RESENHA

Francisco José da Costa

Resumo


Ensino e pesquisa em Administração
é um título sugestivo e adequado para a
proposta deste livro, escrito pelo professor
Carlos Osmar Bertero. O livro tem seu objeto
explicitado:
está
inteiramente
direcionado a expor e refletir a atividade de
ensino
e
de
pesquisa
na
área
de
Administração.
O
professor
Bertero
corporifica esta problemática no Brasil:
professor há mais de quatro décadas da
Escola de Administração de Empresas de São
(EAESP/FGV),
nome
reconhecido
dentre os intelectuais, alunos e professores
da área de negócios de todo o Brasil, e,
atualmente,
presidente
da
Associação
Nacional
de
Pós-Graduação
em
Administração, além de ser o editor da
Revista de Administração de Empresas, um
dos mais importantes periódicos acadêmicos
brasileiros da área de negócios. Considerando
o currículo do autor e o contexto do livro,
não há dúvidas da contribuição que o
professor Bertero traz sobre o tema.
O tema se encaixa perfeitamente na
proposta de série de livros que Ensino e
pesquisa em Administração inaugura. O livro
é o primeiro da série “Coleção Debates em
Administração”, organizada pelos não menos
reconhecidos
professores
Isabella
de
Vasconcelos e Flávio Vasconcelos. Como
informam os organizadores, seu propósito
com esta série é abrir uma discussão em
torno de alguns tópicos mais recentes do
debate acadêmico em Administração, como
Gestão da Inovação, Gestão Social, dentre
outros.
Assim, neste primeiro livro, inicia-se
a discussão pelo problema mais fundamental,
ou seja, a forma como a Administração,
enquanto área de concentração acadêmica,
se posicionou nos últimos 50 anos no Brasil,
e das perspectivas que vêm se consolidando
após a grande expansão iniciada na década
de 1990. Cursos de Administração estão
presentes nas listas de ofertas de quase
as
faculdades
e
universidades
brasileiras, e anualmente milhares de novos
administradores são formados.
É possível visualizar na área de
Administração
uma
série
de
boas
oportunidades, mas seguramente há uma
grande ilusão por detrás das esperanças
depositadas por jovens que optam por buscar
sua formação superior na área. O professor
Bertero discute com grande clareza os
pontos-chave para a compreensão deste
problema, e dissocia o glamour, que a
imagem do executivo ostenta, da realidade
mercado
que
espera
os
novos
administradores. Conforme aponta o autor, a
demanda por administradores tem sua
dinâmica
e
suas
limitações,
e,
provavelmente,
muitos
dos
futuros
graduados em Administração terão sérias
dificuldades quando se apresentarem ao
mercado com seus diplomas de executivos
profissionais.
Bertero também discute a questão da
pós-graduação, efetivamente ampliada nos
últimos 10 anos e, aparentemente, em
desaquecimento
na
sua
modalidade
profissional, ou seja, nos cursos lato sensu.
Os cursos de mestrado e doutorado, por
outro lado, parecem estar apenas começando
a consolidar os primeiros passos de um
grande caminho ainda a seguir. Hoje temos
um exagero de cursos de graduação, com
uma grande falta de mão-de-obra docente
especializada para a carreira acadêmica. A
solução adotada, de abrir espaço na atividade
docente para especialistas e graduados, é
obviamente uma solução precária, útil até o
momento em que existam mestres doutores
o suficiente para ocupar o espaço que é de
sua competência.
Em qualquer dos contextos de análise
do autor, seja na formação do administrador,
tanto em nível de graduação como de pós-
graduação, seja na área de pesquisa, as
demandas são bons desafios para todos
aqueles que militam no campo. Bertero não
deixa de expor suas proposições, ao relatar a
necessidade de desenvolvermos um modelo
de formação mais pró-ativo, independente,
com consciência de consolidação de um
modelo brasileiro de Administração, com uma
pesquisa
verdadeiramente
aplicada
e
relevante.
O espaço do livro, com seu formato
reduzido, e com apenas 135 páginas, é,
evidentemente, uma forte limitação para uma
discussão mais profunda sobre o assunto.
Não é sem razão que outros temas deixam
de ser realçados, como o problema da
identidade profissional do administrador, da
reputação da profissão (temas estes de
constante debate nas esferas nacional e
regional de representação institucional da
profissão, como os Conselhos Federal e
Regionais de Administração), e, ainda, sobre
qual o espaço acadêmico da pesquisa em
Administração, se em nível de graduação, ou
de pós-graduação, ou em ambos (veja-se a
problemática entre as habilidades do gestor e
a questão da formação científica dos
administradores em nível de graduação).
Mas não podemos esquecer que o
livro é parte de uma coletânea que tem por
propósito debater a Administração, e não
esgotar qualquer questão referente ao
campo. O livro é de uma leitura leve, que
interessa a administradores, professores de
Administração, e estudantes especialmente
de pós-graduação. Para este público, este
livro é uma boa referência para pesquisas, e
para acompanhar o desenvolvimento de uma
área que parece ter justamente agora
condições para anunciar sua consolidação no
universo acadêmico brasileiro.

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