A Trajetória Bioepistemográfica de Emmanuel Lévinas: pistas para uma prática intercultural do pensamento

Herlon Alves Bezerra

Resumo


Neste artigo, apresento a trajetória bioepistemográfica de Emmanuel Lévinas. Segundo a tese que aqui apresento, este filósofo judeu franco-lituano produziu um dos mais ricos exemplos contemporâneos da fecundidade intercultural albergada em práticas do pensamento científico-filosófico que ousem desenvolver-se inspirados, mesmo que com pretensões universais, nos particulares fundamentos étnico-culturais ancestrais de seus autores. A fecundidade de tais práticas explica-se no fato de nelas inaugurar-se uma Razão Interdiscursiva, na qual funcionam horizontes culturais específicos, antes que como centros, como pontes para outras margens possíveis do Sentido, num movimento do espírito humano em que se fomenta uma solidariedade epistemológica fundamental à convivência dialogal e pacífica entre os distintos universos culturais humanos. Tal possibilidade faz-se, decerto, bastante interessante em sociedades pós-coloniais que, como a brasileira, advêm das violências do colonialismo escravista europeu moderno e têm como maior desafio civilizatório atual produzir a comunhão social de grupos étnico-culturais que, apesar dos diferentes interesses e posições sociais ao longo da história, formam hoje um único território nacional.

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