Dante como tradutor dos clássicos

Andréia Guerini, Piero Bagnariol, Tereza Virginia Ribeiro Barbosa

Resumo


Resumo: Segundo Rita Copeland (1991), a tradução ocupa papel primordial na  emergência da cultura literária vernacular da Idade Média.  A autora mostra como muitas das ideias sobre tradução se sustentaram auferindo dos sistemas teóricos da retórica (produção e interpretação textual) estratégias poéticas. Com base nessas hipóteses, vamos mostrar algumas correspondências entre Dante e a retórica e poética grega, ou seja, vamos identificar figuras de linguagem e pensamento comuns entre o poeta da  Divina Comédia e os poetas helênicos, mais especificamente, Homero. Abordaremos Dante como um tradutor da cultura clássica que faz também incursões no substrato grego, embora ele fosse leitor do latim e não do grego, não somente pelo ato de recuperar as figuras da mitologia como também na forma de utilizar e reescrever (no seu dialeto local) as figuras de linguagem utilizadas pelo aedo grego.

Palavras-Chave: Cultura clássica, Dante, tradução.

Abstract: According to Rita Copeland (1991), translation occupies a primordial role in the emergence of the Medieval vernacular literary culture. The author shows how many of the ideas about translation were fed by the theoretical systems of rhetoric (textual production and interpretation) and poetic strategies. Based on these hypotheses, we will show correspondence between Dante, rhetoric and Greek poetry, i.e., we will identify shared figures of speech and thoughts between the poet of the Divine Comedy and Hellenic poets, more specifically, Homer. We will approach Dante as a translator of classical culture who also makes incursions into the Greek substrate (even though he read Latin and not Greek), not only for recovering mythological figures but also for utilizing and rewriting (in his local dialect) figures of speech employed by the Greek poets.

Key words: Classical culture, Dante, translation.


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Referências


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DOI: https://doi.org/10.19134/eutomia-v1i10p316-324

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