DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL RURAL NA AMAZÔNIA: UMA ANÁLISE DO NORDESTE PARAENSE

Maria José de Souza Barbosa, Géssica Rafaela Nunes, Wilk Cardoso Cruz

Resumo


O presente artigo tem como objetivo contribuir com o debate sobre o Desenvolvimento Territorial Rural na Amazônia, enfatizando o território do nordeste paraense. Para tanto, realizamos um estudo teórico-acadêmico sobre as temáticas do desenvolvimento rural, territorialidade e Amazônia, a fim de conhecer a importância da introdução do conceito do território na discussão do desenvolvimento, uma vez que este faz parte de um debate recente no Brasil, em face da crise do padrão histórico de financiamento do Estado-nação voltado aos grandes empreendimentos infraestruturais e ao fomento das instalações de grandes indústrias, centrado na fábrica como dinamizadora do desenvolvimento econômico e territorial. Logo, entender as interfaces de tal conceito em relação ao desenvolvimento é imprescindível no sentido de se pensar um desenvolvimento compatível com a realidade socioeconômica da região amazônica, pois o padrão de desenvolvimento linear não respeita os modos de vida singulares, ou seja, a organização social, econômica, política e cultural de cada região. O conceito de território como estratégia de promoção de políticas públicas de múltiplas dimensões passa a ser introduzido neste debate devido às dinâmicas de controle e de usufruto da natureza em face do agravamento da situação ambiental e ao esgotamento dos recursos naturais. Nesse sentido, utilizamos, para nossa análise, os dados derivados de pesquisas realizadas no território do nordeste paraense, o qual se propõe trabalhar por meio deste artigo, através do Índice de Condições de Vida (ICV) para a agricultura familiar. A pesquisa foi realizada nos meses de janeiro a agosto de 2011, com objetivo de identificar a percepção de pescadores, ribeirinhos, quilombolas e agricultores familiares sobre suas condições de vida, nas amostras sorteadas pela SDT/MDA em dez[1], dos vinte municípios que compõem o território. O debate em torno do desenvolvimento territorial é articulado à gestão estratégica apoiada nas experiências concretas do protagonismo dos sujeitos locais, na negociação com os formuladores e gestores de políticas públicas, sob proposições que passam a incorporar o conceito de território como estratégia de promoção de políticas públicas de múltiplas dimensões.


[1] Aurora do Pará, Capitão Poço, Garrafão do Norte, Ipixuna do Pará, Irituia, Mãe do Rio, Paragominas, Santa Luzia do Pará, São Domingos do Capim e São Miguel do Guamá.


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Referências


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ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E DE EMPRESAS, CIÊNCIAS CONTÁBEIS E TURISMO: B5; ARQUITETURA, URBANISMO E DESIGN: B5; CIÊNCIAS AMBIENTAIS: B4; EDUCAÇÃO, ENGENHARIAS I: B5; ENSINO: B2; GEOGRAFIA: C; INTERDISCIPLINAR: B3. 

 

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