Gerência hospitalar como lugar de fronteira: trabalho, subjetividade e contradições do gerencialismo no serviço público de saúde
DOI:
https://doi.org/10.51359/2317-5427.2026.269465Palavras-chave:
trabalho gerencial, serviço público de saúde, gerencialismo, subjetividade, precarização do trabalhoResumo
Este artigo analisa a experiência de trabalho de gerentes de um hospital universitário federal sob gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), à luz das transformações contemporâneas do trabalho. Ancorada no materialismo histórico-dialético, a pesquisa adota abordagem qualitativa, articulando revisão bibliográfica crítica, análise documental e entrevistas semiestruturadas com sete gerentes. Os resultados indicam que a gerência hospitalar ocupa um lugar estruturalmente contraditório: ao mesmo tempo em que executa diretrizes gerenciais orientadas por metas, desempenho e racionalidade empresarial, vivência condições próximas ao assalariamento, marcadas por intensificação do trabalho, sobrecarga e impactos significativos sobre a saúde mental. As entrevistas revelam a ampliação das jornadas, a compressão dos intervalos, a invasão do tempo privado por demandas digitais, a diferenciação contratual, a terceirização e a persistência de desigualdades de gênero. Conclui-se que a gerência, longe de constituir uma posição homogênea de integração ao capital, configura-se como um “lugar de fronteira”, no qual se articulam consentimento, coerção e ambivalências, iluminando os custos sociais e subjetivos da incorporação do gerencialismo no serviço público de saúde.
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