Lícidas: diálogo mais ou menos platônico em torno de “Como reconhecer um poema ao vê-lo”, de Stanley Fish
Résumé
"O diálogo transcorre num prado verdejante, no campus de uma pequena faculdade de letras em Arcádia, uma pacata cidadezinha universitária (fictícia, é claro) no interior do Estado do Rio. Lícidas, um jovem professor de literatura inglesa, recentemente leu o artigo de Stanley Fish num exemplar do primeiro número de paLavra [Revista paLavra, Departamento de Letras, PUC-Rio]. Foi tamanho seu entusiasmo que convenceu seu colega Melibeu, um professor de literatura brasileira, homem de meia-idade, notoriamente cético e caturra, a lê-lo também.
LÍCIDAS — E então, Melibeu? O que você achou do artigo?
MELIBEU — Realmente, gostei muito. O senso de humor desses americanos é fantástico. Pregar uma peça dessas em sala de aula e depois publicar um relato! Realmente, o emburrecimento dos alunos de faculdade é inacreditável.
LÍCIDAS (um tanto constrangido) — Mas...
MELIBEU — E acho maravilhosa a cara-de-pau com que ele vai acumulando uma conclusão em cima da outra, como se estivesse mesmo falando sério. Lembra a “Proposta modesta” do Swift. Muito bem feito.
LÍCIDAS — Mas é claro que ele está falando sério.
MELIBEU (sua vez de demonstrar espanto) — Como assim?
[...]"
Références
ARROJO, Rosemary. Oficina de tradução: a teoria na prática. S. Paulo: Ática, 1986.
BRITTO, Paulo H. “O lugar da tradução”. In Candido José Mendes de Almeida et al. (orgs.), O livro ao vivo. Rio de Janeiro: Centro Cultural Candido Mendes/IBM Brasil. 1995.
FISH, Stanley. Como reconhecer um poema ao vê-lo. Trad. de S. Moreira. PaLavra 1 (1993), pp. 156-165.
NUSSBAUM, Martha (1994). “Skepticism about practical reason in literature and the law.” Harvard Law Review 107, pp. 714-744.
WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações filosóficas. Trad. de J. C. Bruni. S. Paulo: Abril Cultural, 1975.
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