POR UNA SUSTENTABILIDAD ALTERNATIVA

Carla Pasa Gómez

Resumo


A obra “Por uma sustentabilidad alternativa” do professor Guillermo Foladori tendo
como colaboradores Humberto Tommasino, Naína Pierri, Javier Taks e Manyu Chang, publicado
pela Editora Colección Cabichui, Uruguai, 2005, 107 p.) reúne uma série de artigos sobre a
necessidade de entender a relação da sociedade humana com o seu ambiente no contexto do
sistema capitalista. Guillermo Foldari é professor da Universidade Autônoma de Zacatecas no
México. Antropólogo e Doutor em Economia, foi professor convidado em Universidades de vários
países como EUA e Brasil, além de consultor da OIT para o México e Brasil.
Ao longo do texto o autor enfatiza a distinção entre sustentabilidade ecológica e social,
que constituem o centro das discussões sobre o tema e as dificuldades metodológicas de um
trabalho interdisciplinar sobre desenvolvimento sustentável.
“Por uma sustentabilidade alternativa” é o primeiro capítulo no qual o autor apresenta
um panorama mundial de desigualdades sócio-ambientais direcionando para três principais
interpretações: técnica (tecnologias ineficientes e sujas degradam); consumista (o
comportamento consumista esgota os recursos e gera resíduos); e, a pobreza (os pobres são as
causas – a falta de capital os leva a degradar os recursos disponíveis - e conseqüências da
degradação ambiental - porque são obrigados a viver em lugares mais degradados). As
alternativas apontadas são as tecnologias eficientes e processos limpos, a redução do consumo,
principalmente dos países ricos, e a participação e o acesso ao capital para que os pobres
consigam superar suas limitações e fazer uso de tecnologias mais eficientes e manejos mais
amigáveis aos recursos naturais.
Aponta ainda, a necessidade de se analisar as correntes do ambientalismo que
sustentam que a crise está baseada nos processos produtivos e na industrialização – o uso dos
recursos, processos x resíduos e problemas de saúde e, inovações limpas para o dilema recursos
não renováveis x renováveis. Porém alerta pra a diferença dos ritmos dos ciclos naturais e dos
ciclos humanos, exemplificando tais ciclos através da diferença entre depredação e
contaminação.
O segundo capítulo “Controvérsias sobre sustentabilidade”, escrito em co-autoria com
Humberto Tommasino, traz uma ampla discussão sobre os problemas e contradições do conceito
de desenvolvimento sustentável que permitem interpretações “vagas e variadas”. Como
conclusões aponta que as contradições e desacordos relacionam-se ao conceito das “relações
intra-específicas do gênero humano (sustentabilidade social), frente as relações entre o ser
humano e seu entorno (sustentabilidade ecológica).
O terceiro capítulo chamado de “Cinco falacias sobre la crisis ambiental” tem como
propósito comentar alguns dos equívocos mais comuns encontradas na mídia e meios
acadêmicos sobre a crise ambiental contemporânea. O autor aponta os seguintes equívocos:
todos nós temos interesse em defender a natureza; todos os problemas ambientais são
essencialmente técnicos; os problemas ambientais não dependem de sua forma econômico-
social, e sim de seu caráter industrial; as empresas capitalistas são inimigas de uma política
“verde”; os problemas ambientais são uns e os sociais outros.
O capítulo de número quatro intitulado “Sustentabilidad ambiental y contradicciones
sociales”, analisa o processo de medição da sustentabilidade através de indicadores econômicos
(Green Net National Product e Genuine Savings); indicadores sócio-políticos (Index for
Sustainable Economic Welfare e Genuine Progress Indicator) e de, indicadores ecológicos ou
físico-materiais (Net Primary Productivity, Ecological Footprint e Environmental Space). De uma
forma muito interessante o autor aborda os conceitos de produtividade social e de excedente
potencial como indicadores de relações sociais de produção, onde discute as formas das
medições econômicas enquanto análise individual e não como coletiva.
No seu quinto capítulo “Avanços e limites da sustentabilidade social” o autor fala da
tridimensionalidade da sustentabilidade como conceito chave para avaliar o comportamento.
Aborda ainda, as contradições entre as propostas e medidas setoriais para combater a pobreza e
as macro políticas econômicas; bem como a tipologia e evolução do conceito de participação.
“Três teses básicas ocultas sobre a questão ambiental” é o título do sexto capítulo no
qual o autor apresenta teses que contrapõem os pressupostos de que “a crise ambiental é
resultado de ações antrópicas que degradam o ambiente e dificultam o equilíbrio ecológico, e
que pode conduzir a uma catástrofe que pode ser evitada...os problemas mais graves são o
aquecimento global e a perda da biodiversidade”. As teses buscam centrar a discussão nos
principais elementos críticos e mostrar um caminho teórico alternativo a partir da visão de que
não existe um ambiente separado dos organismos e/ou da sociedade humana; a sociedade
humana não se enfrenta de maneira igualitária com seu ambiente externo, porque há uma visão
de que a crise ambiental não é responsabilidade de todos por igual, e, a visão hegemônica da
discussão ambiental implica em um conteúdo ideológico poucas vezes reconhecido.
O penúltimo capítulo discute “A ciência e a tecnologia a favor da sustentabilidade
ecológica e contra a sustentabilidade social” apontando para um dos temas de maior presença
na polêmica ambiental contemporânea que é o papel da ciência e da tecnologia como
instrumento para superar essa crise. Traz como exemplos o caso dos estudos sobre as
alterações climáticas e a investigação biomédica.
Para concluir o livro, é apresentado o texto “Por que os paises socialistas degradam
tanto ou mais que os capitalistas se as relações capitalistas são as causas da degradação da
natureza?. Aqui traça uma relação interessante sobre a visão de que os produtos muitas vezes,
não nos dizem as causas e nem os mecanismos pelos quais foi produzido, o que significa dizer
que as degradações acabam sendo semelhantes porém oriundas de motivações e mecanismos
diferentes, concluindo que o comportamento é imprescindível para a elaboração de políticas
ambientais.
Discute ainda as causas da degradação ambiental no sistema capitalista e no socialista e
conclui que as situações não são diferentes, apesar de que a “...maioria das políticas ambientais
das economias capitalistas estão baseadas em instrumentos de mercado... e em corrigir preços
para orientar a produção no sentido da defesa ambiental. Enquanto as economias socialistas
devem considerar que a política comanda a economia mediante o planejamento, o que pode
explicar o desempenho ambiental a partir de tendências intrínsecas com as relações de
produção, como ocorre em economias capitalistas.... No capitalismo a degradação é comandada
pela economia, e no socialismo a degradação é comandada pela política que atua, por sua vez,
com o objetivo de igualar a economia capitalista”.
A obra desafia o leitor a refletir sobre questões ambientais em um sistema capitalista,
apontando para vertentes contraditórias sobre o conceito e a prática do desenvolvimento
sustentável, as quais, muitos países e pesquisadores, ainda os enxerga com uma visão míope.

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