Assédio moral na despersonalização no ambiente de trabalho à ameaça à vida

um estudo em Londrina (PR)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.51359/1679-1827.2025.265889

Palavras-chave:

assédio moral, machismo estrutural, relações de poder

Resumo

Objetivo: A presente pesquisa objetivou compreender como ocorrem as práticas de assédio moral sobre mulheres, no ambiente de trabalho corporativo, na cidade de Londrina – PR.

Método/abordagem: Os dados foram produzidos por método qualitativo e grupo focal, com entrevista semiestruturada como técnica de coleta de dados. Participaram do estudo seis mulheres que residem e trabalham na cidade de Londrina – PR.

Contribuições teóricas/práticas/sociais: Os resultados mostraram que algumas participantes não só foram vítimas de assédio moral dentro do ambiente de trabalho, como também de assédio sexual. Notou-se que as ocorrências vieram de um superior hierárquico (diretores e gerentes), inclusive de uma pessoa do sexo feminino, e até mesmo de clientes de fora da organização, evidenciando elementos de um machismo estrutural e assimetrias nas relações de poder dentro das organizações.

Originalidade/relevância: O estudo coloca luz sobre a perpetuação do assédio moral em contexto organizacional, ao passo em que mostra interseccionalidade do fenômeno com categorias sociais de gênero, idade e escolaridade, o que reflete a cultura machista e patriarcal na qual estamos inseridos.

Biografia do Autor

Talita Ravagnã Piga, Universidade Estadual de Londrina

Mestra em Administração (linha de Pesquisa em Sustentabilidade) pela Universidade Estadual de Londrina (2014). Doutoranda em Administração pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Docente do curso de Administração da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Natalia Araujo, Universidade Estadual de Londrina

Graduada em Administração pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Referências

Abreu, A. R. P., Hirata, H., & Lombar-di, M. R. (Eds.). (2016). Gênero e traba-lho no Brasil e na França: Perspectivas interseccionais. Boitempo.

Agência Câmara de Notícias. (2019, 13 de março). Câmara aprova punição para assédio moral no trabalho. Agência Câmara de Notícias. https://www.camara.leg.br/noticias/553265-CAMARA-APROVA-PUNICAO-PARA-ASSEDIO-MORAL-NO-TRABALHO

Alvesson, M., & Billing, Y. D. (1997). Understanding gender in organizations. Sage.

Barreto, M. (2003). Violência, saúde e trabalho – Uma jornada de humilhações. EDUC.

Barros, A. T. de, & Busanello, E. (2019). Machismo discursivo: Modos de in-terdição da voz das mulheres no par-lamento brasileiro. Revista Estudos Feministas, 27, e53771.

Brasil. (2022). Lei nº 14.457, de 21 de setembro de 2022: Institui o Programa Emprega + Mulheres; e altera a Consoli-dação das Leis do Trabalho, aprovada pe-lo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, e as Leis nºs 11.770, de 9 de setem-bro de 2008, 13.999, de 18 de maio de 2020, e 12.513, de 26 de outubro de 2011. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2022/lei/l14457.htm

Brasil. (2023). Lei nº 14.612, de 03 de julho de 2023: Altera a Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994 (Estatuto da Advoca-cia), para incluir o assédio moral, o assé-dio sexual e a discriminação entre as in-frações ético-disciplinares no âmbito da Ordem dos Advogados do Brasil. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14612.htm

Carvalho Neto, A. M. de, Tanure, B., & Andrade, J. (2010). Executivas: Car-reira, maternidade, amores e precon-ceitos. RAE eletrônica, 9.

Conselho Nacional de Justiça. (2024, 8 de março). Número de ações sobre assé-dio sexual na Justiça do Trabalho cresce 35% entre 2023 e 2024. https://www.cnj.jus.br/numero-de-acoes-sobre-assedio-sexual-na-justica-do-trabalho-cresce-35-entre-2023-e-2024/

Corrêa, A. M. H., & Carrieri, A. de P. (2007). Percurso semântico do assé-dio moral na trajetória profissional de mulheres gerentes. Revista de Ad-ministração de Empresas, 47, 22-32.

Costa, S. G. da. (1995). Assédio sexual: Uma versão brasileira. Porto Alegre, RS: Artes e Ofícios.

Da Costa, T. C., da Silva, T. P., Battis-tella, L. F., & do Nascimento Lock, F. (2021). Produção em administração sobre assédio moral no Brasil: com-paração com os “hot topics” interna-cionais. Práticas de Administração Pú-blica, 5(2), 64-84.

Da Fonseca, W. G., Pereira, J. R., & Oleto, A. de F. (2024). "Aqui eles nos prendem com algemas de ouro": O assédio moral no sistema bancário mineiro. GESTÃO. Org: Revista Ele-trônica de Gestão Organizacional, 22(1).

De Oliveira, A. S., Oliveira, G. C., & Cardoso, J. S. (2020). Reflexos do ma-chismo estrutural brasileiro em tem-pos de COVID 19: Quando o distan-ciamento social é tão letal quanto o vírus. Revista da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, 24(49), 93-111.

Einarsen, S., Skogstad, A., Rørvik, E., Lande, Å. B., & Nielsen, M. B. (2018). Climate for conflict management, exposure to workplace bullying and work engagement: a moderated me-diation analysis. The International Journal of Human Resource Manage-ment, 29(3), 549-570.

Fonseca, R. T. M. (2003). Saúde mental para e pelo trabalho. LTr.

Freitas, M. E. de. (2001). Assédio mo-ral e assédio sexual: Faces do poder perverso nas organizações. Revista de Administração de Empresas, 41(2), 8–19.

Freitas, M. E. de, Heloani, R., & Barre-to, M. (2008). Assédio moral no traba-lho. Cengage Learning.

Friedan, B. (2020). A mística feminina (4a ed.). Rosa dos Tempos.

Heloani, R. (2011). A dança da garrafa: Assédio moral nas organizações. GV-executivo, 10(1), 50–53.

Heloani, R., & Barreto, M. (2018). Assé-dio moral: Gestão por humilhação. Edi-tora Juruá.

Hirigoyen, M.-F. (2010). Assédio moral: A violência perversa no cotidiano (16a ed.). Bertrand Brasil.

Jornal da USP. (2024, 22 de abril). Mu-lheres dedicam, em média, 9,6 horas a mais do que os homens às tarefas domés-ticas. https://jornal.usp.br/atualidades/mulheresdedicam-em-media-96-horas-a-mais-do-que-os-homens-as-tarefas-domesticas/

Kerr, C. (2024). Cultura organizacional livre de assédio: Um guia para transfor-mar a cultura do assédio moral e sexual no ambiente do trabalho. Literare Books.

Morgan, D. (1997). Focus group as quali-tative research. Sage.

Moura, B. M., & Souza-Leão, A. L. M. D. (2025). moral harassment as con-sumption governmentality: explor-ing dark side interactions in cosplay. Revista de Administração de Em-presas, 65(5), e2024-0225.

Moura, B. M., Souza-Leão, A. L. M. D., Salgueiro, E. M. G., Crosato, M. S., & Rocha, A. L. D. S. (2024). Women gamers: Gender performativities in female eSports consumption. RAM. Revista de Administração Macken-zie, 25, eRAMG240235.

Nações Unidas Brasil. (2022, 13 de ou-tubro). OIT: Violência e assédio no tra-balho afetam uma em cada cinco pessoas. https://brasil.un.org/pt-br/210241-oitviol%C3%AAncia-e-ass%C3%A9dio-no-trabalho-afetam-uma-em-cada-cinco-pessoas

Nunes, T. S., Tolfo, S. da R., & Espino-sa, L. M. C. (2018). Assédio moral no trabalho: A compreensão dos traba-lhadores sobre a violência. RG Secr., GESEC., 9(2), 205–219.

Nunes, T. S., Tolfo, S. da R., & Espino-sa, L. M. C. (2019). A percepção de servidores universitários sobre as políticas, ações e discursos institucionais sobre o assédio moral no traba-lho. Revista Organizações em Contexto, 15(29), 191–222.

Nunes, T. S., & Torga, E. M. M. F. (2020). Workplace bullying in post-graduate courses: The consequences experienced by teachers and students of a Brazilian state university. Education Policy Analysis Archives, 28(11), 1–27.

Padilha, V. (2015). Capitalismo, mode-los de gestão e assédio moral no tra-balho. In Antimanual de gestão: Des-construindo os discursos do manage-ment. São Paulo: Ideias & Letras.

Paula, C. de F. N. Q. de, Motta, A. C. de G. D., & Nascimento, R. P. (2021). O assédio moral nas organizações: As consequências dessa prática para a sociedade. Serviço Social & Socieda-de(142), 467–487.

Picironi, C. A. A., & Augusto, C. A. (2018). A influência do gênero femi-nino sobre a ocorrência de assédio moral: Um estudo em uma rede de postos de combustível na cidade de Maringá. Gestão.Org, 16(1), 30–42.

Prata, M. R. (2008). Anatomia do assédio moral no trabalho: Uma abordagem transdisciplinar. Editora LTr.

Pretti, R. J. (2021). Assédio moral no trabalho: Considerações e enfrenta-mento no âmbito do Mercado Co-mum do Sul–MERCOSUL. Brazilian Journal of Development, 7(1), 10452–10461.

OIT - Organização Internacional do Trabalho. (2019). C190 - Convenção so-bre violência e assédio, 2019 (n.º 190). https://normlex.ilo.org/dyn/nrmlx_es/f?p=NORMLEXPUB:12100:0::NO::P12100_ILO_CODE:C190

Rodrigues, M., & Freitas, M. E. de. (2014). Assédio moral nas institui-ções de ensino superior: Um estudo sobre as condições organizacionais que favorecem sua ocorrência. Cader-nos Ebape.br, 12(2), 284–301.

Scott, J. (1995). Gênero: Uma categoria útil de análise histórica. Educação e Realidade, 20(2).

Stake, R. E. (2011). Pesquisa qualitativa: Estudando como as coisas funcionam. Penso.

Suxberger, R. (2021, 21 de outubro). O invisível assédio sexual nosso de todos os dias. Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. https://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/campanhas-e-produtos/artigos-discursos-e-entrevistas/artigos/2021/o-invisivel-assedio-sexual-nosso-de-todos-os-dias

Vergara, S. C. (2005). Métodos de pesqui-sa em administração. Editora Atlas.

Viana, R. (2023, 8 de março). O ciclo do assédio nas empresas. Think Eva. https://thinkeva.com.br/o-ciclo-do-assedio-nas-empresas/

Zabala, I. P. (2003). Mobbing - Como sobreviver ao assédio psicológico: No trabalho. Edições Loyola.

Downloads

Publicado

2025-09-23

Edição

Seção

Estudos Organizacionais