Inovação e tradição em diálogo no ensino de gramática em livros didáticos

Regina Braz Rocha, Beth Brait

Resumo


Considerando que ensinar gramática não é uma tarefa fácil, este artigo procura examinar duas propostas didáticas de estudos gramaticais, com foco no substantivo, tomando por base os pressupostos metodológicos localizados na comparação entre dois livros didáticos, produzidos com quase cem anos de intervalo: um deles mais recente, 2008, e outro mais distante, 1912. Com base em pesquisa mais ampla sobre livros didáticos de língua portuguesa, o corpus deste trabalho é resultado do recorte de uma atividade didática de cada obra, mais especificamente a que se propõe a ensinar “substantivo”. As questões orientadoras da observação de cada obra, e da consequente comparação, podem ser assim resumidas: (1) Que encaminhamento teórico-metodológico autores tão distanciados no tempo apresentam ao aluno para que ele compreenda o que é, como funciona e que importância tem o substantivo na fala e na escrita? (2) Como o encaminhamento da sequência didática organiza a relação uso linguístico e aprimoramento das práticas de leitura e escrita? A partir do conceito de texto postulado por Bakhtin e o Círculo, concebido como unidade real da comunicação discursiva, procura-se mostrar como as duas atividades didáticas escolhidas possibilitam o reconhecimento da vertente grega que constituiu a gramática tradicional, revelando valorização de aspectos prescritivos, não necessariamente relacionados a propostas de escrita e leitura.

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