Da iniciação ao luto: práticas da escuta Yanomami em A Queda do Céu

Autores

  • William Mullaney Princeton University

DOI:

https://doi.org/10.51359/1982-6850.2019.244647

Palavras-chave:

Davi Kopenawa, Bruce Albert, listening, anthropology

Resumo

Em A  Queda  do  Céu de  Davi  Kopenawa  e  Bruce  Albert,  a  escuta, dentro  do  contexto  do  xamanismo  yanomami,  envolve  a  transposição  das palavras  de Omama,  o  deus  criador,  e  dos  seus  espíritos,  os xapiri,  ao presente,  com  o  alvo  de  estabelecer  um  futuro  habitável.  O texto,  com as suasquestões  complexas  de  co-autoria,  exige  do  leitor  uma  forma  de escuta  aberta  às  formas  yanomami  de  gerar  sentidos  (sens).  A  escuta xamânica  depende  de  uma  cerimônia  de  iniciação,  que  é  uma “lição  de escuta”tanto  para  Kopenawa  como  para  o  leitor.  O  nexo  indecidível  do escutar/imitar  é  a  base  da  descoberta  da  alteridade  do  eu,  auto-diferença do  qual  se  origina  o  sentido  (sens).  A  escuta  xamânica  é  conectada  à  luta política coletiva que resiste às incursões do capitalismo mercantil. Matihi é o  nome  que  os  Yanomami  dão  às  mercadorias,  para  integrá-las  dentro  de um  sistema  de  troca  que  envolve  o  afeto  e  a  interdependência. Matihi, conectado  à  mortalidade  e  ao  passado  da  floresta,  ilustra  o  processo  de renovação da escuta xamânica.

Biografia do Autor

William Mullaney, Princeton University

Doutorando, Departamento de Literatura Comparada, Princeton University

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Publicado

2020-03-26