MAX WEBER, CARL SCHMITT E O ‘DECISIONISMO’

Jonatas Ferreira

Resumo


Neste ensaio afirmo que existe uma relação fundamental entre, de um lado, o liberalismo kantiano, e sua problematização na obra de Max Weber, e, de outro, a teoria política de Carl Schmitt. Para justificar tal proposição, procuro restabelecer uma linha de continuidade entre o que Kant entende como aporia – ou seja, a impossibilidade de tornar legítimo o ato de julgar, de enquadrar um caso particular num conceito determinado – e o conceito de acedia – ou seja, a impossibilidade de tomar uma decisão política legítima, quer pelo fato de a letra da lei não prever sua aplicação ao caso particular, quer pelo fato de o ator se encontrar diante de uma pletora de possibilidades de ação política. Fruto de aporia ou de acedia, a reflexão, base epistemológica e valor político da racionalidade moderna, vê-se encurralada, incapaz de legitimar o conhecimento ou a ação política. Argumento, pois, que entre o liberalismo kantiano e o decisionismo schmittiano há uma afinidade bem maior do que usualmente estamos preparados para aceitar. Isso é o que fica claro ao analisarmos a proximidade que existe entre a teoria do carisma em Max Weber, e sua aplicação na Alemanha moderna, e as considerações de Schmitt sobre o ‘Estado de exceção’. O artigo conclui que o decisionismo nada mais é que o lado obscuro e impensado do liberalismo.


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@ 2012 - PPGS - Revista do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFPE.

ISSN Impresso 1415-000X

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