Uma abordagem enativista-ecológica para a interpretação de obras ficcionais
DOI:
https://doi.org/10.51359/1982-6850.2022.254942Palavras-chave:
interpretação, ficção, enativismo, psicologia ecológica, produção de sentido participativaResumo
Seguindo a ideia de que os organismos mantêm sua coerência interagindo com o ambiente e que, ao fazê-lo, tornam-se criadores de sentido, os enativistas têm argumentado que em um ambiente social emerge o sensemaking participativo. Nesse caso, o significado emerge da interação entre os membros de uma comunidade. Influenciada pelo enativismo, surgiu a proposta de que o receptor tem uma participação mais proeminente na produção do sentido da ficção quando comparado ao produtor da obra ficcional. Assim, tem sido endossado, em algumas abordagens enativistas, que a interpretação de qualquer ficção depende, em última análise, de seu receptor. Neste artigo, essa perspectiva será chamada de supremacia do receptor e o objetivo aqui é argumentar contra essa perspectiva. Para construir tal argumentação, quatro etapas serão seguidas. Primeiramente, será apresentada a compreensão enativista da linguagem. Em segundo lugar, serão discutidos os argumentos para a perspectiva enativista chamada de supremacia do receptor. Na terceira etapa, serão apresentados dois argumentos para a rejeição da supremacia do receptor. Por fim, acoplando ao enativismo uma perspectiva da psicologia ecológica, será argumentado que o produtor da ficção estabelece restrições que limitarão as possibilidades interpretativas do receptor. Dessa forma, o processo interpretativo de uma obra ficcional é um esforço colaborativo envolvendo seu produtor e receptores, sendo que nesse esforço, o receptor não tem uma participação mais importante que o produtor.Referências
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