As não-coincidências interlocutivas de pessoas com transtorno de esquizofrenia em um Centro de Atenção Psicossocial
Resumo
Este trabalho teve como objetivo analisar o funcionamento discursivo de pessoas com transtorno de esquizofrenia que freqüentam um Centro de Atenção Psicossocial. Utilizou-se como fundamentação teórica a heterogeneidade discursiva de Authier-Revuz e conceitos da psicanálise freudo-lacaniana. Na parte metodológica, constituiu-se o corpus com doze observações de atividades de grupos, através dos discursos de oito pessoas. Na análise dos dados, foram eleitas as propriedades decorrentes de sequências de discursos que explicitaram a referência discursiva. Os resultados indicaram que os sujeitos pesquisados conseguem metaenunciar utilizando-se da modalização autonímica, ponto de partida para o estabelecimento de contatos e laços com o social.Referências
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. Tradução de Maria Inês Corrêa Nascimento. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
AUTHIER-REVUZ, Jacqueline. Hétérogénéité montreé et Hétérogénéité constitutive: éléments pour une approche de l´autre dans le discours. DRLAV – Revue de linguistique, Paris, (26):91-151, 1982.
______. Heterogeneidade(s) enunciativa(s). Cadernos de estudos lingüísticos, Campinas, (19):25-42, 1990.
______. Palavras incertas: as não-coincidências do dizer. Campinas: Editora da UNICAMP, 1998.
______. Entre a transparência e a opacidade: um estudo enunciativo do sentido. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004.
BAKHTIN, Mikhail. Problèmes de la poétique de Dostoievski, Moscou, 1963. Trad. Fr.: Lausanne, L´Age d´homme, 1970.
BORBA, Patrícia Laubino. Entre a coincidência e a não-coincidência: um estudo sobre as falas de esquizofrênicos no campo da enunciação. Anais do 6º Encontro Celsul – Círculo de Estudos Lingüísticos do Sul. Florianópolis: UFSC, 2004.
______. O funcionamento da referência na perspectiva da análise do discurso: um estudo sobre o discurso do esquizofrênico. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-graduação em Letras, Instituto de Letras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006.
BRASIL. Ministério da Saúde. Lei Nº 10.216, de 6 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Diário Oficial da União, seção 1, p. 2.
BRITO, Mariza Angélica Paiva. Reflexões sobre a (in)coerência na fala do esquizofrênico. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Linguística, do Departamento de Letras Vernáculas, da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2005.
CHAROLLES, Michel. Introdução aos problemas da coerência dos textos. In: ORLANDI, E. O texto: leitura e escrita. Campinas: Pontes, 1988.
COURTINE, Jean-Jacques. Définition d órientations theóriques et construction de procedures en analyse du discours. Revue Philosophiques, Paris, IX(2):239-264, 1982.
FIORIN, José Luiz. Linguagem e ideologia. 6. ed, São Paulo: Ática, 1998.
LACAN, Jacques. A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud (1957). In: LACAN, Jacques. Escritos. Tradução Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1998.
______. O seminário – livro 3: as psicoses (1955-1956). 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
LAUREANO, Marcella Marjory Massolini. A interpretação (revelar e esconder sentidos): articulações entre a análise do discurso e psicanálise lacaniana. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-graduação em Psicologia, Departamento de Psicologia e Educação, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2008.
______; CHATELARD, Daniela Scheinkman. Sobre o sujeito não-UM: a heterogeneidade discursiva e a presença da lalíngua. Revista Stylus, Rio de Janeiro, (19):1-176, 2009.
MOURÃO, Arlete. Uma aventura no território da falta. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2011.
ORLANDI, Eni de Lourdes Puccinelli. Análise de discurso: princípios e procedimentos. Campinas: Pontes, 2001.
PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Trad. Eni P. Orlandi et al. Campinas-SP: Editora da UNICAMP, 1975.
Marcella Marjory Massolini Laureano Prottis e Henrique Campagnollo D´ávila Fernandes
______; FUCHS, Catherine. A propósito da análise automática do discurso: atualização e perspectivas (1975). In: GADET, F. e HAK, T. Por uma análise automática do discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. Campinas-SP: Editora da UNICAMP, 1990.
TENÓRIO, Fernando. A psicanálise e a clínica psiquiátrica. Rio de Janeiro: Rios Ambiciosos, 2001.
TODOROV, Tzvetan. Mikhail Bakhtin; Le príncipe dialogique, suivi d´Ecrits du cercle de Bakhtine. Paris: Seuil, 1981.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Desde 2013, os autores mantêm os direitos autorais de seus trabalhos e concedem à Revista Investigações o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0). A Revista Investigações permanece com os direitos autorais das obras publicadas até 2012 e concede a licença (CC BY 4.0) a esse conteúdo, a fim de garantir o Acesso Aberto.
A licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Qualquer usuário tem direito de:
Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
Adaptar — remixar, transformar e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.