A literatura de testemunho denuncia as vivências fóbicas

as colonialidades na República de Guiné Equatorial

Autores

DOI:

https://doi.org/10.51359/2175-294x.2026.266729

Palavras-chave:

identidades sociais, Guiné Equatorial, literatura banto-hispânica

Resumo

Neste estudo, situado na Linguística Aplicada, analisamos a obra banto-hispânica “Yo no quería ser madre” de Trifonia Melibea Obono Ntutumu (2019), com o objetivo de compreender as denúncias das vozes do sul da Guiné Equatorial. Buscamos identificar como as identidades sociais de mulheres lésbicas e bissexuais guinéu-equatorianas são representadas na obra. Realizamos um estudo interpretativista fundamentado no Suleamento (Silva Júnior; Matos, 2019), Decolonialidade (Quijano, 2005) e outras epistemes. Nosso trabalho evidencia como essas mulheres, ao desafiarem a cisheteronormatividade, são excluídas e vistas como não pertencentes ao povo equatoguineano, reforçando as colonialidades.

Biografia do Autor

Jakelliny Almeida Santos, Universidade Federal de Sergipe

Universidade Federal de Sergipe. Doutoranda e mestre em Letras na linha da Linguística Aplicada pela UFS, licenciada em Letras Português-Espanhol pela UFS, pós-graduanda em Ciências da Linguagem com Ênfase no Ensino de Língua Português pela UFPB. E-mail: jakellinyalmeida@hotmail.com.

Doris Cristina Vicente da Silva Matos, Universidade Federal de Sergipe

Universidade Federal de Sergipe. Professora associada da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e atua na graduação, no Departamento de Letras Estrangeiras e no Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL/UFS), na Linha de Pesquisa em Linguística Aplicada (LA).Doutora em Língua e Cultura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Bolsista de Produtividade em Pesquisa PQ-2 CNPq. E-mail: doriscris81@gmail.com.

Referências

ALMEIDA SANTOS, Jakelliny. Traços de colonialidades nas identidades sociais da Guiné Equatorial: uma análise potencialmente decolonial da obra literária ‘Yo no quería ser madre’, de Trifonia Melibea Obono. 2024. 178 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2024. Disponível em: https://ri.ufs.br/handle/riufs/20034 Acesso em: 20 maio. 2026.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero. Feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

EVARISTO, Conceição. Conceição Evaristo: a literatura como arte da escrevivência por Leonardo Cazes. Jornal o Globo, 11 jun. 2016. Disponível em: https://oglobo.globo.com/cultura/livros/conceicao-evaristo-literatura-como-arte-da-escrevivencia-19682928 Acesso em: 24 jan. 2025.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução: Tomaz Tadeu da Silva & Guacira Lopes Louro. Rio de Janeiro: Lamparina, 2019.

HAISKI, Vanderléia de Andrade. A literatura de testemunho na América Latina como elemento de ressignificação da memória, da dor e do trauma. 2021. Tese (Doutorado em Letras – Ênfase em Estudos Literários) – Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS. Disponível em: https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/26607/TES_PPGLETRAS_2021_HAISKI_VANDERLEIA.pdf?sequence=1 Acesso em: 10 ago. 2025.

IGLESIAS, Analía. Entrevista com Melibea Obono. El País, 2020. Disponível em: https://elpais.com/elpais/2020/02/17/planeta_futuro/1581961967_262800.html Acesso em: 24 jan. 2025.

KESSÉ, Adjoa Nathalie Chiyé; ROMARIC, Kouakou Kouamé. La identidad en la historia de los pueblos de Guinea Ecuatorial. Bouaké, Costa de Marfil. Revista hispanoamericana de Historia de las Ideas, n. 36, 2017, p. 37-50. Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=6329434. Acesso em: 14 abr. 2025.

LUGONES, María. Colonialidade e gênero. In: HOLANDA, Heloisa Buarque de. (org.) Pensamento feministas hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020. p. 58-96.

MALDONADO-TORRES, Nelson. Sobre la colonialidad del ser: contribuciones al desarrollo de un concepto. In: CASTRO-GÓMEZ, Santiago.; GROSFOGUEL, Ramón (org.). El giro decolonial. Reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Universidad Javeriana-Instituto Pensar, Universidad Central-IESCO, Siglo del Hombre Editores, 2007. p. 127-167.

MATOS, Doris Cristina Vicente da Silva Matos; ALMEIDA SANTOS, Jakelliny. Possibilidades de Sulear a Educação Linguística do Espanhol: a literatura da Guiné Equatorial sob olhares epistêmicos e ontológicos decoloniais. In: BAPTISTA, Lívia Márcia Tiba Rádis; TONELLI, Fernanda; ALEXANDRE, Diego. Pedagogias Decoloniais e Ensino Plural de Espanhol no Sul Global. Campinas, SP: Pontes Editores, 2023.

MELO, Glenda Cristina Valim de; ROCHA, Luciana Lins. Linguagem como performance: discursos que também ferem. Revista de Estudos da Linguagem, Belo Horizonte, v. 24, n. 2, p. 575–598, jul./dez. 2016. Disponível em: https://www.academia.edu/28892900/LINGUAGEM_COMO_PERFORMANCE_DISCURSOS_QUE_TAMB%C3%89M_FEREM Acesso em: 19 ago. 2025.

MELO, Glenda Cristina Valim de. Roda de conversa entre mulheres negras: performatividade de raça, gênero e sexualidade. In: MELO, Glenda Cristina Valim de; JESUS, Dánie Marcelo (org.). Linguística Aplicada, Raça e Interseccionalidade na Contemporaneidade. Rio de Janeiro: Editora Mórula, 2022.

MIGNOLO, Walter. “The geopolitics of knowledge and the colonial difference”. The South Atlantic Quarterly, v. 101, n. 1, 2002, p. 57-95.

NGOM, Mbaré. La literatura africana de expresión castellana: la creación literaria en Guinea Ecuatorial. Hispania, v. 76, 1993, p. 410-418.

OBONO, Trifonia Melibea; CAMPS, Inés Plasencia. Visualizando el Género: la transformación de la mujer en la guinea española a través de la imagen y sus legados desde la perspectiva poscolonial y africana. Revista canaria de patrimonio documental, n. 14, p. 159-180, 2018.

OBONO, Trifonia Melibea. Yo no quería ser madre: vidas forzadas de mujeres fuera de la norma. Barcelona, Editorial Egales, 2019.

OYËWÙMÍ, Oyèrónké. Conceituando gênero: os fundamentos eurocêntricos dos conceitos feministas e o desafio das epistemologias africanas. In: HOLLANDA, H. B. (org.). Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020.

QUEIROZ, Amarino Oliveira de. As inscrituras do verbo: dizibilidades performáticas da palabra poética africana. 2007. p. 312. Tese (Doutorado em teoria da literatura) – Universidade Federal de Pernambuco, Programa de Pós-Graduação em Letras (PG Letras), Recife, 2007.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: Lander, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latinoamericanas. Colección Sur Sur, CLACSO, Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina, septiembre, 2005.

SALVO, Jorge. La formación de identidad en la novela hispanoafricana: 1950-1990. Tese (Doutorado em ínguas e Linguística Modernas) – Florida State University, College of Arts and Sciences, Miami, 2003. Disponível em: http://www.cervantesvirtual.com/obra/la-formacion-de-identidad-en-la-novela-hispano-africana-19501990--0/ Acesso em: 24 jan. 2025.

SELIGMANN-SILVA, Márcio. Narrar o trauma: a questão dos testemunhos de catástrofes históricas. Psicologia Clínica, Rio de Janeiro, v. 20, n. 1, p. 65–82, 2008. Disponível em: https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-56652008000100005 Acesso em: 19 ago. 2025.

SERENA, Marc. ¡Esto no es africano! Valencia, ES: Editorial Xplora, 2014.S

SILVA JÚNIOR, Antonio Carlos da; MATOS, Doris Cristina Vicente da Silva. Linguística Aplicada e o SULear: práticas decoloniais na educação linguística em espanhol. Revista Interdisciplinar Sulear, Belo Horizonte, Minas Gerais. v. 2, n. 2, p. 101-116. set. 2019. Disponível em: https://revista.uemg.br/index.php/Sulear/article/view/4154 Accedido: 20 maio. 2026.

SEGATO, Rita Laura. A estrutura de gênero e a injunção do estupro. In: SUARÉZ, Mireya; BANDEIRA, Lourdes (org.). Violência, gênero e crime no Distrito Federal. Brasília: Paralelo 15 e UnB, 1999.

SILVA, Tomaz Tadeu da. A produção social da identidade e da diferença. In: SILVA, Tomaz Tadeu da (org.) Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014, p. 73-102.

SOMOS PARTE DEL MUNDO. Homofobia de estado en Guinea Ecuatorial. Malabo: Guinea Ecuatorial, 2020. Disponível em: https://uploads-ssl.webflow.com/5c5b3d21055de3235de4f742/5fd3f510db239117c9a1d289_Homofobia%20de%20Estado%20en%20Guinea%20Ecuatorial%20.pdf. Acesso em: 24 jan. 2025.

Publicado

03-06-2026

Como Citar

Santos, J. A., & Matos, D. C. V. da S. (2026). A literatura de testemunho denuncia as vivências fóbicas: as colonialidades na República de Guiné Equatorial. Revista Investigações, 39(especial). https://doi.org/10.51359/2175-294x.2026.266729