de resultados perinatais adversos, como prematuridade e baixo peso à nascença, embora a associação com a cesariana seja inversa. A gravidez não planeada também foi associada ao início tardio da vigilância pré-natal, mas o início tardio da vigilância não mediou a relação entre a intenção da gravidez e os resultados perinatais. O estudo destaca a importância da consciencialização dos profissionais de saúde e líderes políticos que devem ser isentos de preconceitos e oferecer cuidados pré-natais individualizados e não julgadores. |
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Models of antenatal care to reduce and prevent preterm birth: a systematic review and meta-analysis14 (2016, Reino Unido) |
Desenho: Revisão sistemática com meta-análise de ensaios clínicos randomizados Objetivo: Avaliar a eficácia de modelos de assistência pré-natal projetados para prevenir e reduzir o parto prematuro. |
n = 22.437 Mulheres grávidas em 15 ensaios clínicos Critérios: Ensaios randomizados, intervenções pré-natais, resultados perinatais reportados. |
Os modelos alternativos de cuidados pré-natais reduziram significativamente a probabilidade de parto prematuro em comparação com os cuidados especializados habituais. |
Este estudo conclui que é necessário mais pesquisas e evidências que permitam conhecer a natureza multicausal e complexa do parto pré-termo e apoiar o desenvolvimento de uma estrutura eficaz de cuidados |
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Development and validation of a prognosis risk score model for preterm birth among pregnant women who had antenatal care visit, Northwest, Ethiopia, retrospective follow-up15 (2023, Reino Unido) |
Desenho: Estudo retrospectivo de coorte Objetivo: Desenvolver e validar um modelo de pontuação de risco para prevenir o parto prematuro em grávidas com vigilância pré-natal. |
n = 1.132 Mulheres grávidas selecionadas por amostragem aleatória simples Critérios: Pelo menos uma consulta de vigilância pré-natal, dados completos disponíveis. |
Revelou uma prevalência de 10,9% de partos prematuros, identificando seis fatores de risco principais (idade <20 anos, início tardio da vigilância pré-natal, gravidez não planeada, curto intervalo entre as gravidezes, hipertensão induzida pela gravidez e hemorragia pré-parto) e validou um modelo preditivo eficaz com AUC de 0,82. |
Este estudo revela a possibilidade de prever o parto pré-termo usando um modelo de previsão simples construído a partir de características maternas identificadas por meio de anamnese e por um teste de hemoglobina. Mostra ainda que o cálculo da pontuação de risco com base em fatores preditivos é eficaz comparativamente a modelos mais complexos e pode ser usado de forma rotineira para melhorar a assistência pré-natal. |
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Effectiveness of score card-based antenatal risk selection, care pathways, and multidisciplinary consultation in the Healthy Pregnancy 4 All study (HP4ALL): study protocol for a cluster randomized controlled trial16 (2015, Países Baixos) |
Desenho: Ensaio clínico randomizado por conglomerados Objetivo: Avaliar a eficácia da seleção de risco baseada em cartão de pontuação (R4U), combinada com cuidados pré-natais e consultas multidisciplinares. |
n = 7.000 Municípios alocados aleatoriamente: intervenção (n = 3.500) e controlo (n = 3.500) Critérios: Grávidas em municípios participantes, consentimento informado. |
A implementação da seleção de risco baseada no cartão de pontuação R4U, combinada com métodos de cuidados personalizados e consultas multidisciplinares, tem o potencial de melhorar os resultados perinatais em populações vulneráveis, embora a eficácia dependa de fatores como adesão e viabilidade da intervenção. |
Este estudo conclui que o modelo desenvolvido é uma ferramenta eficaz para prever o parto prematuro, utilizando características maternas amplamente disponíveis e de fácil acesso. A validação interna e a análise de desempenho mostraram que o modelo tem excelente capacidade de discriminação e pode ser utilizado em ambientes clínicos para melhorar a gestão da gravidez e reduzir o risco de parto prematuro. A simplicidade do modelo torna-o uma opção viável para países em desenvolvimento ou locais com recursos limitados, onde tecnologias avançadas de diagnóstico podem não estar disponíveis. O uso desse modelo pode ajudar a salvar vidas ao identificar precocemente as mulheres em risco e oferecer cuidados adequados para prevenir complicações neonatais associadas ao parto prematuro. |
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Factors associated with preterm birth at Wachemo University Nigist Eleni Mohammed memorial hospital, Southern Ethiopia: case-control study17 (2021, Etiópia) |
Desenho: Estudo de caso-controlo Objetivo: Identificar os fatores associados ao nascimento prematuro em mulheres atendidas no Hospital Memorial. |
n = 213 71 casos (partos prematuros) e 142 controlos (partos de termo) Critérios: Partos únicos, dados completos, consentimento informado. |
Os resultados mostraram que ruptura prematura de membranas, hipertensão induzida pela gravidez e gravidez múltipla aumentaram o risco de parto prematuro, enquanto residência urbana e acompanhamento pré-natal adequado reduziram esse risco. Além disso, 36,6% dos neonatos prematuros faleceram durante o estudo. |
O estudo identificou que a residência urbana, o acompanhamento pré-natal, a rutura prematura das membranas, a hipertensão induzida pela gravidez e as gravidezes múltiplas são fatores que aumentam o risco de parto prematuro. Além disso, a mortalidade neonatal prematura é significativa, sendo a falência respiratória a principal causa de morte. Melhorar a vigilância pré-natal, promover o acesso a cuidados adequados e detectar precocemente as complicações durante a gravidez pode reduzir a ocorrência de parto prematuro e melhorar os resultados neonatais. |
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The Use of a Brief Antenatal Lifestyle Education Intervention to Reduce Preterm Birth: A Retrospective Cohort Study18 (2022, China) |
Desenho: Estudo de coorte retrospetivo Objetivo: Avaliar a eficácia de intervenção educacional breve sobre estilo de vida durante a vigilância pré-natal para reduzir parto prematuro. |
n = 351 Mulheres grávidas acompanhadas durante vigilância pré-natal Critérios: Participação em programa educacional, seguimento completo. |
A intervenção educacional sobre estilo de vida (dieta saudável, exercício e redução do stress) durante a vigilância pré-natal reduziu significativamente a taxa de parto prematuro e melhorou a saúde materna e resultados perinatais. |
O estudo identificou que a participação num seminário de educação para a saúde sobre estilo de vida está associada à redução do risco de parto prematuro. A participação no primeiro trimestre foi a mais eficaz. No entanto, para mulheres mais velhas, com histórico de cesariana ou que usaram técnicas de reprodução medicamente assistida, o impacto do seminário foi limitado. É necessário realizar mais pesquisas exploratórias para entender melhor esses resultados. O estudo também sugere que opções de cuidados pré-natais mais flexíveis sejam exploradas para mulheres multíparas, com o objetivo de melhorar a adesão e os resultados clínicos. |
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A continuity of care programme for women at risk of preterm birth in the UK: Process evaluation of a hybrid randomised controlled pilot trial19 (2023, Reino Unido) |
Desenho: Ensaio clínico randomizado (ECR). Objetivo: Avaliar a implementação e os processos envolvidos num programa de continuidade de cuidados para mulheres em risco de parto prematuro. |
n = 168 Mulheres grávidas que estavam em risco de parto prematuro no Reino Unido. |
O programa de continuidade de cuidados foi bem aceito pelas mulheres em risco de parto prematuro, com alta adesão e satisfação. A implementação foi eficaz, embora tenha havido alguns desafios logísticos. As participantes relataram uma experiência positiva, com maior suporte emocional e confiança nos cuidados. Embora o estudo não tenha se focado nos resultados de saúde, sugeriu que a intervenção pode ajudar a reduzir o risco de parto prematuro. |
O estudo conclui que o modelo POPPIE foi eficaz em ser implementado de maneira satisfatória e sustentável, com boa aceitação entre as mulheres e os profissionais de saúde. No entanto, devido à natureza piloto do estudo e ao tamanho limitado da amostra, não houve diferença significativa nos resultados de parto prematuro entre os modelos de cuidado. O estudo destaca a importância de ensaios de maior escala e mais poder estatístico para avaliar melhor os resultados clínicos, e sugere que futuras pesquisas devem explorar os modelos de continuidade em populações com maior vulnerabilidade social e risco. |
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Repeated cervical length measurements for the verification of short cervical length20 (2017, Países Baixos). |
Desenho: Estudo secundário de coorte retrospectivo. Objetivo: Avaliar se a repetição da medição do comprimento do colo uterino melhora a identificação de grávidas com risco aumentado de parto pré-termo espontâneo. |
n = 12.358 Grávidas com gestações únicas, sem histórico de parto pré-termo antes das 34s e com realização de ultrassonografia transvaginal para medição do comprimento cervical |
Repetição da medição do comprimento do colo uterino em grávidas sem histórico de parto prematuro não melhorou a identificação do risco de parto prematuro espontâneo antes das 37 semanas. |
O estudo conclui que uma única medição do comprimento cervical é suficiente para estratificar o risco de parto prematuro, sem necessidade de uma segunda verificação. |
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The Biomarkers for Preterm Birth Study — A prospective observational study comparing the impact of vaginal biomarkers on clinical practice when used in women with symptoms of preterm labor21 (2019, Reino Unido). |
Desenho: Estudo observacional de coorte prospectivo. Objetivo: Avaliar o impacto de biomarcadores vaginais, como a fibronectina fetal quantitativa (fFN) e a α-microglobulina-1 placentária (PAMG – 1), na prática clínica, especialmente em mulheres com sintomas de trabalho de parto prematuro |
n =128 Mulheres com sintomas de trabalho de parto prematuro entre 24 e 34 semanas de gestação. |
O uso de biomarcadores vaginais, especialmente a fibronectina fetal quantitativa, pode reduzir as admissões hospitalares em mulheres com sintomas de trabalho de parto prematuro, mas não houve impacto significativo no uso de corticosteróides /sulfato de magnésio ou na incidência de parto prematuro, e houve falsos negativos com o uso de α-microglobulina-1. |
O estudo sugere a adoção do fFN quantitativo com ajustes nos valores limiares de admissão e alerta sobre a baixa sensibilidade do PAMG-1, destacando o potencial da combinação de biomarcadores com dados clínicos para melhorar a monitorização pré-natal. |
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Evaluation of the impact of fetal fibronectin test implementation on hospital admissions for preterm labour in Ontario: a multiple baseline time-series design22 (2014, Canadá) |
Desenho: Estudo coorte retrospectivo baseado numa análise de séries temporais. Objetivo: Avaliar o impacto da implementação do teste de fibronectina fetal (fFN) nas taxas de admissões hospitalares por trabalho de parto prematuro em Ontário. |
Mulheres grávidas com risco de trabalho de parto prematuro, cujas admissões hospitalares foram registadas em todos os hospitais de Ontário que implementaram o teste de fibronectina fetal (fFN) para detecção de risco de parto prematuro, entre 2002 e 2010. |
Redução nas admissões hospitalares por trabalho de parto prematuro em Ontário. Especificamente, as taxas de admissões diminuíram de forma significativa após a implementação do teste, em comparação com as taxas previstas sem a implementação do teste, com uma redução de cerca de 10% nas admissões em trabalho de parto prematuro. Nos hospitais analisados individualmente, cerca de 55% apresentaram uma redução significativa nas admissões em trabalho de parto pré-termo, 12 meses após a implementação do teste de fFN. |
O estudo concluiu que a implementação do teste de fFN em Ontário resultou numa redução significativa, embora pequena, nas admissões hospitalares para parto pré-termo. A avaliação sugere que o teste de fFN pode ser uma ferramenta eficaz para melhorar a gestão clínica de mulheres com risco de parto prematuro. No entanto, mais pesquisas são necessárias para avaliar os benefícios adicionais do programa, especialmente em relação a uma implementação mais direcionada e a consideração de outros fatores do sistema de saúde. |
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Relationship between Revised Graduated Index (R-GINDEX) of Prenatal Care Utilization & Preterm Labor and Low Birth Weight23 (2014, Canadá) |
Desenho: Estudo de coorte retrospectivo. Objetivo: Avaliar a relação entre a adequação da vigilância pré-natal, medida pelo Revised Graduated Index (R-GINDEX), e a ocorrência de parto prematuro e baixo peso ao nascer. |
n= 420 Mulheres com idade entre 18 e 35 anos, com feto único, ausência de doença física e psicológica e registo clínico disponível, que pariram no Hospital Ghaem, no Irão, em 2010, classificadas em três grupos com base no Revised Graduated Index (R-GINDEX) de vigilância pré-natal: cuidados inadequados, cuidados adequados e cuidados intensivos. |
Os resultados do estudo mostraram que a maior percentagem de mães (51,9%) recebeu cuidados adequados (5-8 consultas). Por outro lado, em comparação com os grupos de cuidados adequados e intensivos, o grupo de cuidados inadequados teve um risco 3,93 vezes maior de parto prematuro e 2,53 vezes maior de baixo peso do RN ao nascer. |
O estudo concluiu que a quantidade de cuidados pré-natais, medida pelo R-GINDEX, é um fator importante na redução do risco de parto prematuro e do baixo peso dos RNs ao nascer. Mulheres que receberam cuidados inadequados (menos de 5 consultas de vigilância pré-natal) tiveram maior risco de resultados adversos, e os cuidados adequados (entre 5 a 8 consultas de vigilância pré-natal) ou cuidados intensivos (mais de 8 consultas de vigilância pré-natal) mostraram benefícios significativos para a saúde materna e neonatal. |
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Accuracy of fetal fbronectin for the prediction of preterm birth in symptomatic twin pregnancies: a pilot study24 (2018, França)
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Desenho: Estudo prospectivo de coorte. Objetivo: Avaliar a precisão do teste de fibronectina fetal (fFN), isoladamente ou combinado com a medição do comprimento do colo uterino, na previsão de parto pré-termo espontâneo em grávidas gemelares sintomáticas. |
n = 40 Mulheres grávidas de gêmeos, com idade gestacional entre 24 e 33 semanas + 6 dias e com presença de sintomas de trabalho de parto prematuro |
O teste de fibronectina fetal demonstrou alta especificidade e valor preditivo negativo para prever parto prematuro dentro de 7 dias, enquanto a medição do comprimento do colo uterino isolado teve baixa precisão preditiva, e a sua combinação com o teste de fFN não melhorou significativamente a capacidade preditiva.
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O estudo concluiu que o teste de fFN foi o melhor preditor de parto prematuro espontâneo em gravidezes gemelares sintomáticas, especialmente dentro de 7 dias, enquanto a sua combinação com o comprimento do colo uterino não melhorou a precisão preditiva, exigindo confirmação em estudos maiores. |
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Combination of selected biochemical markers and cervical length in the prediction of impending preterm delivery in symptomatic patients25 (2016, Canadá)
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Desenho: Estudo prospectivo, observacional e analítico. Objetivo: Avaliar a utilidade de diferentes marcadores bioquímicos (fibronectina fetal - fFN, proteína de ligação ao fator de crescimento semelhante à insulina fosforilada - phIGFBP-1, interleucina 6 - IL-6, receptor solúvel da interleucina 2 - IL-2R, e proteína C-reativa - CRP) em combinação com a medida do comprimento do colo uterino via ultrassonografia transvaginal para prevenir o parto prematuro (PTD) em mulheres sintomáticas, com o intuito de identificar precocemente aquelas que se encontram em risco de parto prematuro iminente |
n = 58 Grávidas com idade gestacional entre 24 e 36,6 semanas, que apresentavam sintomas de ameaça de parto pré-termo |
O estudo mostrou que a combinação de testes para fibronectina fetal (fFN), interleucina 6 (IL-6), proteína de ligação ao fator de crescimento semelhante à insulina fosforilada (phIGFBP-1), proteína C-reativa (CRP) e a medida do comprimento do colo uterino pode prever eficazmente o parto prematuro iminente em mulheres sintomáticas. |
O estudo concluiu que o modelo preditivo que combina phIGFBP-1, fFN positivo, comprimento cervical < 21,5 mm, IL-6 elevado no fluido cervico- vaginal (CVF) e CRP sérica elevada foi altamente eficaz na previsão de parto prematuro dentro de 14 dias, superando a precisão dos testes individuais. No entanto, o estudo foi limitado pelo tamanho pequeno da amostra e foco apenas em mulheres de alto risco, sugerindo a necessidade de estudos futuros sobre a relação custo-benefício em populações de baixo risco. |
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Risks of preterm labour among women who attend public antenatal care clinics26 (2018, África do Sul)
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Desenho: Estudo quantitativo com abordagem exploratória, retrospectiva e descritiva. Objetivo: Identificar as causas do parto prematuro em mulheres que frequentam clínicas de vigilância pré-natal públicas na área de East London, no Distrito de Saúde Metropolitano de Buffalo City, na província de Eastern Cape, África do Sul. |
n= 50 Mulheres selecionadas aleatoriamente, com partos pré-termo no ano de 2014 e que frequentaram clínicas de vigilância pré-natal públicas em East London |
O estudo identificou que são fatores de risco para parto prematuro: desemprego, estado civil - solteira, falta de apoio social, histórico de aborto ou complicações obstétricas, tabaco, álcool, hipertensão e infeções urinárias não tratadas, aumento inadequado de peso e restrição do crescimento fetal. |
O estudo concluiu que a identificação de mulheres com risco de parto prematuro é crucial para proporcionar uma vigilância pré-natal de alta qualidade, com o objetivo de prevenir ou, ao menos, preparar para o parto prematuro. No entanto, os registros clínicos indicam que muitas mulheres não receberam a vigilância adequada, com falhas nos exames e na documentação. Uma vigilância pré-natal adequada pode reduzir significativamente os partos prematuros. É essencial sensibilizar os enfermeiros para esta realidade, no sentido de melhorar as práticas assistenciais, reforçando intervenções de educação para a saúde e pesquisa baseada na evidência. |
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Epidemiology and Related Risk Factors of Preterm Labor as an Obstetrics Emergency27 (2017, Irão)
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Desenho: Estudo observacional analítico com abordagem retrospectiva. Objetivo: Identificar os fatores de risco epidemiológicos e clínicos associados ao trabalho de parto pré-termo. |
n= 200 Grávidas que foram admitidas com o diagnóstico de trabalho de parto pré-termo num hospital de referência no Irão. |
O estudo identificou fatores de risco significativos para parto prematuro, como relação sexual na semana anterior, multiparidade, curto intervalo entre os partos, pré-eclâmpsia, anomalias fetais, ruptura de membranas, hipertensão. Fatores preventivos incluíram consumo de ferro, apresentação cefálica do feto, vigilância pré-natal adequada, histórico de cesariana e peso materno adequado. A análise de regressão multivariada destacou a multiparidade e relação sexual recente como os fatores de risco mais fortes, enquanto o consumo de ferro e apresentação cefálica do feto foram os fatores preventivos mais significativos. |
O estudo concluiu que fatores como relação sexual recente, multiparidade, pré-eclâmpsia, hipertensão, anomalias fetais e ruptura de membranas aumentam o risco de parto prematuro. Por outro lado, fatores como consumo de ferro, apresentação cefálica do feto, doenças sistémicas controladas, histórico de cesariana, vigilância pré-natal adequada e peso materno adequado são considerados preventivos. O controle desses fatores pode ajudar a reduzir a taxa de partos prematuros e as suas consequências para a saúde e sociedade. |
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Effectiveness of the Preterm Labor Prevention Program for High-Risk Pregnant Women: A Randomized Controlled Trial28 (2023, Tailândia) |
Desenho: Ensaio clínico randomizado (RCT). Objetivo: Desenvolver e testar a eficácia de um Programa de Prevenção do Trabalho de Parto Prematuro (PLPP) em mulheres grávidas de alto risco. |
n= 66 Mulheres grávidas de alto risco, com idades entre 15 e 49 anos, que frequentavam clínicas de vigilância pré-natal no nordeste da Tailândia. Divididas aleatoriamente em dois grupos: n = 32 grupo experimental e n= 34 grupo controle. |
Embora não tenha havido diferenças estatísticas significativas nas taxas de parto prematuro, o grupo experimental apresentou melhorias significativas em conhecimento, atitudes e práticas de autocuidado, sugerindo um impacto positivo do programa na redução dessas taxas. |
O estudo conclui que o Programa de Prevenção do Trabalho de Parto Prematuro. é eficaz para melhorar o autocuidado e reduzir o parto prematuro em grávidas de alto risco, sendo uma ferramenta valiosa para profissionais de saúde, desde que haja capacitação e pesquisas futuras. A implementação deste programa constitui uma valiosa ferramenta para as enfermeiras obstetras, ajudando-as a identificar mulheres de alto risco e melhorar a vigilância pré-natal. |
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Maternal Risk Factors Associated with Preterm Births among Pregnant Women in Mogadish29 (2022, Somália)
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Desenho: Estudo caso-controlo. Investigar os fatores de risco maternos para o parto prematuro em Mogadíscio, Somália. Objetivo: Identificar áreas-alvo para futuras intervenções baseadas em evidências.
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n= 499 Recém-nascidos, n = 70 casos de parto prematuro e n= 429 controlos nascidos de termo |
O parto prematuro em Mogadíscio, Somália, está associado a fatores como: histórico de parto prematuro, pré-eclâmpsia, complicações obstétricas e mutilação genital feminina. Já a vigilância pré-natal adequada, vacinação, suplementação e monitorização durante a gravidez reduziram o risco de parto prematuro. A MGF foi destacada como um fator de risco inexplorado, exigindo mais pesquisas. |
O estudo destacou a alta prevalência de prematuridade em Mogadíscio e identificou fatores de risco como a falta de vigilância pré-natal, mutilação genital feminina (MGF), complicações obstétricas e anemia. Sugere que melhorar o acesso aos cuidados pré-natais, educação para a saúde e capacitação das instituições de saúde pode reduzir as taxas de parto prematuro, bem como melhorar a capacidade da assistência através da identificação e tratamento de complicações obstétricas. |
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Prevalence and risk factors related to preterm birth in Brazil30 (2016, Brasil) |
Desenho: Estudo transversal analítico. Objetivo: Investigar as taxas e fatores associados ao parto prematuro no Brasil, abordando tanto partos espontâneos, quanto partos induzidos por profissionais de saúde.
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n = 23.940 Partos hospitalares em diversas regiões do Brasil. |
A taxa de parto prematuro no Brasil foi de 11,5%, sendo 60,7% espontâneos e 39,3% induzidos (principalmente cesarianas eletivas). Fatores de risco para o parto prematuro espontâneo incluíram gravidez na adolescência, baixa escolaridade e vigilância pré-natal inadequada. Outros fatores de risco foram parto pré-termo anterior, gravidez múltipla, descolamento prematura da placenta e infecções. Por oposição, o parto prematuro iniciado pelos profissionais de saúde foi associado à vigilância da gravidez em clínicas privadas, gravidez em idade avançada, cesarianas anteriores, gravidez múltipla e complicações materno-fetais. |
O estudo conclui que a alta taxa de prematuridade no Brasil está ligada à elevada taxa de cesarianas e induções sem indicação clara. Para reduzir a prematuridade, é necessário diminuir cesarianas desnecessárias e melhorar o acesso aos cuidados pré-natais, especialmente para adolescentes e mulheres com baixa escolaridade. |
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Relationship between maternal factors and preterm infant birth: a case-control study31 (2023, Irão)
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Desenho: Estudo caso-controlo. Objetivo: Determinar a relação entre alguns fatores maternos e o nascimento prematuro.
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n = 216 Grávidas. n= 108 de parto prematuro (caso) e n= 108 de parto termo (controle). |
O estudo mostrou que fatores como história de parto prematuro, hipertensão, pré-eclâmpsia, cesariana, rutura prematura das membranas, tabagismo e vigilância pré-natal inadequada, história de aborto, curetagem e partos prematuros anteriores aumentam o risco de parto pré-termo. A prevenção e o tratamento adequado desses fatores podem reduzir a incidência dos partos prematuros. |
O estudo conclui que a prematuridade está associada a fatores de risco evitáveis. Vigilância pré-natal adequada, identificação precoce de grávidas em risco e educação sobre hábitos saudáveis são essenciais para reduzir partos prematuros e melhorar os resultados maternos e neonatais. |
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Maternal, reproductive and obstetric factors associated with preterm births in Mulago Hospital, Kampala, Uganda: a case control study32 (2018, Uganda) |
Desenho: Estudo caso-controlo. Objetivo: Identificar e descrever os fatores de risco associados ao parto prematuro entre as mulheres que deram à luz no Hospital Mulago, em Kampala, Uganda.
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n= 99 Mulheres com parto prematuro como casos e n= 193 mulheres com parto de termo como controle. |
A análise bivariada identificou associações entre parto prematuro e altura materna <1,5m, IMC >25, residência rural, falta de vigilância pré-natal, além de fatores obstétricos como pré-eclâmpsia/eclâmpsia, ruptura prematura de membranas (RPM), hemorragia pré-parto e trauma abdominal. Na análise multivariada, os principais fatores de risco independentes foram altura <1,5m, residência rural, desemprego, falta de vigilância pré-natal, RPM, hemorragia pré-parto e pré-eclâmpsia/eclâmpsia. |
O estudo conclui que mulheres com altura <1,5m, residentes em meios rurais e sem vigilância pré-natal têm maior risco de parto prematuro. Fatores como RPM, hemorragia pré-parto e pré-eclâmpsia também estão fortemente associados. A identificação precoce e o controle adequado podem reduzir a incidência de parto prematuro. |
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Cervical pathways for racial disparities in preterm births: the Preterm Prediction Study33 (2019, EUA) |
Desenho: Estudo de coorte prospectivo. Objetivo: Investigar se diferenças nas características cervicais poderiam explicar as disparidades raciais nos partos prematuros. |
n= 2.920 Mulheres com gravidezes únicas, acompanhadas entre as 22 e 29 semanas. |
O comprimento, dilatação e score cervical e a protusão das membranas foram fatores associados ao parto prematuro. A mediação indicou que essas características explicavam apenas 7% a 26% do risco aumentado de parto prematuro entre mulheres melanodérmicas. Mesmo após ajustar o comprimento cervical, mulheres negras ainda apresentavam 55% maior risco de parto prematuro em comparação com mulheres leucodérmicas. Entre os fatores sociais, a menor escolaridade, os baixos rendimentos, a falta de transporte e estabilidade residencial foram associados ao parto prematuro, mas a raça e o número de mudanças de residência permaneceram como preditores mais significativos. |
O estudo conclui que mulheres melanodérmicas têm um comprimento cervical menor e maior dilatação interna no início da gravidez, fatores que aumentam o risco de parto pré-termo. Apesar de fatores socioeconómicos também influenciarem as características cervicais, estes não explicaram completamente as diferenças raciais observadas. No entanto, as características cervicais mediaram parcialmente a relação entre raça e parto prematuro, contribuindo para as disparidades raciais nos nascimentos antes do termo. |
Discussão
Esta revisão sistemática identificou múltiplos fatores de risco para parto pré-termo em 21 estudos, abrangendo 12 países e diferentes níveis de evidência. Entre os fatores mais consistentemente identificados destacam-se alterações cervicais (comprimento <25mm), em 8 estudos, história obstétrica prévia de prematuridade em 12 estudos, complicações hipertensivas da gravidez em 9 estudos, infecções urogenitais em 7 estudos, fatores socioeconômicos adversos (baixo rendimento, ausência de apoio social) em 11 estudos e vigilância pré-natal inadequada (início tardio, baixa adesão) em 6 estudos15,17,26,30–33. Os fatores identificados evidenciam a natureza multifatorial da prematuridade. Os achados confirmam e expandem o conhecimento atual sobre determinantes sociodemográficos, clínicos, obstétricos e relacionados com a qualidade da assistência pré-natal, fornecendo informações para orientar estratégias preventivas baseadas em evidência.
A análise revela convergência significativa com a literatura internacional recente, que destaca o caráter multifatorial do parto pré-termo. A organização dos fatores em categorias (sociodemográficos, história obstétrica, qualidade da assistência pré-natal e comportamentais) permite uma abordagem sistemática na identificação e estratificação de risco, facilitando intervenções direcionadas pelos profissionais de saúde.
As variações geográficas identificadas refletem disparidades estruturais no acesso aos cuidados de saúde, confirmando que o contexto socioeconómico influencia significativamente os resultados obstétricos. A diversidade metodológica dos estudos incluídos enriquece a compreensão do fenómeno, embora limite comparações diretas.
Fatores Sociodemográficos
Os determinantes sociodemográficos desempenham um papel crucial na prematuridade, refletindo desigualdades estruturais no acesso aos cuidados de saúde. A evidência atual demonstra que variações regionais na percentagem de nascimentos pré-termo refletem, fundamentalmente, diferenças socioeconómicas e ambientais e numa análise de dados em países em desenvolvimento, os autores demonstraram que o desenvolvimento socioeconómico está inversamente associado às taxas de prematuridade, mesmo após controle de outros fatores de risco 34-35. Tal constatação alinham-se com as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para identificação e intervenção nos fatores de risco6.
A idade materna constitui preditor proeminente, com a gravidez na adolescência associada à imaturidade biológica e à insuficiência de cuidados pré-natais15,30,36-37. A evidência atual reforça que grávidas com idade inferior a 20 anos apresentam risco acrescido devido a fatores nutricionais, instabilidade socioeconómica e dificuldades no acesso aos serviços de saúde, sendo a gravidez precoce frequentemente associada à falta de acesso a cuidados adequados36-37, enquanto a gravidez em idade avançada (>35 anos) relaciona-se com maior prevalência de complicações hipertensivas e metabólicas30,38, condições que aumentam significativamente a probabilidade de parto pré-termo30,38.
O estilo de vida saudável, incluindo alimentação adequada e atividade física, demonstra efeito protetor, pois pode reduzir significativamente a incidência de prematuridade quando implementado precocemente18,39-40.
As condições de habitação, em áreas rurais, o desemprego e o estado civil solteiro amplificam o risco através do stress psicossocial e dificuldades no acesso aos serviços26,32,39-40. A literatura recente41 enfatiza que fatores socioeconômicos adversos exigem abordagens integradas que transcendem o setor da saúde, evidenciando que recomendações internacionais enfrentam barreiras estruturais na operacionalização, particularmente em contextos de recursos limitados.
As disparidades raciais identificadas33,42 transcendem diferenças biológicas, refletindo fundamentalmente desigualdades no acesso a cuidados de saúde e exposição a fatores socioeconómicos cumulativos ao longo da vida reprodutiva, que persistem mesmo em sistemas de saúde desenvolvidos42-43.
O baixo nível de escolaridade limita o acesso a informações sobre cuidados de saúde e promove comportamentos de risco30,33, confirmando a educação como ferramenta essencial preconizada pela OMS e DGS37,44.
História Obstétrica
A história obstétrica prévia constitui o preditor mais robusto de parto pré-termo, particularmente o parto pré-termo anterior constituindo o fator individual mais forte 38,45. As complicações hipertensivas, a gravidez múltipla17,27 e a cesariana prévia31 aumentam substancialmente a probabilidade de parto prematuro. A análise comparativa entre Brasil e Portugal demonstra que no Brasil a taxa de prematuridade está ligada à elevada taxa de cesarianas e induções sem indicação30, e em Portugal, as taxas de cesarianas situam-se entre 34-36%44,46. A evidência demonstra, que taxas de cesariana superiores às recomendadas pela OMS a 10-15% não reduzem da mortalidade materna ou neonatal37,46, destacando a necessidade de práticas baseadas na evidência44,46.
O histórico de abortos de repetição26,31, partos pré-termos anteriores27,29,31 e curtos intervalos entre as gravidezes15,27 confirmam recomendações internacionais que destacam a história obstétrica como fator crucial38,45. A implementação de estratégias preventivas direcionadas, incluindo monitorização rigorosa, cuidados pré-natais especializados e individualizados, prevenção e tratamento precoce de complicações e educação materna sobre intervalo adequado entre gravidezes, pode contribuir significativamente para redução das taxas de prematuridade6,7,44.
Qualidade da Assistência Pré-Natal
A assistência pré-natal de qualidade constitui elemento fundamental na prevenção da prematuridade. A evidência demonstra que um acompanhamento estruturado e multidisciplinar reduz significativamente a morbimortalidade perinatal37,44-45,47.
O início tardio da vigilância pré-natal impede intervenções oportunas, com as mulheres que iniciam o acompanhamento após o primeiro trimestre a apresentar maior risco de complicações15,17,26,31-32. A DGS recomenda o início no primeiro trimestre com mínimo de oito consultas44,47.
Além disso, as intervenções educacionais melhoram o conhecimento sobre sinais de alerta e aumentam a adesão ao acompanhamento, resultando em menor taxa de prematuridade18,28,39-40. Modelos baseados na personalização e continuidade de cuidados promovem maior envolvimento e melhores resultados perinatais16,19,45.
A suplementação nutricional adequada, particularmente ferro e ácido fólico, previne anemia e complicações associadas26-27,29,37-38,44,47.
A adequação da vigilância pré-natal revela-se um fator protetor consistente, embora exista variações significativas na definição de "vigilância adequada" entre contexto14,23,27, evidenciando necessidade de adaptação às realidades locais mantendo padrões de qualidade7,37,44-45.
Avaliação do Comprimento do Colo uterino
O comprimento cervical <25mm, medido por ultrassonografia transvaginal entre 18-24 semanas constitui preditor essencial de prematuridade, sendo consistentemente associado a risco aumentado20,25,33,38,49-50. A evidência demonstra que medição única é suficiente para estratificar o risco em populações de baixo risco sem benefício de medições repetidas20,38. A OMS e a DGS recomendam a incorporação desta avaliação nos protocolos de vigilância, particularmente em grávidas de alto risco36-37,44.
Biomarcadores
A fibronectina fetal quantitativa constitui o biomarcador mais promissor, para predição do parto pré-termo, especialmente em grávidas sintomáticas21-22,24-25,38, pois permite intervenções precoces que minimizam complicações. A implementação do teste da fibronectina fetal (fFN) demonstrou impacto na redução de admissões hospitalares desnecessárias, possibilitando melhor estratificação do risco e contribuindo para gestão mais eficiente dos recursos hospitalares 22,38.
A combinação de marcadores bioquímicos com medida do comprimento do colo uterino aumenta a acurácia preditiva25,38 embora a relação custo-benefício necessite avaliação em populações de baixo risco26,38.
A OMS e a DGS enfatizam a incorporação de biomarcadores em protocolos de vigilância como estratégia de suporte à decisão clínica44. A literatura atual sugere que a abordagem integrada, combinando diferentes biomarcadores com avaliação clínica detalhada, otimiza a identificação de grávidas em risco21,25,38,45. A incorporação dessas estratégias na prática clínica, baseada em evidência robusta que demonstra superioridade da medição única do comprimento cervical como ferramenta de estratificação de risco20,38,49, pode contribuir significativamente para a redução das taxas de prematuridade e complicações associadas, assegurando um cuidado obstétrico mais completo e baseado em evidências45.
Esta revisão apresenta limitações importantes que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. A predominância de estudos de países desenvolvidos limita a generalização para contextos de recursos limitados35,43. A heterogeneidade metodológica impossibilitou a meta-análise quantitativa. A restrição a quatro bases de dados e a exclusão de estudos qualitativos podem ter limitado a compreensão dos fatores contextuais e experienciais. O período de 10 anos pode não refletir mudanças nas práticas obstétricas mais recentes45.
Conclusão
A presente revisão sistemática revelou que os fatores de risco para parto pré-termo reconhecidos nos cuidados pré-natais são multifatoriais, englobando determinantes sociodemográficos, obstétricos, comportamentais e clínicos, bem como aspetos inerentes à vigilância pré-natal e ao uso de tecnologias preditivas como biomarcadores e avaliação do comprimento cervical.
Os principais fatores de risco identificados, fornecem evidência robusta para orientar a identificação precoce de gravidezes de risco na prática clínica. Os resultados evidenciam necessidades concretas para a prática clínica: implementação de protocolos de rastreio sistemático dos fatores identificados; desenvolvimento de sistemas de estratificação de risco baseados em evidência; formação contínua dos profissionais para reconhecimento precoce dos fatores de risco; integração de tecnologias preditivas (ultrassonografia cervical, biomarcadores) na rotina clínica e desenvolvimento de intervenções direcionadas para populações vulneráveis. O papel do Enfermeiro Obstetra mostra-se central nesta abordagem preventiva.
A sistematização da evidência sobre fatores de risco para parto pré-termo, fornece base científica sólida para o desenvolvimento de diretrizes clínicas e protocolos de assistência pré-natal. A identificação dos fatores mais consistentemente reportados na literatura permite priorizar recursos e intervenções preventivas, orientando futuras investigações para áreas menos estudadas, particularmente em contextos de recursos limitados.
Contribuições dos autores
Concepção do estudo: Cristina Maria de Jesus Serralha Castanho Pires; Cátia Sofia Andrade Teixeira; Maria Otília Brites Zangão. Coleta de dados: Cristina Maria de Jesus Serralha Castanho Pires; Cátia Sofia Andrade Teixeira. Análise e interpretação dos dados: Cristina Maria de Jesus Serralha Castanho Pires; Cátia Sofia Andrade Teixeira; Maria Otília Brites Zangão. Redação do manuscrito: Cristina Maria de Jesus Serralha Castanho Pires; Maria Otília Brites Zangão. Revisão crítica do manuscrito: Maria Otília Brites Zangão. Aprovação da versão final do texto: Cristina Maria de Jesus Serralha Castanho Pires; Cátia Sofia Andrade Teixeira; Maria Otília Brites Zangão.
Conflito de interesse
Os autores declararam que não há conflito de interesse.
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Autor Correspondente
Nome: Maria Otília Brites Zangão
E-mail: otiliaz@uevora.pt
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