Vol. 9, No 2

Carla Regina Pasa Gomez

Resumo


Nesse segundo número do ano de 2011, apresentamos oito artigos que trazem significativa contribuição para as discussões a cerca dos temas: responsabilidade social, ética, gestão ambiental, estratégia e competitividade, poder nas organizações. Encaramos o desafio de publicar dois artigos que trazem uma linguagem pouco convencional na área de Administração. A inovação trazida pelos artigos (re)abre a discussão sobre formas de análise do objeto e o posicionamento do autor diante do mesmo.

No primeiro artigo das pesquisadoras da Universidade Federal de Santa Catarina, Helena Uglione, Rebeca Barcellos, Rosimeri Carvalho Silva (também professora da UFRGS) e, Eloise Dellagnelo temos uma discussão crítica sobre os discursos sobre ações sociais das empresas. Segundo as autoras, tais discursos são instrumentos de poder das organizações para convencer o consumidor a adquirir produtos/serviços para a causa social. A empresa passa a ser a intermediadora da ajuda que o consumidor se dispõe a oferecer a causa social. O artigo provoca questionamentos sobre: estamos, como cidadãos, em um momento de "alienação social"?; as relações, inclusive as sociais, fazem parte da "empresariarização do mundo"?; e, estaremos nós como consumidores "delegando às empresas o papel de definidora das ações sociais"? Vale a pena conferir o artigo.

O segundo artigo, resultado da dissertação de mestrado de Ana Lucia Santiago sob a orientação do prof. Jacques Demajorovic do Centro Universitário FEI (SP) mostra a realidade das ações sociais e ambientais das Micros e Pequenas Empresas no Brasil. Os resultados mostram que a adoção de práticas se dá a partir de mecanismos de indução por parte do poder público. Parece haver uma contradição no olhar dos pesquisadores da FEI versus os pesquisadores da UFSC (artigo anterior), pois os primeiros encontram resultados de um comportamento social e ambiental reativo, que busca apenas soluções pontuais e cuja principal motivação está relacionada a custos e impacto na produção, enquanto que o olhar das pesquisadoras do artigo anterior se direciona para práticas empresariais que não foram induzidas, que talvez possam ser consideradas pró-ativas. Assim, parece que a diferença entre os artigos é que enquanto as MPEs parecem precisar de indução para agir, as grandes empresas olham para a causa social como uma estratégia.

No terceiro artigo as pesquisadoras da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) (re)discutem a ética nos relacionamentos organizacionais e sua indissociabilidade do comportamento social empresarial. No entanto, como salietam as autoras deve-se considerar "a situação financeira da empresa, o setor e o local de atuação, a abrangência geográfica, o público que quer atingir, o tipo de produto ou o serviço que oferece, os aspectos ambientais envolvidos no sistema de produção, o número de funcionários, entre outros". Um campo cheio de subjetividade discutido aqui como algo simples de se fazer (atitude) quando pautada por valores. A questão que pode dar continuidade a discussão iniciada é: como ser ético em um ambiente pouco ético como o que vivemos em nosso país?

O quarto artigo é uma parceria da GESTÃO.Org com o ENANPEGS. O V Encontro Nacional de Pesquisadores em Gestão Social foi realizado em Maio de 2011 na Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC) e teve como tema "Gestão social como caminho para a redefinição da esfera pública". O artigo do professor Fábio Meira foi considerado o melhor do evento e traz uma discussão sobre a transição nas empresas que foram assumidas pelos trabalhadores. Muito bem estruturado o artigo contribui para à gestão organizacional com olhar muito crítico sobre o tema.

No quinto artigo apresentamos uma revisão teórica sobre o tema de Gestão Estratégica realizada pelo doutorando Rogério Lacerda e os professores Leonardo Ensslin e Sandra Ensslin (UFSC) e que foi realizada utilizando instrumento de intervenção ProKnow-C (Knowledge Development Process – Constructivist) e abrodagem Multicritério em Apoio à Decisão – MCDA.

No sexto artigo apresentado pelos pesquisadores da Universidad Nacional de Altiplano, Peru e Universidade de São Paulo fazem uma análise exploratória da "Competitividade dos sistema agroindustrial da truta na região de Puno, Peru". Nesse artigo os autores além de mostrarem a realidade de pequenos e grandes psicultores, apresentam um "esquema de estratégias de organização industrial baseado no relacionamento dos agrupamentos de pequenas empresas".

Os dois artigos seguintes (sétimo e oitavo) trazem uma nova forma de dialogar das Ciências Administrativas. No sétimo artigo a prof. Cristina Carvalho (UFRGS) e a mestranda Danielle Bispo e a mestre Raquel Lira (UFPE) relatam a evolução de um movimento cultural em Pernambuco analisado pela ótica da disputa de território, objetivos divergentes dos atores sociais envolvidos, alianças e articulações que se configuram em um espaço, como no caso do artigo, o Terreiro de Santa Bárbara em Olinda (PE). Trazendo viéses da sociologia, da antropologia e de outras ciências o artigo discute em uma linguagem leve o poder nas relações sociais.

No último artigo os professores Alexandre Carrieri (UFMG), Mariana Souza (UFV) e Jorge Lengler (UNISC) trazem em linguagem de relato/narrativa, a dimesão identitária de duas feiras hippies. O estudo que tem uma perspectiva cross–cultural traz a "complexidade do processo de construção identitária, em níveis institucional, organizacional e individual". E conclui entre outros pontos que "nesse processo, a filiação à ideologia de determinado grupo é uma forma de se obter estabilidade identitária".

As discussões estão abertas!

Boa leitura

Profa. Carla Pasa Gómez

Editora

ATENÇÃO:
Sustentabilidade e Responsabilidade Social: Proposta de modelo de diagnóstico socioambiental baseada em pesquisa empírica
INFORMAMOS QUE O ARTIGO FOI EXCLUÍDO DO NÚMERO ATUAL POR EVIDÊNCIAS DE PUBLICAÇÃO ANTERIOR EM PERIÓDICOS NACIONAL E INTERNACIONAL

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