REAÇÃO A MAX WEBER NO PENSAMENTO BRASILEIRO: O CASO DE GILBERTO FREYRE

Roberto Motta

Resumo


Uma característica fundamental do pensamento de Gilberto Freyre encontra-se na recusa em entender o desenvolvimento do Brasil segundo os princípios da racionalidade weberiana. Entre o autor pernambucano e Max Weber existe oposição diametral, ainda que as referências diretas a Weber sejam relativamente raras na obra de Freyre, o qual desenvolve o contraste entre o que denomina “o Cristianismo inflexível no tempo e no espaço”, ou “Cristianismo europeu-burguês-capitalista”, e o Cristianismo associado “a um tipo luso-tropical de civilização”. Embora essa reação antiweberiana se aguce nos anos 1950 e 60, em ligação com os desenvolvimentos culturais e políticos do período, é de fato desde seus primeiros trabalhos, sob a influência de Charles Maurras, que insurge contra a concepção do progresso e do tempo (que vem a constituir um tema explícito da reflexão freyriana a partir de 1955) ligada à racionalidade “protestante”, à qual opõe o “franciscanismo” supostamente dominante na tradição luso-brasileira.


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@ 2012 - PPGS - Revista do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFPE.

ISSN Impresso 1415-000X

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