Projeto de Vida e a construção discursiva do sujeito do mérito

Autores

DOI:

https://doi.org/10.51359/2175-294x.2023.260340

Palavras-chave:

análise do discurso, sujeito do discurso, projeto de vida, discurso do mercado

Resumo

Este estudo analisa, segundo uma teoria do sujeito da Análise do Discurso, a construção discursiva do que denominamos como “sujeito do mérito”, tomando como objeto de análise o discurso do componente curricular Projeto de Vida. Consideramos que as condições de produção deste discurso aparecem como resultado das disputas do mercado por espaços de significação no setor da educação, cuja entrada se deve, especialmente, à atividade das ONGs. Selecionamos Sequências Discursivas retiradas de livros didáticos, procurando entender a forma como esses discursos se relacionam, produzindo efeitos neste sujeito em construção.

Biografia do Autor

Micilane Pereira de Araújo, UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS - UFAL

Universidade Federal de Alagoas. Possui Graduação em Letras - Licenciatura pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Mestrado em Educação pela mesma Universidade e atualmente cursa o Doutorado em Linguística na Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Participa das atividades de pesquisa do Grupo de Estudos em Discurso e Ontologia (GEDON/UFAL). Integra o quadro efetivo do magistério público da Rede Estadual de Educação. E-mail: lanepereira.a@gmail.com

Referências

ABRAMO, Helena. O uso das noções de adolescência e juventude no contexto brasileiro. In: FREITAS, Maria Virgínia (org.). Juventude e adolescência no Brasil: referências conceituais. São Paulo: Ação educativa, 2005. p. 19-35.

ANDERSON, Perry. Balanço do neoliberalismo. In: GENTILI, Pablo; SADER, Emir (org.). Pós-liberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. São Paulo: Paz e Terra, 2012. p. 9-23.

ANTUNES, Ricardo. DRUCK, Graça. A terceirização sem limites: a precarização do trabalho como regra. Revista O Social em Questão, Rio de Janeiro, nº 34, p. 19-20, 2015. Disponível em: http://osocialemquestao.ser.puc-rio.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=427&sid=48. Acesso em: 2 fev. 2023.

BAQUERO, Marcello. Construindo uma outra sociedade: o capital social na estruturação de uma cultura política participativa no Brasil. Rev. Sociol. Polít., Curitiba, 21, 2003, p. 83-108. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rsocp/a/8zCdyj9qYKBWcQVWJ3M8Swq/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 20 dez. 2023.

BRASIL. MEC. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em 01 jun. 2023.

CASTELO, Rodrigo. O social-liberalismo: uma ideologia neoliberal para a questão social no século XXI. 2011.Tese (Doutorado em Serviço Social) – Programa de Pós-Graduação em Serviço Social, UFRJ, Rio de Janeiro, 2011.

DELEUZE, Gilles. Em que se pode reconhecer o estruturalismo? In: CHÂTELET, François (org.). História da filosofia: ideias e doutrinas. v. 8, Rio de Janeiro: Zahar, 1973. p. 299-335.

FERNANDES, Rubem César. LANDIM, Leilah. Um perfil das ONGs no Brasil.

Comunicações do ISER, 22, ano 5, 1986, p. 44-56. Disponível em: https://www.iser.org.br/wp-content/uploads/2020/07/comunicacoes-22_compressed.pdf. Acesso em: 28 dez. 2023.

FONTES, Virgínia. O Brasil e o capital-imperialismo: teoria e história. 2ª ed. Rio de Janeiro: EPSJV, 2010.

FRAIMAN, Leonardo. Pensar, sentir e agir. São Paulo: FTD, 2020.

FREITAS, Luiz Carlos de. A reforma empresarial da educação: nova direita, velhas ideias. 1.ed. São Paulo: Expressão Popular, 2018.

FRIGOTTO, Gaudêncio. A produtividade da escola improdutiva: um (re)exame das relações entre educação e estrutura econômica social e capitalista. São Paulo: Cortez, 1989.

HARVEY, David. O neoliberalismo: história e implicações. São Paulo: Loyola, 2008.

IAMAMOTO, Marilda Villela. A questão social no capitalismo. Revista Temporalis, n. 3, p. 9-32. 2001. Disponível em: http://cressmt.org.br/novo/wp-content/uploads/2018/08/Temporalis_n_3_Questao_Social.pdf. Acesso em: 30 jan. 2023.

INDURSKY, F. Que sujeito é este? In: GRIGOLETTO, E.; DE NARDI, F. S.; DA SILVA SOBRINHO, H. F. (org.) Silêncio, memória, resistência: a política e o político no discurso. Campinas: Pontes Editores, 2019, p. 79-102.

INSTITUTO DE CORRESPONSABILIDADE PELA EDUCAÇÃO (ICE). [2021]. Um novo jeito de ver, sentir e cuidar dos estudantes brasileiros. Disponível em: https://icebrasil.org.br/escola-da-escolha/. Acesso em 01 fev. 2023.

INSTITUTO SONHO GRANDE. [2021] Por que ensino médio integral. Disponível em: https://www.sonhogrande.org/porque-ensino-medio-em-tempo-integral/pt?. Acesso em: 30 jan. 2023.

LEANDRO-FERREIRA, Maria Cristina. Análise do discurso e suas interfaces: o lugar do sujeito na trama do discurso. Revista Organon, Porto Alegre, v. 24, n. 48, p. 2010. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/organon/article/view/28636. Acesso em: 31 fev. 2023.

MAGALHÃES, Belmira. CAVALCANTE, Maria do Socorro. História, consciência e inconsciente: o sujeito na Análise do Discurso. Revista Leitura, Maceió, n. 40, p. 131-144, 2007. Disponível em: https://www.seer.ufal.br/index.php/revistaleitura/article/view/7219/4991. Acesso em: 15 jan. 2023.

MALDIDIER, Denise. A inquietude do discurso. Um trajeto na história da Análise do Discurso: o trabalho de Michel Pêcheux. In. PIOVEZANI, Carlos; SARGENTINI, Vanise (orgs.). Legados de Michel Pêcheux: inéditos em análise do discurso. São Paulo: Contexto, 2011, p. 39-62.

MARIANI, Bethania. “Larissas”: ou quando a falta de sentido faz sentido outro. In: MARIANI, Bethania. ROMÃO, Lucila Maria; MEDEIROS, Vanise (org.). Dois Campos em (des)enlaces: discurso em Pêcheux e Lacan. Rio de Janeiro: 7Letras, 2012. p. 53-62.

MARX, Karl. “Prefácio”. Para a Crítica da Economia Política. São Paulo: Abril Cultural, 1974.

MOTTA, Vânia Cardoso da. Da ideologia do capital humano à ideologia do capital social: as políticas de desenvolvimento do milênio e os novos mecanismos hegemônicos de educar para o conformismo. 2007. Tese (Doutorado em Serviço Social) UFRJ, Rio de Janeiro, 2007.

ORLANDI, Eni. As formas do silêncio no movimento dos sentidos. Campinas: Editora da Unicamp, 2002.

ORLANDI, Eni. Discurso em análise: Sujeito, Sentido e Ideologia. 2ª ed. Campinas: Pontes, 2012.

ORLANDI, Eni. Forma sujeito histórica e sujeito do direito: as bases da sociedade capitalista e os gestos de interpretação. Revista Rua, v. 28, n. 2, Campinas, 2022, p. 339-351. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rua/article/view/8670835. Acesso em: 20 jun. 2023.

ORLANDI, Eni. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. 5ª ed. Campinas, Pontes, 2007.

ORLANDI, Eni. Eu Tu Ele: discurso e real da história. 2ª ed. Campinas, Fontes, 2017.

PÊCHEUX, Michel. Ousar pensar e ousar se revoltar: ideologia, marxismo, luta de classes. Tradução: Guilherme Adorno e Gracinda Ferreira. Revista Décalages, v. 1, 2014. Disponível em: https://marxists.architexturez.net/portugues/pecheux/ano/mes/40.pdf. Acesso em: 2 fev. 2023.

ORLANDI, Eni. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Tradução: Eni Orlandi [et al.]. 2 ed. Campinas: Unicamp, 1995.

ROTA, Paulo Jorge; OLIVEIRA, Paulo Edison. Projeto de Vida: um projeto vital. São Paulo: Hedra Educação, 2020.

SASSI, Fernanda Celeste. SASSI JÚNIOR, Erlei. Meu futuro. 1 ed. São Paulo: FTD, 2020.

SAVIANI, Dermeval. História das ideias pedagógicas no Brasil. 3ª ed. Campinas: Autores Associados, 2007.

SILVA SOBRINHO, Helson Flávio da. O caráter material do sentido e as classes sociais: uma questão para a Análise do Discurso. Revista Polifonia, Cuiabá, v. 26, n.43, p. 130-150, 2019. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/polifonia/article/view/8307. Acesso em 3 fev. 2023.

SILVA SOBRINHO, Helson Flávio da. Michel Pêcheux e a crítica do capitalismo: “É preciso ousar se revoltar”. In: GRIGOLETTO, E.; DE NARDI, F. S. (org.) Análise do discurso e sua história: avanços e perspectivas. Campinas, SP: Pontes, 2016, p. 89-103.

SIMÕES, Dhiego Nogueira. Discurso, mercado e relações de exploração: a ofensiva ideológica do capital sobre a subjetividade do trabalho. 2019. Dissertação (Mestrado em Linguística e Literatura) - UFAL, Alagoas, 2019.

SOUZA, Regina Magalhães. O discurso do protagonismo juvenil. 2006. Tese (Doutorado em Sociologia) – USP, São Paulo, 2006.

SPOSITO, Marília Pontes. Os jovens no Brasil: desigualdades multiplicadas e novas demandas políticas. São Paulo: Ação Educativa, 2003.

TEIXEIRA, Ana. Trabalho, tecnologia e educação: algumas considerações. Trabalho e Educação, Belo Horizonte, n. 4, ago. dez.1998, p. 161-181. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/trabedu/article/view/9104/6545. Acesso em: 30 nov. 2023.

Downloads

Publicado

17-04-2024 — Atualizado em 18-04-2024

Como Citar

de Araújo, M. P. (2024). Projeto de Vida e a construção discursiva do sujeito do mérito. Revista Investigações, 36(2). https://doi.org/10.51359/2175-294x.2023.260340

Edição

Seção

Artigo - Linguística (seção livre)