A enfermagem na midia
Resumo
Elizabeth Mesquita Melo. Doutora em Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará/UFC. Professora da Universidade de Fortaleza/UNIFOR. Enfermeira do Hospital Distrital Dr. Evandro Ayres de Moura e da UTI do Hospital São José de Doenças Infecciosas. E-mail: elizjornet@yahoo.com.br
A enfermagem nasce em um contexto religioso como um voluntariado exercido por pessoal leigo para atender às necessidades de uma população atingida pelas guerras e doenças. O papel do enfermeiro até o início da enfermagem moderna era apenas fornecer cuidados como uma forma altruísta de exercer o sacerdócio.
Foi em meados do século XVIII, com o aparecimento das Escolas de Enfermagem, que o enfermeiro iniciou um trajeto de busca incessante pelo conhecimento, presente até os dias atuais.
É conveniente destacar que essa evolução não veio acompanhada pela evolução da linguagem e, por isso, com frequência a imagem do enfermeiro acaba distorcida pela mídia de nosso país, o que impede que a população estabeleça as diferenças pertinentes a cada categoria da enfermagem.
Diariamente, assistimos à utilização de conceitos inexatos (para não dizer errados) nos informativos da TV, sem falar nas novelas que tanta influência exercem na população e que fornecem uma visão equívoca da função do enfermeiro fazendo com que a sociedade confunda as atribuições dos diferentes membros da equipe.
Até hoje, os dicionários continuam definindo enfermeiro/a como homem ou mulher que cuida de enfermos (Dicionário Aurélio). Essa visão simplista com certeza não contribui para o esclarecimento de uma sociedade que não sabe diferenciar o trabalho do auxiliar de enfermagem, do técnico e do enfermeiro, restringindo a esses profissionais a função de cuidar da higiene e administrar medicamentos.
Algumas pessoas ainda acreditam que a função do enfermeiro é auxiliar o médico e não percebem que esses dois profissionais desenvolvem atividades diferenciadas, mas que se complementam, na busca de um objetivo comum – a melhora do paciente sob seus cuidados. Ressalta-se que a função do enfermeiro não é somente assistencial, mas também gerencial. Torna-se essencial divulgar o trabalho complexo e dinâmico que ele desenvolve, se desdobrando na gerencia do cuidado, supervisionando a qualidade do trabalho realizado por toda a equipe de enfermagem e também na realização de pesquisas e participação em projetos de extensão junto à comunidade.
Nesse sentido, devemos apelar às organizações de classes para preservar a integridade da categoria. Entidades como o COREN, a ABEN ou os sindicatos de enfermeiros têm o dever de proteger a identidade e singularidade da nossa profissão.
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