Freud, Foucault e as análises históricas do parricídio: as formas simbólicas e a poesia nos arquivos

Autori

  • Tomás Mendonça da Silva Prado Universidade São Judas Tadeu Professor efetivo do curso de Filosofia

Abstract

Este artigo confronta dois procedimentos de análise histórica do parricídio. O primeiro, com base em Freud e Agamben, relaciona o crime às raízes de nossa cultura, qualificando-o como experiência simbólica originária. O segundo, à luz do método arqueológico de Foucault, se volta a documentos históricos, aos arquivos. Embora este pareça o procedimento empiricamente mais sóbrio, é preciso reconhecer paralelos, sugeridos pelo próprio Foucault, entre os arquivos, as práticas de onde surgem e uma surpreendente produção poética, que geralmente presumimos distante deste campo de experiências. Este estudo considera o tema do parricídio pela mediação da psicanálise, da filosofia, do Direito e busca compreender a existência de uma produção poética onde os acontecimentos, senão pelo espanto com a violência que os acompanha e que resiste aos esforços de apreensão racional, pareciam não revelar nada além das meras vicissitudes da história.

Biografia autore

Tomás Mendonça da Silva Prado, Universidade São Judas Tadeu Professor efetivo do curso de Filosofia

Doutor em Filosofia pela PUC-Rio com estágio de pesquisa doutoral na Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne

Riferimenti bibliografici

AGAMBEN, G. Homo sacer: O poder soberano e a vida nua I, trad. H. Burigo, Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007.

FREUD, S. “Totem e tabu” em Obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. XIII, trad. J. Salomão, Rio de Janeiro: Imago Editora, 1973.

FOUCAULT, M. “A linguagem ao infinito” em Ditos e escritos, v. 3, trad. Inês Autran Dourado Barbosa, Rio de Janeiro: Forense universitária, 2009.

______________. “A vida dos homens infames” em Ditos e escritos, v. 4, trad. Vera Lucia Avelar Ribeiro, Rio de Janeiro: Forense universitária, 2006.

______________. Em defesa da sociedade, trad. M. E. Galvão, São Paulo: Martins fontes, 2005.

______________. Eu, Pierre Rivière, que degolei minha mãe, minha irmã e meu irmão, trad. D. L. Almeida, São Paulo: Edições Graal, 2012.

______________. História da sexualidade, v. 1, trad. Maria Thereza Albuquerque e J. A. Albuquerque, São Paulo: Graal, 2006.

______________. Vigiar e punir, trad. Raquel Ramalhete, Petrópolis: Vozes, 2008.

FOUCAULT, M. “Linguagem e literatura” in MACHADO, R. Foucault, a filosofia e a literatura, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000.

NIETZSCHE, F. Genealogia da moral, trad. P. C. Souza, São Paulo: Companhia das letras, 2008.

Pubblicato

2014-01-21

Fascicolo

Sezione

Literatura