Além dos mortos da Cruz do Patrão simbolismo e tradição no uso do espaço no Recife
Palavras-chave:
Tradição oral, simbologia, evidências arqueológicasResumo
A pesquisa arqueológica do monumento denominado Cruz do Patrão, existente no porto do Recife decorreu da solicitação da Comunidade Negra do Recife, junto à Prefeitura, para que realizasse o resgate histórico desse monumento, importante símbolo de sua cultura. A pesquisa desenvolvida versou sobre a sua história e a dimensão simbólica frente às tradições culturais que vigoram ainda hoje na cidade e que o definem como um antigo cemitério de escravos. Essa tradição que dá base à história dos negros, repassada de pais para filhos por gerações, caracterizou o monumento como local de espancamento e sepultamento de negros. As pesquisas arqueológicas mostraram que se tratava, não de cemitério, mas de local de realização de práticas afroreligiosas, onde “trabalhos” foram realizados e deixaram evidências, confirmando sua importância histórica. Buscando as origens da tradição oral que a define como cemitério de negros, identificamos uma antiga cruz como provável fonte. A leitura da Cruz do Patrão como cemitério de escravos, pode vir dos sepultamentos realizados no entorno da cruz anteriormente erguida. O entorno da antiga cruz é definido como cemitério pela iconografia, e quando de sua retirada e posterior soerguimento da Cruz do Patrão em outro local, pode ter havido a transferência simbólica de seu uso como cemitério, incorporandoo à nova cruz. Pesquisas em andamento buscam identificar esse cemitério, visando incorporálo à simbologia do Universo das comunidades de negros da nossa cidade.
Abstract
The archaeological research on the monument called Cruz do Patrão located in Recife´s harbour was a result of the request made to the City Hall by the Black Community of Recife. The research carried out dealt with its history and symbolic dimension compared to the cultural traditions that are still alive in the city and that define Cruz do Patrão as an ancient slave´s cemetery. This tradition – grounds to the history of the black, passed on from one generation to another – has characterized the monument as a place of beating and burying of slaves. The archaeological researches revealed that it was not a cemetery but a place for africanreligious practices, where “work” was done and evidences left behind, confirming its historical importance. Looking for the origins of the oral tradition that defines it as a cemetery, we identified an old cross as a probable source. The understanding of Cruz do Patrão as a slaves´ cemetery may come from the buriels done in the surroundings of the ancient cross. The surroundings of the old cross is defined as a cemetery by the iconography and when it was removed and later placed in a different location there might have been a symbolic transference of its usage as a cemetery to the new cross. Undergoing researches are trying to identify this cemetery aiming at making it part of the symbolic universe of the Black Communities in our city.
Key words Oral tradition; symbology; archeaological evidences
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