Entre o Belo e o Verdadeiro – Perseguição e Fuga em “Ode sobre uma Urna Grega”

Sueli Cavendish

Resumo


Resumo: A idéia estética dinamiza a mente, ocasionando (Kant) um fluxo de reflexões que jamais é abarcado por um conceito. Ou seja, o entendimento luta por oferecer um conceito a uma intuição estética, que sempre escapa, porém, à apreensão cognitiva. Há, do mesmo modo, idéias da razão que permanecem indeterminadas, posto que indemonstráveis por qualquer intuição sensível.  No primeiro caso o movimento parte do sensível ao pensamento; no segundo parte do pensamento a uma apresentação na forma de uma intuição sensível. Ao afirmar que o belo é um símbolo do bem moral, Kant atribui ao símbolo a capacidade de dar acesso sensível a algo que é supra-sensível. Dessa forma, a impossibilidade de subsumir a idéia estética sob um conceito simboliza, ou demonstra fenomenologicamente, a incapacidade de se demonstrar o conceito de moral. É por essa via que o belo aponta para o bem. Considerando que a expressão simbólica da idéia de imaginação foi a busca por excelência da poesia romântica, o objetivo deste artigo é examinar a “Ode sobre uma Urna Grega”, de John Keats, à base das questões mencionadas.

Palavras-chave: Keats, Kant, Imaginação, Estética, Filosofia

 

Abstract: The aesthetic Idea sets the mind in motion, creating a flux of reflections that is never encompassed by a concept. In other words, understanding tries to provide aesthetic intuition a concept, but the former always escapes cognitive apprehension. There are, on the other hand, ideas of reason which remain indeterminate, since they cannot be demonstrated by any intuition of the senses. In the first case, the movement goes from the senses to thought; in the second from thought to a presentation under the form of a sense intuition. Affirming that beauty is a symbol of the moral good, Kant attributes to the symbol the capacity of giving sensible access to something that is supersensible. Thus the impossibility of subsuming the aesthetic idea in a concept symbolizes the incapacity of demonstrating the moral idea. Through this operation the beautiful points to the good. Considering that the symbolic expression of the idea of imagination was the main quest of romantic poetry, the objective of this article is to examine the Ode on a Grecian Urn, by John Keats, on the basis of the above mentioned presuppositions.

Key-words: Keats, Kant, imagination, Aesthetics, Philosophy


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Referências


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DOI: https://doi.org/10.19134/eutomia-v1i03p%25p

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