O lugar do personagem torturador na construção da vertente testemunhal da contística pós-64 brasileira
Resumo
O presente estudo tem por objetivo analisar o papel do torturador enquanto elemento que ajuda na composição da cena testemunhal presente em alguns contos produzidos durante a vigência do regime militar ditatorial, que vigorou no Brasil a partir da década de 1960. Esta abordagem centra-se no levantamento dos aspectos observados na composição destes personagens que nos permitem classificá-los como complementares na construção de outra personagem, a vítima da violência. Tal análise parte da hipótese de que a confluência entre o contexto histórico (regime de exceção, marcado por uma repressão violenta aos opositores do estado) e a estética narrativa (o realismo cru, a diluição das barreiras entre as formas narrativas, a predominância da narrativa de si) vigente durante este período, possibilitou o surgimento de uma vertente testemunhal na literatura pós-64. Para perceber e compreender em termos formais esta vertente se faz necessária a análise das nuances que a compõe, entre as quais a personificação do estado (através da figura do torturador) e a vitimização do prisioneiro.
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