DO BLASÉ À APATIA DOS SENTIDOS: uma reflexão sobre o potencial autoritário da personalidade urbana

Lucas Trindade da Silva, Bruno Ricardo Vasconcelos

Resumo


Realizamos neste artigo um esforço de interpretação não essencializante e crítico do fenômeno blasé, tomando-o como arquétipo ainda válido para pensar a subjetividade urbana na contemporaneidade. Sem rejeitar a sua leitura mais usual como uma reação de ensimesmamento do espírito – reserva – diante do excesso de estímulos da metrópole – que se não passassem por um processo radical de seleção levariam a um colapso da vida mental –, buscamos enfatizar os condicionamentos sociais e psíquicos que fazem do blasé menos um indiferente do que um antipático, uma subjetividade onde a incapacidade de lidar com a alteridade, e o ódio pelo outro estão em estado de latência. Dialogando com Richard Sennett buscamos demonstrar a relação entre processos de segregação social e o processo de conformação do corpo passivo tão afim ao fenômeno blasé. N’outra frente dialogamos com a teoria crítica e a psicanálise estabelecendo afinidades teóricas entre o blasé e a personalidade autoritária. A relevância do debate teórico aqui empreendido ganha clara justificação num contexto socioeconômico de crise, onde a latência autoritária da personalidade urbana tende a se manifestar sob as mais diversas formas de xenofobia, intolerância religiosa e ódio de classe.


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@ 2012 - PPGS - Revista do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFPE.

ISSN Impresso 1415-000X

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