Necrofania e fragmentação disciplinar: uma proposta de unidade analítica de terceira ordem para a teoria sociológica contemporânea
DOI:
https://doi.org/10.51359/2317-5427.2026.269630Palavras-chave:
teoria sociológica, violência letal, ordem social, normalização da morte, necrofaniaResumo
Este artigo propõe o conceito de necrofania como operador analítico destinado a articular debates contemporâneos sobre violência letal frequentemente tratados de forma fragmentada na teoria social. Em diálogo com discussões sobre biopolítica, necropolítica e economia moral da vida e da morte, argumenta-se que, em certos contextos, a morte violenta deixa de operar como evento excepcional ou limite moral absoluto e passa a integrar o funcionamento ordinário de ordens sociais formalmente reguladas, inclusive em regimes democráticos. A necrofania designa arranjos sociopolíticos nos quais a visibilidade reiterada da morte, a produção sistemática de violência em excesso e sua legitimação institucional operam de modo articulado, produzindo a normalização social da letalidade, cuja articulação simultânea é condição necessária para a caracterização do fenômeno. Ao propor uma unidade analítica de terceira ordem, o artigo busca oferecer uma ferramenta conceitual que, operando em nível metateórico, integra categorias consolidadas sem fundi-las em um princípio único. Metodologicamente, trata-se de um ensaio teórico-conceitual fundamentado em revisão crítica da literatura sociológica.
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