GESTÃO DE PESSOAS E DISCURSO ORGANIZACIONAL: CRÍTICA À RELAÇÃO INDIVÍDUO-EMPRESA NAS ORGANIZAÇÕES CONTEMPORÂNEAS

Helena Karla Barbosa de Lima, Carla Sabrina Antloga

Resumo


O livro, resultado do trabalho de doutoramento do autor, objetiva analisar o discurso
organizacional em gestão de pessoas com uma perspectiva crítica, verificando dito, o não dito e o
oculto no discurso das organizações contemporâneas. Embora não se critique explicitamente o modelo
capitalista, pretende compreender como, permeadas pelas idiossincrasias do sistema, as organizações
seduzem e manipulam os funcionários para alcançar seus objetivos. O aporte teórico, que faz uso do
paradigma
interpretativo,
perpassa
as
relações
de
trabalho
e
de
poder
nas
organizações
contemporâneas, as políticas de gestão de pessoas e o imaginário organizacional moderno.
A obra divide-se em três partes. Na primeira, o autor faz a contextualização sócio-
organizacional, levando o leitor ao entendimento do mundo do trabalho e de como as relações de
trabalho têm sido estruturadas nas últimas décadas, especialmente na década de 1990. Compreender
o discurso organizacional à luz dessa contextualização social é imprescindível, e a obra faz isso de
forma precisa.
A segunda parte do livro se propõe a analisar as relações de poder nas organizações, bem
como aspectos do imaginário organizacional, buscando entender esse espaço de representação e de
fantasia. Diante disso, as empresas utilizam vários mecanismos, tais como regras e estrutura de
cargos para alcançar a submissão do indivíduo e a produtividade esperada. Existe a dominação do
indivíduo por parte da empresa, já que ela é vista como o lugar onde se obtém sucesso, prestígio e
reconhecimento e, por isso, ele se sujeita, até inconscientemente, às imposições. O indivíduo vê a
empresa como imaculada, não possuidora de falhas e identifica-se com essa organização toda
poderosa, que poderá satisfazer os seus desejos.
Na visão do autor, os funcionários são consideravelmente controlados pela empresa, sendo
essa uma entidade que perpassa trabalho e vida familiar. Nesse sentido, aceitam-se movimentos de
mudança e inovação desde que estejam dentro dos limites impostos pela cultura institucional. Atender
aos desejos do indivíduo é a forma de mantê-lo sob controle, requerendo, inclusive, exclusividade de
submissão. Para as empresas, o imaginário tem papel fundamental na tentativa de conquistar seus
objetivos capitalistas, e esse é construído com idéias de transformação do mundo e do sujeito,
utilizando-se de crises de identidade para atrair os trabalhadores e fazendo promessas que, em muitos
casos, praticamente não cumprem.
Na terceira parte da obra, explicita-se que a análise do discurso organizacional é muito mais
que a transmissão de informações, sendo também composta de argumentação e construção da
realidade. Para nortear a análise dos discursos, o pesquisador definiu seis categorias, a saber: o
superexecutivo de sucesso nas organizações, o discurso do comprometimento organizacional, os
modismos gerenciais, o discurso da participação nas organizações, o discurso da saúde nas empresas
e o discurso das melhores empresas para se trabalhar.
Tendo como foco o universo gerencial, o autor posiciona-se criticamente frente aos problemas
enfrentados pelas organizações, defendendo a necessidade dos indivíduos compreenderem o conteúdo
subjacente a esses discursos podendo, em um contexto de exploração, atuar de forma crítica e ativa.
A obra apresenta uma linguagem clara, objetiva e concisa, e a transição de um capítulo para
outro é feita de modo concatenado, facilitando a leitura. O texto é acessível tanto a estudantes quanto a profissionais, embora o autor deixe explícito que sua obra não é mais um manual de regras a seguir
para se chegar a um determinado fim. É, sim, uma análise crítico-reflexiva de uma realidade pela qual
as organizações e os indivíduos que nelas estão inseridos passam atualmente.

 

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


..................................................................................................................................................................................................................................................................................