Mímesis e crítica em Luiz Costa Lima

Thiago Castañon Loureiro

Resumo


Em plena segunda metade do século XX, Luiz Costa Lima e os irmãos Augusto e Haroldo de Campos citam a constelação histórica do primeiro romantismo alemão nos trópicos. Tendo em comum o acentuarem o papel da criticidade do poeta e da poiesis do crítico, sem confundir os espaços da palavra poética e do juízo analítico, suas obras exacerbam o questionamento dos significados herdados de “crítica” e “poesia”. Assim, em sua raiz, o modelo de crítica visado por LCL se aproximaria mais de um modelo poético que de um paradigma científico, aquele que os liga a todos à poesia crítica de João Cabral de Melo Neto. Poesia e crítica de invenção, sem medo da teoria, nem da mímesis. Para sair de seu embaraço seria preciso relacioná-los à reviravolta que LCL propõe sobre a categoria milenar da mímesis. Essa a hipótese que move a escavação aqui empreendida dos pressupostos que fazem da obra do escritor pernambucano peça chave de uma “crítica da razão estética” (B. Nunes).

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DOI: https://doi.org/10.19134/eutomia-v1i11p%25p

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