KNOWLEDGE AND SOCIAL IMAGERY

Denilson Bezerra Marques

Resumo


Knowledge and Social Imagery é um livro editado inicialmente em 1976 e reeditado em 1991 após
incorporação das críticas feitas à edição de 1976, com as devidas respostas do autor a tais críticas. A
segunda metade da década de 1970 é marcada pela ascensão dos teóricos da Escola de Edimburgo ao
debate sobre a sociologia da ciência. Especial atenção deve ser creditada a David Bloor e aos
postulados do seu Programa Forte, que deflagram uma nova fronteira do debate científico sobre a
constituição dos fundamentos epistemológicos do conhecimento científico, expandindo-o para até os
contextos sociais onde os cientistas se encontram, não mais enfatizando os aspectos puramente
normativos do estudo da ciência e do conhecimento científico. A obra teve importante papel para
romper com o paradigma da história interna da sociologia do conhecimento científico, especialmente
com as teses dos programas de pesquisa de Imre Lakatos. Bloor, a partir desta obra, mostra-nos como
acessar o n ú cl “d u ro” d a ci ci ou seja, o ci ti
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en sta em soci ad e, ou , ai d a, o con teú d o soci d a
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ciência. Este feito proporcionou a ampliação dos limites teóricos, epistemológicos e metodológicos do
estudo sociológico da ciência, permitindo uma investigação dos processos de produção do
conhecimento científico a partir de clássicos como Émile Durkheim e Karl Mannheim. A influência de
Mannheim é menos perceptível que a de Durkheim no arcabouço do Programa Forte. Dele podemos
observar a correspondência entre imagens simplificadas da sociedade e teorias do conhecimento, a
partir da análise sobre o pensamento conservador. Bloor, a partir de Durkheim, destaca uma
comparação entre o sistema de crenças – observado em uma sociedade a partir de sua concepção
religiosa – com a ord em soci d ecorren te d esse si
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stem a, com o q u e se o b serva n o i teri “d o fazer
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stem a d e cren ças e sem el an te ord em soci . E sse si ma dá ao
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indivíduo a condição de se sentir membro de uma comunidade a partir de sua representação coletiva,
cujas regras e normas de convivência social se expressariam em decorrência da imanência de uma
construção coletiva das regras tidas como sagrada e profana. A relação dos indivíduos para com as
normas sociais no sagrado dá-se em função de uma condição de icognoscibilidade de tais normas, ao
passo que a relação com o profano é decorrente de um comportamento racional e cognoscível. Bloor
sugere que, à semelhança da religião, a ciência provoca um comportamento para com os cientistas nas
mesmas bases cognoscitivas que o estatuído no sagrado e no profano. A ordem social que daí se extrai
pode possibilitar o entendimento quanto aos tabus e preconceitos que alimentam as resistências e as
motivações para o estudo da ciência e a produção do conhecimento científico. Bloor reafirma que o
ambiente da ciência assemelha-se àquele criado pela religião, no qual se vêem aspectos do sagrado e
do profano nas discussões científicas. Ele acredita que isso ocorra devido à forma de desenvolvimento
de a verdade científica ser dogmatizada, o que a tornaria – a ciência – u m a esp éci d e “i sti i
e
n tu ção
d i n a”. A d en trar-se neste dogma e em como se deu seu desenvolvimento histórico assemelha-se a
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evari a “h eresi e a n ão -ciência. Esse aspecto
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traz implícito um certo tom de autoritarismo e de obscurantismo sobre a forma histórica com que a
verdade científica foi moldada e institucionalizada. Com essas pressuposições, Bloor provoca um
deslocamento epistemológico no que tange ao estudo do conhecimento científico não mais como um
“p rod u to” sem soci ad e e sem trad i
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ção cu l ral A n ova b ase ep i
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stem e cen trad a n o “p rod u to” p ara u m a ep i
stem e
centrada na crença social. O alcance dessa nova base epistemológica é poder perceber a sociedade em
toda a sua extensão e complexidade historicamente constituída. A crença social passa, a partir de
Bloor, a ser objeto de estudo para a Sociologia do Conhecimento Científico, uma vez que a sociedade
está na ciência e nela exerce fundamental influência para estabelecer o conhecimento científico como
uma conseqüência inconteste. Bloor encoraja e provoca os estudiosos da ciência a proporem uma
explicação social ao conteúdo da ciência. Esta perspectiva aproxima sua abordagem das posições
fenomenológicas e hermenêuticas, pois o sentido da verdade científica passa a ser objeto de estudo,
tanto quanto o produto em si desta verdade, o que torna o indivíduo sujeito e objeto para o estudo da
ciência e do conhecimento científico. A crença e a experiência de vida que cada cientista alimenta,
numa perspectiva histórica, tornam-se, então, elementos fundamentais para se entender o processo
de construção do conhecimento científico e o próprio conteúdo social da ciência. De certa forma, a
partir do postulado pelo Programa Forte, podemos supor que as regras do argumento científico e os
critérios de verdade são internos ao sistema social ou, talvez, a um conjunto de sistemas sociais, que
se intercomunicam. A principal contribuição do livro para os estudiosos da sociologia da ciência, como
também para qualquer outro estudioso do campo das ciências sociais, como, por exemplo, a
Administração, reside, portanto, na superação do paradigma da história interna. Neste sentido, estabelece uma nova agenda de pesquisas e de estudos teóricos que passam a incorporar o contexto
social como elemento fundamental para a correta interpretação da ciência e do próprio conhecimento
científico por esta produzida. Com isso, a Ciência, em geral, e a Ciência da Administração, em
particular, deixam de ser isentas e passam a ser componentes do sistema de crenças dos indivíduos
que, historicamente, moldam o campo científico.


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