Com fome entra tudo: da carne humana no prato em 1994 à (re)saída do mapa da fome da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2025
DOI:
https://doi.org/10.51359/2238-6211.2026.268240Palavras-chave:
fome, segurança alimentar, políticas públicas, pobreza, memória, BrasilResumo
Este artigo analisa a trajetória da segurança alimentar no Brasil a partir do emblemático caso de 1994, quando uma catadora de lixo em Olinda, Pernambuco (PE), consumiu tecido humano para sobreviver, episódio que chocou o país e expôs a face mais brutal da fome. O objetivo central é investigar como a memória (ou o esquecimento) dessa tragédia dialoga com as estruturas sociais e as políticas públicas de combate à fome, reconstruindo a trajetória brasileira até a nova saída do Mapa da Fome da ONU em 2025. A metodologia assenta-se numa abordagem qualitativa e histórico-documental, baseada na análise de fontes jornalísticas coevas, discursos parlamentares, dados estatísticos de instituições nacionais e internacionais e no exame do documentário "Aguazinha: Repentes de Esperança" (2022) como peça-chave para a memória social do evento. Os resultados parciais indicam que os ciclos de avanço e retrocesso na segurança alimentar estão diretamente vinculados à prioridade política e à continuidade de políticas públicas estruturantes. A análise conclui que a erradicação sustentável da fome depende não apenas de instrumentos técnicos, mas também de um pacto social e ético alimentado pela memória crítica de seus episódios mais extremos, como o de Olinda, para evitar a naturalização da miséria e a repetição de tragédias similares.
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