(RE) FAZENDO A MATÉRIA: projeto e seleção*

Matthew Kearnes

Resumo


Esse texto examina as raízes da reorganização da matéria em física, biologia e química. Ao tentar entender a qualidade física de processos biológicos, o ensaio O que é a vida? O aspecto físico da célula viva (1944) marca uma ‘virada materialista’ na biologia. De modo similar, ao propor um algoritmo de imitação de processos celulares de auto-organização e auto-agregação, o trabalho de John von Neuman em matemática e física teórica assinalam ‘uma virada bio-mimética’ nas ciências físicas. As duas ‘viradas’ contribuem com uma ampla reorganização da matéria através da projeção, controle e manipulação de ‘matéria complexa’. Sujeitos às vagas de sínteses químicas e ao imperativo evolucionário, essas intervenções tecnológicas implicam um movimento em direção a modelos abertos de noções de projeto e controle do tipo ‘de baixo-para-cima’. Neste ponto, eu foco particularmente em noções de nanotecnologia largamente articuladas como possibilitando, e também dependendo de, ‘controle sobre a estrutura da matéria’ e da capacidade de manipular de modo preciso a matéria em escala atômica. Essa visão da manufatura em escala atômica – ‘de baixo-para-cima’ – quando associada a possibilidades radicais e especulativas da ‘máquina molecular’, tem se tornado uma abordagem predominante na fabricação de nanoestruturas ‘por projeto’. Ao considerar as ramificações sociais e éticas da tecnologização da matéria, eu proponho uma política não-consequencialista para a nanotecnologia.


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@ 2012 - PPGS - Revista do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFPE.

ISSN Impresso 1415-000X

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