Das flores no jardim a um vivenciar religioso: a abordagem freudiana da crença e da descrença
DOI :
https://doi.org/10.51359/1982-6850.2024.265521Mots-clés :
Psicanálise, religião, crença, descrença, Sigmund FreudRésumé
As elaborações de Sigmund Freud sobre religião e cultura tornaram-se conhecidas através de suas obras O futuro de uma ilusão e O mal-estar na cultura. Entretanto, uma pesquisa mais aprofundada mostra detalhes significativos também em textos pouco estudados, dentre eles, Uma experiência religiosa, escrito justamente no ínterim entre os dois livros mencionados. A origem deste texto remonta a uma entrevista concedida por Freud ao jornalista George Sylvester Viereck, na qual conversaram sobre o valor da vida. Incomodado com a atitude de Freud frente à crença em uma vida após a morte, um médico estadunidense escreve-lhe relatando sua própria experiência religiosa e exortando-o a converter-se ao cristianismo. O criador da psicanálise constrói hipóteses sobre essa conversão, destacando o papel central da ambivalência afetiva frente à figura paterna. Ao ser posteriormente retomado por Theodor Reik, o texto freudiano revela ainda o lugar fundamental ocupado pelas dimensões do olhar e da voz na conversão religiosa, articulados à angústia de castração. Em Dostoiévski e o parricídio, Freud novamente se depara com um caso de luta com a descrença que resulta em uma conversão religiosa. Este percurso pretende salientar possibilidades e limites da investigação psicanalítica das motivações inconscientes para as crenças e as descrenças.
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