As figuras da Lei em Platão e Kafka: do esclarecimento filosófico à parábola da impenetrabilidade
DOI:
https://doi.org/10.51359/1982-6850.2019.242087Keywords:
Kafka, Platão, lei, figura, esclarecimentoAbstract
A liberdade é um tema caro tanto à poesia quanto à filosofia, uma questão tangenciada por diversos autores, mesmo quando denunciam a opressão dos cárceres ou aconselham ao cumprimento da legislação. O objetivo deste trabalho é traçar um olhar comparativo entre o diálogo platônico “Críton” e o conto de Franz Kafka, “Na Colônia Penal”, ao levar em consideração a representação da Lei como um tema comum às duas obras. Por meio da noção de interpretação figural apontada pelo filólogo alemão Erich Auerbach (1997), buscou-se o confronto entre as duas obras clássicas (CALVINO, 1993), no intuito de revelar o teor “iluminista” (ADORNO & HORKHEIMER, 1975) da obra de Platão frente à construção literária do texto de Kafka, centrada no problema da impenetrabilidade do réu no cerne do sistema que o julga (ADORNO, 1998). Com efeito, percebe-se que a obra de Kafka, ao revelar os desdobramentos mais perversos da justiça, pode ser lida como um cumprimento figural da obra de Platão, uma provocação à harmonia de Sócrates em relação a Lei que ele mesmo, enquanto condenado, busca emular.
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