Entre o profissionalismo e os princípios simbólicos da dominação de gênero nas carreiras jurídicas no Brasil
Mots-clés :
profissionalismo; gênero; dominação; carreiras jurídicas; discriminaçãoRésumé
O presente trabalho se propõe a analisar a relação entre a construção das noções de profissionalismo no meio jurídico-profissional brasileiro e as barreiras postas às mulheres para o ingresso e a ascensão nas carreiras. Até as últimas décadas do século passado, as profissões jurídicas eram praticamente restritas ao universo masculino, o que resultou na definição de uma identidade profissional que dificulta a inserção de diferentes devido ao desejo de se manter uma identidade homogênea e vigorante. Tal identidade, na forma como se manifesta, expressa o alcance da dominação masculina, decorrente de princípios sexistas que historicamente transcorrem na sociedade, não apenas como estruturador da identidade coletiva de profissão, mas ainda como premissa que organiza os papéis e princípios socioestatais .
Références
ANGELIN, Paulo Eduardo. Profissionalismo e Profissão: Teorias Sociológicas e o Processo de Profissionalização no Brasil. Revista Espaço de Diálogo e Desconexão (RED), v. 3, n. 1, 2010.
ARAÚJO, Neuza de Farias. Diferentes Definições de Poder e Dominação: Repercussões na Participação Política Envolvendo as Relações de Gênero. Seminário Internacional Fazendo Gênero 9: Diásporas, Diversidades, Deslocamentos. UFSC, 2010.
BARBALHO, Rennê Martins e BONELLI, Maria da Glória. O Profissionalismo e a Construção de Gênero na Advocacia Paulista. Sociedade e Cultura, v. 11, n. 2, 2008.
BONELLI, Maria da Glória. As Disputas em Torno da Fronteira entre Profissão e Política no Ministério Público Paulista. Novos Estudos. CEBRAP, São Paulo, v. 1, n. 65, p. 169 – 182, 2003.
BONELLI, Maria da Glória. Ideologias do Profissionalismo em Disputa na Magistratura Paulista. Sociologias (UFRGS), Porto Alegre, n. 13, p. 110 – 135, 2005.
BONELLI, Maria da Glória. Profissionalismo e Diferença de Gênero na Magistratura Paulista. Civitas – Revista de Ciências Sociais, v. 10, n. 2, p. 270 – 292, 2010.
BONELLI, Maria da Glória. Profissionalismo, Gênero e Significados da Diferença entre Juízes e Juízas Estaduais e Federais. Revista Semanal do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFSCar, v. 1, n. 1, p. 103-123, 2011.
BOURDIEU, Pierre. A Dominação Masculina. 2ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.
BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.
CROMPTON, Rosemary. Gender, Status and Professionalism. Sociology, Vol. 21, No. 3, 1987. p. 413-428.
HUFFPOST BRASIL. A Justiça Interrompida: O Quanto as Mulheres Têm Suas Falas Silenciadas no Judiciário. Disponível em: <http://www.huffpostbrasil.com/2017/05/12/a-justica-interrompida-o- quanto-as-mulheres-tem-suas-falas-sile_a_22083383/>. Acesso em 15 ago 2017.
HUNT, Alan. The Problematisation of Law in Classical Social Theory. In: BANAKAR, Reza (ed.); TRAVERS, Max (ed.). Law and Social Theory, 2 ed, Oxford: Hart Pub, 2013, p. 17 – 33.
IBGE. Censo Demográfico 2010. Educação e Deslocamento. Disponível em: <http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/545/cd_2010_educacao_e_deslocamento.pdf>. Acesso em 15 ago 2017.
KAY, Fiona M. e WALLACE, Jean E. The Professionalism of Practising Law: A Comparison across Work Contexts. Journal of Organizational Behavior, Vol. 29, No. 8, Professional Service Firms: Where Organization Theory and Organizational Behavior Might Meet, 2008. p. 1021- 1047.
MARTIN, Patricia Yancey. Gender as Social Institution. Social Forces, Vol. 82, No. 4, 2004. p. 1249-1273.
RECONDO, Felipe. Cármen Lúcia: as turbulências e um ensaio de gestão. JOTA. Disponível em:
<https://www.jota.info/especiais/carmen-lucia-ensaio-de-gestao-12092018>. Acesso em 20 ago 2018.
REDSTOCKINGS COLLECTIVE. Redstockings manifesto. Feminism in Our Time, New York: Vintage Books, 1969. p. 125-129.
SWEDBERG, Richard. Max Weber e a Ideia de Sociologia Econômica. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2005.
Téléchargements
Publiée
Numéro
Rubrique
Licence
© Ana Luísa de Almeida Lourenço Chamon 2019

Ce travail est disponible sous la licence Creative Commons Attribution 4.0 International .
Os autores que publicam na IDÉIAS concordam com os seguintes termos:(1) Autores mantém os direitos autorais e concedem à Revista Ideias o direito da primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
(2) Autores têm autorização para assumir publicações adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial na Ideias.
(3) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) depois do artigo ser publicado na Ideias, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
Informações adicionais:
Os artigos publicados na Revista Ideias estão sujeitos a licença CC-BY qual, em resumo:
Permite a cópia e Redistribuição em qualquer formato, desde que atribuída sua autoria e publicação inicial na Ideias.
Adotamos esse tipo de licenciamento pois é finalidade maior da IDÉIAS a difusão de conhecimento e não sua monopolização.
